A Netflix, serviço norte-americano de aluguel virtual de filmes e programas de TV, está perto de anunciar acordo com três das maiores emissoras da América Latina, entre elas a Rede Globo, e iniciar a transmissão on-line no Brasil, na Argentina, no Chile e no México.
O grupo negocia a compra de telenovelas e de outros conteúdos da brasileira e das mexicanas Televisa e TV Azteca, segundo disseram ao "Financial Times" fontes que acompanham a negociação.
"Nossa meta de longo prazo é ter um serviço global", informou a empresa. A Televisa, a TV Azteca e a Globo se negaram a comentar.
O plano é lançar um serviço ''streaming'' (não precisa baixar o arquivo para acessá-lo) em várias localidades nos próximos meses, oferecendo mix de produtos locais e norte-americanos. A América Latina é vista como um dos mercados mais promissores para grupos on-line.
Enquanto a Netflix se vende como parceira de estúdios, redes a cabo e canais, ela continua sendo vista como ameaça e competição à indústria de TV paga. Nos EUA, o serviço, que tem cerca de 23 milhões de usuários, é apontado como causa da falência da Blockbuster e é vista como ameaça à rede HBO.
Segundo a revista "Screen", a empresa de serviços digitais criada em 1997 teve, em 2010, um crescimento maior em Wall Street que a Time Warner.
De acordo com pesquisa do JP Morgan, 47% de seus usuários ativos consideram cancelar seu serviço de TV por assinatura.
Em 2002, a companhia abriu o capital e, ao longo dos anos, construiu um império de US$ 10,7 bilhões. A empresa tem mais de 100 mil títulos, de comédias e séries de TV a documentários e musicais. Ela cobra US$ 7,99 pela assinatura mensal de vídeos on-line nos EUA e no Canadá e busca diversificar o modelo para concorrer com Amazon e Google.
A Amazon, que também oferece serviços de ''streaming'' de filmes e TV, já comprou em janeiro o similar europeu da Netflix, a LoveFilm, por US$ 327 milhões.
ATIVIDADE NO BRASIL
Em março, a Folha já havia adiantado que executivos das áreas de desenvolvimento de negócios internacionais da Netflix haviam passado duas semanas no país acertando detalhes para a operação brasileira.
A intenção, segundo a reportagem, era oferecer assinatura mensal para transmissão de filmes, vídeos e séries pela internet a partir de junho.
Aluguel de DVDs com envio pelo correio, como há nos EUA, não estaria incluso.
Ainda segundo pessoas ligadas à negociação, os executivos da Netflix conversaram com produtores de filmes e com fabricantes de TVs. Com estes, a intenção era incluir um "atalho" para o sistema da Netflix nas TVs com acesso à internet.
No país, a Netflix terá como concorrente a Netmovies, empresa brasileira comprada pelo fundo de investimento Tiger Global em dezembro do ano passado.
A companhia, que atua em modelo semelhante ao da americana, oferece assinatura de 23 mil DVDs e discos Blu-ray entregues pelo correio e 3.500 filmes em transmissão on-line "streaming''. A empresa atua no Sul, no Sudeste e no Nordeste. FINANCIAL TIMES/FOLHA