Primeiro integrante da família a entrar na Universidade de São Paulo, o jovem Felipe Ramos de Paiva, 24, costumava dizer "que aquilo que era dele, fruto do trabalho dele, ninguém ia levar", lembrou o tio Oswaldo em reportagem de Laura Capriglione publicada na edição desta sexta da Folha.
Há seis meses, Felipe fez um investimento: comprou o Passat 1998, blindado, ao lado do qual seu corpo morto foi encontrado anteontem à noite. Escolheu o carro blindado, segundo o pai, porque já havia sido assaltado outras duas vezes --numa delas, tentaram levar a sua mochila; Felipe acabou por jogar o bandido para fora do ônibus em que estava.
No início do ano, o pai pediu ao filho que se cuidasse na USP, por causa dos sequestros que estavam ocorrendo no campus. O filho respondeu-lhe que era por isso que tinha um carro blindado. "Mas você não é", disse o pai.
CRIME
Felipe era estudante de ciências atuariais e foi morto com um tiro na cabeça por volta das 21h30 de quarta-feira. Segundo testemunhas, ele foi seguido por uma pessoa após sair da aula. Os dois discutiram.
A assessoria de imprensa da USP informou que o vigia do prédio da FEA ouviu os tiros e correu para o local. A vítima foi encontrada caída ao lado de seu carro --um Passat preto blindado--, que estava com a porta do motorista aberta. Não foi possível socorrê-lo.
Não há informações sobre quem atirou contra o jovem. A USP registrou ao menos cinco casos de sequestros-relâmpagos dentro da Cidade Universitária entre os meses de março e abril.
O Ministério Público de São Paulo informou nesta quinta-feira que a promotora Mildred de Assis Gonzalez, do 5º Tribunal do Júri, foi designada para acompanhar as investigações sobre o assassinato.
SUSPEITO
O DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) divulgou na noite de ontem o retrato falado de um dos suspeitos de matar Felipe. De acordo com a descrição, o suspeito tem cerca de 25 anos, 1,90 metro de altura, é magro, tem cabelos escuros e pele parda.
A polícia também divulgou imagens de câmeras de segurança que mostram dois suspeitos de terem cometido o crime.
Os dois homens --que não são alunos da USP-- aparecem em imagens de circuito interno saindo do saguão do prédio da FEA minutos antes do crime. FOLHA