sábado, 7 de maio de 2011

Obama matou Bin Laden e feriu Bush



José Luiz Teixeira

De São Paulo

São tantas e desencontradas as informações divulgadas pela Casa Branca sobre a Operação Gerônimo, que chego a desconfiar que seus executores não foram os "seals", e, sim, os nossos famosos "aloprados".
Assim como no antigo caso dos dossiês montados pelos petistas, o assalto dos americanos à mansão de Abbottabad quase produziu efeito inverso ao esperado junto à opinião pública.
Barack Obama ainda conseguiu sair vitorioso do episódio, mas tudo tem sido tão mal explicado, que permite aos jornalistas e ao público em geral produzir as mais diversas especulações a respeito do assunto.
Obviamente, também tenho a minha teoria da conspiração; e me digam, meus poucos mas bons leitores, se ela não é a mais próxima versão da verdade.
Bin Laden não havia sido ainda encontrado pela CIA por um motivo muito simples: isso não interessava ao governo americano.
Se os Estados Unidos capturassem o líder da Al Qaeda, como George Bush iria justificar sua guerra ao terror?
Que desculpas teria para justificar a invasão do Iraque? Ou do Afeganistão?
Na maniqueísta luta do bem contra o mal, um não pode existir sem o outro - qualquer estagiário de Psicossociologia sabe disso.
Bush resgatava no inconsciente coletivo o sentimento medieval das cruzadas; Bin Laden, o antigo aliado, o agora "anjo caído", vestia o figurino do Cão.
Assim, o então presidente americano convencia o contribuinte de que era preciso aplicar bilhões de dólares no seu aliado complexo industrial-militar que mantém as guerras em funcionamento.
Obama e os democratas precisavam desmontar esse esquema incrustado no governo durante os dois últimos mandatos republicanos.
Para isso, seria necessário desconstruir a imagem do onipresente inimigo que, no imaginário da maioria silenciosa ianque, estava sob todos os turbantes que encontrassem pela frente.
Deflagrar esse processo, entretanto, exigia a mudança lenta e gradual de algumas importantes peças do tabuleiro desse jogo de interesses.
Provavelmente, uma personagem importante do antigo esquema a cair tenha sido o secretário de Defesa, Robert Gates, no cargo desde 2006, ou seja, desde a gestão anterior.
A saída de Gates foi determinada no final de abril; poucos dias depois, a ação para caçar Bin Laden foi autorizada.
Domingo passado, portanto, Obama matou o até então inatingível símbolo do terror universal, e feriu Bush.
Três anos depois da vitória nas urnas, finalmente, parece estar conquistando o poder de direito e de fato.
José Luiz Teixeira é jornalista. Formado pela Faculdade Cásper Líbero, trabalhou em diversos órgãos de imprensa, entre os quais as rádios Gazeta, Tupi e BBC de Londres, e os jornais O Globo, Folha de S.Paulo e Folha da Tarde. TERRA MAGAZINE