O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse nesta sexta-feira ao premiê de Israel Binyamin Netanyahu que o país não deve reter as verbas da arrecadação tributária da ANP (Autoridade Nacional Palestina), em decorrência do acordo entre as facções palestinas Fatah e Hamas.
"O secretário-geral (...) observou que a unidade palestina é um processo que está recém-começado agora, e portanto seria melhor avaliá-lo conforme se desenrolar", disse a assessoria de imprensa de Ban numa nota sintetizando a conversa telefônica dele com Netanyahu.
"Ele também pediu a Israel que não pare de transferir a arrecadação tributária à Autoridade Palestina", afirmou.
Israel bloqueou no domingo a transferência de US$ 105 milhões relativos a taxações alfandegárias e outros tributos, coletados em nome da ANP.
A medida foi uma retaliação pelo acordo de reconciliação entre a facção laica Fatah --que comanda a Autoridade Palestina e defende o processo de paz com Israel-- e o grupo islâmico Hamas -- que controla a faixa de Gaza e é contrário ao Estado hebreu.
Os dois grupos haviam passado quatro anos rompidos, e os palestinos consideram que a reconciliação será crucial para a declaração da independência palestina nos territórios capturados por Israel numa guerra de 1967.
NETANYAHU COMENTA ACORDO
Após uma reunião em Paris com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, Netanyahu disse nesta quinta-feira que se o Hamas não renunciar à defesa da destruição de Israel como parte de seu programa, será impossível obter a paz.
"Um inimigo que quer nos destruir não é um parceiro para a paz", declarou Netanyahu, que ressaltou que o Hamas "deve abandonar o objetivo de destruir" seu país.
O Hamas, que controla a faixa de Gaza desde 2007, assinou um acordo de reconciliação com o Fatah, grupo político que governa a Cisjordânia.
Considerado um grupo terrorista por Israel, União Europeia e EUA, o Hamas não reconhece o Estado hebreu. Já o Fatah admite a solução dos dois Estados, um israelense e um palestino, e vem há anos negociando com Israel uma solução ao conflito na região.
No entanto, o chefe de governo de Israel assinalou que, "se a unidade é para a paz", Israel apoiará a reconciliação entre os dois grupos palestinos e reiterou que a única solução ao conflito israelense-palestino passa por "dois Estados para dois povos".
Segundo Netanyahu, durante sua reunião com Sarkozy, o presidente francês ressaltou que os palestinos "devem reconhecer Israel como o Estado do povo judeu" e elogiou-o por sua "clareza" com o presidente francês.
"O melhor caminho para a paz é a negociação" entre palestinos e israelenses, e não "através de um ditado da ONU", acrescentou o primeiro-ministro israelense, que se mostrou contrário a "estabelecer um Estado palestino para continuar com o conflito". FOLHA