Ao contrário do que o governo vem pregando, a inflação não deverá ficar no centro da meta já no ano que vem, disse nesta segunda-feira (30) o vice presidente do Itaú-Unibanco, Alfredo Setúbal. Para o executivo, é mais provável que isso só aconteça em 2013.
"Acho difícil ir para o centro da meta no ano que vem. Acho que entre 5% e 5,5% é mais factível. A inflação internacional está forte, as commodities estão pressionando, e a economia brasileira ainda tem um índice de indexação de preços e salários muito grande. Isso tudo gera dificuldades de a inflação cair rapidamente", afirmou, durante o seminário Rio Investor's Day, que acontece até amanhã no Rio.
Setúbal estimou que a inflação acumulada em 12 meses, que fechou o mês de abril em 6,51%, suba ainda mais até setembro, podendo chegar até 7%. Isso vai acontecer, explicou, em função das taxas mais baixas observadas no ano passado.
Nos últimos meses do ano, no entanto, a tendência é que a inflação volte a ficar dentro do teto da meta, fechando 2011 próxima dos 6%. O centro da meta estipulado pelo BC é de 4,5%, com margem de tolerância de 2 p.p. (pontos percentuais) para cima ou para baixo.
O executivo avaliou que o mercado, especialmente o automotivo, já vem sentindo a alta da taxa de juros imposta pelo BC para tentar controlar a inflação. No primeiro trimestre, lembrou Setúbal, a concessão de crédito para a compra de veículos caiu de 15% a 20% em relação ao ano passado. Ainda assim, a expectativa é que haja crescimento, mesmo que mais moderado, em 2011.
O crédito imobiliário, por outro lado, deve seguir em alta. Para Setúbal, a carteira do Itaú-Unibanco para o setor deve avançar cerca de 50% este ano. O mercado, segundo ele, seguirá em patamar semelhante.
"A base ainda é pequena. Para o Itaú-Unibanco, representa 3% de todas a carteira de concessão de crédito. Estamos dando foco maior, e a demanda está existindo, apesar de a taxa de juros nominal ainda ser alta", observou.
FOLHA