A prisão do diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, por abuso sexual ampliou as incertezas sobre a crise da dívida da zona do euro, derrubando o euro para o menor valor em sete semanas e pressionando as bolsas de valores nesta segunda-feira.
Embora haja poucos indícios de que as atividades do FMI serão prejudicadas, a detenção ocorreu quase na véspera de uma série de novas negociações sobre como lidar com a crise do bloco monetário europeu.
Strauss-Kahn --que também era um potencial candidato à Presidência francesa-- deveria reunir-se com a chanceler alemã, Angela Merkel, no domingo, e juntar-se ao encontro de ministros das Finanças da zona do euro nesta segunda-feira para discutir os problemas europeus.
O euro chegou a US$ 1,4048, menor nível desde 30 de março, registrando queda de 6% desde o pico em 17 meses alcançado há duas semanas.
A acusação contra Strauss-Kahn também aumenta o humor geral de aversão a risco, pressionando o mercado de ações. As bolsas de valores da Europa atingiram o menor patamar em mais de uma semana, de olho na reunião de ministros da zona do euro.
No entanto, um porta-voz da Comissão Europeia afirmou hoje que a detenção de Strauss-Kahn não deve afetar os planos de ajuda financeira para os países da Eurozona, dos quais o organismo com sede em Washington participa.
"Temos plena confiança de que haverá uma continuidade nas operações e na tomada de decisões no FMI", disse o porta-voz, referindo-se à prisão de Strauss-Kahn em Nova York.
O escândalo "não deve ter nenhum impacto sobre os programas de ajuda para Grécia, Irlanda e Portugal", acrescentou, antes de uma reunião da Eurozona em Bruxelas sobre a crise da dívida soberana da qual o diretor do FMI deveria participar. REUTERS/FRANCE PRESS/FOLHA