Cerca de 3.000 trabalhadores contratados para construir a usina de Jirau, no rio Madeira (RO), decidiram não continuar na obra e pediram demissão ao longo de maio.
A estimativa é de Raimundo Soares, presidente do Sticcero (Sindicato dos Empregados da Construção Civil do Estado de Rondônia).
Segundo ele, 90% dos trabalhadores que moram em outros Estados não querem mais retornar à obra. Cerca de 6.000 tiveram de voltar a suas cidades de origem em março, depois de os alojamentos do canteiro serem destruídos por um grupo de empregados durante um quebra-quebra.
"Ninguém quer voltar, Os trabalhadores vêm [até Porto Velho] só para buscar o dinheiro do acerto e voltar para casa", disse o sindicalista.
Um dos motivos das demissões voluntárias é o temor de novos confrontos, segundo o sindicalista. Outra razão é a perspectiva de emprego na obra da usina de Belo Monte, já licenciada para ser construída no Pará.
"Em vez de voltar para Jirau, muitos estão preferindo pegar o acerto para esperar em casa por Belo Monte. Estamos fazendo homologações de segunda a sexta-feira sem parar", disse Soares.
As empresas construtoras de Belo Monte já sinalizaram que pretendem dar preferência a moradores da região ou de famílias inteiras para evitar "instabilidade emocional" no canteiro.
Antes do quebra-quebra, a obra de Jirau reunia cerca de 22 mil trabalhadores, dos quais 19 mil moravam em alojamentos. A maioria era de contratados da construtora Camargo Corrêa.
Em abril, a empresa anunciou que tinha a intenção de cortar 4.000 vagas.
A Procuradoria do Trabalho conseguiu suspender um acordo firmado em abril entre o sindicato e a Camargo Corrêa - que autorizava a empresa a fazer as demissões que julgasse necessárias.
Uma liminar obtida neste mês pela Procuradoria impede a empresa de realizar demissões sem justa causa. Segundo a procuradora Paula Moura, "a liminar está em pleno vigor, mas não abrange os contratos de trabalho que não interessam mais ao trabalhador".
A Camargo Corrêa disse que não confirma a demissão dos 3.000 trabalhadores e que a empresa não fará comentários sobre o tema. O Consórcio Energia Sustentável disse que não se manifesta em relação a questões trabalhistas.
FOLHA