A reunião entre o secretário dos Transportes Metropolitanos de São Paulo, Jurandir Fernandes, e os quatro sindicatos dos ferroviários terminou sem definição sobre o fim da greve da CPTM. Os trens da companhia transportam 2,4 milhões de pessoas todos os dias. Uma nova reunião entre as duas partes deve acontecer ainda nesta quinta-feira no TRT (Tribunal Regional do Trabalho).
Segundo o secretário, não foram feitas novas propostas de reajuste no encontro de hoje, mas foram discutidas outras reivindicações relativas a auxilio creche, licença maternidade e vale-refeição. "[A reunião] começou tensa, mas alguns pontos ficaram mais claros", afirmou ele.
O presidente do Sindicato dos Ferroviários de São Paulo, Eluiz Alves de Matos, disse que as negociações ainda dependem da reunião de hoje. Após isso, uma nova assembleia com os trabalhadores deve acontecer às 18h, onde será discutido o possível retorno às atividades.
O secretário chegou a pedir aos sindicatos que antecipassem a assembleia para que houvesse a possibilidade de retorno das atividades, ao menos parcialmente, ainda entre o fim da tarde e a noite de hoje, mas os sindicatos afirmaram que só vão decidir pela possível antecipação após a reunião no TRT.
"Nós queremos que essa greve se encerre o mais breve possível com o compromisso de que as negociações nunca cessarão. Acho que eles conseguiram demonstrar a capacidade de luta deles, mas não é necessário colocar a população numa situação dessa", afirmou o secretário.
GREVE
Com a greve nos trens, muitas pessoas estão recorrendo ao metrô, provocando lotação nas estações.
Ontem, a categoria já tinha paralisado as atividades parcialmente, afetado as linhas 12-Safira e 11-Coral. Hoje, a greve se estendeu às demais linhas, atingindo as 89 estações da CPTM, que atendem 22 cidades da região metropolitana.
Para minimizar os problemas com a greve, a SPTrans (empresa que gerencia o transporte) prolongou o itinerário de 21 linhas que levam regularmente passageiros à estação da CPTM de Guaianazes e três que atendem até a estação José Bonifácio até o metrô Itaquera.
ÔNIBUS
A greve dos funcionários dos ônibus municipais e intermunicipais da região do ABC também continua. A paralisação está mantida ao menos até as 15h, quando acontece uma nova assembleia da categoria.
Em nota, a EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) afirmou que a Justiça deferiu na noite de ontem liminar determinando a volta imediata de pelo menos 80% da operação, com multa diária de R$ 200 mil em caso de descumprimento.
A medida cautelar para garantir a operação havia sido entregue ao TRT (Tribunal Regional do Trabalho) contra os sindicatos patronal e de empregados das empresas.
As cidades atingidas pela greve são: Mauá, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Ribeirão Pires, Diadema, Santo André e Rio Grande da Serra.
De acordo com o Sindicato dos Rodoviários do Grande ABC, quase 100% da categoria aderiu à paralisação por não concordar com os 8% de aumento no salário oferecido pelas empresas.
Os grevistas pedem 15% de aumento e as empresas não apresentaram nova proposta, segundo o sindicato.
FOLHA