O novo presidente peruano, Ollanta Humala, toma posse nesta quinta-feira sob olhares ao mesmo tempo receosos e esperançosos no Brasil.
De um lado, Brasília espera que a afinidade de Humala com políticos brasileiros acentue a integração entre os dois países; de outro, empresários com negócios no Peru se dizem otimistas, mas aguardam com ansiedade e até certo receio o desfecho de um impasse sobre investimentos brasileiros bilionários no setor energético peruano.
Vencedor das eleições presidenciais mais polarizadas da história do Peru, o esquerdista Humala buscou em sua campanha afastar-se da imagem do venezuelano Hugo Chávez e adotar um estilo mais próximo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para isso, contou com a assessoria do petista Valdemir Garreta e de Luis Favre, ex-marido da senadora Marta Suplicy (PT).
Ao derrotar a conservadora Keiko Fujimori no segundo turno, Humala optou por iniciar pelo Brasil um giro por países vizinhos. O gesto, segundo um alto diplomata brasileiro consultado pela BBC Brasil, foi interpretado pelo Planalto como um sinal de que ele pretende estreitar as relações com o país.
Humala estaria preocupado em adotar no Peru um modelo de desenvolvimento “à brasileira”, que alie crescimento econômico e redução de assimetrias sociais. Isso porque, embora o país andino venha crescendo a altas taxas nos últimos anos, não tem conseguido distribuir a renda, o que alimenta tensões.
Paralelamente, segundo o diplomata, Humala também tem sinalizado o interesse em ampliar as relações comerciais com países sul-americanos não pertencentes ao Arco do Pacífico – grupo integrado por Peru, Colômbia, México, Chile, Equador e países centro-americanos.
Na avaliação do Itamaraty, a postura abriria espaço para o crescimento do Mercosul rumo ao norte, intenção já anunciada pelo bloco em sua última cúpula, em junho.
Outro fator que tende a aproximar Brasil e Peru é a inauguração da estrada que unirá Rio Branco, no Acre, a cidades portuárias peruanas.
A rodovia, que está quase pronta, encurtará o caminho de mercadorias brasileiras destinadas à Ásia. Além disso, segundo o diplomata, sua abertura garantirá à fronteira entre ambos os países um fluxo comercial superior ao de qualquer outra fronteira brasileira com países ao norte do Mercosul.
BBC BRASIL