As medidas anunciadas pelo governo para conter a valorização do real - e crescente especulação no mercado brasileiro - estão repercutindo entre os economistas. Para eles, a ação do Estado não resolve e, mais uma vez, é paliativa.
A avaliação é de que as novas medidas cambiais anunciadas pelo governo surtem efeito sobre as cotações do dólar no curto prazo, (seguram a tendência de queda da moeda) mas não eliminam essa trajetória por conta do cenário internacional.
Para Reginaldo Gualhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, a medida pode não ser tão eficiente quanto o governo quer porque a crise americana influencia muito no status do dólar no mundo.
"Essas medidas não mudam tudo. Agora pode ter um impacto, mas é pontual, porque boa parte do processo é fraqueza do dólar norte-americano. É só você ver o euro forte; o dólar está fraco no mundo. Tem de esperar a reversão da política monetária dos Estados Unidos".
Ele avalia a atuação do governo:"No passado, não vimos nenhuma medida que pudesse reverter essa tendência [de queda do dólar], apenas altas pontuais, após as medidas e também pelo exterior. Num primeiro instante, o tumulto vai dar força ao dólar, mas depois a gente deve ver alguma estabilização".
Para Luciano Rostagno, estrategista-chefe da CM Capital Markets, o real tende a cair no curtíssimo prazo.
"Até pode fazer o dólar dar uma ajustada para cima, mas com a ajuda do movimento externo, onde o euro está se desvalorizando contra o dólar. Talvez essa forte queda que o dólar teve nos últimos dias pode ter sido porque o mercado estava se antecipando a essa medida. A tendência de apreciação [do real] persiste, já que, na nossa visão, o Banco Central deve aumentar o juro mais uma vez e a economia segue em ritmo de crescimento", avalia Rostagno.
MEDIDA PROVISÓRIA
Hoje, o governo editou medida provisória que permite aumentar a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em até 25% sobre operações com derivativos, contratos feitos no mercado futuro. Os derivativos podem proteger as empresas de grandes perdas, mas puxam o dólar para baixo porque "apostam" na sua queda e influenciam o mercado.
Com a medida, as empresas exportadoras, por exemplo, que fizerem contratos derivativos apostando na queda do dólar apenas para cobrir o valor de suas exportações não serão atingidas. A medida tem como alvo as operações com derivativos cambiais, que possuem influência na formação da taxa de câmbio.
Há meses, o governo luta para reduzir o interesse estrangeiro em trazer dólares para cá e, em contrapartida, diminuir a saída de reais seja via empresas brasileiras com negócios nos exterior ou até com gastos de turistas brasileiros no exterior.
Além dessas medidas, que servem para aumentar a competitividade brasileira, o governo também tem tomado medidas para reduzir a concessão de crédito com o objetivo de controlar o consumo, a escalada de preços e conter a inflação. Esse segundo problema, afeta diretamente a economia doméstica que precisa desaquecer, mas tem dificuldades devido a série de estímulos adotadas pelo governo para não sucumbir à crise mundial, iniciada em 2008.
Segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda), além de conter a desvalorização do dólar, essas medidas também visam diminuir a especulação. "Eu acredito que com essa medida, nós vamos diminuir a vantagem da especulação. Se nós não tivéssemos tomado todas essas medidas nós estaríamos com um câmbio sei lá aonde, prejudicando o exportador", declarou Mantega.
Com informações da Reuters e Valor Online
FOLHA