terça-feira, 2 de agosto de 2011

Usiminas revisa para baixo previsão de vendas para 2011

A Usiminas, maior produtora de aços planos do Brasil, está trabalhando com um cenário de fraqueza nas vendas de aço do segundo semestre, período que normalmente tem desempenho melhor que a primeira metade do ano.

A companhia reduziu nesta terça-feira projeção para vendas de aço em 2011 para o mesmo patamar obtido no problemático ano de 2010, prevendo ao mesmo tempo estabilidade de custos no restante do ano.

"Não estamos vendo sinais de atividade maior na demanda por aço no segundo semestre", afirmou o vice-presidente financeiro da Usiminas, Ronald Seckelmann, em teleconferência com analistas nesta terça-feira, após a divulgação de um desempenho de segundo trimestre dentro do esperado por analistas.

Na avaliação do executivo, os sinais do mercado para o restante do ano são de relativa estabilidade. Por isso, a siderúrgica reduziu sua projeção de vendas de aço em 2011 de 6,8 milhões para 6,5 milhões de toneladas.

No primeiro semestre, a empresa acumulou vendas de 3,171 milhões de toneladas, queda de 8% no comparativo anual.

Na frente comercial, a empresa -- que no final de 2010 foi obrigada a baixar preços para enfrentar a avalanche de importações de aço no país -- também está vendo estabilidade nos próximos meses nos mercados interno e externo.

"Em julho e agosto já podemos dizer que as negociações de preços estão concluídas e para setembro estão em curso. Por ora, o patamar de preços médios no mercado interno que vimos no segundo trimestre está se repetindo no terceiro", disse o vice-presidente da área de siderurgia da Usiminas, Sérgio Leite".

No geral, os executivos da Usiminas mantiveram o tom de apresentações dos últimos trimestres, de melhora gradual da performance de custos da companhia e cenário ainda difícil para o setor siderúrgico global, que enfrenta excesso de demanda, altos custos de matéria-prima e dólar desvalorizado contra uma série de moedas.

MERCADO INTERNO

Por conta das dificuldades nas exportações, a Usiminas está concentrando esforços no mercado interno. No fechado de 2011, a expectativa da companhia para o mix de vendas é de 80% no Brasil, ante 75% em 2010.

Uma preocupação recente de analistas --a situação financeira futura da companhia que está investindo bilhões de reais para aumentar valor agregado de seus produtos e reduzir custos -- por enquanto não causa sinais de alerta para a companhia.

Na avaliação de Seckelmann, o caixa de R$ 5,63 bilhões da empresa no final de junho dá conforto para a Usiminas seguir com programa de investimento que deve consumir R$ 2,6 bilhões apenas em 2011.

"As três agências (de classificação de risco --Standard & Poor's, Moody's e Fitch) reafirmaram nossos ratings recentemente, duas com perspectiva estável e apenas uma com perspectiva negativa, que é mais em função do mercado dos produtores de aço", complementou.

Após os resultados do segundo trimestre, o presidente da siderúrgica, Wilson Brumer, reafirmou foco no médio e longo prazos, quando a empresa começar a colher a partir de 2015 frutos de investimentos em melhora de custos e de aumento na produção de minério de ferro, que no segundo trimestre praticamente empatou em geração de caixa com o negócio de siderurgia.

REUTERS/FOLHA