segunda-feira, 19 de setembro de 2011

FMI prevê PIB negativo e mais um ano de recessão na Grécia em 2012


A recessão seguirá afetando a Grécia durante 2012, pelo quarto ano consecutivo, mas a um ritmo mais lento, e a recuperação virá apenas em 2013, afirmou o representante permanente do FMI (Fundo Monetário Internacional) em Atenas, Bob Traa.

"O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) deve ser de -5,5% em 2011, e de -2,5% na média em 2012. O crescimento positivo só virá em 2013", disse Traa em um evento organizado em Vouliagmeni, perto de Atenas, pela revista britânica The Economist.

Os ministros gregos das Finanças, Evangelos Venizelos, e do Desenvolvimento, Michalis Chryssohoides, também participam do evento.

Ontem (18), Venizelos disse que a Grécia precisa tomar decisões difíceis para evitar um default (calote) e permanecer na zona do euro. "Precisamos cumprir integralmente as metas fiscais para 2011 e 2012", afirmou.

Ele não revelou nenhum pacote específico de austeridade, mas disse que o Orçamento do próximo ano vai se concentrar em cortes de gastos, em vez de aumentos nas receitas.

Durante o fim de semana, o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, cancelou uma visita planejada aos Estados Unidos para tratar do aprofundamento da crise grega, dias antes de inspetores internacionais chegarem ao país para averiguarem as contas gregas.

Papandreou estava em Londres, a caminho dos encontros com membros da ONU e do FMI quando decidiu voltar a Atenas.

MEDIDAS

A Grécia tinha se comprometido em julho a cumprir com um programa de medidas a médio prazo, até 2015, para arrecadar 78 bilhões de euros com cortes de pagamentos adicionais no setor público, arrecadação de 50 bilhões de euros com privatizações e aluguéis de propriedades estatais e aumento de impostos.

Os parceiros da zona do euro e da União Europeia (UE) não estão convencidos de que os gregos possam alcançar estas metas, por isso, exigiram que o país faça mais para reduzir seu enorme déficit, de 10,5% do PIB em 2010, e uma dívida que pode chegar a 157,7% do PIB.

O ministro das Finanças grego, Vangelis Venizelos, declarou no sábado que não se pode falar sobre uma saída da Grécia da zona do euro, mas reconheceu que o país passa por momentos muito difíceis.

A entrega do lance mais recente do resgate financeiro depende da inspeção das instituições que emprestaram dinheiro à Grécia, mas a visita para avaliar o país foi adiada.

O líder da oposição, o conservador Antonis Samaras, defendeu também no sábado que a única solução são eleições antecipadas e prometeu que caso seja eleito renegociará o acordo com os credores estrangeiros.

FOLHA