Frustrado com a decisão do governo de elevar o IPI para carros importados, o empresário Henry Visconde, dono da rede de concessionárias Eurobike, está decidido a retardar os investimentos para ampliar sua rede.
A Eurobike vende marcas de luxo como BMW, Porsche, Land Rover e Audi.
De 2002 para cá, a rede deu salto de duas para 16 revendedoras, que empregam 500 pessoas. Essa expansão ocorreu mediante investimentos de R$ 25 milhões.
"O mercado de luxo vinha tendo um ótimo desempenho. Estávamos ampliando várias lojas e pensando em construir outras. Agora, estou repensando os investimentos", afirma.
PÉ NO FREIO
A expansão das lojas situadas em Bauru, no interior de São Paulo, e em Uberlândia, em Minas Gerais, serão as primeiras afetadas pela pisada no freio do empresário depois do reajuste da alíquota do IPI.
Recentemente, a rede duplicou a capacidade de sua loja em São José do Rio Preto, no interior paulista.
Visconde não se conforma, especialmente, que carros de luxo, com custo superior a R$ 125 mil, tenham sido afetados pela medida. Para ele, a vocação das montadoras nacionais é para carros compactos e médios, com valores inferiores a R$ 80 mil.
"Não há competição com a indústria nacional nesse segmento de carros de luxo", diz.
O empresário rechaça a tese de que o mercado de carros de luxo não será muito afetado, devido ao alto poder aquisitivo dos consumidores. "Vai ter impacto muito grande sim, é um aumento médio de 26%, é significativo".
A decisão do governo foi considerada equivocada por Visconde, que diz ser favorável que haja incentivos à indústria nacional.
"Mas não se pode esmagar os outros. Essa medida foi uma tristeza, faltou uma análise mais detalhada".
FOLHA