domingo, 2 de outubro de 2011

Milhares marcham em Portugal contra plano de austeridade


Dezenas de milhares de pessoas marcharam em Lisboa e no Porto neste sábado para protestar contra medidas de austeridade impostas sob os termos de um pacote de resgate do FMI (Fundo Monetário Internacional) e da União Europeia.

São os primeiros protestos de peso desde que um governo de centro-direita assumiu o poder em Portugal, em junho.

O maior sindicato, o CGTP, que organizou as manifestações, pediu por mais protestos e uma ação trabalhista na semana de 20 a 27 de outubro "contra a pobreza e a injustiça e contra a agressão do Fundo Monetário Internacional".

O líder do CGTP, Manuel Carvalho da Silva, disse que 130 mil pessoas participaram da marcha em Lisboa, onde os manifestantes lotaram a Avenida Liberdade. A polícia não quis dar uma estimativa do tamanho da multidão.

O imposto sobre as contas de energia e gás aumentou para 23% no sábado, ante 6%, para ajudar a conter o déficit orçamentário.

Portugal tenta evitar o destino da Grécia, onde uma crise da dívida deixou o país à beira da bancarrota.

Ao contrário da Grécia e de outros países europeus que vêm sendo cenários de protestos violentos contra medidas de austeridade, as manifestações em Portugal costumam ser pacíficas, e a de hoje não foi exceção.

Da Silva não chegou a pedir uma greve geral como a que o país testemunhou em novembro passado.


MAIS IMPOSTOS

Sob os termos do pacote de resgate de 78 bilhões de euros (US$ 104 bilhões), Portugal precisa aumentar os impostos, cortar os gastos, aplicar reformas estruturais, principalmente no mercado de trabalho, e privatizar propriedades estatais para reduzir o déficit orçamentário.

Estima-se que as medidas provocarão uma recessão profunda neste e no próximo ano, e um aumento no desemprego do atual nível de mais de 12%, que já é o maior em três décadas.

"Quando analisamos os primeiros 100 dias do novo governo, é uma desgraça. A direita e a extrema direita não têm solução para os problemas do país, nenhum desenvolvimento econômico", disse Carvalho da Silva aos manifestantes.

"Quando eles atacam nossos direitos, quando a pobreza e a injustiça estão crescendo, então nossa luta tem que ser generalizada, tem que ser a luta de todos".

A coalizão do governo de centro-direita assumiu em junho, apoiada por uma sólida maioria parlamentar depois do colapso da administração socialista. O novo governo prometeu atender a qualquer custo as metas impostas para o déficit de orçamento do pacote.

Os sindicatos reagiram à tentativa inicial de austeridade no ano passado com uma greve geral, mas desde então recorreram a greves setoriais menores.

Analistas dizem que os conflitos sociais podem se intensificar a medida em que os impostos mais altos surgirem e conforme avançam as privatizações em empresas como a operadora de energia REN e a companhia aérea TAP.

FOLHA