quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Quinta Frota dos EUA diz que não permitirá bloqueio em Ormuz


A Quinta Frota dos Estados Unidos afirmou nesta quarta-feira que não permitirá nenhuma interrupção do tráfego no estreito de Ormuz, depois que o Irã ameaçou impedir os navios de passarem pela estratégica rota de escoamento de petróleo.

"O livre fluxo de mercadorias e serviços pelo estreito é vital para a prosperidade regional e global", disse um porta-voz da frota, baseada no Barein, em resposta por escrito perguntas da Reuters sobre a possibilidade de o Irã fechar a passagem.

"Quem quer que ameace prejudicar a liberdade de navegação em um estreito internacional está claramente fora da comunidade de nações. Nenhuma interrupção será tolerada", disse o porta-voz.

Indagado sobre se estava adotando alguma medida específica em resposta à ameaça de fechamento do estreito, o assessor respondeu que a frota "mantém uma presença robusta na região para deter ou conter atividades desestabilizadoras", e não deu mais detalhes.

A declaração do porta-voz da frota é uma resposta a declarações recentes de autoridades iranianas.

Nesta quarta-feira, o mais alto comandante naval do Irã afirmou que bloquear o estreito de Ormuz, no Golfo, a petroleiros seria "mais fácil que beber um copo de água" para o Irã, se o país considerar a ação necessária, aumentando assim os temores sobre a mais importante rota de passagem do produto no mundo.

"Fechar o estreito de Ormuz é realmente muito fácil para as Forças Armadas do Irã... ou, como os iranianos dizem, será mais fácil que beber um copo de água", disse Habibollah Sayyari à emissora iraniana de língua inglesa Press TV.

"Mas, neste momento, não precisamos fechá-lo, já que temos o Mar de Omã sob controle, e podemos controlar o trânsito", disse Sayyari, que está no comando de dez dias de manobras militares iranianas em Ormuz.

EUA, Reino Unido, Canadá e países da UE (União Europeia) defendem há semanas aumentar as sanções econômicas contra o Irã por conta de um relatório da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) que sugere que o país tenta dotar-se de armas nucleares. Um embargo ao petróleo iraniano ainda é debatido.

Críticos das sanções dizem que as medidas não conseguirão impedir o desenvolvimento nuclear do Irã e significaria fazer o jogo de um governo que usa sua hostilidade contra Washington como motivo de orgulho.

Teerã defende que seu trabalho nuclear é inteiramente pacífico e disse que o relatório era baseado em informações falsas da inteligência ocidental.

No último sábado (24), o Irã começou dez dias de exercícios navais em Ormuz. O exercício militar, chamado de "Velayat-e 90", acontece enquanto a tensão entre o Ocidente e o Irã vem aumentando, devido ao programa nuclear do país islâmico.

Israel e EUA dizem não descartar uma ação militar, caso a diplomacia e as sanções contra o país não consigam deter a atividade nuclear do Irã.

Teerã já disse anteriormente que responderia a qualquer ataque tendo como alvo os interesses dos EUA na região e Israel, além de fechar o Estreito, o único canal de acesso para os mercados estrangeiros de oito países árabes do golfo - parceiros dos EUA.

REUTERS/FOLHA