O incêndio em uma casa noturna de Santa Maria (RS), que deixou pelo
menos mais de cem mortos na madrugada deste domingo, faz relembrar
outras duas tragédias causadas pelo uso de sinalizadores durante festas e
shows de rock em outros países.
Em 30 de dezembro de 2004, a Argentina ficou de luto após 194 pessoas
morrerem na discoteca República Cromagnon, no bairro de Once, em Buenos
Aires. A tragédia foi causada por um sinalizador usado pela banda
Callejeros, que queimou o forro do teto.
A boate não tinha saídas de emergência, o que dificultou a saída dos
frequentadores. Os familiares das vítimas acusaram o governo da cidade
de Buenos Aires de falhar na fiscalização das casas noturnas, o que
provocou o impeachment do então chefe de governo, Aníbal Ibarra.
Amigos e parentes das vítimas fizeram um santuário em frente à
discoteca.
Duas quadras da rua Bartolomeu Mitre na região do desastre
ficaram fechadas por oito anos e foram liberadas no ano passado quando o
governo da capital fez um desvio para preservar o local da tragédia.
Os cinco integrantes da banda Callejeros foram condenados em 2011 a até
11 anos de prisão. O dono da República Cromagnon, Omar Chabán, cumpre
pena desde 2009 a 20 anos de prisão.
Devido ao incidente, o governo argentino passou a exigir a colocação de
saídas de emergência em casas noturnas devidamente indicadas para evitar
tragédias. Também foi proibido o uso de fogos de artifício em shows e
festas, o que era comum em concertos no país.
RÚSSIA
Em dezembro de 2009, um incêndio em uma casa noturna de Perm, no leste
da Rússia, deixou 141 mortos e milhares de feridos. As chamas também
foram provocadas por fogos de artifício que foram usados dentro da
boate.
Os donos e dirigentes da boate foram presos por homicídio e violação das
normas de segurança e prevenção do incêndios. O diretor da empresa que
instalou os fogos também foi condenado a cinco anos de prisão.
Após a tragédia, o governo russo anunciou controles extras às discotecas, auditórios, casas de shows e outros espaços similares.
FOLHA DE S. PAULO