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Saturday, April 2, 2016

Erros na política econômica estão quebrando as empresas

Vicente Nunes
Correio Braziliense


A política econômica da presidente Dilma Rousseff, com todos os seus equívocos, colocou o setor produtivo próximo do colapso. Dados coletados por técnicos do governo mostram que empresas de todos os portes estão com um pé na falência e, se quebrarem, vão levar o desemprego para muito além dos 9,5% captados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O quadro é tão complicado, que as principais instituições financeiras já enviaram um sinal de alerta ao Banco Central. Dependendo do tamanho da ruína das companhias, alguns bancos também podem vir a apresentar problemas.
Diante da gravíssima recessão na qual o país está mergulhado, as vendas desabaram. Em alguns casos, o faturamento nos dois primeiros meses deste ano caiu à metade do observado em igual período de 2015. O fluxo de caixa não está sendo suficiente para cobrir todas as despesas operacionais, inclusive a folha de salários. Desde a segunda metade do ano passado, quando a atividade começou a despencar, as empresas vêm cobrindo os gastos com empréstimos, por meio de linhas de capital de giro. Mas, como várias delas estouraram seus limites de crédito, os bancos fecharam as torneiras.

SEM ESTRESSE…

O Banco Central garante que o sistema financeiro está forte o suficiente para lidar com qualquer tipo de estresse. Os bancos vêm se preparando para as dificuldades. Tanto que as provisões para créditos de difícil liquidação deram um salto expressivo entre dezembro de 2014 e janeiro deste ano, passando de R$ 147,3 bilhões para R$ 186,2 bilhões.
Esse volume de dinheiro é, no entender da autoridade monetária, mais do que compatível com a alta da inadimplência das empresas, que, no mesmo período, subiu de 3,4% para 4,7%, e das pessoas físicas, que pulou de 5,3% para 6,2%.
Dentro do governo, a orientação é para que o BC apresse um programa para socorrer as empresas em dificuldades.

MAIS RISCOS

A ideia, como já informou o Ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, é liberar parte dos depósitos compulsórios que os bancos detêm com a autoridade monetária. A liberação de recursos deve vir acompanhada do afrouxamento de regras prudenciais, para que as instituições financeiras possam assumir mais riscos. Há o perigo, porém, de, na ânsia de criar um fato positivo, o governo perder as rédeas do programa de incentivos. O histórico, como se sabe, é muito ruim.
Ex-diretor do BC, o economista Carlos Thadeu de Freitas  lembra que o modelo de socorro que o governo está preparando já foi usado nos anos 1970, quando Mário Henrique Simonsen era Ministro da Fazenda. Pelo programa de refinanciamento compensatório, o BC liberava recursos para que os bancos pudessem renegociar dívidas de empresas e de pessoas físicas em dificuldade. Com isso, se evitava uma quebradeira em massa. As operações eram controladas e prevaleceram em um espaço específico de tempo. Quer dizer, foram temporárias.
Na visão de Thadeu, não há, hoje, problema de falta de recursos para que os bancos possam emprestar. Muito pelo contrário, as instituições estão com o caixa abarrotado, engordando os lucros com os altos juros pagos pelos títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional. O entrave está na falta de confiança. Os bancos não acreditam mais na clientela. Temem perder dinheiro com a severa recessão que assombra o país.

Tribuna da Internet