quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Investimento estrangeiro em 12 meses bate recorde

Os investimentos estrangeiros diretos, aqueles destinados ao setor produtivo, alcançaram o valor recorde de US$ 51 bilhões nos 12 meses encerrados em janeiro. Segundo dados do Banco Central, esse é o maior valor para a série iniciada em 1947.

Essa entrada de recursos disparou nos últimos três meses, depois de um período em que empresas estrangeiras estavam adiando investimentos no país. Entre dezembro e fevereiro, esse último mês com dados parciais até dia 23, já entraram US$ 25 bilhões.

"É mais comum ter ingressos mais fracos no começo do ano. Por isso, esses fluxos que estamos observando prenunciam um resultado favorável para o investimento estrangeiro direto no ano", disse o chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

Em dezembro, o resultado havia sido puxado por uma entrada de US$ 7,1 bilhões, referentes a uma operação da petrolífera chinesa Sinopec, que comprou 40% da Repsol no Brasil.

Em janeiro, os ingressos estão distribuídos entre Espanha, EUA e Canadá, com destaque para os setores de obras de infraestrutura, comércio e atividades imobiliárias.

Em fevereiro, já entraram US$ 6,7 bilhões no país, e o BC espera fechar com investimentos de US$ 7 bilhões, melhor resultado para fevereiro da série.

AÇÕES E TÍTULOS

Os investimentos estrangeiros em ações em títulos, por outro lado, foram mais fracos nesse mesmo período.

No caso de ações negociadas no país, o investimento em janeiro e fevereiro, juntos, ainda está abaixo do registrado no primeiro mês de 2010.

As aplicações em títulos de renda fixa no país estão negativas desde novembro, um mês depois de o governo aumentar a tributação sobre esses investimentos para conter a entrada de capital especulativo no Brasil.

Outra fonte de recursos para o país são as captações de empresas brasileiras no exterior, que buscam novas fontes de financiamento com recursos mais baratos. Em janeiro, a taxa de rolagem ficou em 237%. Isso significa que os empréstimos que venceram foram rolados e ainda houve espaço para obter novos financiamentos.

GASTOS NO EXTERIOR

O aumento dos investimentos estrangeiros ajudou a melhorar o financiamento do resultado negativo do Brasil nas suas transações com o exterior, que cresce puxado pelo aumento de importações, gastos fora do país e remessas de recursos.

Nos últimos três meses, o deficit foi coberto com folga pelos investimentos, mas a expectativa é de piora nesse resultado até o fim do ano.

O deficit acumulado em 12 meses está em US$ 49,1 bilhões e deve chegar ao valor recorde de US$ 64 bilhões no fim do ano. Na comparação com o PIB, está no maior nível em dez anos (2,35%).

Somente em janeiro, o resultado negativo de US$ 5,4 bilhões é o segundo pior da série, atrás apenas do registrado em dezembro de 2009 (US$ 5,95 bilhões). O BC espera um recuo em fevereiro, para US$ 3 bilhões.

O BC destaca o aumento de 129% nas remessas de lucros para o exterior em janeiro, na comparação com o mesmo período de 2010. Os gastos com serviços fora do país, principalmente viagens e aluguel de equipamentos, subiu 89%.

FLUXO

O BC registrou uma entrada de US$ 3,62 bilhões em fevereiro até o dia 21. O valor se refere à diferença entre os dólares que entraram em saíram do país por meio de operações de câmbio na área comercial e financeira.

As compras do BC no período superaram esse valor: US$ 6,58 bilhões. Com isso, as dívidas dos bancos no mercado subiram para US$ 13,29 bilhões, o que significa uma aposta maior na perda de valor do dólar em relação ao real. Folha Online