quinta-feira, 19 de maio de 2011

China diz que dalai-lama "tem a porta aberta" para retornar do exílio

O presidente da Região Autônoma do Tibete (dependente do governo chinês), Padma Choling, assegurou em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira que o dalai-lama tem "a porta aberta" se quiser retornar à China após mais de meio século no exílio, embora também tenha lançado duras críticas contra o líder religioso.

Segundo Choling, de etnia tibetana e membro do Partido Comunista da China, o dalai-lama "não fez nada de bom pelos tibetanos desde que fugiu do país em 1959", embora a questão de seu retorno "dependa do próprio", assinalou em declarações citadas pela agência Xinhua.

"A porta está aberta e ele conhece a posição do governo central", assegurou o presidente regional tibetano, que também rejeitou a possibilidade de qualquer negociação com o governo tibetano no exílio, com sede em Dharamsala (Índia) e ligado ao dalai-lama.

Choling destacou que o único governo legal que representa os tibetanos é o da região autônoma representada por ele, e assinalou que nenhum país do mundo o reconhece.

O líder comunista também rejeitou o processo de sucessão do governo tibetano no exílio, realizado em abril, pelo qual o dalai-lama se aposentou da política e o professor Lobsang Sangay foi eleito novo primeiro-ministro por sufrágio universal.

"Não importa que tenha se aposentado ou não. O dalai-lama não tem permissão para sabotar a felicidade dos tibetanos", avaliou o líder regional.

A China assegura que o Tibete é há séculos parte inseparável de seu território, enquanto os tibetanos argumentam que a região foi durante muito tempo virtualmente independentemente, até ser ocupada pelas tropas comunistas, em 1951. EFE/FOLHA