A jornalista da rede de televisão Al Jazeera Dorothy Parvez afirmou nesta quinta-feira ter sido testemunha de torturas infligidas aos prisioneiros de uma penitenciária síria, onde passou três dias detida antes de ser deportada ao Irã.
"Estive em um centro de detenção na Síria durante três dias e duas noites, e ouvi ruídos de torturas brutais", disse a jornalista, que tem nacionalidade americana, canadense e iraniana, a Al Jazeera.
"A qualquer hora do dia ou da noite ouvia-se o barulho de golpes, gritos e choro (...).
Parecia interminável, e um dado momento você só quer tapar os ouvidos", relatou a repórter. "Ninguém usava uniforme, ninguém tinha nome, ninguém tinha responsabilidades (...), muitos homens reagiam como bandidos".
Dorothy foi detida em 29 de abril, ao chegar ao aeroporto de Damasco para cobrir os protestos da oposição. A Embaixada da Síria em Washington disse que a jornalista tentou entrar na Síria com um visto iraniano vencido e que, por isso, foi extraditada ao Irã.
Após passar dias detida no Irã para "verificação" de seu passaporte, a Al Jazeera anunciou na quarta-feira (18) a libertação de Parvez.
As autoridades sírias impuseram fortes restrições ao trabalho dos jornalistas, de tal forma que as únicas fontes de informação disponíveis são as oficiais e o que os opositores publicam na internet e contam por telefone. FRANCE PRESS/FOLHA