sábado, 28 de maio de 2011

Fonte do WikiLeaks 'nunca deveria ter sido enviado ao Iraque'

Bradley Manning, o ex-soldado norte-americando que serviu no Iraque e é acusado de vazar milhares de telegramas diplomáticos sobre as guerras no país e no Afeganistão aosite WikiLeaks , teria distúrbios mentais e "nunca deveria ter sido mandado ao Iraque", segundo afirmação feita por Leonard Wood, militar da base do Missouri, onde Manning serviu em 2007.

As informações foram publicadas em reportagem da edição de hoje do jornal britânico "Guardian".


Sob o título "Acusado do WikiLeaks, Bradley Manning, 'nunca deveria ter sido enviado ao Iraque'", o vasto material multimídia publicado pelo jornal britânico apresenta entrevistas de colegas, fotos e reproduções de declarações de Manning, que induzem o leitor a constatar o desequilíbrio da suposta fonte do WikiLeaks -como fica explícito no material "The madness of Bradley Manning" (A loucura de Bradley Manning).

Os relatos de soldados que serviram com ele no Iraque e de amigos nos EUA "pintam um retrato de constante instabilidade e, às vezes de violência".

A publicação do WikiLeaks gerou uma série de escândalos diplomáticos entre inúmeros países. Manning foi preso em junho de 2010, aos ser acusado pelas autoridades militares de descumprir o Código Militar, supostamente deixando vazar milhares de páginas de documentos secretos de guerra ao site de Julian Assange.

Segundo a publicação, o ex-soldado era tão frágil mentalmente que chegou a fazer avaliações psiquiátricas regulares, antes de ir ao Iraque e quando esteve lá, gritava descontroladamente com seus comandantes quando estava sob pressão.

Enquanto servia no Iraque, seus colegas e altos funcionários do Exército norte-americano pensavam que ele era incapaz. "Ele foi tão assediado que urinou na sua calça de moletom", disse um oficial, segundo informações do "Guardian". Um outro oficial disse que acompanhou Manning ao psiquiatra várias vezes depois de "suas explosões" emocionais.

Apesar de várias explosões de violência e um diagnóstico de transtorno - condição que significava que ele estava mostrando dificuldades na adaptação à vida militar, segundo análise do "Guardian" - Manning acabou por ser enviado ao Iraque, onde baixou ilegalmente milhares de documentos.

A reportagem destaca que "havia praticamente nenhuma segurança de computadores e inteligência onde Manning atuava no Iraque". Segundo testemunhas, o segurança estavam tão "relaxados que muitos dos 300 soldados na base tinham acesso à sala de computador onde Manning trabalhou, assim como às suas senhas para acessar os computadores de inteligência".

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos investiga por que Manning, que havia sido enviado para o aconselhamento psiquiátrico antes de ser enviado ao Iraque, não foi avaliado plenamente antes de ter permissão para trabalhar na inteligência.

FOLHA