sexta-feira, 6 de maio de 2011

Greves em mais de cem cidades paralisam a Itália

Centenas de milhares e trabalhadores em mais de cem cidades italianas aderiram à convocação de greve em protestos a "ataques aos seus direitos trabalhistas", paralisando o país. Em Roma, o metrô ficou fechado, muitos ônibus deixaram de circular e até o tráfego aéreo do país foi parcialmente interrompido por algumas horas.

A confederação sindical CGIL promoveu manifestações como parte de sua quarta greve geral desde que o governo de centro-direita do primeiro-ministro Silvio Berlusconi venceu as eleições em 2008.

O grupo quer garantias de benefícios-desemprego para trabalhadores com contratos de trabalho temporário, a simplificação do sistema de contratos de trabalho e uma redução no imposto de renda cobrado de assalariados e aposentados, redução essa que seria financiado por um aumento na taxação da renda financeira.

Escolas e transportes públicos ficaram paralisados ou parcialmente paralisados pela manhã. Os trens e o tráfego aéreo foram interrompidos por paralisações de quatro horas no meio do dia.

Em Roma, o metrô ficou fechado, poucos ônibus circularam nas ruas e o tráfego foi prejudicado por manifestações no centro da cidade. Estudantes e pessoas que trabalham com contratos temporários de curta duração ocuparam a principal estação de trens.

"Estamos lutando pelo direito de trabalhar", disse a manifestante Maria Rafanelli. "Os jovens sempre têm contratos temporários. Dentro em pouco, é possível que não tenham trabalho nenhum".

Passageiros dos transportes públicos, como Antonio Marrani, já se acostumaram a paralisações, após uma série de protestos recentes.

"Normalmente, como cidadão, eu diria que protestar é direito de todos, mas nós também temos o direito de usar o transporte local. Mesmo em dias normais, o transporte público não é muito bom", disse Marrani.

A polícia estava em alerta intensificado para impedir qualquer repetição da violência vista em Roma no ano passado, quando protestos contra a vitória de Berlusconi em uma moção de não confiança no Parlamento desencadearam a pior violência vista na capital italiana em anos.

ADESÃO

A CGIL disse que 58% dos trabalhadores não compareceram ao trabalho. 

Para o ministro do Funcionalismo Público, Renato Brunetta, apenas 13% dos trabalhadores no setor público aderiram à greve.

Em Milão, a expectativa era que os ônibus fossem afetados no final da tarde, ameaçando prejudicar milhares de passageiros no início do fim de semana.

"A greve de hoje visa mudar o equilíbrio de poder em relação ao governo, que pensa que não é preciso mudar nada na redistribuição de rendas em nosso país", disse em Nápoles uma líder da CGIL, Susanna Camusso.

Camusso acusou o governo de promover "a mentira deslavada de que a crise já terminou e que tudo está indo muito bem".

O desemprego na Itália não é especialmente alto pelos padrões europeus: está em 8,3%, contra a média de 9,5% na União Europeia, mas chega a quase 30% entre os jovens, e milhões de pessoas ocupam cargos temporários com pouca segurança no emprego. REUTERS/FOLHA