quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Ipea vê cenário de maior desaquecimento da economia nos últimos meses


O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplica) vê um cenário de maior desaquecimento da economia nos dois últimos meses do terceiro trimestre - agosto e setembro - do que o registrado em julho.

Ligado à Presidência da República, o órgão estima, em seu Boletim de Conjuntura, "perspectivas menos otimistas para a indústria", que ainda cresceu em julho - 0,5%. Para Leonardo Carvalho, economista do Ipea, um "indesejável acúmulo de estoques" deve ter freado a produção em agosto e agora em setembro.

Carvalho cita o setor automobilístico, que teve de conceder férias coletivas para ajustar os elevados estoques. Outro sinal de que a economia perdeu ritmo, diz, é a piora na expectativa de empresários - menos dispostos a investir - e consumidores - mais pessimistas em suas intenções de consumo.

Por outro lado, avalia, o mercado de trabalho segue firme e pode compensar, em parte, esses fatores negativos e sustentou, por exemplo, o crescimento das vendas do comércio em julho (1,4% ante junho).

Para Carvalho, porém, o receio de que a freada na economia contaminasse o mercado de trabalho foi um dos motivos que levou o Banco Central a cortar "de modo surpreendente" os juros em 0,5 ponto percentual neste mês.

É que, diz, primeiro as empresas reduzem as horas trabalhadas (o que o setor automobilístico já fez com as férias coletivas) e, num segundo momento, demitem se o cenário não melhorar.

O Ipea considera ainda que o agravamento da crise europeia e a perspectiva de menor crescimento da economia global também orientaram o BC em sua decisão.

Para Roberto Messenberg, coordenador do Grupo de Análise e Previsões do Ipea, o BC tomou "uma decisão histórica" ao reduzir os juros, no sentido de deixar de "ficar com as calças arriadas e fazer aquilo que o mercado quer".

O economista avalia que para fazer a inflação voltar para o centro da meta (4,5%) o BC teria de "derrubar o PIB em 3%", sem conseguir "nada muito diferente do que a inflação que o país tem hoje. Nos últimos 12 meses encerrados em agosto, o IPCA acumula alta de 7,23%.

FOLHA