Os Estados Unidos atribuem o ataque da Coreia do Norte a uma ilha sul-coreana à sucessão do ditador Kim Jong-il, afirmou nesta quarta-feira o chefe do Estado-Maior Conjunto americano, o almirante Michael Mullen.
O bombardeio norte-coreano deixou dois militares e dois civis mortos e 18 pessoas feridas. Os dois países trocam acusações sobre quem começou o confronto.
Analistas já haviam dito nesta terça-feira que o aumento no número de incidentes militares envolvendo as duas Coreias e a recente revelação de uma moderna planta nuclear são a forma de Kim Jong-il assegurar uma transição tranquila de poder para o filho e herdeiro político, Kim Jong-un, de 27 ou 28 anos.
Em setembro, Kim Jong-un foi promovido a general e nomeado o número 2 da comissão militar do Partido dos Trabalhadores norte-coreano. Desde então, deixou o anonimato para ser alvo intenso da propaganda estatal, que o chama de "camarada brilhante".
O desafio para Kim Jong-il, segundo analistas, é que seu filho ganhe o respeito dos militares, a principal força política do regime comunista norte-coreano. Horas depois do confronto de ontem, a agência estatal KCNA afirmou que pai e filho inspecionavam uma fábrica de molho de soja e uma escola de medicina em Pyongyang. O texto não trazia nenhuma menção à troca de disparos.
"Acreditamos que isso está vinculado à sucessão em favor deste jovem", afirmou Mullen.
Mullen afirmou ainda que está discutindo com seus parceiros regionais como resolver a crise, mas que a China deveria assumir a liderança. "É muito importante que a China lidere. O único país que tem influência em Pyongyang é a China e por isso sua liderança é tão crítica", disse Mullen a um canal de TV.
O porta-voz do Departamento de Estado americano, P. J. Crowley engrossou o coro e afirmou que os EUA esperam que a China use sua influência para convencer a Coreia do Norte a desistir do que classificam como comportamento provocativo.
"China é essencial para mover a Coreia do Norte em uma direção fundamentalmente diferente", disse Crowley.
CALMA
A China pediu mais cedo que as Coreias do Norte e do Sul mostrem "calma e contenção" e se comprometam o mais rapidamente possível com conversações para evitar uma escalada nas tensões.
O comunicado do porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Hong Lei, foi a primeira resposta detalhada das autoridades chinesas ao incidente de terça-feira, quando a Coreia do Norte disparou contra uma ilha sul-coreana.
Ao contrário dos governos de outros países da região, a China não condenou apenas a Coreia do Norte.
"A China leva esse incidente muito a sério, expressa dor e lamenta a perda de vida. Nós nos sentimos ansiosos quanto aos desdobramentos", disse Hong, no comentário divulgado pela Chancelaria em sua página na internet.
"A China faz um chamado forte para que tanto a Coreia do Norte como a do Sul ajam com calma e contenção, e o mais rapidamente possível se comprometam com o diálogo e os contatos", disse Hong.
Ele também afirmou que a China "se opõe a quaisquer ações prejudiciais à paz e a estabilidade da península coreana".
Folha Online