domingo, 17 de junho de 2012

Pinturas mais antigas do mundo têm 41 mil anos


Pinturas em cavernas da Espanha têm pelo menos 41 mil anos de idade, fazendo delas os mais antigos exemplares dessa forma de arte no mundo. Mais importante ainda, a antiguidade das imagens pode indicar que os neandertais foram seus autores.

A hipótese, proposta pelo arqueólogo português João Zilhão, da Universidade de Barcelona, junto com colegas do Reino Unido, está em artigo na revista "Science". Se estiver correta  - e os pesquisadores ainda estão longe de comprovar a ideia -, cai definitivamente por terra a ideia de que a mente neandertal era "inferior" à humana.

Tudo depende das datas. Por enquanto, as novas datações obtidas nas cavernas espanholas estão no limite do período em que os primeiros seres humanos modernos chegaram à Europa (enquanto os neandertais já ocupavam o continente 100 mil anos antes deles).

Por isso, é concebível que membros da espécie Homo sapiens, como nós, sejam os autores das imagens - discos e marcas de mãos, como as que uma criança faz quando coloca a mão sobre um papel e traça o contorno dos dedos com um lápis de cor.

No entanto, conforme Zilhão lembrou em entrevista coletiva por telefone, trata-se de uma idade mínima. O que os pesquisadores dataram foi a capa calcária que recobria parte das imagens.

Como o mineral está por cima das pinturas, a única certeza é que se depositou lá depois do trabalho do artista, mas as imagens podem ter sido feitas bem antes.

Zilhão e seu colega Alistair Pike, da Universidade de Bristol, prometem agora obter mais datas, em outros sítios dentro e fora da Espanha.

Se alguma dessas datas for de 43 mil anos, por exemplo, quase certamente os autores das pinturas serão neandertais, diz Zilhão. "Com base no que descobrimos nos últimos anos sobre o comportamento deles, e o fato de que cruzaram com humanos modernos, não há por que duvidar que fossem capazes disso".

FOLHA

Versão do documento feito pelo Brasil adia definição de financiamento para 2014


O rascunho do documento final da Rio+20 entregue ao meio-dia deste sábado (16) às delegações pelo Brasil adia para 2014 a definição sobre quais serão as fontes de financiamento para o desenvolvimento sustentável.

O rascunho, de 56 páginas, é uma versão "limpa" do texto que vinha sendo negociado nos últimos dias e que tinha mais de 80 páginas. Ontem à noite, como país anfitrião, o Brasil assumiu oficialmente a coordenação das negociações.

Em entrevista coletiva no Riocentro (zona oeste do Rio), o chanceler Antonio Patriota confirmou que foi retirada do texto a proposta do fundo anual de US$ 30 bilhões que havia sido apresentada na última quarta-feira pelo G77, grupo de países em desenvolvimento que inclui Brasil e China. A criação do fundo foi rejeitada por EUA, União Europeia e demais países desenvolvidos.

No lugar do fundo, a proposta que está no rascunho brasileiro reproduz uma solução de compromisso que foi apresentada ontem à noite pelo mesmo G77. Ela prevê que um comitê intergovernamental de 30 integrantes, a ser nomeado pela Assembleia Geral da ONU, decidirá em dois anos sobre as fontes que financiarão a transição para um modelo de desenvolvimento que preserve o ambiente.

O parágrafo sugerido pelo G77 afirma que os recursos financeiros terão que ser "novos, adicionais e previsíveis", isto é, não poderão se resumir às antigas promessas dos países ricos da chamada "ajuda ao desenvolvimento" (ODA, no jargão da ONU). Há 20 anos, os ricos prometeram fornecer ajuda equivalente a 0,7% do seu PIB, mas nunca chegaram a cumprir esse compromisso.

O parágrafo-chave do capítulo sobre financiamento deixa claro que o mecanismo financeiro tem que incluir "transferência de tecnologia" - outro ponto que sofre resistência dos Estados Unidos e de europeus. Washington tem insistido em que toda menção à transferência de tecnologia "verde" explicite que ela deve ser "voluntária" e baseada em entendimentos entre os dois lados, isto é, em contratos comerciais.

Na entrevista, Patriota afirmou que o Brasil espera ter um documento concluído até a noite do dia 18. Isso deixaria aos negociadores um dia de folga antes da cúpula de chefes de Estado e governo, que começa na próxima quarta-feira.

FOLHA

luishipolito@outlook.com

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