terça-feira, 26 de junho de 2012

Leão anuncia sua demissão do São Paulo

SÃO PAULO - Leão não é mais o técnico do São Paulo. Menos de um ano no comando do time tricolor, ele foi demitido na manhã desta terça-feira. O anúncio de sua saída foi feito pelo próprio treinador no CT do Barra Funda, em entrevista coletiva, repetindo o que fez em 2007, quando deixou o Corinthians. Leão foi anunciado no São Paulo, em 24 de outubro de 2011, no lugar de Adilson Batista.

"Foi uma conversa bastante rápida. O Juvenal me chamou em sua sala e me disse que eu não seria mais o técnico. Agradeci pelo tempo que fiquei e disse que estava tudo bem", contou Leão.
Leão chegou à equipe com a missão de classificar o São Paulo para a Copa Libertadores e fazer uma campanha boa na Copa Sul-Americana daquele ano, mas fracassou em ambas as tarefas. O auxiliar Milton Cruz assume mais uma vez interinamente o cargo até que o São Paulo encontre outro técnico.
Esta foi a segunda passagem de Leão pelo São Paulo. O treinador assumiu o comando da equipe em outubro de 2011 e somou 26 vitórias, 12 derrotas e seis empates nesse período, mas fracassou em todas as competições. No ano passado, não conseguiu classificar o time para a Libertadores no Campeonato Brasileiro e também não teve êxito na Copa Sul-Americana. 
Em 2012, mesmo após a reformulação do elenco, o desempenho não melhorou, apesar do São Paulo ter vencido 11 partidas consecutivas no começo da temporada. Leão teve divergências com a diretoria, que exigiu barrar o zagueiro Paulo Miranda. Além disso, o time caiu nas semifinais do Campeonato Paulista, ao ser batido pelo Santos, e da Copa do Brasil, na semana passada, quando foi eliminado pelo Coritiba.

A queda no torneio nacional deixou a situação de Leão praticamente insustentável. E a sua última partida foi no último sábado, quando o São Paulo perdeu para a Portuguesa por 1 a 0, pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro, sob protestos dos torcedores no Canindé. "Estou saindo bem sereno. Fui contratado para dois meses e fiquei oito", declarou Leão. 
ESTADÃO

O BIS adverte sobre o risco do crédito


Cinco anos depois do estouro da bolha financeira no mundo rico, chegou a hora de Brasil, China, Turquia, Indonésia e outros emergentes tomarem cuidado com a rápida expansão do crédito. O alerta foi lançado pelo BIS, o Banco de Compensações Internacionais, também conhecido como banco central dos bancos centrais, em seu recém-divulgado relatório anual. Não há alarmismo na advertência, mas é bom levar a sério o aviso. Na edição de junho de 1994, o relatório apontou a deterioração veloz das contas mexicanas. O país afundou seis meses depois, enquanto governantes, investidores financeiros e funcionários de agências de classificação de risco faziam cara de surpresa.
Mais conhecido por seu trabalho na área de regulação bancária, o BIS tem-se mantido, ano após ano, como um centro respeitado de análise de conjuntura e de tendências. O risco de uma bolha de crédito nos emergentes é apenas um dos motivos de preocupação apontados no documento. A descrição dos quadros da Europa e dos Estados Unidos continua muito sombria. Durante 20 anos, a partir de agora, os países desenvolvidos precisarão acumular superávits primários - isto é, sem contar a despesa dos juros - para levar a dívida pública aos níveis anteriores à crise.
A advertência sobre o perigo de uma bolha nos países emergentes é uma das novidades do relatório. Outros sinais de risco foram apontados em documentos anteriores. Agora, o foco é a expansão dos financiamentos. O crédito tem crescido muito mais que o Produto Interno Bruto (PIB) em vários emergentes e essa tendência se acentuou recentemente. A diferença entre o crescimento dos empréstimos e o da produção, o "gap do crédito", chegou a 13,5 pontos porcentuais nos últimos três anos no Brasil.
A valorização de alguns ativos - especialmente dos imóveis - é um dos sintomas do descompasso entre o aumento dos empréstimos e o aumento do PIB. Desde o começo da crise das hipotecas nos Estados Unidos, os preços dos imóveis aumentaram 113,4% no Rio de Janeiro e 86,3% em São Paulo.
Consultores brasileiros contestaram a avaliação dos economistas do BIS, negando o risco de uma bolha imobiliária no País. Segundo argumentam, há um enorme déficit habitacional e, portanto, uma demanda sem caráter especulativo. Além disso, o crédito imobiliário representa apenas 5% do PIB (81% nos Estados Unidos e 106% na Holanda) e há uma rígida vigilância sobre o sistema financeiro. Mas a rápida valorização dos imóveis em São Paulo e no Rio de Janeiro é incontestável e dificilmente se poderia classificá-la como normal. Além disso, a análise do BIS é mais ampla e refere-se à veloz expansão do conjunto dos empréstimos ao setor privado.
O aumento da inadimplência também já foi apontado por organizações brasileiras especializadas na avaliação das condições do crédito. Coincidentemente, mais um conjunto de informações foi divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas. Na faixa de renda mensal de até R$ 2.100, 23,4% dos entrevistados declararam ter mais de 51% de seus ganhos comprometidos com pagamentos de gastos com cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de lojas e outros tipos de financiamentos. Na faixa imediatamente superior, até R$ 4.800, o comprometimento de mais de 51% da renda mensal afeta 24,1% dos consumidores. O grupo menos endividado, com obrigações equivalentes a apenas 12,5% dos ganhos, é o das pessoas com renda acima de R$ 9.600.
No caso do Brasil, a advertência do BIS tem uma implicação clara: há limites um tanto estreitos para uma política de crescimento econômico baseada em grande parte na expansão do crédito e no estímulo ao mercado interno. O crédito ao setor privado ainda representa, no País, algo entre 45% e 50% do PIB. A proporção é bem maior em outras economias. Os técnicos do BIS e do Fundo Monetário Internacional sabem disso. O dado preocupante, segundo eles, é outro: é a velocidade do crescimento dos empréstimos. Além do mais, uma política de estímulo ao mercado interno dificilmente irá longe, se o governo descuidar das condições da oferta - fato comprovado pelos problemas da indústria brasileira diante da invasão dos importados.
ESTADÃO

Inadimplência está no maior patamar da série, com influência de veículos


BRASÍLIA - O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, afirmou nesta terça-feira que a inadimplência total está no maior patamar da série, iniciada em junho de 2000, em 6%. Na pessoa física, os 8% de maio é o maior nível de atraso desde maio de 2009, quando estava em 8,5%. 


Ele disse ainda que a inadimplência se mantém em um patamar elevado, influenciado pelo crédito para pessoa física, particularmente no segmento de veículos, cujos atrasos refletem a expansão desse crédito no segundo semestre de 2010. 

"Tivemos naquele período uma expansão bastante pronunciada e que ainda repercute na carteira de crédito", afirmou Maciel em relação ao crédito para veículos.

Ele disse, no entanto que as "safras" desse crédito concedido em 2011 mostram qualidade melhor. "Os atrasos cresceram até julho de 2011 e, desde então, tem mostrado retração".

Maciel disse ainda que as novas medidas de estímulo ao crédito de veículos não representam perda de qualidade da carteira, pois houve "um processo de aprendizagem" ao longo desses dois anos. 

"Os bancos se tornaram mais seletivos. Espera-se crescimento, mas com garantia, qualidade e seletividade, de modo que não venha a se traduzir em aumento de inadimplência nos próximos meses".

Maciel afirmou também que o BC espera ver, já ao final deste ano, retração da inadimplência como um todo. "A expectativa é que haja acomodação e retração até o final do ano na pessoa física. Pessoa jurídica está mais estável. Pessoa física é que tem determinado o comportamento da taxa como um todo" .

Histórico


O governo tem agido para estimular a oferta de empréstimos e financiamentos como mecanismo para levar à uma recuperação econômica mais forte no país ao mesmo tempo em que garante que a inadimplência irá recuar ainda neste ano.

Para estimular o crédito, no final de maio, por exemplo, o governo reduziu Imposto sobre Operações de Financiamento (IOF) para operações voltadas a pessoas físicas, mas antes disso já havia colocado os bancos públicos para liderar movimento de redução das taxas de juros ao consumidor final.

Os bancos estavam receosos com os sinais claros de aumento de inadimplência, com destaque para a aquisição de veículos.

Para o governo, manter o mercado de crédito aquecido é importante para estimular a economia, via demanda interna, neste momento de crise internacional. O próprio BC tem ajudado, ao reduzir em 4 pontos percentuais a Selic, para a mínima recorde atual de 8,50 por cento ao ano, e deve continuar o movimento de queda.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, tem dito que a redução da inadimplência vai ocorrer de maneira mais decisiva ao longo do segundo semestre, como resultado da maior qualidade de crédito oferecido a partir da segunda metade de 2011.

Além disso, Tombini prevê expansão do crédito ao longo dos próximos trimestres, em contexto de menores taxas de juros e spread bancário.


REUTERS/ESTADÃO

Governo anuncia amanhã novo pacote para incentivar economia

SÃO PAULO - Preocupada com o ritmo fraco de crescimento da economia este ano, a presidente Dilma Rousseff anuncia amanhã medidas para reforçar e acelerar as compras governamentais. De acordo com apuração da Agência Estado, o governo entende que ampliando os gastos em algumas áreas poderá dar um estímulo adicional aos investimentos e, com isso, melhorar o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB). O anúncio do novo pacote de estímulo à economia foi antecipado na manhã dessa terça-feira pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel.


Ele não quis antecipar muitos detalhes do pacote, alegando que "não gostaria de tirar o brilho do anúncio", mas explicou que desta vez as medidas não serão só para a indústria. "Não quero antecipar nada para não tirar o brilho do pacote", disse o ministro após ter feito palestra na abertura do 5º Congresso Brasileiro de Pesquisa que a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) realizado hoje e amanhã em São Paulo.
As compras públicas serão preferencialmente da indústria nacional em setores com alto poder de dinamização da economia, como Saúde, Defesa e Educação. O governo poderá antecipar aquisições já previstas no Orçamento e utilizar o mecanismo de margem preferencial, pela qual pode pagar até 25% mais caro nos processos de licitação para aquisição de produtos fabricados no Brasil. Por este mecanismo, o governo pode adquirir produtos dos setores têxtil, confecção, calçados, fármacos e medicamentos e para retroescavadeiras e motoniveladoras.
Na mesma solenidade, a presidente Dilma deve anunciar a prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para produtos da linha branca (fogões, geladeiras, máquinas de lavar e freezer), além de móveis, luminárias, lustres e papel de parede. O benefício para estes setores terminaria neste sábado. A medida foi anunciada há três meses para estimular o consumo e garantir a manutenção dos empregos.
Gasolina
Pimentel reforçou que o governo já fez muita coisa para estimular a economia por meio do aumento do consumo, mas que agora está focando suas forças na alavancagem dos investimentos. Pimentel deu como exemplo o anúncio ontem do Programa de Investimentos da Petrobras, de US$ 236,5 bilhões.
Perguntado se os planos de investimentos da estatal e do País como um todo não serão afetados pelo fato de o aumento da gasolina nas refinarias ter sido de apenas 7,83%, quando a empresa pleiteava algo em torno de 15%, o ministro disse não acreditar nisso. De acordo com ele, o ajuste dado até agora foi suficiente por enquanto. "Agora, a vida anda. Pode ser que mais à frente seja necessário mais ajustes. Mas para os próximos meses não vejo necessidade", disse Pimentel.
Ele avalia que o governo acertou em autorizar o aumento de 7,83% no preço da gasolina cobradas às refinarias. "O governo está certo. Nós estamos com a cautela necessária para não provocar efeitos colaterais sobre os indicadores de inflação", disse Pimentel.
ESTADÃO

luishipolito@outlook.com

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