terça-feira, 31 de julho de 2012

Microsoft relança Hotmail com novo (velho) nome


A Microsoft anunciou hoje uma nova versão do seu serviço gratuito de e-mail, o Hotmail, numa tentativa de reverter as perdas de quota de mercado diante do rápido crescimento do Gmail do Google.

O Hotmail passará a se chamar Outlook e terá um novo visual, links de redes sociais e novos recursos para gerir o lixo eletrónico e a massa de e-mails que inunda os usuários.

O Hotmail ainda era o maior serviço de e-mail do mundo até junho, de acordo com os números mais recentes da comScore, com 324 milhões de usuários, ou cerca de 36% do mercado global. Mas está perdendo clientes para o Gmail do Google, o rival que mais cresce e que agora tem cerca de 31% do mercado. Já o Yahoo Mail está estável, com cerca de 32%.

Numa tentativa de recuperar o crescimento, a Microsoft renomeou o serviço por Outlook, um nome familiar para a maioria dos funcionários de empresas que usam o aplicativo de e-mail da Microsoft Office.

O novo visual é limpo e organizado, privilegiando o espaço em branco, que lembra as recentes mudanças que o Google fez no Gmail. Os anúncios publicitários continuam a aparecer relativamente discretos, numa coluna à direita da tela.

Os usuários podem ligar-se com seu Facebook, Twitter, LinkedIn e Google+, para ver as últimas atualizações dos seus amigos e contatos. O bate-papo on-line está disponível via Facebook.

Boletins informativos, ofertas, promoções e atualizações sociais diárias ocupam mais de 80% de uma típica caixa de entrada, de acordo com uma pesquisa da própria Microsoft. Para ajudar a combater essa inundação de mensagens, o novo serviço detecta automaticamente os e-mails em massa e coloca-os em pastas separadas. O usuário pode personalizar esse processo de e-mail da forma que quiser.

O novo serviço de correio também facilita o uso de produtos de internet da Microsoft, como o SkyDrive para armazenar documentos, Office Web para trabalhar longe de um PC e Skype vídeo chat. Os usuários podem acessar o serviço em www.outlook.com.

O GLOBO

Santayana: Os paraísos fiscais e a nova servidão



OS PARAÍSOS FISCAIS E A NOVA SERVIDÃO DOS POBRES


O grande pensador britânico George E. Moore, que influenciou, entre outros, Bertrand Russell, e, por seu intermédio, Wittgenstein, buscou, como tantos filósofos, o amálgama entre a lógica e a ética. É provável que o tenha encontrado, ao afirmar que o fundamento de toda filosofia é o bom senso.

Qualquer pessoa dotada de razão é capaz de distinguir entre o bem e o mal, ao examinar determinada situação, a partir do senso comum. Sendo assim, sob qualquer exercício da inteligência, os grandes bancos do mundo não passam de quadrilhas de assaltantes. Não só assaltam isoladamente, mediante as taxas exacerbadas de juros e dos serviços que prestam, mas se associam a outros assaltantes para lesar os trabalhadores e os empreendedores honrados do mundo inteiro.

Os 50 maiores bancos do mundo, segundo os estudos da Tax Justice Network — da qual é um dos dirigentes o notável contabilista britânico Richard Murphy — são responsáveis pela transferência ilegal de 21 trilhões de dólares, em sua imensa maioria dos países em desenvolvimento, para os paraísos fiscais. A cifra é superior à soma do PIB dos Estados Unidos e do Japão. Trata-se de um duplo delito: o dinheiro, que poderia ser usado no desenvolvimento econômico interno, vai ser empregado na especulação financeira ou em investimentos nos países mais ricos do mundo, e são sonegados os impostos devidos aos estados nacionais. Trata-se de um assalto aos que, realmente, o produziram com o seu trabalho.

Os paraísos fiscais não acolhem apenas o dinheiro subtraído ao fisco, mas servem de bom refúgio aos recursos – empapados de sangue e marcados pelo sofrimento de milhões de famílias – procedentes do tráfico de drogas. Como se revelou recentemente, o HSBC admitiu ter servido para a lavagem de dinheiro das quadrilhas mexicanas de narcotráfico.

Os paraísos fiscais se multiplicaram, no mundo, a partir da deregulationanglo-americana dos anos 80, promovida por Reagan e Thatcher, com o objetivo de restaurar o processo de acumulação acelerada do capitalismo do fim do século 19. Embora já houvesse tais paraísos – e a Suíça é o mais antigo e o mais seguro deles – houve perversa competição entre governos de nações menores, com o objetivo de ganhar o máximo na guarda simbólica de tais valores, que não se transferem fisicamente para tais territórios.

Sem os bancos de presença internacional, não seria possível essa peregrinação de recursos ilícitos. Para escapar à vigilância das autoridades honradas de alguns países (porque elas existem), tais recursos virtuais costumam peregrinar, indo de Tóquio a Berlim, de Berlim a Cingapura, de Cingapura a Santiago em alguns minutos, para, em seguida, refugiar-se onde não possam ser localizados.

De acordo com o estudo, os três maiores bancos responsáveis pela evasão de recursos são a UBS (União de Bancos Suíços), o Crédit Suisse e o Goldman Sachs. Eles encabeçam a lista, mas nenhum dos bancos privados que operam internacionalmente se encontram limpos. Uns mais, outros menos, operam na criminalidade.

Não há povos que não sejam vítimas desse saqueio mundial. Conforme o levantamento, a evasão maior procede da China, com mais de um trilhão de dólares nos paraísos fiscais. E estamos em posição desconfortável. Os nossos sonegadores e prováveis integrantes de quadrilhas de narcotraficantes e de corruptos e concussionários, mantêm mais de 520 bilhões de dólares em tais “paraísos”.

Quando o então presidente Itamar Franco quis nomear um contador para o Banco Central, o mundo caiu sobre a sua cabeça. Itamar queria conhecer o conteúdo da chamada “caixa preta” da instituição. O principal denunciador dos paraísos fiscais, o contador Richard Murphy, atribui à fragilidade das leis que regem os sistemas contábeis dos grandes países a responsabilidade pelos crimes cometidos pelas grandes corporações, sobretudo as financeiras, contra os povos do mundo e, assim, pela brutal desigualdade social de nosso tempo.

Os bancos devem ter seus negócios expostos aos acionistas e clientes, e sob a fiscalização permanente das autoridades. Como se sabe, os sonegadores – entre eles, os bancos – operam com duas contabilidades, a real e outra para efeito público. Isso só é possível porque eles financiam as eleições, determinam como devem ser as leis, controlam os meios de informação e cooptam os formadores de opinião.

Se os cidadãos do mundo inteiro não se mobilizarem, o destino dos povos será aquele que parece esperar os gregos, os espanhóis, os sicilianos: nova e mais insidiosa servidão.

PS do Viomundo: Sobre este tema são leituras indispensáveis Treasure Islands, de Nicholas Shaxson, que sugere o uso de “refúgios” em vez de paraísos fiscais; e do surpreendente Poisoned Wells: The Dirty Politics of African Oil, do mesmo autor, que conecta a exploração do petróleo africano com o caixa dois de campanhas eleitorais na Europa e o sistema financeiro internacional.

BLOG VIOMUNDO

Desemprego alcança nível recorde na zona do euro



Taxa de desemprego nos 17 países que adotam o euro sobe para 11,2% em junho, maior percentual desde a criação da moeda comum europeia.
O desemprego na zona do euro atingiu em junho o maior nível desde a criação da moeda comum, há 13 anos, informou nesta terça-feira (31/07) o Eurostat, órgão de estatísticas da União Europeia (UE).
Em junho, a taxa de desemprego na zona do euro foi de 11,2%. O Eurostat também revisou o número de maio, que passou de 11,1% para 11,2%. O total de desempregados subiu 123 mil em junho nos 17 países que adotam a moeda comum, chegando a 17,8 milhões.
Os percentuais variam muito de um país para o outro. A maior taxa de desemprego é a da Espanha, que subiu para 24,8%. A menor é a da Áustria, de apenas 4,5%.
Na Alemanha, a taxa de desemprego subiu de 6,6% em junho para 6,8% em julho, segundo o Departamento Federal de Estatísticas (Destatis). Há 2,876 milhões de pessoas sem trabalho no país, a maior economia da zona do euro.
DEUTSCHE WELLE

Adesão da Venezuela ao Mercosul ainda pode ser contestada juridicamente



A adesão da Venezuela ao Mercosul, que começará a ser formalizada nesta terça-feira, em Brasília, ainda pode ser contestada juridicamente pelo Paraguai, segundo fontes do Tribunal Permanente de Revisão do Mercosul (TPR), com sede em Assunção, ouvidas pela BBC Brasil.
Suspenso do Mercosul desde o fim de junho – em razão da destituição de Fernando Lugo da Presidência do país – o Paraguai não pôde participar da reunião de cúpula realizada em Mendoza, na Argentina, quando foi acertada a entrada da Venezuela no bloco regional.
O ministro da Secretaria de Informação e Comunicação da Presidência do Paraguai, Martín Sannemann, disse à BBC Brasil que a entrada da Venezuela para o Mercosul durante a suspensão do Paraguai significa a troca do "irmão pobre pelo irmão rico".
Segundo ele, na interpretação do governo paraguaio, o Mercosul foi "institucionalmente quase ferido de morte" porque "não respeitou os acordos" que estabelecem que as decisões devem ser tomadas pelos quatro países fundadores desta integração – Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
Autoridades do governo paraguaio disseram que ainda analisam os próximos passos jurídicos a serem adotados.
O Paraguai já havia entrado com uma ação no Tribunal Permanente do Mercosul por ter sido suspenso do bloco, com o argumento de que a suspensão violaria artigos do Tratado de Assunção e do Protocolo de Ushuaia, documentos constitutivos do Mercosul.
Essa ação foi rejeitada. O tribunal entendeu que o Paraguai apelou com instrumentos jurídicos que não eram cabíveis ao caso e não chegou a analisar a legalidade ou não da suspensão do país e a entrada da Venezuela ao Mercosul.
"O Paraguai usou uma medida de emergência que é que aplicada às questões comerciais, e não políticas, e deveria ter recorrido, primeiro, a instâncias jurídicas inferiores, antes da ação ao Tribunal, que é a corte arbitral do Mercosul", disse o secretário do Tribunal, o advogado Raphael Vasconcelos, ao ler, de Assunção, o parecer do órgão.

Reunião

Ao apelar com o argumento de medida de emergência, o Paraguai esperava uma resposta rápida, de no máximo duas semanas, como preveem os acordos do Mercosul, ou seja, antes da reunião desta terça.
"O problema é que a reunião em Brasília será um encontro de amigos para o qual não fomos convidados. E temos claro que foi política e não jurídica a decisão de incluir a Venezuela no Mercosul com o Paraguai suspenso", disse um assessor do gabinete do presidente paraguaio, Federico Franco.
O ingresso da Venezuela no Mercosul já estava anunciado desde 2006, mas dependia de aprovação do Congresso do Paraguai para ser formalizado – os congressos do Brasil, da Argentina e do Uruguai já haviam aprovado a adesão.
Segundo Sannemann, para o Paraguai, o problema não é a Venezuela, mas "a linha política e ideológica" do presidente venezuelano, Hugo Chávez.
"A saída de Lugo e a chegada de Franco obedeceram às regras constitucionais do nosso país. Mas não nos deram, no Mercosul, a oportunidade de explicar o que aconteceu", disse.
"Como paraguaios, não nos corresponde comentar, por exemplo, as reeleições permanentes de Chávez, mas por que não podemos ter a oportunidade de explicar que aqui tudo foi dentro das regras paraguaias?", questionou Sannemann.

Impeachment

A decisão de suspender o Paraguai do Mercosul foi tomada após a destituição de Fernando Lugo da Presidência em um processo de impeachment que durou menos de 30 horas.
A rapidez do processo foi questionada pelas autoridades do Mercosul, que disseram que o Paraguai desrespeitou a cláusula democrática assinada pelos presidentes do bloco.
Após a destituição de Lugo, o governo da presidente Dilma Rousseff chamou o embaixador em Assunção à Brasília para consultas, e ele não retornou à capital paraguaia, num sinal político de que as relações não estão normalizadas, segundo fontes do governo brasileiro.
Medida política semelhante foi adotada por outros países da região, como Argentina, Uruguai e Chile.
No caso da Venezuela, o governo Franco declarou o embaixador "persona non grata" após suposta participação do ministro das Relações Exteriores venezuelano, Nicolas Maduro, em reunião com militares paraguaios, no dia do processo político contra Lugo, em 22 de junho.
Nesta segunda-feira, Lugo compareceu ao Ministério Público, em Assunção, para prestar declarações sobre o caso, segundo o jornal Ultima Hora. Lugo disse que "não houve intromissão da Venezuela nos assuntos políticos do Paraguai".
Nesta segunda, um grupo de parlamentares paraguaios que apoiam Franco viajou ao Chile para explicar a colegas chilenos como foi a saída de Lugo e a sua substituição pelo atual presidente.
Eles disseram que pretendem percorrer outros países para dar a versão paraguaia sobre o que ocorreu.
BBC BRASIL

Via Dutra se transforma em feira livre, com caminhoneiros vendendo seus produtos


RIO e BARRA MANSA - "Olha o morango fresquinho! Uva baratinha, vai, madame?". A pista sentido Rio da Rodovia Presidente Dutra se transformou numa feira livre na tarde desta terça-feira. Para evitar que frutas e legumes estragassem, motoristas de caminhões que deveriam abastecer o Ceasa, em Irajá, passaram a vender os produtos no meio da rodovia que liga o Rio a São Paulo. Muitos motoristas encostam nos caminhões e aproveitam as pechinchas. Três caixas de morango estão sendo vendidas a R$ 10, enquanto a mesma quantidade sai por R$ 24 nos mercados. Dentro do baú do caminhão, Reinaldo dos Reis Elias escolhia as frutas menos danificadas diante de dezenas de clientes:

- Tenho 3.600 caixas de morango que estavam aprodrecendo. Não pode, não é? O jeito é botar à venda.

Outro caminhão, lotado com 2 mil caixas de uvas vindas de Santa Catarina, comercializava 4,8 quilos da fruta por R$ 10.

O tráfego segue bastante lento nos dois sentidos, com vários pontos de interrupção total pelos grevistas. A Polícia Rodoviária Federal espera que os grevistas desbloqueiem por completo as pistas esta tarde, quando o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, se reúne em Brasília com o comando do movimento.

- Nós cumprimos a promessa de não usarmos força excessiva. Agora está nas mãos deles cumprirem a promessa de desbloquear a Dutra quando a reunião começar - disse uma superitendente da PRF que não quis se identificar.

Um dos líderes do movimento grevista dos caminhoneiros, o diretor do Sindicato dos Transportadores Autonomos de Cargas de Volta Redonda e Regiao Sul Fluminense (Sinditac) Rômulo Lessa, disse no início da tarde desta terça-feira que os caminhoneiros são "aliados da sociedade" e pediu a compreensão dos motoristas que estão sendo prejudicados pelo fechamento parcial da Via Dutra, que chega ao terceiro dia:

- Somos a favor da regulamentação da profissão, mas de forma que não prejudique os motoristas autônomos. A nova lei federal impede a maior parte dos caminhoneiros de trabalhar, praticamente exige que eles se transformem em empresas. Somos aliados da sociedade e pedimos um pouco de paciência. O transtorno vai acabar.

O protesto dos caminhoneiros em greve, que já dura três dias na Via Dutra (BR-116), voltou a fechar o sentido Rio da rodovia na altura de Barra Mansa por volta das 11h desta segunda-feira. Mas a faixa esquerda da via foi liberada, no início da tarde desta terça-feira. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o bloqueio completo da Dutra, na altura de Barra Mansa, ocorreu porque os grevistas teriam cortado as mangueiras de ar de três caminhões que tentaram forçar a passagem pela única faixa que estava liberada, imobilizando-os. Com isso, os caminhões tiveram que ser retirados do local por reboques da CCR, concessionária que administra a via.

O congestionamento na rodovia chega a 19 quilômetros no sentido Rio, e a 12 quilômetros para quem segue rumo a São Paulo. É a segunda vez em dois dias que o sentido Rio da rodovia é fechado pelos grevistas. Na segunda-feira, o bloqueio completo na altura de Barra Mansa começou às 4h, e uma faixa foi liberada apenas para carros e ônibus por volta das 10h, quando o congestionamento no trecho já tinha 20 quilômetros.

Outro grupo de manifestantes ocupa o acostamento da Rodovia Washington Luiz (BR-040) na altura da Reduc, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Segundo a Concer, concessionária que administra a BR-040, os caminhoneiros chegaram a fechar a pista para o Rio por 10 minutos, mas, com a intervenção da PM, recuaram para ocupar apenas o acostamento.

Por causa do protesto, a Washington Luiz ainda apresenta trânsito intenso no início da tarde, em Duque de Caxias, altura do KM 112, na pista sentido Rio. 

Somente três caminhões e dois carros de passeio que dão apoio ao movimento da categoria permanecem no acostamento da rodovia. Na descida da Serra de Petrópolis, o motorista deve redobrar a atenção nos KMs 85 e 86, nas imediações do Túnel do Ouriço, devido a interdições parciais do trecho.

Greve afeta abastecimento de alimentos na Ceasa e faz empresas dispensarem funcionários

Repórteres do GLOBO notaram que itens como limão, laranja e batata já estão em falta na Ceasa. Os boxes que vendem estes produtos até fecharam mais cedo nesta terça-feira. Os preços desses artigos também aumentaram. Segundo comerciantes, o saco de laranja, que antes da greve era vendido a R$ 17, estava sendo vendido a R$ 25. A maior alta de preço foi o da batata: segundo comerciantes, o saco de 50 quilos custava entre R$ 35 e R$ 40, mas subiu para R$ 110, podendo chegar a até R$ 130. Alguns donos de boxes não recebem produtos desde sábado.

Nesta segunda-feira, o presidente da Associação Comercial dos Produtores e Usuários da Ceasa Grande Rio (Acegri), Waldir Lemos, disse que, dos 60 caminhões carregados de batatas, oriundos de São Paulo e do Paraná, esperados na Ceasa na própria segunda, apenas dez conseguiram passar pelo bloqueio na rodovia. O reflexo nos preços, diz ele, é inevitável:

- Os caminhões estão presos em Barra Mansa. Por isso, os legumes não serão vendidos no preço padrão. A batata, que normalmente custa R$ 40 a saca, começou ser vendida a R$ 100. Essa diferença será repassada ao consumidor - afirmou Lemos.

A PSA Peugeot Cintroën informou através da sua assessoria que para manter o bem estar dos funcionários cancelou os turnos de produção da manhã e tarde desta terça-feira. A empresa fica em Porto Real. A Man Latin América, que fabrica ônibus e caminhões, em Resende, já tinha dispensado, desde ontem, seus funcionários.

Clima é tensão na rodovia; equipe do GLOBO foi ameaçada
O clima é de tensão no protesto dos caminhoneiros que, pelo terceiro dia consecutivo, bloqueiam a Rodovia Presidente Dutra. Nesta terça-feira, apenas uma faixa em cada sentido da via amanheceu liberada ao tráfego de carros e ônibus, na altura de Barra Mansa, Porto Real, Resende e na Serra das Araras. 

Os manifestantes estão usando pedras e pedaços de pau para intimidar os profissionais que tentam furar a greve. Equipes de reportagem que cobrem a manifestação também estão sendo alvos de ameaças. No início da manhã desta terça, jornalistas do GLOBO foram obrigados a recuar após um piqueteiro ameaçar quebrar o equipamento do fotógrafo, caso ele insistisse em fazer imagens no local. Há poucos policiais neste trecho da Dutra, e alguns caminhoneiros alegam que precisam passar, pois transportam cargas perecíveis.

- Sai de São Paulo na madrugada de segunda, por volta de 1h, com um carregamento de placas de grama que deveriam ser colocadas em um condomínio na Barra da Tijuca. Agora já era, perdi tudo. Estragou - disse o caminhoneiro Sidney Martins.

A jornalista Claúdia Moura da Rádio do Comércio, de Barra Mansa, também conta ter sido agredida verbalmente por alguns manifestantes. Segundo ela, durante a manhã teria se aproximado de um grupo de caminhoneiros que conversava com um policial rodoviário federal e, quando pegou o seu equipamento para gravar a entrevista com ele, os manifestantes passaram a xingá-la.

A Policia Rodoviária Federal admitiu que a situação está fora de controle e que há poucos homens para fazer a segurança. Em vários trechos, o trabalho dos policiais já não é para liberar a rodovia, mas sim manter aberta a única faixa pela qual os grevistas permitem a passagem de carros e ônibus. O policial rodoviário federal, Sérgio Ferreira, chama a atenção para o alto nível de estresse dos caminhoneiros que protestam na Dutra:

- Eles já estão sem ter o que comer e beber. Isso aumenta o nível de estresse deles, que já começam a reagir com violência. Por isso, agentes da PRF tentam resolver o problema amigavelmente, porque se fomos usar a força, esses caminhoneiros partirão para o confronto. A situação é caótica e está sem controle. Um barril de pólvora a ponto de explodir. Observamos muitos motoristas irritados. A esperança é de que essa manifestação termine após a reunião que representantes da comissão de greve terá com o ministro dos Transportes, em Brasília.

Na Via Dutra, 20 agentes da PRF fiscalizam os locais das barreiras. Nesta terça-feira, eles receberam apoio de outros inspetores que vieram na capital fluminense.

- Têm policiais rodoviários federais trabalhando direto, 24 horas por dia – informou Ferreira.

Duas faixas foram liberadas durante a tarde de segunda-feira, após negociações da PRF com líderes do movimento. Por volta das 3h desta terça, mais uma faixa voltou a ser bloqueada. Os grevistas têm quatro pontos diferentes de bloqueio na via. No sentido Rio, ocorre no trecho de Resende (KM 302) a Barra Mansa (KM 273), e para São Paulo, a via está parcialmente interditada na altura da Serra das Araras (KM 228).

Na segunda-feira, tentativas de furar o bloqueio resultaram em agressões e em um acidente. Um caminhoneiro teria ameaçado com um facão um colega que tentou passar com o caminhão pelos grevistas que bloqueavam a estrada na altura do bairro de Vila Ursulino, em Barra Mansa (a Dutra corta a cidade). O agressor teria fugido quando notou que estava sendo filmado por uma emissora de TV local. Um outro caminhoneiro que tentou escapar do bloqueio caiu com o seu caminhão numa vala na lateral da estrada. Ele, que ficou ferido, foi encaminhado ao Hospital de Emergência de Resende.

Ministro terá reunião com grevistas nesta terça

O impasse entre caminhoneiros e o governo federal que levou a categoria a parar a rodovia fez acender o sinal amarelo em Brasília. Preocupado com o aumento do número de manifestações, o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, receberá a categoria nesta terça-feira para discutir a pauta de reivindicações e estudar uma saída para a crise.

No início da tarde, o ministro conversará com representantes da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), contrária à greve dos transportadores de carga. Para a entidade, que considera que o governo tem se mostrado sensível aos pedidos do setor, a paralisação representa um retrocesso. Às 16h, Passos conversará também com membros do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), que convocou entidades de caminhoneiros autônomos em todo o país e deu inicio à mobilização na última quarta-feira, dia de São Cristóvão, padroeiro da categoria.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos, Francisco de Bitencourt Ferreira, os caminhoneiros protestam contra a Lei 12.619, de 30 abril de 2012, que regulamenta a jornada de trabalho da categoria. A norma obriga o trabalhador a ter descanso de onze horas entre duas jornadas de trabalho, uma hora por dia de parada para almoço e repouso de 30 minutos a cada quatro horas rodadas, além de limitar a jornada a oito horas diárias. Se não cumprirem esta carga horária, os motoristas podem ser multados pela Polícia Rodoviária Federal.

Bittencourt, que embarcou nesta terça-feira no Aeroporto Santos Dumont, no Rio, para participar da reunião às 13 horas, com o ministro dos Transportes, Paulo Passos, em Brasília, afirma que seis mil caminhões participam do protesto no trecho.

O GLOBO

Márcio Thomaz Bastos deixa defesa de Carlinhos Cachoeira



A equipe do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos deixa de responder pela defesa do contraventor Carlos Agusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Nesta terça-feira, 31, todos os advogados vão sair do caso oficialmente. Eles não explicaram o motivo da decisão.
Cachoeira é acusado de liderar esquema de jogos ilegais e foi preso em fevereiro deste ano pela Polícia Federal, durante as investigações da Operação Monte Carlo. Nessa segunda-feira, a noiva do contraventor, Andressa Mendonça, foi detida acusada de tentar chantager o juiz federal responsável pelo julgamento do processo que envolve Cachoeira na Justiça de Goiás.
Ao jornal Folha de S.Paulo, uma das advogadas integrantes da equipe, Dora Cavalcanti, afirmou que o acordo era participar da defesa até a audiência da semana passada. Na ocasião, o contraventor se recusou a responder as perguntas do juiz Alderico dos Santos. Durante o seu depoimento, usou o tempo de defesa para fazer declarações de amor a Andressa Mendonça, que acompanhava o depoimento na primeira fileira.
Durante o tempo em que comandou a defesa, Márcio Thomaz Bastos fez repetidos pedidos para libertar o contraventor e tentou anular as provas obtidas contra o cliente. O advogado também o acompanhou na ida à CPI que investiga as relações do grupo do contraventor com agentes públicos. Na ocasião, Cachoeira também ficou em silêncio.
ESTADÃO

luishipolito@outlook.com

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