quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Veja a primeira aparição de Steve Jobs na TV, em 1978


O fundador da Apple, Steve Jobs, 56, morreu nesta quarta-feira. O executivo, que sofria de câncer, se afastou da empresa em agosto.

No vídeo acima, de 1978, um jovem Jobs se mostra nervoso minutos antes de dar uma entrevista para uma rede de TV norte-americana.

Jobs passou por um transplante de fígado há dois anos e, em 2004, descobriu que tinha uma forma rara de câncer no pâncreas.

Nas suas raras aparições neste ano, como no lançamento do iPad 2, em março, ele pareceu ainda mais magro que o normal.

Em agosto, disse em sua despedida: "Sempre disse que, se chegasse o dia em que não poderia mais cumprir meus deveres e expectativas, eu seria o primeiro a avisá-los. Infelizmente esse dia chegou".

Steve Jobs era considerado o grande responsável pela ascensão da Apple do posto de empresa combalida ao status de companhia com maior valor de mercado do mundo.

FOLHA

Veja comunicado oficial da Apple sobre a morte de Jobs


A Apple divulgou na noite desta quarta-feira comunicado oficial sobre a morte de Steve Jobs.

"A Apple perdeu seu gênio criativo e visionário, o mundo perdeu um ser humano maravilhoso.

Aqueles que foram sortudos o suficiente para conhecer e trabalhar com Steve perderam um grande amigo e um mentor. Steve deixa uma companhia que apenas ele poderia ter construído e o seu espírito será a base da Apple para sempre".

FOLHA


Jobs buscou orientação espiritual na Índia antes de fundar Apple


Difícil de compreender, duro de trabalhar e tido como insubstituível por muitos fãs e investidores da Apple, Steve Jobs levou a vida desafiando expectativas e convenções.

E apesar de anos demonstrando sinais de saúde fragilizada, sua renúncia da presidência-executiva da Apple foi manchete no mundo inteiro, com todos imaginando o futuro de um ícone e da companhia que ele simboliza.

"Steve Jobs é o presidente-executivo mais bem-sucedido do mundo corporativo dos Estados Unidos dos últimos 25 anos", disse o chairman do Google, Eric Schmidt, que era membro do Conselho da Apple mas renunciou devido a conflito de interesses. "De maneira única ele combinou um toque de artista com uma visão de engenheiro para erguer uma companhia extraordinária, é um dos maiores líderes da história dos EUA", acrescentou em comunicado.


Jobs abandonou os estudos e foi para a Índia em busca de orientação espiritual antes de fundar a Apple - nome que ele sugeriu a seu amigo e co-fundador da empresa Steve Wozniak após ter visitado uma comunidade no Estado norte-americano do Oregon, a qual ele se referiu como "um pomar de maçãs".

Com sua paixão por design minimalista e marketing genioso, Jobs mudou o curso da computação pessoal e transformou o mercado da comunicação móvel.

O dispositivo de música iPod, o iPhone - chamado de "telefone de Jesus" por seus "religiosos" seguidores - e o tablet iPad são criações de um homem conhecido por seu quase obsessivo controle pelo processo de desenvolvimento de produtos.

"A maioria dos meros mortais não pode entender uma pessoa como Steve Jobs", disse o ex-funcionário da Apple Guy Kawasaki. "Ele tem um sistema operacional diferente".

Carismático, visionário, implacável, perfeccionista, ditador - essas são algumas das palavras que as pessoas usam para descrever a figura de Jobs, que pode ser o maior sonhador que o mundo da tecnologia já viu, mas também um exímio empresário e negociador.

"Steve Jobs é um gênio do mundo dos negócios da nossa geração", disse recentemente a ex-presidente do eBay Meg Whitman.

Bill Gates, co-fundador da Microsoft, tem chamado Jobs de a pessoa mais inspiradora da indústria tecnológica e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o classifica como a personificação do "American Dream".

É difícil de imaginar, mas rejeição, fracasso e má sorte também fazem parte da história de Jobs.

Jobs foi abandonado ao nascer, retirado da Apple em meados da década dos anos 1980 e enfrentou um câncer quando finalmente voltou ao topo. Sua renúncia como presidente-executivo, anunciada na quarta-feira, vem em uma idade relativamente jovem de 55 anos.

"Eu sempre disse que, se houvesse um dia em que eu não pudesse mais cumprir meus deveres e atender às expectativas como presidente-executivo da Apple, eu seria o primeiro a informá-los. Infelizmente, esse dia chegou", escreveu Jobs em curta carta.

Jobs foi adotado e cresceu com uma família do Vale do Silício, celeiro de empresas de defesa e de tecnologia de ponta.

Seu amigo Bill Fernandez apresentou Jobs ao então novo engenheiro Wozniak, e os dois Steves começaram uma amizade que culminou no nascimento da Apple Computer.

"Woz é um engenheiro brilhante, mas não é um empreendedor, e aí que Jobs aparece", comentou Fernandez, que foi o primeiro empregado da Apple.


DUAS TENTATIVAS

Jobs criou a Apple duas vezes: quando fundou a companhia e de novo quando voltou ao comando da empresa para salvá-la. A Apple agora rivaliza com a petrolífera Exxon Mobil pelo posto de companhia aberta mais valiosa com ações negociadas em Bolsa nos EUA.

Jobs deixou a Apple em 1985 depois de uma disputa com o então presidente-executivo da empresa John Sculley sobre o direcionamento estratégico da companhia.

Ele voltou para a Apple cerca de uma década depois, trabalhando como consultor. Logo ele estava no comando, para o que é conhecido como o segundo ato de Jobs.

Jobs já reinventou o mundo da tecnologia por quatro ou cinco vezes, primeiro com o Apple II, um computador pessoal nos anos 1970; então nos anos 1980 com o Macintosh; com o iPod em 2001; o iPhone em 2007; e o iPad em 2010, que um ano depois do lançamento superou o Macintosh em vendas.

APPLE 3.0

Jobs já tinha deixado o dia-a-dia da Apple três vezes desde 2004, e ele claramente pensava em como seria a empresa sem sua presença. Ele passou por um transplante de fígado e teve uma rara forma de câncer no pâncreas.

Por anos, a cada apresentação ou lançamento de um novo produto, Jobs despertava discussões sobre seu estado de saúde - se estava melhor ou pior do que na aparição anterior.

A presidência-executiva da Apple ficará com Tim Cook, até então vice-presidente operacional mas que já estava interinamente na chefia da empresa.

Steve Jobs morreu nesta quarta-feira (5), aos 56 anos de idade.

REUTERS/FOLHA

Morre Steve Jobs, 56, fundador da Apple


O fundador da Apple, Steve Jobs, 56, morreu nesta quarta-feira. O executivo, que sofria de câncer, se afastou da empresa em agosto. Ele ocupava a presidência-executiva da Apple desde 1997.

Jobs passou por um transplante de fígado há dois anos e, em 2004, descobriu que tinha uma forma rara de câncer no pâncreas.

Nas suas raras aparições neste ano, como no lançamento do iPad 2, em março, ele pareceu ainda mais magro que o normal.

Em agosto, disse em sua despedida: "Sempre disse que, se chegasse o dia em que não poderia mais cumprir meus deveres e expectativas, eu seria o primeiro a avisá-los. Infelizmente esse dia chegou".

Steve Jobs era considerado o grande responsável pela ascensão da Apple do posto de empresa combalida ao status de companhia com maior valor de mercado do mundo.


Desde que reassumiu o comando da empresa em 1997 - cargo do qual foi destituído dois anos antes - Jobs elevou o valor das ações da Apple de um patamar de US$ 5 para mais de US$ 370.

Como comparação, a Microsoft, que na volta de Jobs à Apple era a líder em tecnologia, vale hoje US$ 209 bilhões, cerca de US$ 140 bilhões menos que a rival.

Sob sua gestão, a companhia foi responsável por revoluções nos mercados de música, telefonia celular e computadores. Os equipamentos com prefixo "i", que na pronúncia em inglês significa "eu", tornaram-se objetos de desejo dos consumidores e sinônimo de ameaça para os concorrentes.

Considerado um gênio por muitos, Jobs criou uma certa dependência da Apple com relação à sua imagem. Por conta disso, desde que começou a lutar contra um tipo raro de câncer, surgiram questões sobre o futuro da companhia sem ele.

No comunicado em que anunciou sua saída da companhia, em agosto, o executivo tomou duas medidas para tentar amenizar esse impacto: a primeira foi a nomeação de Tim Cook, responsável pela operação diária da companhia, para o cargo de executivo-chefe.

FOLHA

Robert Pattinson é escolhido o mais sexy do ano por revista


A revista britânica "Glamour" escolheu o ator Robert Pattinson, 25, como o mais sexy de 2011.
Esta é a terceira vez seguida que ele aparece no primeiro lugar, devido ao sucesso da saga "Crepúsculo" na ilha.
Os leitores da publicação puderam votar nos 70 atores, cantores, atletas e personalidades da mídia que consideravam ter o atributo.
Não há brasileiros na lista.
Veja abaixo quem são os 10 primeiros colocados.
1. Robert Pattinson
2. Taylor Lautner
3. Johnny Depp
4. David Beckham
5. Zac Efron
6. Gerard Butler
7. Alexander Skarsgard
8. Garrett Hedlund
9. Jared Followill
10. Príncipe Harry

FOLHA

Nobel de Química vai para pesquisador israelense


O pesquisador israelense Daniel Shechtman venceu o Prêmio Nobel de Química de 2011 por suas descobertas de materiais cristalinos não periódicos, anunciou nesta quarta-feira o comitê Nobel.

Segundo o anúncio da Real Academia Sueca de Ciência, o vencedor "modificou fundamentalmente a concepção de um sólido para os químicos" com os resultados de sua pesquisa em 1982. Os padrões encontrados nos quasicristais estudados são ordenados, infinitos e nunca se repetem.

"Ao contrário da crença anterior de que os átomos se distribuíam dentro de cristais em padrões simétricos, Shechtman mostrou que os átomos em um cristal podem estar em um padrão que não se repete", disse. "A descoberta foi extremamente controversa".


O israelense, de acordo com o comitê, teve que sair de seu grupo de pesquisa por defender suas conclusões, mas, eventualmente, outros cientistas se viram obrigados a reconsiderarem suas concepções sobre o assunto.

Os quasicristais, em sua maioria, são artificialmente criados quando um metal derretido é esfriado rapidamente em uma superfície giratória. Sua estrutura dificulta a propagação de ondas, o que define as características fisico-químicas dos materiais.


O material é um mau condutor de calor e eletricidade, tem baixo coeficiente de fricção e aderência, mas é altamente resistente e, por isso, bom de ser usado em ambientes extremos.

Segundo comitê, uma companhia sueca percebeu que eles eram um dos tipos mais duráveis de metais, usados atualmente em produtos como lâminas de barbear e agulhas muito finas para procedimentos cirúrgicos oculares. O material também está sendo testado para frigideiras e motores a diesel. Em 2009, foram descobertos quasicristais na natureza pela primeira vez.

Shechtman é professor do Instituto de Tecnologia de Israel em Haifa.

PRÊMIOS EM CIÊNCIA

Esta foi a terceira categoria do Nobel cujos vencedores são anunciados. Com o anúncio, encerra-se a lista de vencedores dos laureados com pesquisas científicas em 2011. Nos próximos dias, serão anunciados os vencedores de Literatura, Paz e Economia.


Na segunda-feira, três cientistas que desvendaram segredos do sistema imunológico, abrindo caminho para novas vacinas e tratamentos contra o câncer, foram anunciados como vencedores do Prêmio Nobel de Medicina - ou Fisiologia.

O norte-americano Bruce Beutler e o biólogo francês Jules Hoffman, que estudaram os primeiros estágios da reação imunológica a um ataque, dividiriam o prêmio de US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 2,8 milhões) com Ralph Steinman, canadense radicado nos EUA que descobriu as células dendríticas, que morreu antes de ser anunciado como ganhador - a Fundação Nobel confirmou a entrega do prêmio após uma reunião de emergência.

Ontem, foram conhecidos os vencedores do prêmio Nobel de Física de 2011. Ganharam os americanos Saul Perlmutter e Brian Schmidt e o também americano Adam Riess, que possui a cidadania australiana, pela descoberta da expansão acelerada do Universo por meio de observações de supernovas distantes.

Em 1998, o trio balançou os alicerces da física mundial ao anunciar que a expansão do Universo estava em aceleração. Até então, pensava-se que a gravidade serviria como freio, fazendo com que esse processo desacelerasse.

O Nobel é entregue desde 1901 a personalidades de destaque nas áreas de ciências, literatura e paz, conforme estipulado no testamento do empresário Alfred Nobel, inventor da dinamite.

FOLHA

BMW escolhe São Paulo para instalar fábrica no Brasil, diz jornal alemão


A BMW, maior fabricante de veículos de luxo do mundo, deve escolher a cidade de São Paulo para instalar sua primeira fábrica na América Latina, afirmou o jornal alemão "Handelsblatt" nesta quarta-feira.

Citando fontes da companhia, o jornal disse que o conselho deve aprovar em dezembro os planos para fabricar veículos em São Paulo "porque todos os fornecedores importantes de peças estão lá".

Um porta-voz negou que a BMW já tenha feito alguma escolha, dizendo: "ainda não há nenhuma decisão".

A BMW anunciou em março que aprovaria este ano planos para expandir sua produção para a América Latina, onde o Brasil já é um importante mercado em volume para montadoras como Fiat, General Motors e Volkswagen.

Para a BMW, o país ainda é um mercado novo, com previsão de vendas de 10 mil veículos este ano, número quase insignificante para a companhia, que prevê mundialmente um volume de mais de 1,6 milhão de unidades.

FOLHA

Yom Kippur e os fanatismos religiosos


Michel Schlesinger, advogado, é rabino da Congregação Israelita Paulista
No final da tarde desta sexta-feira começa o dia mais sagrado do povo judeu, o Yom Kippur, ou Dia do Perdão. Em jejum absoluto de 25 horas e muita oração, a comunidade judaica reúne-se em sinagogas de todo o mundo para um feriado dedicado à introspecção. Essa é uma oportunidade para refletir sobre o papel da religião na busca do aprimoramento do universo - em hebraico, ticun olam - e o combate aos fanatismos religiosos.
Esse feriado ocorre sempre dez dias após o Ano-Novo Judaico, o Rosh Hashaná. O calendário hebraico tem origem na criação bíblica do primeiro homem e da primeira mulher. Contamos 5.772 anos desde o sexto dia da criação do mundo. A liturgia desse período, conhecido com as Grandes Festas, indica que somos julgados por Deus no Rosh Hashaná e a sentença é confirmada no dia do Yom Kippur.
"É esse o jejum que escolhi? (...) A isto você chama de jejum? (...) Assim deveria ser o jejum: rompa as cadeias da iniquidade, desate os grilhões da opressão, envie o oprimido para a liberdade e quebre toda forma de dominação. Compartilhe seu pão com o faminto, abrigue em sua casa os pobres errantes, cubra o nu quando o vir e não ignore o seu próximo" - essas são as palavras que lemos, ano após ano, na manhã do Yom Kippur. De maneira dramática, o profeta Isaías (58:5-7) nos convida a refletir sobre o objetivo de nosso jejum. Impele-nos, principalmente, a uma coerência entre nossa atitude ritual e nosso comportamento social.
De nada adianta jejuar, na opinião do profeta, se não traduzirmos essa demonstração religiosa em atos de tzedaká, justiça social. O jejum faz sentido apenas quando acompanhado de um comportamento social ético e moral. Nosso compromisso precisa expressar-se em relação ao próximo para somente então ter legitimidade perante Deus.
Infelizmente, constatamos que uma conduta religiosa diligente nem sempre vem acompanhada do mesmo cuidado no campo da moral. Não são raros os casos de pessoas que cumprem meticulosamente as leis divinas e abandonam, com impressionante facilidade, suas obrigações para com os homens.
Assim, é possível encontrar indivíduos que oram regularmente para Deus, mas não pagam seus impostos. Cuidam com muito empenho de sua alimentação, contudo não têm o mesmo cuidado com o que dizem, ou seja, preocupam-se com o que colocam em sua boca, mas não se incomodam com o que sai dela. Preservam os dias sagrados e suas minuciosas leis e, no entanto, desprezam os sentimentos daqueles que os cercam. Jejuam em feriados religiosos e se esquecem de Deus e dos homens nos demais dias do ano.
Para essas pessoas o profeta Isaías diz: "Não jejuem mais assim". Enquanto o indivíduo não conseguir encontrar coerência entre seu comportamento em relação a Deus e a seu compromisso para com seu semelhante, o jejum será irrelevante ou mesmo uma afronta ao Criador do universo.
Em nossos dias, é possível ainda identificar indivíduos que não só abandonam seus compromissos sociais e se dedicam ao ritual religioso, mas também encontram na religião a justificativa para o desprezo ao seu semelhante. Vemos pessoas de diversas religiões agindo de forma imoral em nome de seus deuses. Mesmo um Deus que sempre pregou o amor, a justiça e a paz é invocado para legitimar atitudes de desamor, injustiça e guerra. Como se algum conflito pudesse ser santo, como se algum destrato ao ser humano pudesse ser chancelado pela vontade de Deus.
Para esses indivíduos o profeta Isaías diz: "De nada vale seu jejum". Não existe um caminho religioso para embranquecer as máculas sociais. Não há Deus ou religião que se preste a legitimar o antiético e o imoral. Por isso o jejum deve ser a celebração de um comportamento de justiça social. O ritual do jejum comemora a conquista de um nível espiritual que precisa condizer com nosso comportamento moral.
Emmanuel Lévinas, filósofo lituano que viveu na França no final do século passado, acreditava que todas as leis judaicas são dotadas de uma mensagem ética. O jejum ensina-nos a pensar naqueles que não têm condição de se alimentar com dignidade. A alimentação casher, ritualmente apropriada, ensina-nos que devemos tratar os escassos recursos naturais com consciência. O Shabat, o sétimo dia da semana, ajuda-nos a entender que nós, nossos empregados e também nossos animais merecem pelo menos um dia de descanso semanal.
Acreditamos que a religião pode ser a porta de entrada para um comportamento ético e moral. Quando não deturpadas, as condutas religiosas ajudam o indivíduo a ordenar sua escala de valores e redirecionar suas atitudes. Assim, como nos ensina o profeta Isaías, o jejum faz sentido apenas quando acompanhado de uma atitude social coerente. O jejum pode ser uma excelente oportunidade de redirecionamento comportamental, ele pode pôr-nos em contato com o sagrado. O jejum pode elevar-nos espiritualmente e ser o primeiro passo na mudança de atitude em relação à vida.
Neste ano, em especial, voltamos nossa atenção para o Oriente Médio em razão do pleito palestino de ser reconhecido como Estado-membro da ONU. Sob a perspectiva religiosa, o conflito entre palestinos e israelenses encontrará seu fim no dia que em vozes extremistas de ambos os lados forem substituídas pelo respeito à imagem de Deus refletida na alteridade daquele que lhe é diferente.
Que sejam o Yom Kippur e os dias sagrados de todas as religiões oportunidade para refletirmos sobre o potencial que têm os rituais para nos conduzirem a uma sociedade mais justa e moderada.
ESTADÃO

Crise na Bolívia de Evo


Ao inaugurar o seu segundo período de governo, em janeiro de 2010, o primeiro ato do presidente Evo Morales foi consagrar a transformação da Bolívia em Estado Plurinacional, conforme previa a Constituição que ele fizera redigir, aprovar e ratificar no ano anterior. A nova Carta conferiu poderes políticos sem precedentes aos 36 grupos indígenas que somam 2/3 da população nacional de 10 milhões de habitantes - o Congresso, por exemplo, passou a se chamar Assembleia Plurinacional e a sua composição deve refletir esse perfil multiétnico. Além disso, as "nações" foram dotadas de autonomia também inédita em assuntos locais, em um complicado enlace com os órgãos de governo dos 9 departamentos, 112 províncias, 327 municípios e 1.384 cantões que compõem a geografia política do país vizinho.
Em tese, portanto, as comunidades que vivem na reserva do Parque Nacional e Território Indígena Isiboro-Sécure (Tipnis), na Amazônia Boliviana, deveriam ter sido ouvidas sobre o projeto, anunciado há dois anos pelo governo de La Paz, de construir uma estrada de 306 quilômetros ligando San Ignacio dos Moxos, no Departamento nortista de Beni, a Vila Tunari, no Departamento de Cochabamba, no centro do país. O traçado atravessa a área protegida, afetando os seus recursos naturais e os meios de subsistência da maioria de seus habitantes. Estes suspeitam de que por trás da obra de US$ 415 milhões, dos quais US$ 322 milhões financiados pelo BNDES, a cargo da empreiteira brasileira OAS, está a intenção do ex-líder sindical cocalero Evo Morales de facilitar a atividade dos plantadores de coca da região, pouco preocupados, aliás, com o meio ambiente.
Em 15 de agosto, com a construção já começada, os indígenas contrários ao empreendimento iniciaram uma pacífica marcha de protesto para La Paz, onde esperavam chegar em fins de setembro, no que deveria ser o coroamento de um movimento de opinião pública pela paralisação dos trabalhos. A pressão se beneficiaria da queda da popularidade de Evo, reduzida a 30%, pela frustração com a alta dos preços e a perpetuação dos níveis de pobreza no país, desmentindo as promessas do líder populista, aliado do bolivariano Hugo Chávez. Contra esse pano de fundo, a mando de uma autoridade ainda não identificada, 400 policiais militares investiram no domingo atrasado contra os participantes da marcha.
Usaram cassetetes, bombas de gás, armas de fogo. Ninguém morreu, mas houve dezenas de feridos e crianças desaparecidas em meio ao pânico. Estilhaços da violência policial atingiram em cheio o governo. Os ministros da Defesa e do Interior denunciaram a violência e renunciaram. Evo pediu desculpas à população e criou uma comissão, com participação da Corte Interamericana de Direitos Humanos, para apontar os responsáveis pela explosão de truculência - que marcará a história de Evo, que sempre se apresentou como paladino da luta contra a secular opressão dos indígenas bolivianos. Para pôr panos quentes na crise, a Assembleia Plurinacional, controlada pelo MAS, o partido do presidente, foi incumbida de convocar um referendo sobre a estrada.
Não está claro se votarão apenas os moradores da área afetada ou também os eleitores dos departamentos beneficiados. Se estes puderem votar estará criada uma causa potencial de novos conflitos políticos. De toda forma, os indígenas de Tipnis não se opõem à ideia. Com a obra já em andamento (embora suspensa desde o fatídico domingo), não faz sentido, argumentam, promover uma consulta pública sobre a sua execução. Os críticos mais radicais veem o "imperialismo brasileiro" na obra apoiada pelo BNDES por decisão do então presidente Lula, executada por uma construtora que ajudou a financiar as campanhas presidenciais de ambos os lados da fronteira e que estaria sobrefaturando o serviço. O Brasil está certo ao se distanciar do novo ciclo de tensões na Bolívia, que pode desembocar sabe-se lá no que. O país, escreveu domingo no Estado o jornalista americano Mac Margolis, tem "memória longa e pavio curto".
ESTADÃO

A indústria nacional não suporta a carga tributária


SÃO PAULO - Se em julho a produção industrial parecia reagir em relação aos meses anteriores, com um crescimento de 0,3%, em agosto voltou a cair 0,2%, mantendo o acumulado do ano com saldo medíocre de 1,4% positivo.
A reação do governo, procurando estimular a indústria por meio do Programa Brasil Maior, infelizmente baseou-se mais no aumento do protecionismo do que na redução da carga tributária que torna a administração das empresas muito pesada, com sua complexidade e as mudanças.
O problema da indústria nacional está na incapacidade de enfrentar os produtos importados, seja por falta de uma tecnologia inovadora, seja em razão de preços muito superiores aos do exterior - e não só por causa de uma taxa cambial que o recente processo de desvalorização deveria minimizar.
Deste ponto de vista, cabe notar que a categoria com maior queda em agosto foi a de bens de consumo duráveis (2,9%), dentro da qual se verifica um recuo de 5,9%, para material eletrônico e equipamentos de comunicações, e de 3,2%, para aparelhos e materiais elétricos - bens que têm uma demanda muito importante e que foram importados.
Um ponto positivo é que a produção de bens de capital cresceu 0,9% - a produção de bens seriados cresceu 10,5% e a de bens não seriados, 9,8%. Isso indica que a indústria brasileira, malgrado uma performance medíocre, se aproveitou de uma taxa cambial atraente para se modernizar.
O Brasil continua sendo um produtor de veículos automotivos não desprezível: sua produção em agosto aumentou 1%. No entanto, não se pode esquecer de que nesta produção a parte dos componentes importados é significativa, mesmo o governo querendo limitá-la a, no máximo, 40%. Isso explica a redução de 0,2% dos bens intermediários.
Se a produção da indústria extrativa ficou estável (aumento de 0,1%), permitindo pensar que os minérios continuam a ter uma demanda significativa, registra-se um recuo dos produtos alimentícios básicos e elaborados, o que pode indicar menor exportação desses itens, embora o Brasil exporte essencialmente produtos brutos.
O fato é que os resultados da produção industrial não transmitem uma imagem de economia muito dinâmica. O Brasil está muito atrasado em termos de inovação e, em certa medida, o aumento do preço das commodities esconde as verdadeiras necessidades de uma indústria que não pode viver com a atual carga tributária.
ESTADÃO

luishipolito@outlook.com

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