segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Mantega mostra preocupação com desaceleração da China


O ministro Guido Mantega (Fazenda) se mostrou mais pessimista com a crise financeira nesta segunda-feira e afirmou que o Brasil poderá ser afetado pela crise europeia caso a China sofra uma desaceleração maior na sua economia.

Segundo ele, o governo se preocupa porque o país asiático é o principal parceiro comercial brasileiro.

"O perigo é que com essa contração da economia mundial, que vai suceder essa crise, os países emergentes dinâmicos, como a China, sejam afetados. Temos que torcer para que a economia chinesa não tenha uma desaceleração, porque aí, sim, nos afeta", afirmou o ministro.

Mantega passou mais de cinco horas reunido hoje com a presidente Dilma Rousseff. Pela manhã, ela teve uma reunião fechada com Mantega e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

À tarde, Mantega voltou ao Planalto para participar da reunião de coordenação de governo.

Segundo Mantega, o "contágio" brasileiro poderia acontecer caso o comércio exterior do país fosse afetado. "Países que exportam mais produtos manufaturados já são afetados pela falta de crédito", disse.

O ministro, que viaja nesta terça-feira a Paris para participar das reuniões preparatórias ao encontro do G-20, no início de novembro, afirmou que os Brics irão ajudar a Europa via FMI (Fundo Monetário Internacional).

"Não é só uma crise da economia europeia, é uma crise que é mundial, ela se estende a todo mundo, todo mundo está envolvido nela. Convém que a gente ajude a achar soluções", disse.

E voltou a criticar os europeus. "A Europa sempre demora para dar soluções e quando elas vêm elas já chegaram tarde e aí você precisa tomar mais medidas para dar conta".

FOLHA

Para reduzir estoques, Volks dá férias coletivas no Paraná


Dois dos três turnos da fábrica da Volkswagen em São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba) entraram em férias coletivas de duas semanas nesta segunda-feira (10).

O objetivo é ajustar o volume de produção e reduzir a quantidade de carros no pátio da fábrica, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba.

A unidade já havia interrompido a produção por uma semana no mês passado, devido ao elevado estoque de veículos. O pátio, porém, "continua cheio", segundo o coordenador da comissão de fábrica, Gilberto Fernandes Corrêa.

A Volks não informa quantos carros estão no local. Afirma apenas que a suspensão das atividades "é uma flexibilização da produção para manter os estoques adequados à demanda atual".

Apenas o primeiro turno está funcionando normalmente --os outros dois turnos estão parados. No total, 1.700 funcionários entraram em férias coletivas, de um total de 3.600, segundo a Volks. O setor administrativo continua trabalhando normalmente.

Nos cálculos do sindicato, a produção mensal da fábrica cairá 30% em outubro. Cerca de 540 carros deixarão de ser produzidos por dia.

A unidade da Volks no Paraná é responsável por cerca de 25% da produção da montadora no país. Lá, são produzidos os modelos Golf, Fox, Fox Exportação e CrossFox.

ESTOQUES

Em setembro, os estoques de veículos no país atingiram 36 dias de vendas, segundo dados divulgados na semana passada pela Anfavea (associação das montadoras).

Em agosto, o número era de 37 dias, o maior desde novembro de 2008 (56 dias), no auge da crise econômica mundial.

Para a Anfavea, porém, o número não é elevado e está "adequado à nova configuração do mercado brasileiro". "Aumentamos muito o número de concessionárias --e cada uma delas precisa ter um estoque mínimo-- e o de modelos [à venda no país]", afirma Luiz Moan, vice-presidente da entidade.

FOLHA

O novo Simples


Depois de muito tempo gasto em discursos sobre a necessidade de incentivar o empreendedorismo e reduzir a burocracia tributária, o Senado aprovou o projeto de lei complementar que eleva o limite de faturamento anual das microempresas que optaram pelo Simples Nacional de R$ 240 mil para R$ 360 mil e, para as empresas de pequeno porte, de R$ 360 mil para R$ 3,6 milhões. Eram consideradas pequenas as empresas com faturamento até R$ 2,4 milhões.
Foram também contemplados os empreendedores individuais, para os quais já existe legislação específica, cujo limite para uso do Simples foi de R$ 36 mil para R$ 60 mil por ano. Para não retardar a tramitação do projeto, os senadores deixaram de lado todas as emendas, mantendo o texto aprovado pela Câmara dos Deputados. O projeto aguarda sanção presidencial para vigorar em 2012.
Ficou para ser votada em outra ocasião, por exemplo, a emenda da então senadora Ideli Salvatti, hoje ministra das Relações Institucionais, que previa uma ampliação do leque de setores empresariais que poderiam se valer do Simples. Mas o fato é que, se o governo decidir desburocratizar a máquina arrecadadora, bastará uma decisão do Ministério da Fazenda para estender o sistema simplificado a novas áreas, beneficiando milhares de empresas.
O País tem sido muito criticado, com razão, por ser um dos campeões mundiais em tempo gasto pelas empresas para pagar impostos e contribuições previdenciárias - estimado em 108 dias por ano para as empresas de porte médio, segundo estudo do Banco Mundial -, o que afeta a sua competitividade internacional e interfere com a realização de negócios.
Para um grupo considerável de empresas menores, porém, houve um avanço com a Lei Complementar 123/2006, em vigor a partir de 2007, que introduziu o Simples Nacional, esquema que permite às micro e pequenas empresas de setores selecionados pagar, com um único boleto mensal, oito tributos federais, estaduais e municipais, excluída a contribuição previdenciária. A alíquota do Simples é mais baixa, variável de acordo com o faturamento nos últimos 12 meses e, ao fim de cada exercício anual, as empresas devem apresentar declaração de Imposto de Renda.
Com o passar do tempo, contudo, os limites de faturamento para enquadramento no Simples ficaram defasados. O projeto agora aprovado pelo Senado corrige em 50% o teto para as microempresas e, quanto às empresas de pequeno porte, o limite é multiplicado por dez. Há também um estímulo direto à exportação pelas empresas menores, cuja participação nas vendas externas é hoje insignificante. Para as empresas de menor porte que estão engajadas ou planejam engajar-se no esforço exportador, o projeto aprovado prevê que podem dobrar o faturamento com a receita advinda de vendas externas e permanecer no programa.
Calcula-se que existam no Brasil 5,4 milhões de empresas em funcionamento, 99% das quais são micro e pequenas, responsáveis por 52% dos empregos com carteira assinada. A ampliação do Simples, ao reduzir a carga tributária, pode concorrer, portanto, para a maior formalização de empresas e de empregos. Há, porém, dificuldades operacionais. Muitas empresas, especialmente durante a crise de 2008/2009, deixaram de pagar o imposto devido e foram excluídas do sistema. O projeto prevê que, nesse caso, os débitos possam ser parcelados em 60 meses.
É provável que esse dispositivo encontre resistências da Receita Federal, cujos técnicos têm criticado os programas de refinanciamento da dívida ativa - especialmente o chamado "Refis da crise", lançado em 2009, no qual se inscreveram 577,3 mil empresas, das quais apenas 36% concluíram as negociações com o governo e vêm pagando as parcelas de sua dívida. Segundo técnicos da Receita, não serão mais concedidos parcelamentos indiscriminados, devendo os pedidos ser examinados caso a caso.
Essa precaução é justificável, mas não elimina as vantagens do Simples ampliado para as empresas que vêm cumprindo rigorosamente os seus compromissos tributários.
ESTADÃO

Política e costumes


Denis Lerrer Rosenfield, professor de Filosofia na UFRGS
O grau de liberdade de um país se mede pela liberdade de seus costumes, pelas escolhas que cada cidadão faz do que estima ser melhor para si, sabendo reconhecer no outro um portador dos mesmos direitos. A sociedade brasileira tem tornado um valor seu a liberdade dos costumes, alterando velhos hábitos e mesmo legislações restritivas à liberdade de escolha. Recentemente, contudo, surge uma onda, patrocinada por agentes governamentais, do politicamente correto que procura reverter essa tendência, fazendo-o em nome de uma posição aparentemente "progressista". O retrocesso está mudando de nome.
Há setores do governo, que têm uma visão definitivamente autoritária das relações políticas, invadindo, sem nenhum pudor, a esfera do privado, daquilo que é próprio de cada um. O poder passa a ser exercido sob a forma de controle da vida individual, em que, por princípio, nada se coloca fora do seu alcance. A liberdade de escolha - e, por extensão, de iniciativa -, econômica, de imprensa, de publicidade, é fortemente atingida. Engana-se quem pensa que se trata de ações apenas pontuais. Em cada caso específico se revela toda uma concepção de mundo, das relações pessoais e, mais particularmente, dos costumes.
A última em série - mas, infelizmente, não a última de um processo que parece interminável - está na tentativa da Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República de enquadrar a novela Fina Estampa, da Globo. O motivo, aparentemente anódino, diz respeito a um personagem que na trama humilha e bate na mulher. Segundo o enredo, a personagem agredida é aconselhada por amigas a prestar queixa do marido, porém não o faz porque diz amá-lo. Trata-se, na verdade, de um retrato do que ocorre com muitos casais pelo país afora, sem que intervenha aqui nenhum juízo de valor. Cabe, isso sim, ao telespectador elaborar o seu.
Mas a secretária sugere em ofício enviado à TV Globo que esta mude seu enredo. Segundo ela, a mulher agredida deveria procurar a Rede de Atendimento à Mulher, ligando para o telefone 180. Sugere ainda que o agressor seja não só punido, mas encaminhado aos centros de reabilitação da Lei Maria da Penha. Aqui, a secretária já está se tornando especialista em dramaturgia. A "lei" do politicamente correto deveria, então, passar a reger a elaboração das novelas e - por que não? - do cinema também.
O assunto é especialmente grave porque implica interferência governamental direta na liberdade de expressão, ainda que feita sob a forma de "sugestão". Sugestão de ministra não é conselho de uma cidadã qualquer, mas de uma agente estatal. Trata-se de uma recomendação oficial. Num primeiro momento, estamos diante de um fato menor, mas o problema é que a moda pode pegar. Logo, num segundo momento, qualquer agente público estaria no direito de se tornar um dramaturgo oficial.
Retomando o genial Stanislaw Ponte Preta, estamos diante de outro episódio do festival de besteiras que assola o país. O problema é que esse festival se apresenta como politicamente correto, estabelecendo normas de como deveriam ser os costumes e de como a liberdade de escolha deveria ser cerceada.
No festival em curso temos várias peças dignas de menção. Uma delas é sobre advertências, que deveriam estar inscritas em roupas íntimas de homens e mulheres, quanto aos perigos do câncer de próstata e de mama. Trata-se de uma invasão do domínio daquilo que é mais próprio de cada um, de sua vida íntima. Imaginem uma situação amorosa em que o homem olha o sutiã da companheira e lhe pergunta se tem feito mamografia. Ela, surpresa, olhando a cueca, retruca se ele fez exame de próstata. No auge da relação amorosa, o câncer, a morte, introduz-se numa relação de Eros, de vida. Não há clima que resista!
O clima, evidentemente, se esvai, dando lugar a uma conversa sobre os perigos de uma doença que pode ser mortal. Tânatos, a pulsão de morte, toma o lugar de Eros, pulsão de vida. E isso é feito pelo Estado, que diz proteger a vida contra a morte! A vida privada deveria, acima de tudo, ser preservada de intervenções estatais, por mais politicamente corretas que sejam. Eis o perigo maior. O Estado torna-se agente de Tânatos.
O festival não tem fim. A reincidente Secretaria de Políticas para Mulheres também vem tentando tirar do ar um comercial de lingerie com a modelo Gisele Bündchen por esta se insinuar, no uso de seus atributos femininos, num pedido ao marido. Nada de muito particular no fato, não fosse a "polícia" do politicamente correto procurando ditar o que deve ou não ser veiculado numa propaganda televisiva.
Seja dito de passagem que o anunciante da tal lingerie agradece, compadecido, a iniciativa governamental, pois a publicidade alcançada foi muito maior do que a prevista, seja ou não tirada a propaganda do ar. Jamais esse comercial teria atingido tal grau de publicização não fosse a interferência estatal.
O assunto encontra-se atualmente no Conar, órgão autônomo de regulação da publicidade, para análise de sua adequação ou não ao seu Código de Ética. Espera-se que essa entidade tenha o bom senso de rechaçar a interferência naquilo mesmo que é o fundamento da ética: a liberdade de escolha, livre das amarras governamentais.
O assunto é da maior gravidade, apesar de seu aspecto francamente cômico. Um agente estatal tem a pretensão de passar a decidir o que deve ou não ser veiculado na publicidade, interferindo em sua própria mensagem e criatividade. O mais preocupante, contudo, é que ele se crê imbuído da "crença correta" do que devem ser os costumes humanos. O governo arroga-se em instrumento de uma espécie de dever-ser moral que teria como função passar a ditar as normas dos comportamentos politicamente corretos.
ESTADÃO

Doutor Lula


Ricardo Vélez Rodrígues, coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas da Universidade Federal de Juiz de Fora
Lula, como Brizola, é um grande comunicador. Mas, como Brizola também, é um grande populista.
A característica fundamental desse tipo de líder é, como escreve o professor Pierre-André Taguieff (A Ilusão Populista - Ensaio sobre as Demagogias da era Democrática, Paris, Flammarion, 2002), que se trata de um demagogo cínico. Demagogo - no sentido aristotélico do termo - porque chefia uma versão de democracia deformada, aquela em que as massas seguem o líder em razão de seu carisma, em que pese o fato de essa liderança conduzir o povo à sua destruição. O cinismo do líder populista já fica por conta da duplicidade que ele vive, entre uma promessa de esperança (e como Lula sabe fazer isso: "Os jovens devem ter esperança porque são o futuro da Nação", "o pré-sal é a salvação do brasileiro", e por aí vai), de um lado, e, de outro, a nua e crua realidade que ele ajudou a construir, ou melhor, a desconstruir, com a falência das instituições que garantiriam a esse povo chegar lá, à utopia prometida...
Lula acelerou o processo de desconstrução das instituições que balizam o Estado brasileiro. Desconstruiu acintosamente a representação, mediante a deslavada compra sistemática de votos, alegando ulteriormente que se tratava de mais uma prática de "caixa 2" exercida por todos os partidos (seguindo, nessa alegação, "parecer" do jurista Márcio Thomas Bastos) e proclamando, em alto e bom som, que o "mensalão nunca existiu". Sob a sua influência, acelerou-se o processo de subserviência do Judiciário aos ditames do Executivo (fator que nos ciclos autoritários da História republicana se acirrou, mas que sob o PT voltou a ter uma periclitante revivescência, haja vista a dificuldade que a Suprema Corte brasileira tem para julgar os responsáveis pelo mensalão ou a censura odiosa que pesa sobre importante jornal há mais de dois anos, para salvar um membro de conhecido clã favorável ao ex-mandatário petista).
Lula desconstruiu, de forma sistemática, a tradição de seriedade da diplomacia brasileira, aliando-se a tudo quanto é ditador e patife pelo mundo afora, com a finalidade de mostrar novidades nessa empreitada, brandindo a consigna de um "Brasil grande" que é independente dos odiados norte-americanos, mas, certamente, está nos causando mais prejuízos do que benefícios no complicado xadrez global: o País não conseguiu emplacar, com essa maluca diplomacia de palanque, nem a direção da Unesco, nem a presidência da Organização Mundial do Comércio (OMC), nem a entrada permanente do Brasil no Conselho de Segurança da ONU.
Lula, com a desfaçatez em que é mestre, conseguiu derrubar a Lei de Responsabilidade Fiscal, abrindo as torneiras do Orçamento da União para municípios governados por aliados que não fizeram o dever de casa, fenômeno que se repete no governo Dilma. De outro lado, isentou da vigilância dos órgãos competentes (Tribunal de Contas da União, notadamente) as organizações sindicais, que passaram a chafurdar nas águas do Orçamento sem fiscalização de ninguém. Esse mesmo "liberou geral" valeu também para os ditos "movimentos sociais" (MST e quejandos), que receberam luz verde para continuar pleiteando de forma truculenta mais recursos da Nação para suas finalidades políticas de clã. Os desmandos do seu governo foram, para o ex-líder sindical, invenções da imprensa marrom a serviço dos poderosos.
A política social do programa Bolsa-Família converteu-se numa faca de dois gumes, que, se bem distribuiu renda entre os mais pobres, levou à dependência do favor estatal milhões de brasileiros, que largaram os seus empregos para ganhar os benefícios concedidos sem contrapartida nem fiscalização. Enquanto ocorria isso, o Fisco, sob o consulado lulista, tornou-se mais rigoroso com os produtores de riqueza, os empresários. "Nunca antes na História deste país" se tributou tanto como sob os mandatos petistas, impedindo, assim, que a livre-iniciativa fizesse crescer o mercado de trabalho em bases firmes, não inflacionárias.
Isso sem falar nas trapalhadas educacionais, com universidades abertas do norte ao sul do País, sem provisão de mestres e sem contar com os recursos suficientes para funcionarem. Nem lembrar as inépcias do Inep, que frustraram milhões de jovens em concursos vestibulares que não funcionaram a contento. Nem trazer à tona as desgraças da saúde, com uma administração estupidamente centralizada em Brasília, que ignora o que se passa nos municípios onde os cidadãos morrem na fila do SUS.
Diante de tudo isso, e levando em consideração que o Brasil cresceu na última década menos que seus vizinhos latino-americanos, o título de doutor honoris causa concedido a Lula, recentemente, pela prestigiosa casa de estudos Sciences Po, em Paris, é ou uma boa piada ou fruto de tremenda ignorância do que se passa no nosso país. Os doutores franceses deveriam olhar para a nossa inflação crescente, para a corrupção desenfreada, fruto da era lulista, para o desmonte das instituições republicanas promovido pelo líder carismático e para as nuvens que, ameaçadoras, se desenham no horizonte de um agravamento da crise financeira mundial, que certamente nos encontrará com menos recursos do que outrora. Ao que tudo indica, os docentes da Sciences Po ficaram encantados com essa flor de "la pensée sauvage", o filho de dona Lindu que conseguiu fazer tamanho estrago sem perder a pose. Sempre o mito do "bon sauvage" a encantar os franceses!
O líder prestigiado pelo centro de estudos falou, no final do seu discurso, uma verdade: a homenagem ele entendia ter sido feita ao povo brasileiro - que paga agora, com acréscimos, a conta da festança demagógica de Lula e enfrenta com minguada esperança a luta de cada dia.
ESTADÃO

Michael Jackson dormia com boneca e tinha fotos de bebê no quarto


Nas últimas semanas de sua vida Michael Jackson dormia com uma boneca de brinquedo em sua cama, estava tão fortemente drogado que algumas vezes engolia palavras ao falar e sua turnê de retorno estava infestada de problemas.

Esse foi o cenário pintado sobre a vida privada do Rei do Pop nas primeiras duas semanas de julgamento do médico particular dele, o Dr. Conrad Murray.

Por mais bizarras que algumas revelações possam ser, elas podem aumentar o legado de Jackson como o gênio cuja estatura cresceu desde sua morte em junho de 2009 aos 50 anos, afirmaram especialistas em cultura pop.

O comportamento estranho, algumas vezes patético, de Jackson --amplamente esquecido no luto mundial sobre sua morte mas à mostra durante o julgamento televisionado de Murray-- pode fazê-lo ser ainda mais amado por seus fãs.

"Vamos assumir, estamos interessados neste caso porque é sobre Michael Jackson", disse Bob Thompson, professor de cultura pop da Universidade Syracuse.

"Mas o fato de que ele se foi também muda consideravelmente a maneira como as pessoas percebem e embarcam emocionalmente nesse tipo de coisa. Os mortos são os pobres coitados máximos", acrescentou.


O desdobramento mais dramático no julgamento até o momento foi a gravação exibida para os jurados na qual Jackson fala quase que incoerentemente e engole suas palavras.

Promotores disseram que Murray fez a gravação após dar a Jackson um tratamento de drogas como uma ajuda para ele dormir. Examinadores médicos descobriram que a morte do cantor resultou de uma overdose do anestésico propofol combinado com sedativos.

"Naquele discurso engolido, ele estava dizendo 'fui privado de minha infância. Quero que meu dinheiro vá para um hospital infantil'. Como você argumenta com algo assim?," questionou Thompson.

BONECAS E BEBÊS

Quando os promotores mostraram ao júri uma foto de uma boneca na cama onde o corpo sem vida de Jackson foi encontrado ligado a um soro, isso logo virou manchete.

Fotos do quarto de Jackson mostram que ele tinha diversas fotos e cartazes de bebês. O cantor, que costumava dizer que era atraído por crianças por nunca ter tido infância, foi julgado e inocentando em 2005 da acusação de ter molestado um garoto.

Stacy Brown, coautora do livro "Michael Jackson: O Homem Por Trás da Máscara", disse que o cantor colecionou bonecas durante anos e tinha muitas delas em seu rancho Neverland, na Califórnia, onde também construiu um parque de diversões e um zoológico.

"No contexto geral das coisas, especialmente por se relacionar a ele, eu não acho estranho ter aquela boneca lá", disse Brown. "Aliás, eu esperaria até ter mais".

Mas, para os fãs de Jackson, uma revelação mais perturbadora pode ser a de que o cantor perfeccionista de "Thriller" parecia estar com dificuldades durante as preparações para sua turnê de retorno em Londres, que teria 50 shows e seria a primeira em 12 anos.

Jackson perdeu ensaios em Los Angeles e as pessoas próximas a ele se preocupavam com a sua saúde uma semana antes da morte. O diretor da turnê, Kenny Ortega, declarou em depoimento que no dia 19 de junho Jackson estava fraco demais para ensaiar e precisava de ajuda psicológica.

REUTERS/FOLHA

"Jornal da Globo" perde um em cada três espectadores na década


O "Jornal da Globo" vem perdendo público ano a ano.
O telejornal, que em 2000 registrou média de 16,4 pontos, passou de 15,6 pontos (2004) para 11,3 (média de janeiro a 3 outubro de 2011).
Cada ponto equivale a 58 mil domicílios na Grande São Paulo.
Desde 2005, quando Ana Paula Padrão deixou o programa, o ibope do jornalístico caiu quase 30%.
A informação é da coluna Outro Canal, assinada por Keila Jimenez e publicada na Folha desta segunda-feira (10).
FOLHA

Facebook lança aplicativo para iPad

Finalmente o aplicativo oficial para iPad está disponível, depois de meses de especulações. A versão final, lançada nesta segunda-feira (10), é idêntica às imagens que vazaram em julho e inclui funções como chat e jogos em tela cheia.

Os jogos, aplicativos, grupos e listas ficam em um menu à esquerda, um pouco diferente do site. Ele tem uma cor escura e é otimizado para a tela sensível ao toque do dispositivo, com ícones um pouco maiores e mais separados. As imagens são maiores e mais fáceis de folhear, como num álbum real. Para dar zoom em uma foto, basta pressioná-la com o dedo.

FOLHA

Laudo da morte de Jobs é divulgado e aponta parada respiratória


Steve Jobs morreu por conta de parada respiratória e de um tumor no pâncreas, de acordo com o laudo de sua morte. A informação é da Bloomberg, que afirma que o documento foi divulgado hoje pelo departamento de saúde do condado de Santa Clara, na Califórnia.

A parada respiratória foi apontada como o motivo imediato da morte de Jobs, e o câncer no pâncreas foi citado como a causa da parada. O corpo não passou por autópsia e foi enterrado em um cemitério de Santa Clara.

Jobs, ex-executivo-chefe da Apple, descobriu em 2004 que tinha uma forma rara de câncer de pâncreas. Em agosto de 2011, renunciou à chefia da Apple. Morreu na quarta-feira passada (5), aos 56 anos.

FOLHA

Economistas do Nobel não têm soluções rápidas para crise

Os norte-americanos Thomas Sargent e Christopher Sims ganharam o Prêmio Nobel de Economia nesta segunda-feira pelo trabalho dos governos para medir os efeitos das políticas, mas eles não têm respostas fáceis para uma crise global que um deles chamou simplesmente de "esta bagunça".


A pesquisa que os dois conduziram separadamente nos anos 1970 teve como fato central os esforços para modelar e quantificar causa e efeito na economia, incluindo a complexa interação de política de Estado e banco central com pessoas e empresas.

"Pânicos e crises... o que está acontecendo na Europa agora com o euro, isso tem tudo a ver com as expectativas sobre o que outras pessoas vão fazer," disse Sargent, de 68 anos, da Universidade de Nova York, em entrevista transmitida no website da organização do Nobel.

Por exemplo, gastos do governo para resgatar uma economia do colapso podem ter seu impacto limitado por pessoas vendo limites às finanças estatais e esperando que o estímulo se esgote.

Mas Sargent alertou que ele e Sims, colegas de longa data na Universidade de Minnesota, não tinham respostas fáceis para a crise de hoje.

"Somos apenas tipos formais que olham para os números e tentam entender o que está acontecendo", afirmou Sargent. "Nós tentamos experimentar em nossos modelos antes de arruinar o mundo".

Sims, igualmente de 68 anos e atualmente em Princeton, também falou sobre os problemas financeiros atuais. "Se eu tivesse uma solução simples para isso eu estaria espalhando para todo o mundo... requer muito trabalho demorado observando os dados, infelizmente".


"Os métodos que eu usei e que o Tom desenvolveu são essenciais para descobrir um caminho para sairmos da confusão", acrescentou.


A Academia Real Sueca de Ciências disse que concedeu a premiação equivalente a US$ 1,5 milhão em honra à "pesquisa empírica sobre a causa e o efeito na macroeconomia" e disse que o trabalho realizado pelos dois economistas criava uma base para a análise macroeconômica moderna.

"Uma das principais tarefas da pesquisa em macroeconomia é compreender como ambos, choques e mudanças sistemáticas em políticas, afetam variáveis macroeconômicas no curto e no longo prazo," disse a Academia em comunicado sobre o prêmio.

"As premiadas contribuições em pesquisa de Sargent e Sims têm sido indispensáveis para esse trabalho".

CAUSA E EFEITO

Sargent desenvolveu um modelo matemático em seu trabalho e o descreveu em uma série de artigos nos anos 1970. Sims escreveu um artigo em 1980 que introduziu uma nova maneira de analisar dados usando o modelo chamado de auto-regressão vetorial.

Torsten Persson, da Universidade de Estocolmo e que integra o comitê de premiação, disse que não estava claro se o trabalho deles poderia ser utilizado como remédio imediatamente, num momento em que ministros e presidentes de bancos centrais tentam equilibrar os esforços para promover crescimento na produção e emprego com as preocupações sobre cortar as dívidas dos Estados e a inflação crescente.

"Essa é uma grande questão", afirmou Persson. "Não estou certo de que haja qualquer ajuda imediata. Crises como a que estamos vivenciando hoje - uma crise financeira mundial - não acontecem todo ano, nem mesmo toda década".

O prêmio de economia, chamado oficialmente de Prêmio Sveriges Riksbank em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, foi instituído em 1968. Ele não fazia parte do grupo original de premiações estabelecidas no testamento de Nobel de 1895, tendo sido criado pelo banco central da Suécia, o Riksbank.

REUTERS/FOLHA

luishipolito@outlook.com

Carregando...