quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Sony investiga defeito em 1,6 milhão de TVs Bravia em todo o mundo


A Sony investiga um defeito em cerca de 1,6 milhão de televisores de sua linha Bravia que pode provocar o superaquecimento dos aparelhos, informou à Agência Efe nesta quarta-feira (12) um porta-voz da companhia japonesa.

O defeito pode afetar 630 mil unidades na Europa, 30 mil na América Latina, 480 mil nos Estados Unidos e no Canadá e quase 190 mil no Japão, além de 270 mil unidades no restante da Ásia e no Oriente Médio.

No caso do Japão, os televisores (cinco versões de seu modelo Bravia fabricadas entre julho de 2007 e junho de 2008) já não estão mais no mercado, acrescentou o porta-voz, sem fornecer dados sobre a situação no resto do mundo.

Aparentemente, uma falha em uma das peças do interior dos aparelhos pode causar o aquecimento excessivo dos mesmos e até fazer com que queimem.

No Japão, a Sony deverá detalhar o problema por meio de anúncios na imprensa e na internet, além de avisar os clientes registrados, e em todos os casos revisará e reparará os televisores afetados de forma gratuita.

EFE/FOLHA

Codelco obtém US$ 6,75 bilhões para opção de compra de parte da Anglo


A gigante estatal do cobre chilena Codelco anunciou na quarta-feira que obteve da japonesa Mitsui & Co. um empréstimo-ponte de US$ 6,75 bilhões que lhe possibilitará exercer uma opção de adquirir uma participação de 49% na Anglo American Sur.

A Codelco, que é a maior produtora mundial de cobre, disse em comunicado à imprensa que poderá exercer sua opção durante um período de 30 dias que começa em 1º de janeiro. Juntamente com o empréstimo, ela assinou com a Mitsui um contrato anual de venda de 30 mil toneladas de cobre.

"Se exercermos a opção de compra, como estamos prevendo, antevemos trabalhar estreitamente com a Anglo American, com a qual já temos um relacionamento de colaboração mútua nas minas Andina e Los Bronces", disse no comunicado o CEO da Codelco, Diego Hernandez.

Hernandez declarou que a opção é "uma ótima oportunidade de investimento" para a Codelco, acrescentando que a volatilidade de preços que levou a fortes vendas nos futuros do metal vermelho nas últimas semanas não afetou as decisões de investimento da companhia.

Em 2009 a Codelco deixou passar a opção de adquirir uma participação em propriedades da Anglo American Sur, entre as quais as minas de Los Bronces e El Soldado, a fundição de Chagres e os projetos de exploração de Los Sulfatos e San Enrique Monolito.

A Anglo American Sur é uma das três empresas da Anglo American no Chile.

A Codelco disse que fechou um segundo acordo que lhe dá o direito, mas não a obrigação, de pagar parte do empréstimo feito pela Mitsui por meio da venda de uma participação indireta em metade das ações da Anglo Sur adquiridas.

Ela disse que essa venda seria baseada em uma avaliação de cerca de US$ 9,76 bilhões da participação de 49% nas ações da Anglo American Sur.

REUTERS/FOLHA

Desempenho no Brasil ajuda Casino a aumentar vendas no 3º trimestre


O grupo francês Casino, sócio do Grupo Pão de Açúcar no Brasil, manteve suas ambiciosas metas de crescimento nesta quarta-feira, ao contrariar o obscuro setor varejista e registrar um crescimento de 21,2% nas vendas do terceiro trimestre. Seus resultados têm sido influenciados pelo robusto desempenho de mercados emergentes e aquisições no Brasil e Tailândia.

O Casino, que compete na França com o Carrefour e as redes privadas de varejo francesas Leclerc, Intermarche e Auchan, manteve a sua previsão de crescimento anual de vendas de mais de 10% nos próximos três anos.

Enquanto reportou lento crescimento na França, o Casino confirmou suas metas para o ano, que incluem um aumento de participação no mercado local e a obtenção de um "grande e rentável" crescimento externo, que agora corresponde a 46% das suas vendas.

As vendas do grupo no terceiro trimestre cresceram para 8,705 bilhões de euros (US$ 11,9 bilhões), em linha com a previsão de 8,72 bilhões de euros de uma pesquisa da Reuters feita com 11 analistas.

Se não fossem levados em conta aquisições e efeitos cambiais, o crescimento teria sido de 6,3% para o grupo, e de 13,1% para os mercados internacionais da companhia.

O Casino, que opera em dez países com mais de 10 mil lojas, disse que as vendas internacionais foram impulsionadas por Brasil, Colômbia, Tailândia e Vietnã.

O forte crescimento no exterior foi combinado a um ritmo mais moderado na França, ainda beneficiado pelas lojas de comércio eletrônico Cdiscount e a rede de lojas de conveniência Monoprix.

Excluindo-se custos com combustíveis, o crescimento nas vendas na França mostrou desaceleração, com crescimento de 1,2% no trimestre, contra 2,2% no primeiro semestre.

Este resultado reflete a desaceleração de vendas de produtos não-alimentícios nos hipermercados Geant, que mostraram queda de 7,3% no trimestre.

O Casino ainda reiterou a meta de levantar 1 bilhão de euros neste ano com a venda de ativos, com o objetivo de reduzir dívidas. Além disso, outra meta de companhia é de manter a sua relação entre dívida líquida e Ebitda - sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização - em um patamar inferior a 2,2 vezes no final de 2011.

REUTERS/FOLHA

México: Os cartéis ganham alcance quase global


Diário de Guadalajara
por Luiz Carlos Azenha, com reprodução de texto de Ricardo Ravelo
A violência em grandes proporções já se ‘naturalizou’ no México. Matanças em massa (70 corpos encontrados no estado de Veracruz, em 15 dias), corpos esquartejados, dissolvidos em ácido… Tudo isso já foi incorporado como quase ‘normal’. A insegurança é apontada como uma das razões pelas quais o partido governista PAN (Partido de Ação Nacional) pode perder as eleições presidenciais em 2012, mas tudo indica que a esquerda do PRD (Partido da Revolução Democrática) não vai conseguir tirar proveito do fracasso do neoliberalismo no México.
Por aqui, dizem que as pesquisas indicam o retorno ao poder do PRI (Partido Revolucionário Institucional), que governou o país durante 70 anos. Uma espécie de PMDB.
A seguir traduzo a introdução do livro El Narco en México, do jornalista Ricardo Ravelo, que me foi recomendado como um bom resumo sobre a situação da guerra de cartéis no país:
“Os fatos demonstram que nem o governo de Felipe Calderón, que declarou guerra ao narcotráfico ao iniciar sua gestão em dezembro de 2006, nem a polícia, nem o Exército conseguiram derrotar o crime organizado; pelo contrário, os narco no México não apenas se fortaleceram, contando com as cumplicidades políticas, mas ficou cada vez mais evidente que os domínios do narcotráfico mexicano se estendem por toda a América Latina, os Estados Unidos e, ainda pior, já pisam em território do Velho Continente".
Este livro reúne histórias do narcotráfico e de seus aliados no poder político, que permitem entender a penetração dos interesses mafiosos na presidência da República desde o governo de Ernesto Zedillo até hoje. Com maiores detalhes explicamos as causas da desenfreada violência que assola o país e o avanço do narcotráfico em mais da metade do território nacional, onde os narco estão em aberta disputa pelo poder político em muitos municípios e várias entidades federativas.
Algumas destas histórias, como a fuga do capo Joaquín Gusmán Loera, o Chapo, e a execução da advogada Raquenel Villanueva apareceram em meus livros Los Narcoabogados e Los Capos, por exemplo, publicados em 2005 e 2006, respectivamente, por esta casa editorial. No entanto, agora o leitor conhecerá mais detalhes sobre o que aconteceu antes da escapada do líder do cartel de Sinaloa e o entorno turvo que envolveu a chamada Advogada blindada antes dela ser assassinada em Monterrey, Nuevo León. Trata-se, pois, de histórias não apenas revisadas, mas também atualizadas.
O leitor encontrará, além disso, um detalhado mapa criminal da evolução dos cartéis da droga no México no chamado ’sexênio da guerra’, a etapa mais obscura que já viveu o país e a pior que se recorda depois da Revolução mexicana e da matança estudantil de 1968.
Também se incluem casos dramáticos de impotência social diante do narcotráfico, como o do empresário Alejo Garza Tamez, a quem os Zetas exigiram a entrega de seu rancho e para concretizar a operação chegaram armados até mesmo com um notário público para fazer a transferência da propriedade. Garza, caçador impecável de veados, os esperou armado até os dentes e defendeu a tiros sua propriedade até cair abatido por balas de seus inimigos.
Casos como este se multiplicam no México, assim como os sequestros, também perpetrados por células criminosas que chegam a se dar ao luxo de receber em prestações o pagamento de resgastes, sem que nenhuma autoridade faça nada diante dos fatos. Por isso, tem razão Edgardo Buscaglia, assessor da ONU para assuntos de crime organizado, ao afirmar: “O presidente Felipe Calderón é uma figura decorativa diante do desastre ocasionado pela delinquencia. Seu governo não tem capacidade de garantir nada, nem a vida, nem o patrimônio”.
Em outros capítulos se demonstra, por exemplo, que o crescimento dos cartéis mexicanos é, sem dúvida, descomunal; prova disso é que na Espanha, Itália e Reino Unido já operam os narco mexicanos, movendo a droga através de portos e aeroportos nacionais, onde contam com ampla cumplicidade de policiais e altos funcionários de governos, enviando seus carregamentos inclusive em navios mercantes e aviões comerciais. Até a esses confins o México exporta ingovernabilidade e violência.
O cartel de Sinaloa, a organização que mais cresceu no atual governo, está presente em 48 países do mundo e por aqui passeia impune o seu capo, que pela segunda vez consecutiva é considerado pela revista Forbes como um dos homens mais ricos do México: Joaquín Chapo Guzmán, a quem se atribui uma fortuna de pouco mais de um bilhão de dólares.
Os Zetas, por sua parte, entram e saem dos Estados Unidos sem ser molestados. Outro grupo armado que em suas origens recrutou desertores do Exército, terminou por consolidar-se como cartel independente.
Atualmente entram e saem dos Estados Unidos sem ser molestados; se movem com toda liberdade pelas América Central e do Sul; na Itália, são amplamente conhecidos, sem falar no México, onde sua expansão é tão forte que controlam o corredor Tamaulipas-Nuevo León; e se ainda fosse pouco, dão ordens em boa parte das alfândegas, por onde traficam armas e drogas cobiçadas por funcionários públicos e até por altos comandos do Exército.
A Familia Michoacana é talvez o caso mais exemplar da expansão de um cartel em plena guerra e em curto prazo. Desenvolveu-se em Michoacán, a terra natal do presidente Felipe Calderón, e depois de cinco anos de operação já domina o norte do México. Da Guatemala controla o tráfico de metanfetaminas em vários países da América Central. A chave de seu êxito foi a aliança original que estabeleceu com os cartéis de Sinaloa e Tijuana, que conseguiu consolidar apesar da perseguição a seus principais líderes.
As demais organizações criminosas que operam no México, da expansão das quais tratamos neste livro, se mantêm tão poderosas quanto intocadas.
É a este cenário caótico que Felipe Calderón levou o México. E o que se observa em sua guerra contra o crime organizado são dois paradoxos: em primeiro lugar, que a dita cruzada resultou num fiasco, pois não exterminou a nada — os narco estão fortalecidos dentro e fora do México; em segundo lugar, também está evidente que no chamado “sexênio da guerra” o governo ao mesmo tempo combate e dá proteção a alguns barões da droga; e faz isso através de policiais, militares e funcionários públicos de todos os níveis, já que não há como explicar de outra maneira a impunidade com que se movem os capos como Joaquín Chapo Guzmán, Ismael Mayo Zambada ou o chefe dos Zetas, Heriberto Lazcano Lazcano, para citar apenas os mais conhecidos.
Menção à parte merece o tema da lavagem de dinheiro no México, sobre a qual pouco se investiga e pouco se castiga os responsáveis. Investimentos multimilionários são realizados por todo o país, com a compra de imóveis, de todo tipo de empresas e de amplas extensões territoriais. Todas essas aquisições são utilizadas para lavar ativos ilegais, sem que até agora tenham existido investigações oficiais. Os narco, por toda parte, parecem blindados.
Dentro deste complexo contexto de violações, também é muito preocupante o tema da imprensa no México. Cada vez é mais perigoso e arriscado fazer jornalismo. Embora estes casos não sejam matéria do presente livro, é preciso expor que dado o alto nível de impunidade, os repórteres que se dedicam aos temas do narcotráfico e do crime organizado correm o risco de perder a vida ou de desaparecer por conta destes poderes de fato, sempre ligados ao poder político. Dezenas de jornalistas foram mortos e outros estão desaparecidos. Seus casos seguem impunes.
Mas existe outra forma de restringir a liberdade de expressão: a calúnia vinda do poder central, com a qual se pretende calar a imprensa crítica do México. Um dos muitos casos foi a experiência vivida em dezembro de 2010 quando, depois de publicar uma reportagem no semanário Proceso sobre as supostas ligações entre o capo Sergio Villareal Barragán com políticos panistas [do PAN], revelando um encontro deste personagem com o presidente da República, em resposta fui acusado falsamente — assim como a revista em que trabalho — de receber pagamentos do narcotraficante em troca de não voltar a mencioná-lo em minhas reportagens.
Para orquestrar este temerário golpe político se juntaram três poderes: a presidência da República, o narcotráfico e uma empresa televisiva, a Televisa. O trio atuou exibindo-se como cúmplice de interesses criminosos com o poder político, o que não poderia acontecer em um México democrático — que não encontro em lugar algum –, mas isso explica como um governo que se vê afetado pela crítica, para defender seus interesses obscuros responde atacando a liberdade de expressão que alega proteger e defender.
Desde que começou a guerra contra o narcotráfico surgiram suspeitas sobre as causas de tantas mortes no México. Ninguém dá crédito à versão oficial de que as matanças de seres humanos são produto das vinganças e vendettas entre os capos. Hoje se sabe que dos mais de 40 mil mortos pelo menos a metade desapareceu ou morreu pela sanha de alguns grupos criminosos que, identificados ou não, conquistaram seu propósito diante da paralisia do governo federal: gerar terror e psicose.
Sobre os mais de 200 mil km quadrados do território nacional se estende, sombria, uma cortina do medo. Não há um só pedaço de terra livre de tensão e por todas as partes cavalga o potro da impunidade. Nenhuma morte é investigada, nenhum desaparecimento é esclarecido, nenhuma voz se escuta. É a marca panista, a ultradireita no poder que, como nos tempos azíagos de Hitler na Alemanha nazista, cerrou os olhos diante de tantas injustiças.
O presidente Felipe Calderón foi devorado por suas debilidades e seus erros. Caprichoso, não soma em suas decisões nenhum sinal de inteligência. É a brutalidade exercida desde o poder. Fechado a ouvir, insiste em manter o exército nas ruas para combater a criminalidade o que, longe de abatê-la, a fortalece. Este, sem dúvida, é o exemplo mais claro da debilidade do México “democrático”.
O pior é que neste cenário trágico os responsáveis por tantas mortes não tem rosto. Tudo cabe no abismo do narcotráfico. Quem investigará a causa de tantos assassinatos? Quem cobrará o presidente Felipe Calderón?
Estas e outras perguntas da sociedade não parecem ter respostas.
Este livro tem como propósito levar ao leitor pedaços desconhecidos da realidade e ajudá-lo, com informação documentada, a penetrar nas tramas do narcotráfico e suas ligações com o poder e os homens poderosos. É para que o leitor compreenda por que a violência atormenta este país, que vive hoje sua mais grave crise de insegurança dos últimos anos. A realidade, que em outras épocas se imaginou insana, agora cumpre sua função proporcionando imagens; o repórter proporciona as palavras onde observa que estão fazendo falta.
Ricardo Ravelo, 14 de março de 2011
BLOG VIOMUNDO

O povo na rua


Havia de tudo um pouco na marcha contra a corrupção aqui em Brasília: gente vestida de presidiário, tipo Irmãos Metralha, gente com máscara de que chafurda na lama, gente fantasiada de pirata, por causa dos desvios para paraísos fiscais. Não faltaram vassouras e, claro, uma vistosa pizza. Foi uma festa alegre, mas foi uma manifestação séria, se é que você me entende.

Em vez de palavras de ordem genéricas contra a corrupção, os organizadores focaram temas específicos: a constitucionalidade da lei da Ficha Limpa, em votação no Supremo, a garantia das prerrogativas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para investigar juízes, idem, fim do voto secreto de deputados e senadores, em análise no Congresso, e combate sério à evasão de divisas.

Foi uma manifestação sem partidos, sem UNE, sem sindicatos, mas com apoio da OAB e da CNBB. Aliás, o presidente desta entidade, Dom Raymundo Damasceno, deu declaração pública a favor do movimento nas comemorações de Aparecida do Norte. Tem peso, tem força.

Havia 20 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios, segundo estimativas oficiais. E outras manifestações ocorreram também no Rio, em São Paulo e quase duas dezenas de cidades.

Há quem desdenhe desse tipo de articulação, basicamente liderada por setores da classe média urbana, que se vale agora das preciosas redes sociais da internet. Mas, sinceramente, eu dou o maior valor. Em vez de se indignar no sossego do seu lar, as pessoas estão indo às ruas exercer seu direito de gritar, pressionar, cobrar.

É assim que funciona a democracia. É assim que se mudam as coisas e se determina o futuro.
Eliane Cantanhêde
Eliane Cantanhêde é colunista da Folha, desde 1997, e comenta governos, política interna e externa, defesa, área social e comportamento. Foi colunista do Jornal do Brasil e do Estado de S. Paulo, além de diretora de redação das sucursais de O Globo, Gazeta Mercantil e da própria Folhaem Brasília.
FOLHA

EUA aprovam acordos de livre comércio com Colômbia, Coreia do Sul e Panamá


A Câmara dos Representantes e o Senado dos EUA aprovaram três novos acordos de livre comércio nesta quarta-feira, com a Colômbia, Coreia do Sul e Panamá, após um período de quatro anos sem que Washington anunciasse novos tratados comerciais deste tipo. Basta agora a assinatura do presidente Barack Obama para que as medidas, que devem aumentar em US$ 13 bilhões as exportações americanas, entrem em vigor.

Na prática, os acordos removem a grande maioria das tarifas e entraves entre os EUA e os três países, criando "canais diretos" de comércio bilateral. O acordo entre Washington e 
Seul é o maior do tipo para os Estados Unidos desde a criação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês), entre americanos, mexicanos e canadenses.



Numa rápida análise, as duas câmaras do Congresso aprovaram os esperados acordos, incluindo uma lei sobre auxílio a trabalhadores americanos que tenham perdido seus empregos devido à concorrência de outros países.


A medida era uma exigência de Obama para que os acordos fossem aprovados. Logo após o resultado da votação o presidente disse que os tratados representam "uma grande vitória para os trabalhadores e as empresas americanas".

"O voto de hoje à noite, com o apoio dos dois partidos, aumentará de forma significativa as exportações que ostentam com o orgulho o selo 'Made in America', promoverão dezenas de milhares de empregos americanos com bons salários e protegerão nossos direitos trabalhistas, meio ambiente e propriedade intelectual", afirmou.

Também em reação, o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, disse que o acordo é a melhor resposta à crise financeira internacional e representará um avanço para os sul-coreanos e americanos.

Em Washington, Lee esperava anunciar a aprovação do acordo que tramitava nos Congressos de Seul e Washington desde 2007 durante sua visita. Ele jantou com Obama num restaurante sul-coreano na noite desta quarta-feira.

O acordo "diz respeito à criação de oportunidades para muitas pessoas nos dois países", acrescentou.

"A aliança econômica promoverá o livre comércio e mandará uma forte mensagem a todo o mundo de que a Coreia do Sul e os Estados Unidos mantêm-se unidos em nosso compromisso de rejeitar todas as formas de protecionismo e que estamos engajados ao comércio livre, aberto e justo. A história nos mostra que o protecionismo não é a resposta quando se enfrenta um desafio desta magnitude", avaliou Lee em referência à crise financeira.

OEA

Ainda no início do mês, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, elogiou Obama por ter enviado ao Congresso norte-americano os tratados de livre comércio com Colômbia e Panamá.

"O anúncio feito pelo presidente Obama é uma notícia muito boa para todos e um grande passo para que estes dois importantes instrumentos possam entrar em vigor o quanto antes e, assim, beneficiar milhões de cidadãos do continente".

Insulza afirmou que os benefícios "não se limitam ao econômico, já que trazem uma influência positiva nas relações políticas, sociais e culturais entre os países".

FOLHA

Dilma e Soros, tudo a ver


Houve algum resmungo em certos setores pelo fato de que a presidente Dilma Rousseff se atreveu a "ensinar" os europeus a lidar com a crise, durante sua estada em Bruxelas, na semana passada. Dilma limitou-se a dizer o que me parece óbvio: não se sai da crise com pacotes recessivos de ajuste fiscal. É preciso estimular o crescimento, sem o qual país algum consegue pagar suas dívidas.

Não se trata, pois, de conceitos tirados de algum velho alfarrábio marxista. 

É puro sentido comum. Tanto que, agora, George Soros, o mega-investidor (ou mega-especulador, a seu gosto, leitor) acaba de "ensinar" a mesmíssima coisa, em carta aberta aos dirigentes europeus. Não só Soros, aliás. A carta aberta leva cerca de 1.300 assinaturas de personalidades variadas, de diferente coloração política.

O texto defende um urgente acordo entre os dirigentes europeus em torno de três pontos, o último dos quais é exatamente "desenvolver uma estratégia que conduza ao crescimento e à convergência econômica, porque o problema da dívida não pode se resolver sem crescimento".

Para quem se interessa, cito também os dois outros pontos:

1 - "Estabelecer um Tesouro conjunto que possa captar fundos para a zona euro em seu conjunto e assegurar que os Estados-membros adiram à disciplina fiscal".

2 - "Reforçar a supervisão comum, a regulação e os sistemas de garantia dos depósitos na zona euro".

Simplificando, trata-se de criar um governo econômico comum, não apenas um mercado comum, e, digamos, socializar os papeis da dívida. Implica reduzir os custos da dívida de países como a Grécia por exemplo, mas aumentar o da Alemanha. Implica, portanto, um grau de solidariedade que estava na origem do projeto europeu, mas que foi se esgarçando até chegar ao ponto atual em que é preciso que a líder de um país remoto e em desenvolvimento e um investidor ensinem o óbvio. É triste, mas ainda é tempo de aprender, espero.
Clóvis Rossi
Clóvis Rossi é repórter especial e membro do Conselho Editorial da Folha, ganhador dos prêmios Maria Moors Cabot (EUA) e da Fundación por un Nuevo Periodismo Iberoamericano. Assina coluna às terças, quintas e domingos no caderno Mundo. É autor, entre outras obras, de "Enviado Especial: 25 Anos ao Redor do Mundo e "O Que é Jornalismo".
FOLHA

Carro avança sobre manifestantes durante ato anticorrupção em Curitiba


Um veículo avançou duas vezes, de ré, em direção aos manifestantes que protestavam contra a corrupção nesta quarta-feira (12), em Curitiba. Ninguém foi atingido.

Cerca de 500 pessoas participavam do protesto no momento - a maioria eram jovens, com idades entre 15 e 20 anos.

O carro, dirigido por um homem que aparentava ter cerca de 25 anos, tentava escapar do bloqueio da Avenida Cândido de Abreu durante o protesto. Ele avançou sobre o canteiro central e pegou a pista que estava livre, no sentido contrário, passando entre alguns manifestantes.

No momento em que o carro cruzou o protesto, alguns jovens protestaram com gritos e deram tapas na carroceria. O carro acelerou e, em seguida, perseguido por cerca de 20 pessoas, parou, deu ré e avançou sobre os manifestantes, que recuaram.

O gesto foi repetido uma outra vez, alguns segundos depois, mais à frente. Os manifestantes não conseguiram parar o carro e, depois, foram desencorajados da perseguição por algumas lideranças do protesto.

A Polícia Militar não acompanhava a manifestação no momento do incidente.

INTERNET

Os integrantes do protesto se mobilizaram pela internet. Eles saíram da Praça Santos Andrade, no centro de Curitiba, por volta das 14h30, e caminharam até a sede do governo estadual, no bairro Centro Cívico.

Segundo os participantes, cerca de mil pessoas chegaram a integrar a passeata em seu início.

Os jovens carregavam faixas pedindo a qualificação da corrupção como crime hediondo, a criação de varas exclusivas para o julgamento da corrupção no Judiciário e o fim do voto secreto no Legislativo.

Entre os grupos que se identificaram no protesto, estão o Anonymous (que "luta contra o que está errado, e a corrupção é o principal motivo de as coisas estarem erradas", segundo um dos integrantes do grupo) e o Libertários, que está reunindo assinaturas para se tornar um partido político, com o objetivo de "diminuir o Estado".

"Nosso objetivo único é reduzir o governo. A gente paga muito imposto, não temos eficiência e eles [os governantes] só ficam atendendo interesses de empresários, interesses próprios", diz Leopoldo Castilho, 23, um dos integrantes do grupo.

FOLHA

Exposição em São Paulo reúne fotos de crianças desaparecidas


A Fundação Criança de São Bernardo do Campo (Grande SP) e a Associação Mães da Sé organizaram uma exposição fotográfica com retratos de crianças desaparecidas. A "Primeira Exposição Fotográfica Itinerante de Crianças e Adolescentes Desaparecidos" reúne fotos, informações e relatos sobre 34 desaparecimentos registrados no Estado de São Paulo.

Ao lado de cada foto, o nome completo do desaparecido, data de desaparecimento e dados de seus pais. Além disso, uma breve explicação sobre como cada um deles desapareceu.

Ivanise Esperidião da Silva Santos é a presidente da Mães da Sé. Ela fundou a associação há 15 anos, meses depois do desaparecimento da sua filha. Desde então, procura informações que levem a localizar a garota, reúne por conta própria dados de outros desaparecidos - já são mais de 6 mil - e reivindica maior atenção do governo no atendimento às famílias.

"No país há um controle sobre os homicídios, roubos de carros, mas não há um cadastro de todos os desaparecidos", disse Ivanise depois da abertura da exposição, ontem. "Precisamos de um cadastro nacional para facilitar as buscas".

Ariel de Castro Alves, presidente da Fundação Criança, lembra que o governo federal anunciou a criação do cadastro em março do ano passado. Entretanto, o número de cadastrados ainda é muito pequeno diante dos quase 40 mil casos de desaparecimento de crianças e adolescentes ocorridos por ano no país.

"Esta exposição é para chamar a atenção da sociedade para o problema dos desaparecimentos", declarou. "No Dia da Criança, milhares de famílias não têm o que comemorar porque não têm sua criança em casa", completou.

As fotos ficaram expostas até o próximo dia 31 na sede da Fundação Criança (Rua Francisco Visentainer, 804, bairro Assunção, São Bernardo do Campo). De lá, seguirão para escolas, universidades e prédios públicos da região metropolitana de São Paulo.

AGÊNCIA BRASIL/FOLHA

PF prende universitário suspeito de traficar drogas no Rio de Janeiro


Um estudante universitário de 27 anos foi preso sob suspeita de tráfico de drogas na noite de terça-feira (11), após despachar dois quadros que levavam escondidos cerca de 2 kg de cocaína, no aeroporto internacional Antônio Carlos Jobim, no Rio.

De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Federal, a droga foi detectada antes do embarque da bagagem na aeronave. O homem, que seguiria para Ibiza, na Espanha, foi preso por volta das 22h30.

A PF disse apenas que ele é um comerciário que estuda Administração e nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte. A assessoria também não soube dizer se ele já tinha percorrido outro trecho de avião antes de tentar embarcar para a Espanha no Galeão.

O homem foi encaminhado para o presídio Ary Franco, em Água Santa, na zona norte do Rio. O auto de prisão foi encaminhado para a Justiça, que irá decidir se ele permanecerá preso.

A reportagem não conseguiu descobrir se ele já tem advogado.

FOLHA

Aprovado aumento de 15% no salário de policiais de São Paulo


A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou, na noite desta terça-feira (11), por maioria de votos, o Projeto de Lei Complementar que prevê um reajuste de 15% no valor do salário base dos policiais, retroativo a 1º de julho. Além de um novo aumento de 11%, em 1º de agosto do ano que vem. No total, o aumento chega a 27,7% em dois anos.

De acordo com a SSP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), o projeto eleva os vencimentos de 13 categorias de policiais civis, como investigadores e escrivães, e policiais científicos, como médicos legistas, peritos criminais e atendentes de necrotério, além de reestruturar a carreira de delegado de polícia, com a extinção da 4ª classe.

Agora, para virar lei, o texto seguirá para sanção do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Na semana passada, os deputados estaduais aprovaram, por unanimidade, dois projetos que permitem o aumento nos mesmos percentuais e datas do salário base de policiais militares e delegados de polícia. Se sancionados, os projetos vão beneficiar mais de 150 mil servidores da ativa e quase 103 mil aposentados e pensionistas.

Entre os funcionários públicos, há 89.345 policiais militares e 34.258 policiais civis e científicos.

Além do reajuste salarial, o governo do Estado anunciou um pacote de benefícios aos policiais, com medidas para facilitar as promoções e a valorização de carreiras.

FOLHA

Deficiente visual consegue na Justiça direito de lecionar em São Paulo


Uma mulher com deficiência visual conseguiu na Justiça o direito de ocupar o cargo de professora da rede municipal de Ubatura (litoral de SP), após ter sido considerada inapta para a função. A decisão, do juiz João Mário Estevam da Silva, da 1ª Vara Judicial, do fórum local, foi tomada na sexta-feira (7) e divulgada nesta quarta-feira pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

De acordo com o TJ, a mulher foi aprovada em primeiro lugar no concurso para professor. 

Entretanto, o resultado da perícia médica a apontou como inapta para ser empossada por ser portadora de deficiência visual.

Em seu pedido, a professora argumenta que sua deficiência nunca a impediu de trabalhar e diz que já lecionou em Ubatuba e em outros municípios.

Na decisão, o juiz determina que a professora seja avaliada durante o estágio probatório. 

Segundo o magistrado, "não se afigura razoável que do candidato seja previamente retirada a possibilidade de demonstrar sua real capacidade, aptidão e adequação, não sendo suficiente que apenas um profissional médico - por melhor que seja sua técnica -, defina-o como incapaz".

FOLHA

30 mil vão a show de aniversário do Cristo, no Rio de Janeiro


Mais de 30 mil pessoas foram ao aterro do Flamengo, na noite desta quarta-feira para comemorar os 80 anos do Cristo Redentor.

O evento, batizado de "Show da Paz", tem a participação de diversos artistas que interpretam clássicos brasileiros envolvendo o Cristo.

A paraibana Elba Ramalho fez sua homenagem com "Valsa de uma Cidade". Devota do Cristo, ela batizou a filha na capela do monumento na semana passada. "Fico muito feliz em estar aqui. O Cristo abraça todos. É como o Rio de Janeiro", disse.

Até por volta das 20h, oito atrações já haviam subido ao palco, entre elas o neto de Tom Jobim, Daniel Jobim, e Miúcha, que cantaram juntos "Sambo do Avião". O evento está sendo gravado e será feito um DVD.

FOLHA

Wanessa Camargo quer indenização de Rafinha Bastos


Wanessa Camargo e Marcus Buaiz devem processar Rafinha Bastos tanto na área criminal quanto na cível. Querem indenização pelos danos causados pela piada em que ele dizia que "comeria" a cantora, que está grávida, e também o bebê.

A informação está na coluna de Mônica Bergamo, publicada na Folha desta quarta (12). 

FOLHA

Pagar por comida ou casa está mais difícil nos EUA do que na China

NOVA YORK - Garantir dinheiro para comprar comida ou casa para morar ficou mais difícil para os americanos do que para os chineses desde a crise de 2008, aponta pesquisa Gallup divulgada nesta quarta-feira, 12. Enquanto 6% dos chineses disseram que nos últimos 12 meses houve vezes em que não tiveram dinheiro suficiente para comprar comida, 19% dos americanos entrevistados afirmaram terem passado por essa situação no último ano. Em 2008, o porcentual de chineses nessa situação era de 16%, enquanto 9% dos americanos deram essa resposta.


A pesquisa mostra também que os chineses estão tendo menos dificuldades para pagar por um lugar para morar, com 6% afirmando que nos últimos 12 meses houve ocasiões em que faltou dinheiro para pagar por uma moradia ou abrigo adequado, bem abaixo dos 21% que diziam ter estado nessa situação em 2008.
Por outro lado, ainda que menos americanos que os chineses tenham passado por dificuldade em pagar por moradia em algum momento nos últimos 12 meses, o total de americanos  nessa situação mais do que dobrou de 2008 para cá, passando de 5% para 11%.
O levantamento foi feito por telefone e pessoalmente com cerca de 4.100 adultos na China e cerca de mil adultos nos Estados Unidos, entre 2007 e 2011. 
ESTADÃO

Franceses e suíços têm as meias mais fedidas da Europa, diz estudo


Quando o assunto são meias, as dos franceses e suíços são mais fedidas do que as dos alemães ou britânicos.

Um estudo feito pela empresa suíça Blacksocks revela que apenas 66% dos homens franceses trocam as meias diariamente, enquanto somente sete em cada 10 suíços calçam um par limpo todos os dias.

Na outra ponta da escala de higiene, estão os alemães e britânicos. Um total de 78% deles dizem que trocam as meias diariamente, segundo a pesquisa, que ouviu 3.000 pessoas em seis países europeus.

No geral, 77% dos homens e mulheres pesquisados trocam as meias todos os dias, enquanto 11%, a cada dois dias. Outros 4% vestem um par limpo a cada três dias, e 1% só trocam as meias uma vez por semana.

A frequência de mudança das meias pode estar relacionada ao número de pares que a pessoa possui. Os alemães são os que têm mais pares: 24, em média. Os austríacos vêm em seguida, com 23 pares, antes dos suíços, com 22.

Os franceses são os que possuem menos pares, em média 17, o que poderia explicar por que eles trocam menos as meias do que os outros europeus.

FRANCE PRESS/FOLHA

EUA apontam envolvimento de cartéis mexicanos em suposto complô


O suposto complô iraniano para assassinar o embaixador saudita em Washington, planejado em parte no México, revela a crescente atividade do Irã na América Latina e o risco dos cartéis mexicanos para os Estados Unidos, advertiram congressistas americanos nesta quarta-feira.

O plano frustrado "mostra mais uma vez que o Irã estabeleceu profundos laços diplomáticos e militares encobertos na América Latina", afirmou o legislador republicano Connie Mack, chefe da subcomissão para a região na Câmara de Representantes.


"Agora enfrentamos uma diferente insurgência criminosa, talvez terrorista, no México, que vai ganhar força se não for combatida apropriadamente", afirmou Mack, que pede que os cartéis mexicanos sejam considerados como "narcoinsurgentes".

Os comentários dos congressistas chegam horas após a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, ter dito que o suposto complô iraniano demonstra um "perigoso aumento"do apoio do Irã ao terrorismo, o que precisa de uma resposta internacional.

As autoridades americanas identificaram na terça-feira dois iranianos que planejavam assassinar o embaixador saudita em Washington e contataram um agente americano disfarçado de narcotraficante no México para executar o serviço.

Um dos iranianos seria membro da Al Qods, unidade de elite da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.

Se for confirmado o complô, "isto nos dirá que os iranianos estão confortavelmente nadando nestas águas" dos cartéis mexicanos, disse Ed Royce, chefe da subcomissão de Terrorismo da comissão de Relações Exteriores da Câmara, que realizou nesta quarta-feira uma audiência sobre as relações entre terrorismo e narcotráfico.


"Acredito que todos que acompanham o tema do Hizbollah e do Irã na América Latina não se surpreenderam realmente" com este plano, destacou o legislador republicano Jeff Duncan.

Duncan lembrou que o Irã abriu seis embaixadas na América Latina nos últimos cinco anos e denunciou o possível assessoramento do movimento libanês Hezbollah, considerado terrorista por Washington, aos cartéis mexicanos na construção de túneis na fronteira com os Estados Unidos.

"Precisamos acordar! Irã e Hizbollah estão muito ativos em nosso continente. Isto ficou evidente ontem".

Especialistas na luta contra o crime organizado nos Estados Unidos descartaram na semana passada, em outra audiência, a existência de vínculos do Hizbollah com traficantes mexicanos.

As autoridades mexicanas têm dificuldade para controlar suas fronteiras "e a maneira mais fácil de entrar nos Estados Unidos é através do território mexicano", disse o congressista Ted Poe.

FOLHA

Sem Jobs, Apple fica na mão de homens que têm a empresa no sangue


As pessoas que estão no poder na Apple agora ainda são enigmas para a maioria das pessoas de fora do setor de tecnologia, e é difícil imaginar qualquer uma delas assumindo as proporções míticas de Steve Jobs, o cofundador da empresa que morreu na quarta-feira (5).

Mesmo Tim Cook, que foi executivo-chefe interino por duas vezes antes de assumir o controle total da empresa em agosto, é pouco conhecido, e seus atos na semana passada sugerem que ele não deseja estar sob os holofotes, como era o caso de Jobs.

No dia 4, em seu primeiro lançamento de produto desde que Jobs renunciou à direção da Apple, em agosto, Cook abriu e encerrou uma apresentação de 90 minutos para anunciar a versão mais recente do iPhone, que é o maior e mais importante produto da Apple em termos da receita que já gerou.

Mas Cook cedeu a seus colegas uma parte relativamente maior de tempo sobre o palco do que seu predecessor teria feito: Scott Forstall, chefe de software para o iOS, explicou e demonstrou os aprimoramentos nesse sistema operacional, e o guru de marketing Phil Schiller exibiu as capacidades do iPhone 4S.

Eles e outros, incluindo Jonathan Ive, designer de hardware do Mac, tinham sido igualmente cruciais antes para o desenvolvimento e as vendas dos produtos da Apple. Mas, do jeito como Steve Jobs administrava as coisas, ele muitas vezes criava a impressão de ter trabalhado sozinho por meses sobre um produto, em sua garagem, e ter acabado de correr para o lançamento para mostrá-lo, disse na quarta-feira Michael Gartenberg, analista de tecnologia da Gartner.

"A única coisa que é certeza que vai mudar na Apple agora é que não vamos mais ver uma pessoa representando-se como a manifestação física de tudo que é Apple", disse Gartenberg. "Tim Cook se dispôs a entregar o palco àqueles outros executivos".

Mesmo que quisesse, Cook teria dificuldade em assumir todo o manto de Steve Jobs. Quando voltou para a empresa, no final dos anos 1990, o cofundador a pegou 90 dias antes de falir e, em apenas 14 anos, a converteu na segunda empresa mais valorizada do mundo em termos de capitalização de mercado. Nesse processo, promoveu uma reviravolta total nos setores de música e telefonia celular.

Sob alguns aspectos, Jobs agia como se ele próprio fosse o único cliente que tivesse importância, ignorando as pesquisas de mercado e os grupos de discussão e selecionando entre as ideias dos profissionais da Apple aquelas que achava mais atraentes.

Jobs inspirava as pessoas a criarem grandes trabalhos e foi um vendedor exímio, contagiando os consumidores com seu entusiasmo. Já seu vice de longa data, Cook, parece controlado e discreto em comparação com ele -um especialista em operações e logística, mais interessado em planilhas que em designs gráficos.


Gartenberg sugeriu que o maior adversário de Tim Cook agora talvez seja o mito de Steve Jobs como o gigante que criou tudo, em vez de um líder que selecionava opções com inteligência.

Mas Cook já começou a fazer a Apple avançar para além desse mito.

Um de seus primeiros atos como CEO foi promover outro dos astros da Apple, Eddy Cue, que interage com muitas pessoas de fora em sua condição de mestre da iTunes, a loja de mídia e aplicativos de software.

Cue é a chave para garantir a lealdade dos desenvolvedores externos que são cruciais para o sucesso futuro da Apple contra o sistema operacional Android, do Google, e ele terá que tratar com as empresas de mídia que recuam diante da parcela que a Apple recolhe sobre os conteúdos, como os 30% que recolhe sobre revistas vendidas no iPad.

Eddy Cue trabalha para a Apple há 22 anos, tendo comandado a criação da loja on-line da empresa em 1998, da loja de música iTunes em 2003 e da App Store em 2008. Em fevereiro ele ficou ao lado de Rupert Murdoch para anunciar o lançamento do jornal digital "The Daily", disponível exclusivamente no iPad. Ao ungi-lo vice-presidente sênior de software e serviços para a internet, Tim Cook escreveu em memorando ao quadro de profissionais: "A Apple é uma empresa e uma cultura diferente de quaisquer outras no mundo, e líderes como Eddy captam isso. A Apple está em seu sangue".

Em sua capacidade atual, Cue é encarregado de desenvolver os novos serviços iCloud, que proporcionam ao usuário acesso a seu software e conteúdo desde qualquer aparelho Apple, sem precisar transferir manualmente nenhum deles.

Também se reportam diretamente a Cook o designer britânico Jonathan Ive, visto como gênio do design por ter desenhado as linhas enxutas do iPod, do iPhone e do iPad, e Schiller. O outro executivo fundamental é Forstall, vice-presidente sênior de software do iPhone, criador do funcionamento interno do aparelho que permite ao usuário acessar os aplicativos do telefone com toques e pressões.

Tim Cook deixou Forstall demonstrar uma característica inovadora do iPhone 4S na semana passada, a função de reconhecimento de voz conhecida como Siri. Forstall trabalhou para Steve Jobs antes mesmo da Apple, na NeXT, a empresa de computadores que Jobs fundou depois de deixar a Apple em 1985. Mas, sobre o palco no dia 4, Forstall e Cook mostraram que sua dedicação mais fiel não é a Steve Jobs, seu mentor, mas ao legado dele, a Apple Inc.

Embora Jobs tenha se esforçado para deixar a empresa que cofundou na posição mais forte possível, o mundo da tecnologia, em transformação constante e veloz, não dá garantias de estabilidade.

A Apple inicia a era sem Jobs dotada de uma reserva enorme de US$ 76 bilhões em dinheiro líquido e equivalentes em sua folha de balanço - o suficiente para comprar à vista os dois maiores (em termos de receita) fabricantes de PCs, Hewlett-Packard e Dell.

As duas empresas estão entre as que estão se esforçando para criar um rival plausível ao iPad, o tablet que já vendeu 30 milhões de unidades em menos de dois anos e que Leo Apotheker, o executivo-chefe da HP que está de saída, admitiu estar transformando o mundo da computação pessoal.

Analistas dizem que, com tempo suficiente, produtos como esses provavelmente vão surgir. O Samsung Galaxy Tab já está dominando uma parte suficientemente grande do mercado para levar a Apple a acelerar uma defesa nos tribunais de propriedade intelectual, alegando que a empresa coreana, a maior empresa de tecnologia do mundo em termos de vendas, roubou elementos do design da Apple.

O tablet Kindle Fire, da Amazon, a ser lançado em breve e vendido por US$ 200, um valor próximo de seu preço de custo, mostra que um rival com bolsos fundos está disposto a gastar para enfrentar a Apple em toda sua cadeia de distribuição - em conteúdo (música, vídeos e livros) e também nos aparelhos em que esse conteúdo é consumido.

O maior desafio que se coloca à empresa vem do fato de que a Apple partiu em um caminho singular, vinculando seu hardware a seus serviços e software. Tim Cook, o executivo-chefe, disse que essa estratégia significava que a empresa podia proporcionar ao usuário uma experiência integrada, sem quebras.

Especialistas dizem que Steve Jobs também incutiu na empresa uma cultura de busca da excelência.

"Você está competindo com smartphones ou tocadores de música - a Apple não inventou esses aparelhos. Está competindo com um jeito de criar coisas que não envolve comitês ou grupos de discussão, mas pessoas inteligentes fazendo seus trabalhos", disse Michael Gartenberg, o analista da Gartner.

Mas a desvantagem dessa abordagem é que ela provoca os rivais da Apple a se unirem e formarem alianças. O exemplo mais claro disso está no software Android, do Google. O Google deu o passo ousado de licenciar o código gratuitamente. Hoje todos os principais fabricantes de telefones celulares oferecem telefones com Android. As participações no mercado conjuntas desses fabricantes superaram a do iPhone, e mais programadores estão sendo induzidos a criar aplicativos para eles.

FINANCIAL TIMES/FOLHA

luishipolito@outlook.com

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