quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Morre Dennis Ritchie, criador da linguagem C e do sistema Unix


Dennis Ritchie, pioneiro em programação de computadores, morreu aos 70 anos de idade nos EUA, de acordo com a Alcatel-Lucent's Bell Labs, companhia que empregava o programador desde 1960. A empresa não revelou a causa do óbito ou quando exatamente Ritchie morreu.

Ritchie criou, nos anos 70, a popular linguagem de programação C, comumente usada para desenvolvimento de sites até hoje.

Ele também ajudou na construção do software operacional Unix. O programa e seus desdobramentos, incluindo o Linux, são amplamente utilizados em vários dispositivos, incluindo servidores, caixas de banco e celulares.


De acordo com biografia de Ritchie no site da Bell Labs, ele nasceu em 9 de setembro de 1941, em Bronxville, Nova York, e estudou física e matemática na Universidade Harvard.

Jeong Kim, presidente da Bell Labs, escreveu em um post no blog da companhia nesta quinta-feira (13) que Ritchie era "verdadeiramente uma inspiração para todos nós, não apenas para suas muitas realizações, mas por quem ele era como um amigo, como um inventor, e como um homem humilde e agradável".

FOLHA

Agência de risco Standard & Poor's rebaixa nota da dívida da Espanha


A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou na noite desta quinta-feira a nota da dívida soberana da Espanha em um grau, para "AA-", citando como justificativa as "perspectivas incertas de crescimento" e do provável prosseguimento da deterioração do sistema financeiro do país. Na sexta-feira (7), a Fitch já havia reduzido sua classificação para a dívida espanhola para "AA-".

A S&P destacou que a perspectiva para a economia espanhola permanece negativa, já que o país enfrenta "crescentes riscos" devido ao elevado nível de desemprego, ao clima financeiro mais difícil e ao possível desaquecimento econômico entre os principais sócios da Espanha.

O anúncio soma-se ao pessimismo expressado mais cedo pela agência Fitch quanto a bancos suíços, alemães, franceses e britânicos, que também tiveram suas avaliações de risco reduzidas nesta quinta-feira.

A agência reduziu a nota do banco suíço UBS em um degrau, para "A", e indicou que poderá rebaixar as notas de outros seis grandes bancos, entre eles os franceses Crédit Agricole e BNP Paribas, e o suíço Credit Suisse.

A Fitch também rebaixou em um nível, para "A+", as notas de dois bancos regionais alemães, Landesbank Berlin (LBB) e Berlin-Hannoversche Hypothekenbank e de e dois bancos britânicos resgatados durante a crise financeira de 2008, o RBS (Royal Bank of Scotland) e Lloyds Banking Group, cujas classificações baixaram para de "AA-" a "A", sob a justificativa de que o governo do Reino Unido parece estar menos disposto a ajudar o setor bancário.

FOLHA

Camil Alimentos anuncia a compra da marca Coqueiro


A Camil Alimentos anunciou nesta quinta-feira a compra da marca Coqueiro, única operação de pescados do mundo pertencente à PepsiCo.

A transação, que não teve o valor revelado, prevê a incorporação de duas fábricas da Coqueiro em São Gonçalo (RJ) e Itajaí (SC), além da transferência de 1.500 funcionários.

A Camil já atuava no setor de pescados com as marcas Alcyon e Pescador amplia sua participação no setor com a incorporação da companhia. Hoje, 80% dos negócios da Camil, que é A Camil é a maior indústria de beneficiamento de arroz e feijão da América Latina, estão no setor de grãos.

A expectativa, segundo a Camil, é que em até cinco anos a divisão represente 30% de seus negócios. O faturamento da companhia projetado para o ano é de R$ 1,8 bilhão.

No ano passado, a Camil faturou cerca de R$ 1,2 bilhão. A empresa entrou no segmento de industrialização de pescados em maio deste ano, com a compra da catarinense Femepe, dona das marcas Alcyon e Pescador.

A Coqueiro produziu 28,5 mil toneladas de pescado em 2010.

VALOR/FOLHA

Dono de restaurante que explodiu deve responder por homicídio


O dono do restaurante Filé Carioca, que explodiu na manhã desta quinta-feira, deve ser indiciado sob suspeita de homicídio culposo (sem intenção), segundo o delegado-adjunto da 5ª DP (centro do Rio), Antonio Bonfim. O acidente causou três mortes e deixou 17 feridos. Emocionalmente abalado, o proprietário foi internado e ainda não foi ouvido pela polícia.

De acordo com a polícia, a explosão foi causada por um acúmulo de gás. O delegado afirma que vazou gás durante todo o feriado e que, segundo o depoimento do jornaleiro, um homem comprou um maço de cigarro, seguiu em direção ao restaurante "e, na mesma hora, o local explodiu".

Segundo Bomfim, ainda é cedo para definir culpados. Já foram ouvidas 12 pessoas, entre funcionários e vizinhos.

O dono do restaurante deve prestar depoimento assim que deixar o hospital.

O advogado do proprietário do Filé Carioca, Bruno Castro, disse que ainda não conversou com seu cliente, que está sedado. "Não estou forçando uma barra, no sentido de conversar agora com ele, porque está abalado pela tragédia".

Para Gustavo Caldas, chefe de gabinete da Superintendência de Seguros Privados (Susep), vinculada ao Ministério da Fazenda, o proprietário deve arcar com indenizações por dano moral e prejuízos.


VÍTIMAS

O acidente aconteceu por volta das 7h20, na praça Tiradentes, no centro do Rio. Funcionários teriam sentido cheiro de gás, pela manhã, e ficaram do lado externo do restaurante.

O jornaleiro Jorge Luiz Rosa Leal, 44, que trabalha na banca em frente Filé Carioca, diz que escapou por segundos. Ele disse que chegou à banca às 5h e conversou com Antônio Severino Tavares, chefe de cozinha, que morreu na explosão. "Ele me cumprimentou e levou verduras frescas para dentro da loja, depois me pediu o telefone do dono do restaurante", diz.

Além de Tavares, também morreu Josimar dos Santos Barros, que trabalhava como sushiman. A outra vítima é Mateus Maia Macedo, 19, que passava pelo local no momento da explosão.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, 4 das 17 pessoas atendidas permanecem internadas. Três dos feridos estão em estado grave.

O prédio do restaurante vai continuar interditado, assim como o imóvel vizinho. O Hotel Formule 1, que teve vidros estilhaçados com a explosão, foi liberado.

RELATOS

A atendente Michele Medeiros dos Santos, 29, disse que chegou a entrar no Filé Carioca minutos antes de o restaurante explodir. "Foi Deus mesmo que me salvou", disse.

Segundo ela, o chefe de cozinha Antônio Severino Tavares, que morreu no acidente e estava no local desde as 6h, alertou sobre o risco de explosão por conta de um vazamento de gás e pediu que ela e os outros funcionários se afastassem dali.

"Foi o tempo de eu entrar, sentir o cheiro do gás e sair para entregar uma mochila de roupas num prédio vizinho. Cheguei a falar para o Antônio sair da loja, mas ele disse que estava tentando resolver o problema. Logo que virei na rua lateral a do restaurante ouvi uma explosão ensurdecedora", disse.

O catador de latinhas Daniel Ferreira Luz de Oliveira, 34, viu o momento da explosão. "Eu estava do outro lado da calçada catando latinha quando ouvi um estrondo enorme. Vi o pessoal voando já tudo morto pro outro lado da calçada. Com o calor, já estavam até sem roupa. O impacto foi tão grande que chegou a derrubar um poste. Nunca vi uma cena daquela. Ficou gravada na minha cabeça", disse.

FOLHA

Governo diz que não vai recorrer contra comercial de Gisele Bündchen


A Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres afirmou nesta quinta-feira que não vai recorrer contra a decisão do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) que liberou a propaganda da marca Hope com a modelo Gisele Bündchen.

O mesmo órgão, há duas semanas, havia enviado representação ao Conar pedindo a suspensão do campanha publicitária "Hope ensina", por considerá-la sexista.


De acordo com a secretaria, o fato de o Conar ter levado a representação a julgamento em seu Conselho de Ética "já representou um importante avanço".

Para a secretaria, apenas por ter aceitado que o comercial fosse a julgamento, o conselho admitiu a importância do debate. A secretaria afirmou ainda que, ao reconhecer a existência de estereótipos na campanha, o relator do processo também deu um passo além na discussão.

Ana Paula Gonçalves, que defendeu os argumentos da secretaria no julgamento de hoje, afirmou que o Conar vem "contribuindo decisivamente" para o avanço da publicidade brasileira, especialmente quanto à utilização do corpo feminino e da sensualidade.

Ela mencionou como exemplo bem-sucedido as mudanças na propaganda de cerveja, que agora devem obedecer a 32 normas éticas.

De acordo com a secretaria, algumas destas normas estabelecem, por exemplo, que "os personagens masculinos das peças publicitárias não podem mais mostrar que 'se dão bem com a mulherada' por causa da cerveja".

FOLHA

Procurador contesta visto de Battisti na Justiça


O Ministério Público Federal quer que a Justiça determine a deportação do italiano Cesare Battisti, ex-integrante do movimento de extrema esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Condenado na Itália à prisão perpétua em processos nos quais foi acusado de envolvimento com quatro assassinatos durante a década de 70, Battisti vive livre atualmente no Brasil.
Em seu último dia de governo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não extraditá-lo para a Itália. Em seguida, Battisti conseguiu um visto de permanência definitiva no País. Antes, o Supremo Tribunal Federal (STF) tinha autorizado a extradição, mas deixado claro que caberia ao chefe do Executivo entregar ou não o estrangeiro.
Na ação protocolada hoje na 20ª Vara Federal de Brasília, o procurador da República Hélio Ferreira Heringer Junior pede que Battisti seja deportado para outro país com exceção da Itália. Mandá-lo para sua terra natal poderia ser interpretado como uma violação à decisão da Presidência da República de não entregá-lo ao governo italiano. As opções indicadas por Heringer Junior são França ou México, onde Battisti morou antes de vir para o Brasil, ou outro país que concorde em recebê-lo.
De acordo com o procurador, a concessão do visto no Brasil foi ilegal. Na ação, o procurador sustenta que um dispositivo do Estatuto do Estrangeiro determina que não será concedido visto a estrangeiro condenado ou processado em outro país por crime doloso passível de extradição segundo a lei brasileira.
ESTADÃO

A costumeira chantagem


Na ressaca da ditadura militar, a Constituição de 1988 foi escrita com a preocupação de aparar os amplos poderes que o Executivo tinha se concedido durante o regime, em especial mediante a Carta de 1967. Por um ato institucional, o general Castelo Branco, o primeiro chefe de governo da nova ordem, atribuiu a um expurgado e acoelhado Congresso a função de institucionalizar a chamada Revolução de 1964, conforme um projeto de Constituição saído pronto e acabado das entranhas do Planalto. O texto, aprovado praticamente como foi recebido, transformou o Executivo no "mais igual" dos Poderes do Estado. Exemplo dessa centralização hierárquica, o governo se outorgou o monopólio da edição de emendas constitucionais.
Não admira, portanto, que os constituintes livremente eleitos duas décadas depois se empenhassem em ir além da varrição do entulho autoritário, como se dizia à época. A ideia mestra da Constituinte era não apenas enquadrar o Executivo na moldura do Estado Democrático de Direito, reequilibrando a balança das instituições nacionais, mas também dar vida nova à Federação, delegando competências aos Estados e municípios. E tudo isso guiada pela premissa de que a democracia política e a descentralização administrativa deveriam abrir caminho à redução das iniquidades sociais. Acreditavam os constituintes que a Constituição poderia ser a carta de alforria da população pobre e o salvo-conduto para o seu acesso à saúde, educação, moradia e demais bens públicos dos quais vivia apartada.
Isso se traduziu diretamente na política orçamentária federal. Desde então, os governos de turno tiveram de conviver com um padrão de engessamento do destino a ser dado às receitas que lhes deixava pouca margem de manobra no uso dos recursos. Como que a afrouxar essa camisa de força, os desembolsos previstos na proposta orçamentária original ou a ela acrescidos pelas emendas parlamentares são meramente indicativos - salvo quando se tratar de vultosas rubricas pétreas, como a paga do funcionalismo e o financiamento da Previdência, os investimentos pré-fixados para a educação e a saúde e as transferências constitucionais aos entes federativos para esses mesmos fins.
O impulso modernizador do Estado, no bojo do Plano Real, levou o governo do presidente Itamar Franco a instituir, por iniciativa do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, e com aprovação do Congresso, um mecanismo para tornar mais flexível a execução orçamentária. A Desvinculação das Receitas da União (DRU), como viria a ser designado, estipula que o Executivo federal pode gastar como queira 20% da arrecadação. Em 2012 isso dá R$ 62,4 bilhões. O instrumento deve ser renovado por emenda constitucional. A DRU vigente expira em dezembro. Eis uma preciosa oportunidade, a enésima e de forma alguma a derradeira, para os políticos exercitarem a sua propensão para a chantagem.
É a imprecisamente denominada base parlamentar governista que saca da faca para encostar no pescoço da presidente: ou ela acede em cacifar 61% do valor total das emendas individuais apresentadas pelos congressistas - o equivalente a R$ 4,7 bilhões - ou a DRU só será prorrogada por dois anos, no máximo, e não por quatro, como seria normal. Nessa hipótese, teria de ser renovada em plena campanha presidencial. Como de costume, dinheiro para obras não é tudo para os extorsionários. Demandam outros meios de engordar o seu patrimônio político: o preenchimento de cargos vagos em órgãos como a Sudene, Chesf, Codevasp e Dnocs, para citar apenas os do Nordeste. "A hora é esta, temos de estressar o governo até o limite", diz com cínica naturalidade um parlamentar que se diz "aliado do Planalto" e se esconde sob o anonimato.
A hora é esta e o sistema é este - o modelo de perversão política que confronta, caso a caso, o governante não com a oposição, mas com as bancadas dos partidos que se coligaram para elegê-lo. Aos seus oportunistas integrantes, ávidos pela barganha, pouco se dá que a presidente Dilma Rousseff - ou quem quer que estivesse hoje no seu lugar - precisa da DRU como uma ferramenta adicional para limitar os danos ao Brasil da crise econômica internacional que não cessa de se agravar.
ESTADÃO

Quanto vale a Europa?


Demétrio Magnoli, sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP
"Sem o euro não existe Europa", constatou Angela Merkel, no mesmo discurso em que assegurou que não haverá uma "união da dívida". As afirmações, contraditórias entre si, refletem imperativos diferentes. A primeira é uma homenagem prestada à História - ou seja, ao projeto supranacional da União Europeia. A segunda expressa a vontade dos eleitores alemães - ou seja, a existência do Estado-nação. Agora, diante da iminente falência grega e do espectro de um colapso bancário em série, a chanceler alemã deve escolher entre uma e outra, pois não pode ter as duas.
História, no caso da Europa, significa uma catástrofe única, que devastou o sistema moderno de Estados erguido na Paz da Westfalia, em 1648, e reconstruído no Congresso de Viena, em 1815. A União Europeia, um fruto da catástrofe, é filha de Stalin e de Hitler.
Stalin: o projeto europeu emanou das circunstâncias da guerra fria, na forma de uma aliança entre a França e a Alemanha, antigas rivais separadas pelos ressentimentos acumulados em três guerras sucessivas. O ato inicial da Europa foi o Plano Schuman, de criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (Ceca), em maio de 1950, meses depois da fundação da Alemanha Ocidental e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). À sombra ameaçadora da URSS, a unidade da Europa Ocidental era o complemento necessário para a aliança transatlântica com os EUA.
Hitler: o projeto europeu emanou das ruínas fumegantes da 2ª Guerra Mundial, o testemunho do colapso de um sistema baseado na soberania absoluta dos Estados. A ideia genial do francês Jean Monnet, de compartilhamento de soberanias, representou a solução para uma civilização destruída pelo nacionalismo sem freios. O ingresso da Alemanha Ocidental na Otan implicava o rearmamento alemão, apenas cinco anos depois da libertação de Paris. A Ceca foi o intercâmbio que o propiciou: no altar da aliança com a França, a Alemanha sacrificou sua supremacia nacional na indústria siderúrgica, a fonte do aço e das armas.
Numa prova de que a paternidade de Hitler é mais forte que a de Stalin, o encerramento da guerra fria não provocou a dissolução do projeto europeu, mas o seu avanço para um novo patamar. A reunificação alemã, em 1990, reativou as assombrações de um passado perene. Então, o espírito de Monnet inspirou François Mitterrand e Helmut Kohl a formularem uma segunda grande barganha, coagulada no Tratado de Maastricht, de 1992: "Toda a Alemanha para Kohl, metade do marco alemão para Mitterrand", na síntese proporcionada por uma ironia realista. A introdução do euro representou um novo sacrifício alemão, desta vez da supremacia nacional monetária, no altar da unidade europeia. O compromisso reafirmado de uma "Alemanha europeia" deveria afastar para sempre os temores estrangeiros e as tentações nacionais sobre a "Europa alemã".
"Estados Unidos da Europa" - a ousada fórmula de Monnet para um mundo pós-nacional ganhou uma materialidade mais prosaica na Comunidade Europeia, inaugurada em 1957. O gesto fundador deu-se em Roma, cercado por um simbolismo elétrico. Roma é a metáfora do Império, isto é, o oposto perfeito da nação. O Estado-nação é o poder de uma entidade política singular e homogênea, que exerce sua soberania num sistema internacional de Estados soberanos. O Império é o poder universal de um soberano, que se exerce sobre uma miríade heterogênea de povos. O mito da restauração de Roma, a memória abstrata de um tempo de unidade, pairava sobre os estadistas que fundaram a Comunidade Europeia.
A força foi a ferramenta das diversas tentativas medievais e modernas de reinvenção de Roma. Tratava-se, mais de meio século atrás, de restaurá-la pelo instrumento do consenso. Mas, mesmo depois de Maastricht, a realidade nunca se confundiu com o mito. A Europa que se veste com as roupagens do Império é uma comunidade de Estados nacionais. Além da esfera de soberanias compartilhadas, subsistem as nações, com seus sistemas políticos próprios, suas leis singulares e seus governos particulares. Quando a tempestade ameaça varrer o euro e toda a herança de Monnet, os holofotes iluminam os encontros entre os chefes de governo da Alemanha e da França, não a Comissão Europeia ou os burocratas que ninguém elegeu instalados na ilha europeia de Bruxelas.
Há duas décadas, Kohl invocou a promessa sagrada da unidade alemã para convencer os eleitores de que os alemães orientais eram concidadãos e, por isso, valia a pena subsidiar a troca de marcos orientais na equivalência artificial de um para um. Angela Merkel carece do argumento de Kohl, quando se trata de gregos, portugueses, irlandeses espanhóis ou italianos. Uma coluna da revista britânica The Economist registra que a palavra alemã Schulden, que significa "dívida", deriva de Schuld, cujo significado é "culpa". A tradição luterana se mescla à vívida memória da hiperinflação da República de Weimar para formar um denso caldo de resistência às propostas de resgate europeu dos países endividados. A ideia de união fiscal, contrapartida aparentemente indispensável à união monetária, assumiria a forma imediata de uma "união da dívida", pela emissão de títulos europeus ou por um aumento dramático nos recursos do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira. Mas é precisamente isso que Angela Merkel qualificou como inaceitável.
Quanto vale a Europa? Sondagens de opinião entre os alemães revelam uma rejeição majoritária a novos pacotes de salvamento dos países que rondam o precipício. Simetricamente, entre os gregos, uma sólida maioria recusa a transferência da soberania popular sobre a economia nacional para Berlim e Bruxelas, condição quase explícita do plano de resgate em curso. Angela Merkel tem dias, talvez semanas, para começar a falar sobre Stalin e Hitler. O valor da Europa depende do eco que, tanto tempo depois, ainda puder gerar a menção desses nomes sinistros.
ESTADÃO

Descoberta abre caminho para novas drogas contra o Alzheimer

Uma pequena parte de um receptor cerebral pode ser um alvo promissor para o desenvolvimento de medicamentos mais eficientes contra o Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas. O achado acaba de ser anunciado por um grupo de cientistas da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, em um artigo publicado na Nature Communications.


A pesquisa foi focada nos receptores cerebrais para o neurotransmissor glutamato, diretamente envolvido nessas doenças e em outras condições, como o glaucoma. Os dois principais receptores no cérebro para o glutamato são o NMDA e o AMPA, ambos com papéis fundamentais na memória e no aprendizado humano. Os dois são compostos de quatro subunidades, sendo que dentro de cada receptor essas subunidades são organizadas em pares. 


Na pesquisa, o grupo conseguiu obter uma redução expressiva na atividade do NMDA, o que levou a uma diminuição na quantidade de cálcio que entra os neurônios em resposta ao glutamato. O excesso de cálcio, causado pelo aumento da atividade de receptores NMDA, é o que eventualmente causará a morte de neurônios, levando aos sintomas comuns que ocorrem após um AVC ou doenças neurodegenerativas.“É a primeira vez que essa região do cérebro se mostrou útil como um alvo de drogas. Se pudermos encontrar um composto químico que se ligue a essa região e prenda as subunidades dos receptores NMDA, o resultado será muito importante na busca de alternativas de tratamentos para danos provocados por acidentes vasculares cerebrais, Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas”, disse Gabriela Popescu, principal autora do estudo.A droga Namenda, um dos medicamentos atuais que atuam no receptor NMDA, tem como alvo um local diferente dentro do receptor daquele pesquisado pelo grupo da Universidade de Buffalo.

AGÊNCIA FAPESP/ESTADÃO

Governo oficializa isenção total de impostos para bens e serviços à Fifa

BRASÍLIA - Decreto publicado nesta quinta-feira pela presidente Dilma Rousseff no Diário Oficial da União concede à Fifa isenção total de impostos federais para bens e serviços relacionados à Copa das Confederações de 2013 e à Copa do Mundo de 2014. Os dirigentes ficam livres, inclusive, da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), cobrada na importação e comercialização de combustíveis.


A desoneração vale desde 1º de janeiro deste ano e se estende até 31 de dezembro de 2015 e, da forma geral como a regra foi escrita, permite, por exemplo, isenção de impostos durante visitas de representantes da Fifa ao Brasil para encontros com Dilma ou vistoria do andamento das obras.
A isenção abrange de alimentos a material de escritório. Bens duráveis que ficarem no País após junho de 2016 precisarão ser doados a entidades beneficentes ou à União para escapar do imposto retroativo.
Segundo o coordenador-geral de Tributação da Receita Federal, Fernando Mombelli, a desoneração era uma "condição" para a realização dos eventos esportivos no País. Tais concessões são comuns em eventos da Fifa, segundo ele, mas o volume de desoneração depende da negociação de cada país com a entidade. A Receita prestará contas da desoneração em janeiro de 2016. 
ESTADÃO

luishipolito@outlook.com

Carregando...