domingo, 27 de novembro de 2011

O governo e a crise dos ricos

A economia brasileira crescerá entre 4,5% e 5% no próximo ano, apesar do agravamento da crise mundial, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em depoimento na quarta-feira na Câmara dos Deputados. "Não podemos nos atemorizar e parar de consumir e de produzir", exortou a presidente Dilma Rousseff, na sexta-feira de manhã, no Rio de Janeiro. As autoridades tomarão medidas para evitar uma desaceleração excessiva da atividade, acrescentou em São Paulo o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, declarando-se preparado para continuar financiando projetos de investimento. Em coro ou separadamente, autoridades federais procuram transmitir segurança e otimismo, enquanto reconhecem o agravamento da situação internacional e dão como quase certa uma recessão no mundo rico.
"Não somos uma ilha, mas somos um país protegido", disse também a presidente. A proteção, segundo ela, é o "imenso mercado interno", reforçado nos últimos anos pela incorporação de 40 milhões de pessoas. O ministro da Fazenda também bateu nesse ponto. O Brasil, segundo ele, depende menos do mercado externo do que outros países.
O enorme número de consumidores é de fato um ativo importante para a economia brasileira, mas é preciso frear um pouco o otimismo em relação a esse dado. O consumo cresceu neste ano e poderá continuar crescendo, porque o desemprego continua baixo (5,8% em outubro), a massa de rendimentos ainda se expande, o crédito é mais que suficiente e o índice de confiança dos consumidores subiu 3,3% neste mês, segundo a Fundação Getúlio Vargas. Mas só tem sido possível atender a boa parte dessa demanda com o rápido aumento das importações.
A participação de importados no consumo de bens industriais chegou a 21,3% no acumulado de quatro trimestres até o período julho/agosto deste ano, segundo a Confederação Nacional da Indústria. Essa participação foi 1,2 ponto porcentual maior que a do ano anterior e 10 pontos superior à de 2003.
Ao mesmo tempo, o coeficiente de exportações - relação entre o valor exportado e a produção industrial - chegou a 17,9% nos quatro trimestres encerrados no terceiro deste ano. Esse resultou de uma pequena recuperação, depois de alguns anos de queda. Em 2006 havia chegado a 20,4% e depois diminuiu.
Não há, portanto, um problema de demanda, mas há entraves importantes à produção industrial. A indústria tem sido prejudicada não só pela valorização do real, interrompida e parcialmente revertida pela recente recuperação do dólar, mas também por várias desvantagens bem conhecidas e nunca atacadas seriamente pelos formuladores da política econômica: tributação errada e onerosa para a produção, infraestrutura deficiente, encargos trabalhistas elevados, custos burocráticos, etc. O governo anunciou a partir de agosto várias medidas para tornar a produção mais competitiva, como a redução dos custos trabalhistas de alguns segmentos, devolução de impostos e aumento da defesa comercial. A desoneração, como já foi demonstrado, foi mal planejada e pode até resultar em maior tributação para algumas indústrias. A devolução de impostos seria mais eficiente se o Tesouro liquidasse em menor prazo os créditos fiscais das empresas.
Quanto à defesa comercial, foi concebida de forma rudimentar e só não motivou processos na Organização Mundial do Comércio (OMC) porque os parceiros comerciais não quiseram. Além disso, protecionismo não torna a produção nacional mais competitiva no exterior e o Brasil precisa exportar para criar empregos e ao mesmo tempo manter segurança nas contas externas.
As autoridades têm agido como se o grande risco para o País estivesse no enfraquecimento da demanda interna. Mas não está, até porque o gasto público, um dos principais pilares da demanda, deve continuar em crescimento em 2012, se o governo não cuidar seriamente dessa questão. Nesse caso, suas despesas, combinadas com o afrouxamento da política monetária, resultarão em pressões inflacionárias e mais importações, e não em estímulo à produção. Na etapa seguinte, isso, sim, acabará, provocando demissões.
ESTADÃO

Saber dos xamãs jaguares do Yuruparí é nomeado patrimônio imaterial

O saber tradicional dos xamãs jaguares do Yuruparí, na Amazônia colombiana, entrou neste domingo para a Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco.

O comitê de analistas da Unesco aprovou sua inclusão durante reunião em Bali, na Indonésia, ao considerar que este modo de vida, herança milenar dos ancestrais, é um sistema integral de conhecimento com características físicas e espirituais.

"Esta notícia é um enorme esperança para a comunidade que tem plena certeza de que esta decisão é um instrumento de salvaguarda desta sabedoria", disse o diretor de Patrimônio da Colômbia, Juan Luis Isaza, em seu discurso de agradecimento.

Os xamãs do Yuruparí transmitem "uma cosmovisão associada a um território sagrado para eles, um conhecimento graças ao qual acham que o mundo pode estar em equilíbrio", explicou Isaza.

Os jaguares de Yuruparí, que habitam nas cercanias do rio Pirá Paraná, transmitem por via masculina e desde o nascimento o Hee Yaia Keti Oka, uma sabedoria que foi entregue a eles desde suas origens pelos Ayowa (criadores) para cuidar do território e da vida.

O diretor de Patrimônio da Colômbia detalhou que esta cultura está ameaçada pela perda de interesse dos mais jovens e a interação com a "arrasadora cultura ocidental".

A designação também ajudará, segundo Isaza, a combater os perigos que espreitam este povo que viveu sempre isolado do "contato com colonos, madeireiros, mineiros e políticos que, segundo os xamãs, vulneram o território e o equilíbrio".

"O reconhecimento da Unesco serve para proteger e resgatar não só seu pensamento, também seu território, porque estão profundamente relacionados", assegurou Isaza.

EFE/FOLHA

Paquistão revê acordos de cooperação com EUA e Otan após ataque

O Paquistão ordenou que seja feita uma revisão de todos os acordos de cooperação com Estados Unidos e Otan, a aliança militar do Ocidente, após um bombardeio da aliança contra uma base militar paquistanesa ter matado ao menos 28 soldados do país.

No sábado, o governo do Paquistão já havia decidido fechar seus postos fronteiriços no Afeganistão aos veículos que carregam suprimentos para as forças da Otan e exigiu que a aliança desaloje a base em seu território para operação de aviões militares em 15 dias.

A decisão paquistanesa foi tomada em uma reunião do comitê governamental de Defesa, celebrada de maneira extraordinária, horas depois do ataque na região tribal de Mohmand, na fronteira com o Afeganistão.

"Os ataques constituem uma violação da soberania, da lei internacional e da base fundamental de cooperação do Paquistão com a Otan contra o terrorismo", declarou o governo, em um comunicado veiculado pelo Ministério das Relações Exteriores.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, afirmou neste domingo que a morte dos soldados paquistaneses foi um "acidente trágico e involuntário".

"Escrevi ao primeiro-ministro do Paquistão para deixar claro que a morte dos soldados paquistaneses era tão inaceitável e lamentável quanto a morte de soldados afegãos ou estrangeiros", afirmou em um comunicado. "É um acidente involuntário".

O governo dos Estados Unidos se disse disposto a cooperar com o Paquistão na investigação do ataque aéreo, informaram na noite de sábado funcionários da Casa Branca. Os informantes, não identificados, acrescentaram que funcionários civis e militares de alta categoria do governo dos EUA expressaram suas condolências pelo incidente.

Os funcionários da presidência também indicaram a disposição do governo de Barack Obama a cooperar com o Paquistão na investigação do incidente na região fronteiriça com o Afeganistão.

Islamabad lembrou que "o uso do território afegão contra o Paquistão por parte da Otan é uma violação" do mandato da missão militar, que se circunscreve ao solo afegão.

AFEGANISTÃO

O governo afegão evitou se pronunciar neste domingo sobre o ataque da Otan e garantiu que iniciou uma investigação independente para esclarecer o incidente.

"Estamos muito conscientes que helicópteros e aviões da Isaf (missão da Otan no Afeganistão) realizaram um ataque no lado paquistanês da fronteira", disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores afegão, Janan Musazai. "Iniciamos uma investigação própria e nos pronunciaremos quando finalizada".

Suas palavras chegaram pouco depois que o governo paquistanês, que já protestou contra EUA e Otan, pedisse também explicações ao Afeganistão pelo ataque das forças aliadas.

"O governo do Afeganistão tem que se assegurar que atos assim não sejam realizados desde seu território contra o Paquistão", reclamou a chancelaria paquistanesa em comunicado.

Paquistão e Afeganistão compartilham uma conflituosa fronteira de 2.600 km, conhecida como Linha de Durand e fixada pelo Império Britânico no século 19, na qual buscam refúgio facções talebans e redes extremistas que operam em ambos os lados.


As relações bilaterais sempre foram historicamente complicadas, especialmente pela velha aspiração do Paquistão, acusado de apoiar grupos insurgentes em território vizinho, de ter uma "presença estratégica" no Afeganistão.

No Afeganistão estão alocados atualmente 130 mil soldados estrangeiros, a maioria dos EUA, que invadiu esse país há mais de uma década.

ATAQUE

Helicópteros da Otan atacaram uma base militar em Baizai, no distrito tribal de Khyber, no noroeste do Paquistão no sábado, fazendo com que o país fechasse rotas vitais de apoio às tropas da aliança lutando no Afeganistão, disseram as autoridades paquistanesas.

O ataque, que matou ao menos 28 soldados paquistaneses, é o pior incidente do tipo desde que o Paquistão se aliou a Washington imediatamente após os ataques de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos.

Se confirmada, a ofensiva tende a prejudicar ainda mais as relações do Paquistão com os Estados Unidos, já deterioradas desde que Washington realizou uma ação em maio para matar Osama Bin Laden em território paquistanês.

O Comandante da Otan que lidera as forças no Afeganistão, John Allen ofereceu suas condolências a qualquer soldado paquistanês "que possa ter morrido ou ficado ferido" durante o "incidente" na fronteira.

Um porta-voz da aliança afirmou à emissora britânica de TV BBC que é "altamente provável" que uma aeronave pertencente à aliança tenha sido responsável por um ataque a um posto militar no Paquistão.

FOLHA

China investe no Brasil somente metade do que anuncia

A China investe no Brasil somente metade do que anuncia, de acordo com um levantamento feito pela Folha dos principais projetos no país. A reportagem, de Patrícia Campos Mello e Gustavo Hennemann, foi publicada na edição deste domingo da Folha.

Dos projetos chineses no Brasil anunciados em 2009 e 2010, 25% não saíram do papel e 29% são financiados por grupos brasileiros ou de outra nacionalidade.

Um exemplo é a fábrica da montadora chinesa JAC Motors na Bahia. Do investimento total anunciado de R$ 900 milhões, 80% virão do sócio local.

FOLHA

Trem atropela e mata três na zona leste de São Paulo

Uma pessoa ficou ferida e três morreram, atropeladas por um trem da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) na madrugada deste domingo, na região do Brás, zona leste São Paulo.

Seis carros do Corpo de Bombeiros foram enviados ao local, onde três vítimas não resistiram e morreram. Uma pessoa foi socorrida pelo Samu ao pronto-socorro Tatuapé.

Segundo informações da Polícia Militar, o acidente aconteceu por volta das 4h30, na avenida Alcântara Machado, no Brás. Os homens seriam funcionários terceirizados que prestam serviços para a CPTM.

O caso será investigado pela Polícia Ferroviária. A assessoria de imprensa da CPTM confirmou as mortes mas, até as 8h30, não tinha maiores detalhes de como ocorreu o acidente.

FOLHA

luishipolito@outlook.com

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