segunda-feira, 16 de abril de 2012

BNDES diz que vai investir R$ 58 bilhões em infraestrutura


O BNDES deve investir mais de R$ 58 bilhões no setor de infraestrutura neste ano, disse na tarde deste segunda-feira Luciano Coutinho, presidente da instituição.

Coutinho afirmou que o crescimento da economia brasileira começa a "ganhar pujança" neste segundo trimestre e deve acelerar "de maneira marcante" no segundo semestre.

Quanto à viabilização de um crescimento de 4% em 2012, Coutinho disse será feito "todo o possível".

"Uma das chaves estará no aumento do investimento, especialmente em infraestrutura. A nossa expectativa e ampliar os investimentos nessa área, neste ano de 2012, em 25%, chegando a algo como R$ 58 bilhões a R$ 59 bilhões de desembolsos".

'PRIVATE EQUITY'

Coutinho disse ainda que o BNDES vai investir, até 2014, R$ 1 bilhão para o desenvolvimento de empresas brasileiras por meio de fundos que compram participação em companhias para desenvolvê-las (os chamados fundos de "private equity", "venture capital" e capital semente).

Coutinho afirmou que o BNDES deve criar pelo menos mais dois fundos de "private equity" em 2012. E disse que, até 2014, a instituição, por meio de todos os fundos que possua nessa linha, vai investir R$ 1 bilhão em empresas.

Hoje, o BNDES tem 29 fundos de "private equity", "venture capital" e capital semente, com investimento total em 199 companhias. Em 2003, eram 15 fundos com recursos em 24 empresas.

BBC/FOLHA

Ambev pagará US$ 1,2 bilhão por 51% de cervejaria dominicana


A Ambev anunciou nesta segunda-feira ter firmado uma aliança estratégica com a ELJ (E. León Jimenes), controladora da CND (Cervecería Nacional Dominicana), para formar uma empresa de bebidas líder na região do Caribe.

A cervejaria brasileira vai desembolsar cerca de US$ 1,2 bilhão por uma participação indireta de 51% na CND.

Inicialmente, a Ambev irá adquirir fatia indireta de 41,76% na CND por cerca de US$ 1 bilhão em dinheiro e contribuição da Ambev Dominicana.

A operação prevê que a Ambev Brasil, subsidiária de capital fechado da Ambev, e a ELJ passem a ser acionistas da Tenedora CND, holding que terá 83,5% das ações da CND e a totalidade da Ambev Dominicana.

Os negócios combinados incluirão operações de cerveja, de malta e de refrigerantes na República Dominicana, Antígua, São Vicente e Dominica, além de exportações para 16 outros países no Caribe, para os Estados Unidos e para a Europa.

A receita líquida combinada de ambas empresas é de cerca de US$ 570 milhões, conforme dados de 2011, e a estimativa de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) combinado para os primeiros 12 meses de operação é de aproximadamente US$ 190 milhões.

Em outra operação, a Ambev comprará participação adicional de 9,3% na CND, detida pela Heineken, por US$ 237 milhões, elevando a fatia indireta a aproximadamente 51%.

"Essa aliança estratégica com a ELJ é um passo importante do nosso sonho de nos tornarmos a companhia líder no Caribe e na América Central", afirmou o diretor da Ambev para a América Latina Hispânica, Alexandre Médicis, no comunicado.

A CND seguirá operando sob a atual marca, tendo Franklin León como presidente e Alexandre Médicis como diretor geral.

O fechamento da operação, que ainda está sujeito a análises de órgão reguladores, está previsto para o segundo trimestre deste ano.

Criada em 1929, a CND possui em seu portfólio marcas de cerveja como Presidente, Bohemia, The One, Brisa, Corona, Miller, entre outras. A companhia tem fábricas em Santo Domingo, Dominica e São Vicente.

REUTERS/FOLHA

Preços mais altos afetam vendas da Mattel


A Mattel teve resultados trimestrais abaixo do previsto após enfrentar dificuldades para vender bonecas Barbie a preços mais altos e os varejistas diminuírem os estoques.

As ações da maior fabricante mundial de brinquedos acumulam mais de 22% de ganhos neste ano, mas nesta segunda-feira já chegaram a perder 10%, para o menor nível em dois meses. Às 14h16 de Brasília, os papéis perdiam 8,96%, para US$ 31,08.

Fabricantes de brinquedos se viram obrigados a dar descontos para atrair compradores. A Mattel, no entanto, aumentou os preços por causa de custos maiores e salários mais altos na China, onde a maioria das companhias norte-americanas monta esse tipo de produto.

Os resultados da Mattel indicam que os consumidores continuam relutantes a pagar mais diante do ambiente de incerteza econômica.

As vendas caíram 2%, para US$ 928,4 milhões, abaixo da estimativa de US$ 988,6 milhões.

As vendas da Barbie caíram 6%, enquanto as do Hot Wheels tiveram queda de 5%. As vendas nos Estados Unidos perderam 9%, ao passo que as internacionais cederam 7%.

A companhia viu o lucro líquido cair para US$ 7,8 milhões, US$ 0,02 por ação, ante US$ 16,6 milhões, ou US$ 0,05, um ano antes.

Sem os gastos pela compra da britânica HIT Entertainment, a companhia teria ganho US$ 0,06 dólar, abaixo das previsões de analistas de US$ 0,07.

FOLHA

André Esteves é acusado de usar informação privilegiada na Itália


O empresário André Esteves, controlador do BTG Pactual, foi multado em 350 mil euros (R$ 840 mil) pelo órgão regulador do mercado italiano, o Consob, por uma operação de compra de ações do grupo alimentício Cremonini em 2007.

Esteves é acusado de ter se beneficiado de informações privilegiadas durante o processo de negociação entre a empresa italiana e o frigorífico brasileiro JBS.

A decisão proíbe o executivo de ocupar posições de direção e em conselhos de empresas na Itália por seis meses.

Em comunicado do BTG, Esteves classificou as decisões como infundadas e diz que vai recorrer da decisão. O banco afirmou que a investigação já havia sido informada no formulário de referência para a oferta de ações, prevista para este mês.

"O banco BTG Pactual reitera que acredita que isto não irá causar qualquer efeito adverso nas suas atividades, inclusive na capacidade de André Santos Esteves de atuar na sua atual posição em quaisquer das sociedades do grupo", diz o texto.

O BTG Pactual está a caminho de abrir capital na Bolsa, numa oferta que pode alcançar R$ 4,1 bilhões. A transação está prevista para o dia 26 deste mês.

O banco tem hoje mais de 40 executivos como sócios e emprega 1.200 pessoas. Entre os negócios do grupo estão participações na Mitsubishi e na Suzuki do Brasil, além de uma fatia do Banco Panamericano, recém-adquirida do grupo Silvio Santos.

FOLHA

Enchente no Amazonas começa a atingir marcas históricas


A enchente nos rios Negro e Solimões, principais formadores do Amazonas, se aproxima de marcas históricas, segundo o Serviço Geológico do Brasil, órgão federal que monitora o nível dos rios na Amazônia.

No rio Negro, que margeia Manaus, a cheia já é a maior em 36 anos. Hoje, o nível do rio chegou a 28,49 m, ultrapassando a marca histórica de 1976 (28,31 m). A emergência é declarada quando o rio atinge 28,90 m, o que pode acontecer nesta semana.

O nível do rio Solimões, em Tabatinga (fronteira com o Peru e Colômbia), atingiu nesta segunda-feira a marca de 13,59 m. Faltam apenas 23 cm para bater a maior cheia, registrada em 1999 (com 13,82 m).

Segundo o engenheiro hidrólogo Daniel Oliveira, a elevação das águas do rios nesta época do ano é maior do que em outros anos devido às fortes chuvas que ocorrem em toda a bacia amazônica, inclusive no Peru, onde "os cursos d'água contribuem para os níveis elevados do rio Solimões em território brasileiro".

Para ele, ainda é cedo para afirmar que os rios terão enchentes antecipadas. Normalmente, o pico da enchente é no mês de junho. Nos mais de cem anos que o Porto de Manaus monitora a subidas das águas diariamente, só aconteceu cheia antecipada nos meses de maio.

No Amazonas, são 25 os municípios em situação de emergência devido às enchentes dos rios Solimões, Juruá, Purus e Madeira, segundo a Defesa Civil. O órgão disse que 149.580 pessoas foram atingidas por alagamentos de casas, comércios e plantações. Em Manaus ainda não há registro de famílias afetadas pela subidas das águas do Negro.

Os municípios atingidos pelas cheias e atendidos pela ajuda humanitária são: Juruá, Envira, Eirunepé, Guajará, Ipixuna, Carauari e Itamarati (rio Juruá), Boca do Acre, Lábrea, Pauini, Tapauá e Canutama (rio Purus), Atalaia do Norte, Amaturá, Benjamin Constant, Tonantins, Tabatinga, Santo Antônio do Iça e São Paulo de Olivença (rio Solimões), Borba e Nova Olinda do Norte (rio Madeira), Uricurituba e Itacoatiara (médio Amazonas), Careiro da Várzea e Caapiranga (baixo Solimões).

FOLHA

Após 26 horas, rebelião em penitenciária de Sergipe chega ao fim


Após 26 horas, chegou ao fim a rebelião no Complexo Penitenciário Advogado Antônio Jacinto Filho em Santa Maria, zona sul de Aracaju, onde 400 presos chegaram a manter três agentes penitenciários reféns.

No início da manhã desta segunda-feira, os internos libertaram 27 familiares e mais um agente prisional. As negociações avançaram e no final da manhã mais 21 reféns foram soltos.

De tarde, os presos entregaram duas escopetas calibre 12, duas pistolas taser, 25 munições e dois carregadores.

De acordo com a PM, os presos pediam a demissão do diretor do presídio, melhoria na comida, revisão dos processos e o fim de supostas agressões praticadas por agentes penitenciários.

Todos os familiares que ainda eram mantidos como reféns foram para uma ala onde estão passando por uma triagem antes de deixar a unidade prisional. O procedimento pretende evitar que internos se infiltrem no meio dos familiares e consigam fugir.

Militares do Batalhão de Polícia de Choque, Companhia de Radiopatrulha e demais unidades da Polícia Militar fazem vistoria geral no interior do presídio para verificar se há armas e outros objetos no local.

Os negociadores também informaram que cinco internos do presídio foram transferidos para outras penitenciárias do Estado.

FOLHA

Cachoeira não vai ao enterro da mãe em Anápolis, diz advogada


Preso desde 29 de fevereiro pela Operação Monte Carlo, o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, não vai comparecer ao enterro de sua mãe, na tarde de hoje, em Anápolis. Segundo sua advogada, Dora Cavalcanti, não há tempo hábil para solicitar oficialmente e ao mesmo tempo conseguir sua saída temporária para participar da despedida.

A mãe de Cachoeira, Maria José, conhecida em Anápólis como "dona Zezé", morreu na madrugada desta segunda-feira, aos 79 anos. Mãe de 14 filhos - 12 deles vivos -, ela faleceu, segundo familiares, de falência múltipla de órgãos. O enterro está marcado para as 17h.

Segundo a advogada de Cachoeira, o ocorrido seria comunicado a ele pela direção do presídio de segurança máxima de Mossoró, onde está detido.

A Lei de Execução Penal, em seu artigo 120, diz que presos, entre eles os provisórios - como o caso de Cachoeira, poderão "obter permissão" para sair cadeia, mediante escolta, quando, por exemplo, ocorrer a morte da própria mãe. Cabe ao diretor do presídio conceder a saída.

A advogada de Cachoeira disse que a equipe de defesa dele chegou a consultar a direção do presídio sobre a possibilidade de o empresário comparecer ao enterro, mas desistiu de oficializar o pedido por causa da burocracia, do tempo que isso levaria e também em razão da longa distância entre Anápolis e Mossoró.

"Não haveria como chegar. Essa possibilidade não existe. A gente conversou com o presídio, mas ficou inviabilizado", disse. Ela aproveitou o episódio da morte da mãe de Cachoeira para criticar a prisão do cliente. "Isso mostra que ele está sendo punido antecipadamente", afirmou. Na semana passada, o ministro Gilson Dipp, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), negou o pedido de habeas corpus a Cachoeira.

Ele foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, no dia 29 de fevereiro, sob a acusação de comandar um esquema de jogo ilegal. Segundo a investigação, o grupo de Cachoeira cometeu os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, entre outros, para sustentar uma máfia de jogos.

A Operação Monte Carlo envolve o nome de parlamentares, entre eles o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), um grupo de deputados e integrantes dos governos de Goiás e Distrito Federal. O Congresso deve instalar uma CPI esta semana para investigar o caso.

FOLHA

Governo argentino já tomou controle da YPF, diz agência


Funcionários do governo argentino tomaram o controle da empresa petrolífera YPF, controlada pela espanhola Repsol, e substituíram os executivos espanhóis e nativos da companhia.

A intervenção foi encabeçada pelo subsecretário de Coordenação do Ministério do Planejamento da Argentina, Roberto Baratta.

Barata, que até hoje o único representante do Estado argentino na direção da YPF, apresentou uma lista de diretores-executivos que, segundo o governo, devem renunciar. O subsecretário também ordenou a troca da segurança do edifício, segundo fontes da petrolífera ouvidas pela agência Efe.

O alto funcionário argentino se apresentou hoje na sede da companhia, no bairro portenho de Puerto Madero, minutos depois do anúncio em cadeia nacional da presidente Christina Kirchner a respeito da intervenção imediata da YPF, e o envio ao parlamento de um projeto de lei para expropriar 51% da empresa, que tem participação (57% do capital social) da espanhola Repsol.

A presidente decretou que o ministro do Planejamento, Julio de Vido, assuma a intervenção da companhia, com o auxílio do ministro da Economia, Axel Kicillof.

A negociação das ações da YPF Repsol foram suspensas na Bolsa de Buenos Aires após o anúncio da expropriação pelo governo, que declarou a empresa de "utilidade pública e sujeita à expropriação".

PROJETO

De acordo com o jornal argentino "Clarín", o projeto, intitulado "Da soberania hidrocarborífera da República Argentina", tem vários pontos em comum com o texto que havia sido divulgado na semana passada e era analisado por legisladores, mas incorpora pedidos das províncias produtoras de hidrocarbonetos.

O primeiro ponto do projeto, de um total de 19, declara que é "de interesse público nacional e objetivo prioritário o auto-abastecimento de hidrocarbonetos", além do controle da "exploração, industrialização, transporte e comercialização" no setor.

Além da desapropiação de 51% da YPF, o projeto estabelece que o Estado passará a decidir sobre a "conversão de recursos em reservas e sua exploração"; sobre a "integração do capital público e privado, nacional e internacional, em alianças estratégicas"; sobre a "promoção da exploração e comercialização dos hidrocarbonetos de alto valor agregado e a exploração racional" dos recursos.

Será criado ainda um "Conselho Federal de hidrocarbonetos", do qual participarão os ministérios da Economia, Planejamento, Trabalho e Indústria, que promoverá "a atuação coordenada do Estado nacional e dos estados provinciais".

ESPANHA

Após o anúncio, a secretária-geral do Partido Popular (PP, direita), María Dolores de Cospedal, afirmou nesta segunda-feira que o governo espanhol dará uma "resposta completa" à medida.

"Não tenho a menor dúvida de que o governo dará uma resposta completa a esta situação", afirmou De Cospedal, durante coletiva de imprensa depois do anúncio feito por Kirchner.

Na sexta-feira (13), a Espanha havia advertido que tomaria "todas as medidas possíveis para defender os interesses do país caso a nacionalização da companhia petrolífera YPF, controlada pela Repsol, se concretize".

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel García-Margallo, também advertiu Buenos Aires que "qualquer agressão" que viole o princípio de segurança jurídica da Repsol será considerada por parte do governo espanhol como uma agressão à Espanha.

FOLHA

Economia recua 0,23% em fevereiro, segundo prévia do PIB


Indicador divulgado nesta segunda-feira (16) pelo Banco Central mostra recuo de 0,23% da atividade econômica brasileira em fevereiro (resultado com ajuste sazonal, que desconsidera efeitos de determinado período do ano). Em janeiro, o IBC-BR (Índice de Atividade Econômica) havia registrado recuo de 0,13%. Em relação a janeiro de 2011, o indicador registrou recuo de 0,07%.

Esta foi a segunda queda queda do indicador. Na comparação entre janeiro e dezembro, houve retração de 0,18% na economia. No acumulado em 12 meses, o IBC-Br mostra expansão de 2,05%.

Na série sem ajustes, o indicador de fevereiro mostrou elevação de 1,12%.
De acordo com o IBC-BR, o indicador passou de 140,53 pontos em janeiro para 140,20 em fevereiro.

Em 2011, o crescimento do PIB foi de 2,7%. O governo mantém a estimativa de crescimento para o ano em 3%, segundo o Ministério da Fazenda.

O IBC-BR foi criado pelo BC para antecipar dados sobre o desempenho da economia. O indicador mostra a tendência do PIB, índice oficial divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

FOLHA

Isenção de visto americano a brasileiros está em negociação, diz EUA


Ainda não há prazo para que o Brasil faça parte dos cerca de 30 países do Global Waiver (localidades com dispensa de visto norte-americano). Segundo o ministro-conselheiro dos Estados Unidos, Todd Chapman, ainda é necessário "muita conversa" para que os brasileiros sejam isentos do visto.

"Esse foi um tema de discussão entre os presidentes Barack Obama e Dilma Rousseff, em Washington. Estamos interessados em continuar o diálogo para facilitar a emissão de vistos e discutir os requerimentos necessários para que eventualmente o Brasil chegue a participar desse processo de isenção", disse.

Os Estados Unidos se renderam ao turismo brasileiro, de acordo com o ministro do Interior norte-americano, Keneth Salazar. Ele explica que a política nacional atual consiste em fazer os brasileiros se sentirem "bem-vindos" desde a chegada aos aeroportos. "O Brasil é um país muito importante. Nossa amizade tem um futuro muito forte e queremos facilitar a vinda dos brasileiros".

Durante o evento Oportunidades de Turismo nos EUA, que ocorre nesta segunda-feira na Confederação Nacional da Indústria (CNI), o ministro do Interior dos Estados Unidos destacou os esforços do país para facilitar a entrada dos brasileiros. "Queremos tornar mais fácil a obtenção do visto. Reconhecemos que quando você tem que esperar de três a quatro meses para conseguir o visto, isso acaba sendo um grande impedimento para a viagem".

Na última segunda-feira (9), a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, anunciou dois novos consulados no Brasil: em Porto Alegre e em Belo Horizonte.

Na ocasião, ela disse que os EUA estão comprometidos em facilitar a entrada de brasileiros nos EUA. Hillary afirmou ainda que as relações com o Brasil são prioridade para o governo Obama, que pretende ampliar tanto o fluxo de turistas quanto o de negócios entre os países.

No final de janeiro, o presidente Barack Obama anunciou medidas para facilitar a concessão de vistos para brasileiros considerados de baixo risco.

Já em março, foi anunciado que o governo dos Estados Unidos pretende criar uma fila rápida na imigração americana para facilitar a entrada de viajantes brasileiros frequentes no país. A medida ainda depende de acordo com o governo brasileiro.

AGÊNCIA BRASIL/FOLHA

Morre paciente que esperou 26 horas por vaga de UTI em Ribeirão Preto


Uma paciente de 55 anos, que teve de aguardar, em estado grave, 26 horas para ser transferida para um leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em Ribeirão Preto (313 km de São Paulo) morreu nesta sexta-feira (13).

Às 8h30 da última terça-feira (10), Regina dos Reis Santos foi internada na Santa Casa de Santa Rosa de Viterbo (283 km de São Paulo). Uma hora depois, foi solicitada sua transferência para um hospital de maior complexidade.

No entanto apenas por volta das 12h de quarta-feira (11) a paciente foi encaminhada para o hospital Beneficência Portuguesa, em Ribeirão Preto.

De acordo com o diretor técnico da Beneficiência Portuguesa, José Victor Nonino, a mulher já chegou ao hospital em coma e foi imediatamente transferida para a UTI com quadros de hipoglicemia e hemorragia gástrica. Santos morreu às 19h25 de sexta-feira.

FOLHA

Corpo do antropólogo Gilberto Velho é cremado no Rio de Janeiro


O corpo do antropólogo Gilberto Velho, 66, foi cremado na manhã desta segunda-feira no cemitério São Francisco Xavier, no Caju, na zona portuária do Rio. Dezenas de amigos, ex-alunos e parentes estiveram no local para dar o último adeus ao pesquisador.

Decano do departamento de antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Velho morreu no sábado, quando dormia em seu apartamento em Ipanema, zona sul carioca, após sofrer um AVC (acidente vascular cerebral).

Diferentes gerações de pesquisadores o descreveram como "dedicado, instigante, respeitoso" e, ao mesmo tempo, "exigente e severo".

CURIOSO

Autora do livro "Garotas de Programa" e aluna do antropólogo até 1991, Maria Dulce Gaspar perfilou o professor como "um curioso, um orientador brilhante, além de um articulador de amigos".

O secretário de Ambiente do Estado do Rio, Carlos Minc, lamentou a morte de Velho afirmando que "ele conseguiu incorporar o olhar científico no dia a dia" e que "era um maestro da antropologia urbana que não ficava só na pesquisa".

FOLHA

Por salário, cerca de 450 funcionários param usina de álcool em São Paulo


Desde a última quarta-feira (11), cerca de 450 funcionários da Usina Guaíra, no interior paulista, estão em greve e não têm previsão de voltar ao trabalho. Nesta segunda-feira (16), eles recusaram uma proposta de acerto feita pela empresa, localizada em Guaíra (432 km de São Paulo).

Segundo o tesoureiro do sindicato dos trabalhadores na indústria do álcool, Francisco Edvaldo da Costa, o Ceará, a principal reivindicação da categoria é a incorporação de uma remuneração variável de 34% ao valor registrado em carteira.

Atualmente, o percentual é pago somente durante a safra, que dura seis meses, conforme o sindicalista. Costa afirmou que a paralisação mobilizou quase todos os funcionários do setor industrial da usina - trabalhadores rurais e do transporte não fazem parte da greve.

A usina, de acordo com o sindicato, concordou hoje em incorporar a remuneração variável ao salário, mas somente a partir de janeiro de 2013. 

Proposta que não foi aceita pelos grevistas, segundo Costa.

Procurada pela Folha, até as 11h20 desta segunda-feira (16) a usina ainda não tinha se pronunciado sobre a paralisação.

FOLHA

Elizabeth 2ª concluirá Jubileu com passeio de carruagem em Londres


A rainha Elizabeth 2ª da Inglaterra concluirá em 5 de junho uma longa semana de celebração de seu Jubileu de Diamante com um passeio pelas ruas do centro de Londres na mesma carruagem usada por William e Kate no dia de seu casamento, anunciou a Casa Real.

Depois de um almoço em sua homenagem com 700 convidados no palácio de Westminster, a soberana, acompanhada de seu marido Philip, duque de Edimburgo, encabeçará o desfile real até o Palácio de Buckingham no "State Landau" de 1902, uma carruagem descoberta enfeitada com motivos de ouro que representam a pompa da monarquia mais famosa do planeta.

Ela será seguida a curta distância por outras carruagens ocupadas pelo herdeiro do trono, príncipe Charles e sua mulher, Camilla, e outra pelo príncipe William, sua mulher Kate e seu irmão Harry.

Do Parlamento, o cortejo real percorrerá a Whitehall, a artéria que abriga a maioria dos ministérios, até a praça Trafalgar, e depois pegará The Mall, a grande avenida londrina que leva ao palácio, onde a rainha deverá aparecer no balcão.

Milhares de britânicos deverão se reunir ao longo do percurso nesta terça-feira decretada festiva e que concluirá quatro dias de celebrações. O ex-Beatle Paul McCartney também dará um show em Buckingham e será realizada uma procissão fluvial de mil barcos encabeçada pela soberana no Tâmisa.

Antes, nos dias 10, 11 e 13 de maio, será realizado em Windsor um grande espetáculo equestre no qual haverá música e balé para reconstituir os 60 anos de reinado de Elizabeth 2ª.

No dia 18, a rainha oferecerá também nessa residência perto de Londres um almoço para o qual convidou os principais representantes das outras casas reais do mundo.

FRANCE PRESS/FOLHA

Oposição registra mais de 11.100 mortes na Síria em 13 meses


O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) informou nesta segunda-feira a morte de 11.117 pessoas na Síria desde o início, em meados de março de 2011 da revolta contra o regime, 55 das quais morreram depois da entrada em vigor do cessar-fogo na quinta-feira passada.

No total, "7.972 civis e 3.145 soldados e desertores morreram, entre eles 600 dissidentes", afirmou Rami Abdel Rahman, presidente desta organização que indicar ter uma lista nominal das vítimas civis e dos lugares em que morreram.

Cinquenta e cinco pessoas morreram desde a entrada em vigor na quinta-feira do cessar-fogo previsto pelo plano de paz do emissário internacional Kofi Annan.

Além do cessar das hostilidades, o plano prevê o direito à manifestação de forma pacífica e a libertação dos presos.

FRANCE PRESS/FOLHA

Atirador da Noruega assume mortes mas invoca 'autodefesa'


O militante ultradireitista norueguês Anders Behring Breivik, que matou 77 pessoas em julho na Noruega, fez uma saudação de punho cerrado, deu um sorriso forçado e declarou-se inocente no primeiro dia do seu julgamento, que ele promete transformar em um "circo" para difundir suas opiniões anti-islâmicas.

Breivik, de 33 anos, declarou que cometeu a chacina para defender seu país. Ele explodiu um carro-bomba que matou oito pessoas em meio a prédios governamentais no centro de Oslo, e depois matou a tiros 69 pessoas em um acampamento juvenil do Partido Trabalhista, numa ilha a 40 quilômetros do centro da capital.

Não há dúvidas de que Breivik cometeu o massacre. Resta saber se ele será declarado insano ou culpado. Apesar do risco de ser condenado à prisão perpétua, ele afirmou que ser declarado inimputável seria "um destino pior que a morte".

Durante horas, promotores leram um relato minucioso do massacre, o qual Breivik escutou impassivelmente. Ele só derramou lágrimas ao ver, mais tarde, um de seus vídeos de propaganda.

De terno e com gravata mal amarrada, Breivik entrou no plenário algemado. Sorriu forçado algumas vezes enquanto as algemas eram retiradas, e então fez uma saudação levando o punho direito cerrado ao peito, e depois estendendo a mão para frente.

"Não reconheço os tribunais noruegueses. Vocês receberam o seu mandato de partidos políticos que apoiam o multiculturalismo", disse Breivik, que se recusou a ficar de pé quando os juízes entraram.

"Admito os atos, mas não a culpa criminal, pois alego autodefesa", acrescentou ele, sentado diante de um vidro blindado.

BOCEJO E LÁGRIMAS

Breivik às vezes continha um bocejo e bebericava água, e não demonstrou nenhuma emoção enquanto os promotores listavam cada morte cometida por ele. Alguns detalhes eram tão violentos que a TV norueguesa cobria as descrições com um sinal sonoro.

O réu derramou algumas lágrimas ao ver um vídeo como fotos e um texto em que ele fala dos males do "multiculturalismo" e da "guerra demográfica islâmica".

O julgamento deve durar pelo menos dez semanas. Mais de 200 pessoas acompanharam a audiência num plenário construído especialmente para esse fim, e cerca de 700 sobreviventes e parentes de vítimas do massacre acompanharam a sessão por vídeo em vários pontos do país.

"Hoje começa o julgamento, e será um momento duro para muitos", disse Vegard Groeslie Wennesland, de 28 anos, sobrevivente do massacre. "Na última vez que eu o vi pessoalmente ele estava atirando nos meus amigos".

IDÉIAS

Cerca de 800 jornalistas estão cobrindo o julgamento, e muitos noruegueses temem que Breivik aproveite isso para difundir suas ideias contra a imigração.
Sua defesa convocou 29 testemunhas para corroborar sua visão de mundo. O código norueguês de processo penal permite que o réu se defenda como bem entender, mas os juízes podem cortar a lista de testemunhas.

Entre as testemunhas arroladas estão o mulá curdo Krekar, fundador do grupo islâmico Ansar al Islam, e recentemente preso na Noruega por fazer ameaças de morte, e o blogueiro ultradireitista "Fjordman", que influenciou Breivik.

Num manifesto ultradireitista que escreveu antes do massacre, Breivik dizia que o momento do julgamento deve ser usado para promover as ideias anti-imigração. "Sua prisão marca o início da fase de propaganda", escreveu ele a potenciais seguidores. "Seu julgamento oferece um palco para o mundo".

Numa recente carta à qual o jornal norueguês VG teve acesso, Breivik disse: "O processo penal parece que será um circo (...), uma oportunidade absolutamente única para explicar a ideia (do manifesto) ao mundo".

REUTERS/FOLHA

Irã precisa temer um ataque, diz analista


Em meio à lenta retomada das negociações nucleares entre a comunidade internacional e o Irã, o diretor executivo do Comitê Americano-Judeu (AJC, na sigla em inglês) defende que os líderes iranianos precisam acreditar em um eventual ataque militar dos Estados Unidos ou de Israel para se comprometer seriamente com o diálogo.

"A melhor chance é persuadir os líderes iranianos que se eles não negociarem seriamente, as opções serão catastróficas. Não é que alguém queira guerra, ninguém quer guerra, mas pode ser a única chance de convencer o Irã a sentar na mesa e negociar seriamente e de maneira sincera, o que eles não fizeram até agora", diz David Harris, em entrevista àFolha durante recente visita ao Brasil.

Harris é, desde 1990, diretor executivo do AJC, uma das mais importantes organizações judaicas dos EUA. Ele é especialista nas comunidades judaicas espalhadas pelo mundo, além de questões de antissemitismo e questões de segurança e paz em Israel. Ele é ainda comentarista na rádio americana CBS e tem um blog no jornal israelense "Jerusalem Post".

Apesar do esfriamento da relação entre EUA e Israel, parceiros históricos, durante os anos do governo de Barack Obama, Harris defende que o democrata tem muitos pontos em comum com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu: o principal deles é a questão iraniana.

Os EUA e Israel argumentam que o Irã usa seu programa nuclear para tentar fabricar a temida bomba nuclear, embora Teerã afirme que enriquece urânio apenas com fins civis.

No fim de semana, representantes do Irã e do chamado P5+1 (as cinco potências do Conselho de Segurança mais a Alemanha) retomaram as conversas sobre o enriquecimento de urânio no Irã. Avaliada como um primeiro passo positivo, a reunião acabou com um novo encontro marcado para 23 de maio, em Bagdá capital do Iraque.

Leia os principais trechos da entrevista:

Folha - Na recente visita de Netanyahu aos EUA, ele admitiu a possibilidade de ataque contra o Irã. Já Obama preferiu um tom mais cauteloso e disse apostar nas sanções. Como o sr. vê estas diferenças?

David Harris - É importante identificar os temas que Israel e EUA têm em comum sobre o Irã. Primeiramente, ambos concordam que não podemos permitir que o Irã consiga uma bomba nuclear. Segundo, a política de contenção, adotada na Guerra Fria para tentar conter a União Soviética, não se aplica aqui. Não vamos deixar o Irã conseguir uma bomba nuclear e depois tentar contê-lo. Terceiro, ambos concordam que cada país tem independência de ação. O próprio Obama disse entender que Israel tem o direito de tomar suas próprias decisões, baseadas em seus próprios temas de segurança. Israel reconhece que os EUA têm a mesma opção. Há um tema que os separa que é quanto tempo cada país tem para reconhecer uma opção militar. Os EUA são uma superpotência, com capacidade militar extraordinária, incluindo na região em torno do Irã. Eles têm mais tempo para considerar uma opção militar do que o Israel, que é um país menor, com menor capacidade militar. Eu não chamo de diferença de opinião, é uma diferença de fatos. Israel não tem tanto tempo para dizer: "vamos ver como as sanções econômicas funcionam, vamos ver a como diplomacia funciona, e daí vamos tomar nossa decisão". O assunto principal que está sendo discutido entre Washington e Jerusalém é como lidar com esta diferença.

Mas Israel é muito crítico ao que eles chamam de insistência dos EUA de apostar em sanções e pedem que Washington estabeleça um parâmetro menos permissivo com o Irã para pensar na opção militar. O que pode ir além das sanções, mas ainda sim não ser uma ação militar?

Houve decisões tomadas recentemente, decisões muito importantes pela União Europeia, de impor sanções financeiras. Nós temos ainda alguns meses até estas sanções efetivamente fazerem efeito. Os EUA estão trabalhando duro para persuadir outros países, especialmente os asiáticos, Índia e China, a não se aproveitar das sanções europeias para comprar petróleo mais barato do Irã e sim parar de comprá-lo e fortalecer as sanções. O Irã já está em dificuldade, a moeda está se desvalorizando, a inflação aumenta e cada vez mais iranianos procuram dólares. Israel e EUA estão se entendendo sobre como lidar com estes próximos meses. Eu estou muito otimista com isso.

O sr. acha que Obama está disposto a arcar com as consequências de um eventual ataque ao Irã?

A opção militar é a última opção, mas é importante, contudo, que a opção militar seja crível. Não crível para você ou para mim, mas para o Irã. Os líderes do Irã precisam ser persuadidos que, se necessário, os EUA, Israel ou algum outro país vão estar preparados, independentemente das experiências em outros países. A melhor chance é persuadir os líderes iranianos que se eles não negociarem seriamente, as opções serão catastróficas. Não é que alguém queira guerra, ninguém quer guerra, mas pode ser a única chance de convencer o Irã a sentar na mesa e negociar seriamente e de maneira sincera, o que eles não fizeram até agora. Se a opção se tornar bombardear o Irã ou uma bomba iraniana, não há dúvida de que os EUA, Israel e outros países vão dizer não à bomba iraniana e é importante entender porque. As pessoas que dizem que podemos viver com uma bomba iraniana, falham em entender as suas consequências.

Quais seriam?

Primeiro, que o Irã poderia usar a bomba um dia. As pessoas não devem fingir que entendem o regime iraniano. Se você não entende a teologia do regime iraniano, se não entende a escatologia do regime iraniano, você não entende como o regime iraniano sacrificou centenas de milhares de crianças na guerra contra o Iraque nos anos 80. Você não pode aplicar as mesmas regras que se aplicariam em [um confronto entre] Brasil e Argentina. Em segundo lugar, você não precisa usar a bomba para ter o poder. Somente ter a bomba ou a capacidade de construir a bomba, congela seus vizinhos. O que aconteceu, por exemplo, quando centenas de foguetes foram disparados de Gaza a Israel? Israel respondeu, como deveria, mas e se depois que os foguetes fossem lançados, o Irã mandasse um alerta de que, se Israel reagisse, haveria consequências do Irã? E lembre, esse é um Irã com capacidade de ter bomba nuclear e um sistema de mísseis. O que Israel faz? Terceiro, os países que cercam o Irã, seriam forçados a se submeter ao Irã. Quarto, a Arábia Saudita, Egito, Turquia tentariam obter a bomba nuclear. Você teria uma corrida armamentícia na região mais volátil e perigosa do mundo. Finalmente, e se o Irã decidisse dividir a tecnologia com Hamas, Hizbollah, e se dividisse com seu amigo presidente [Hugo] Chávez, na Venezuela? Se o regime iraniano tivesse a bomba ou a capacidade de fabricar a bomba, não é só sobre os EUA, Israel, afeta o Oriente Médio, afeta a questão energética, afeta o mundo árabe, é sobre terrorismo, é sobre dividir tecnologia com outros países. É inimaginável e os riscos não poderiam ser maiores.

Em discurso recente, o provável candidato republicano à Casa Branca, Mitt Romney, condenou o governo Obama por querer mais tempo para as sanções contra o Irã funcionarem e falou em aumentar pressão sobre os líderes iranianos. Caso o republicano vença, o sr. espera uma mudança na política americana na região?

Não importa quem for o próximo presidente, democrata ou republicano, eu espero que a política americana permaneça consistente nas grandes questões. Primeira, "não" à bomba iraniana porque ela seria um desenvolvimento profundamente perigoso regional e globalmente, "não" à contenção como opção política para lidar com o prospecto de uma bomba iraniana, "sim" para a coordenação próxima com os aliados americanos, incluindo, claro, Israel, e "sim" para uma opção crível militar embora, para ser claro, é absolutamente a última escolha política de todo mundo.

Depois do último esforço americano para mediar as conversas de paz em 2010, as negociações entre Israel e os palestinos parecem estar congeladas. Como fazer para retomar o esforço e avançar?

No AJC, nós acreditamos firmemente no acordo de dois Estados entre israelenses e palestinos. Não há alternativa viável. Ambos os povos estão lá para ficar, mas a única forma de obter um acordo duradouro é através de negociações diretas entre as duas partes. Claro que as conversas não serão fáceis. Como poderiam ser, diante da dificuldade dos assuntos envolvidos e a intensidade dos sentimentos de todos os lados? Dito isso, desde 2000, quatro premiês consecutivos de Israel apoiaram publicamente o acordo de dois Estados e reconheceram o doloroso - e estrategicamente arriscado - compromisso territorial envolvido.


Brasileiros, vindos de um vasto país, podem ter dificuldade de imaginar o espaço constrito do qual estamos falando, o que apenas deixam as negociações mais complexas. Tragicamente, o lado palestino refutou, no fim, cada chance de avançar nas negociações e alcançar um acordo final. Você não pode fazer paz consigo próprio. Você precisa de um parceiro. Israel ainda está esperando. Eu posso apenas torcer que a espera não seja muito longa.



Recentemente, nós presenciamos outro episódio de tensão militar entre Israel e Gaza. Depois de dias de ataques, 25 pessoas morreram. O sr. acredita que uma guerra, como a que vimos em 2008, pode acontecer novamente?

Para começar, não foi apenas um outro episódio de tensão militar entre Israel e Gaza. Em 2005, Israel saiu completamente de Gaza, dando aos moradores locais a primeira chance de autogovernança. Hoje, Israel busca apenas uma coisa, tranquilidade em sua fronteira com Gaza. Mas quem está no controle em Gaza? Hamas. e o que o Hamas procura? Um mundo sem Israel. Então quando mísseis são lançados de Gaza para Israel ou ataques terroristas planejados em seu território, Israel, como qualquer outro país soberano precisa proteger seus cidadãos. Quanto à chance de um novo conflito, depende se o Hamas vai continuar a focar na destruição de Israel em vez da construção de Gaza.


FOLHA

Na Argentina, Kirchner envia ao Congresso projeto para nacionalizar YPF


A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, declarou nesta segunda-feira de "utilidade pública" a desapropriação 51% do patrimônio da companhia petrolífera YPF, controlada pela espanhola Repsol.

A presidente enviará ainda hoje ao Congresso o projeto de lei que expropria a maioria das ações da companhia petrolífera e que declara de "interesse público nacional" o setor de hidrocarbonetos, como anunciado hoje em um ato liderado pela própria governante na Casa Rosada e transmitido em rede nacional.

Caso seja aprovado - o que é provável, já que Cristina possui maioria no Congresso-- o Estado passará a controlar 51% da petroleira, a maior empresa da área no país.

Além das 51% das ações que passam a ser de controle do Estado, os 49% restantes serão distribuídos entre as províncias, de acordo com o projeto de lei, que possui 19 artigos.

O projeto inclui a "remoção da totalidade de diretores" da companhia e pretende garantir a "continuidade operacional".

O anúncio da desapropriação de YPF ocorre após quatro meses de pressões do governo argentino à empresa, à qual acusa de uma queda na produção por falta de investimentos.

PROJETO

De acordo com o jornal argentino "Clarín", o projeto, intitulado "Da soberania hidrocarborífera da República Argentina", tem vários pontos em comum com o texto que havia sido divulgado na semana passada e era analisado por legisladores, mas incoropora pedidos das províncias produtoras de hidrocarbonetos.

O primeiro ponto do projeto, de um total de 19, declara que é "de interesse público nacional e objetivo prioritário o auto-abastecimento de hidrocarbonetos", além do controle da "exploração, industrialização, transporte e comercialização" no setor.

Além da desapropiação de 51% da YPF, o projeto estabelece que o Estado passará a decidir sobre a "conversão de recursos em reservas e sua exploração"; sobre a "integração do capital público e privado, nacional e internacional, em alianças estratégicas"; sobre a "promoção da exploração e comercialização dos hidrocarbonetos de alto valor agregado e a exploração racional" dos recursos.

Será criado ainda um "Conselho Federal de hidrocarbonetos", do qual participarão os ministérios da Economia, Trabalho e Indústria, que promoverá "a atuação coordenada do Estado nacional e dos estados provinciais".

FRANCE PRESS/FOLHA

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