quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Pacote industrial decepciona

Corajoso, ousado e audaz foram os adjetivos impropriamente escolhidos pelo ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, para qualificar a política industrial lançada nessa terça-feira pela presidente Dilma Rousseff. Bem ao contrário, a política industrial anunciada pela presidente Dilma Rousseff é caracterizada principalmente pela timidez das medidas fiscais, algumas provisórias e até em regime de teste.
O pacote inclui políticas de apoio setorial já testadas e já reprovadas em outras circunstâncias, como a concessão de benefícios ao setor automobilístico em troca de investimentos, inovação tecnológica e geração de empregos. Além de tudo, o chamado Plano Brasil Maior tem um forte viés defensivo, embora o real desafio para o produtor nacional seja competir em todos os mercados. Enfrentar o concorrente estrangeiro no mercado interno é apenas uma parte do problema - agravada pela forte perda de competitividade num cenário global especialmente desfavorável.
A desoneração da folha de pagamentos foi apresentada como experiência piloto por tempo limitado - até dezembro de 2012 - e beneficiará poucos setores. O material divulgado pelo Palácio do Planalto e pelo Ministério do Desenvolvimento menciona somente as indústrias de confecções, calçados, móveis e software. Os quatro segmentos foram escolhidos como representativos dos setores com uso intensivo de mão de obra. Como contrapartida, será cobrada uma contribuição sobre o faturamento, com alíquota "a partir de 1,5% de acordo com o setor". O governo se absteve de maiores esclarecimentos. Se houver perdas para a Previdência, o Tesouro cuidará da compensação.
A timidez é ostensiva em todo o pacote. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cobrado nas compras de máquinas e equipamentos, materiais de construção, caminhões e veículos comerciais leves será estendida por 12 meses. Ou seja, um incentivo já em vigor será simplesmente prorrogado, sem se tornar um componente de uma política industrial de longo prazo. Mas também isso é facilmente explicável: política industrial ou de competitividade, no Brasil, é força de expressão.
A desoneração de exportações, tal como apresentada, é quase uma brincadeira. O governo promete apressar o pagamento de créditos devidos a exportadores e acumulados há vários anos. Essa dívida equivale a uns R$ 24 bilhões e as empresas têm levado até cinco anos para receber o dinheiro - quando conseguem vencer os obstáculos burocráticos. Em outras palavras, cumprir a obrigação de pagar dívidas virou item de política industrial. As novas bondades incluirão "maior agilidade" no atendimento aos 116 maiores exportadores.
Mas o pacote inclui um mimo adicional - a restituição de 0,5% do valor da exportação de manufaturados a empresas até agora sem direito à recuperação de impostos pagos em etapas anteriores da produção. A presidente da República poderá elevar a alíquota a até 4%. O benefício, avisa o governo, é compatível com as normas internacionais. O aviso é feito, obviamente, porque o governo se julga exposto à contestação.
As medidas para o setor automobilístico "ainda estão em estudo", segundo a informação oficial, mas a indústria deverá atender a certas condições para merecer o benefício. Políticas desse tipo já foram tentadas e resultaram mais em privilégios do que em benefícios para o País.
O resto é promessa de crédito por meio de bancos oficiais. Nos últimos anos, os bancos oficiais foram usados amplamente para beneficiar empresas estatais e grandes companhias privadas escolhidas arbitrariamente.
A política defensiva inclui medidas normais de política comercial, até agora mal aplicadas por incompetência administrativa. Trata-se, mais uma vez, de cumprir a obrigação. Além disso, será concedida preferência de preço de até 25% a empresas brasileiras, em certas concorrências. Muito melhor e mais seguro para todos seria adotar uma efetiva política de competitividade - algo mais sério que o Plano Brasil Maior.
Mas isso envolveria mudanças fiscais para valer - com redução da gastança - e melhor aplicação do dinheiro público. Tudo isso está fora de cogitação.
ESTADÃO 

Apagão deixa um milhão sem luz na região metropolitana de Maceió

Cerca de um milhão de pessoas ficaram sem luz no início da noite desta quarta-feira (3) em Alagoas.

Uma explosão em um transformador de corrente, instalado na subestação do Tabuleiro do Martins, em Maceió, provocou a falta de energia, de acordo com a Eletrobras Distribuição Alagoas.

Além de Maceió, foram atingidas Marechal Deodoro, Satuba, Coqueiro Seco, Santa Luzia do Norte e parte da Barra de São Miguel, na região metropolitana da capital alagoana.

A explosão ocorreu às 19h52. Cinquenta minutos depois a energia começou a ser restabelecida. Às 22h, apenas os moradores do bairro Benedito Bentes, em Maceió, continuavam sem luz, ainda segundo a Eletrobras Distribuição Alagoas.

FOLHA

Percentual financiado sobe para 63% do valor total do imóvel

O percentual financiado pelos bancos do valor total do imóvel vem crescendo nos últimos anos no país e atingiu 62,7%, na média, no primeiro semestre deste ano, de acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira pela Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), considerando todos os empréstimos feitos nesse período com recursos da caderneta.

O número é superior ao contabilizado no mesmo período em 2010 (61,9%). Para se ter uma ideia da escalada desse patamar, em igual intervalo em 2005 os mutuários davam de entrada mais da metade do valor para realizar o sonho da casa própria, restando aos bancos emprestar 47,9%.

Para Luiz Antonio França, presidente da entidade, "80% é um número saudável para padrões mundiais após a crise econômica". Esse percentual é o limite nos grandes bancos privados, nível que chega a 90% no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal.

Além desse teto, o valor financiado pelo banco depende do salário do mutuário, já que é possível comprometer cerca de um terço da renda mensal familiar com as prestações mensais.

As operações de crédito imobiliário com recursos da poupança atingiram R$ 37 bilhões no primeiro semestre, registrando o melhor resultado para esse intervalo na série histórica, iniciada em 1967, segundo a Abecip. O valor superou em 55% o montante contabilizado em igual período no ano passado.

Esses empréstimos são direcionados para a aquisição (R$ 19,8 bilhões) e para a construção (R$ 17,2 bilhões).

Em quantidade, foram 236,5 mil unidades financiadas no total, alcançando também um novo patamar, com expansão de 26% no mesmo comparativo --a diferença entre os dois aumentos mostra a elevação no preço do imóvel.

Junho, por sua vez, apresentou o melhor resultado mensal da série em valor (R$ 7,78 bilhões) e em quantidade (46,5 mil imóveis).

A inadimplência continua sob controle. Considerando atrasos superiores a 90 dias, atingiu 1,15% no primeiro semestre, ante 1,20% em 2009 e 2010.

CERTIFICAÇÃO

De olho nesse crescimento em ritmo acelerado, a Abecip vai começar a certificar os profissionais que atuam com produtos do mercado imobiliário. O primeiro teste ocorre no final deste mês e será aplicado a quem trabalha em bancos, securitizadoras e companhias hipotecárias.

O universo potencial é estimado em cerca de 20 mil pessoas, mas profissionais de áreas correlatas, como corretores de imobiliárias, podem se submeter ao teste.

Haverá uma prova nos centros da FGV (Fundação Getulio Vargas) em todo o país para quem lida diretamente com o consumidor final e outra para os que atuam com empresas, como construtoras, por exemplo. Nos primeiros dois anos, a adesão será voluntária. "Depois a certificação começa a ser uma exigência", afirma França.

FOLHA

STF aprova orçamento que prevê salário de R$ 30 mil a ministros

O STF (Supremo Tribunal Federal) aprovou nesta quarta-feira sua proposta orçamentária para 2012, que prevê um salário de R$ 30,6 mil aos ministros e outros gastos, como R$ 4 milhões para trocar vidros do prédio principal (com a possibilidade de blindagem) e um projeto de R$ 2,8 milhões para construir um prédio da TV Justiça.

Os dados foram enviados à Presidência da República, que repassará a proposta ao Ministério do Planejamento, para a inclusão no Projeto da Lei Orçamentária Anual a ser enviado ao Congresso até o fim do mês.

No total, o Supremo quer um orçamento de R$ 614 milhões para o ano que vem. Deste total, R$ 391 milhões são referentes a gastos com pessoal. O valor foi calculado pelo tribunal já levando em conta a aprovação de projetos de leis que tramitam hoje no Congresso Nacional prevendo reajustes no subsídio dos ministros e no plano de carreira dos servidores do poder Judiciário.

Por isso, os salários aparecem maiores. Atualmente, um ministro do Supremo ganha R$ 26.725, valor que representa o teto do funcionalismo público. Se o projeto for aprovado e o salário aumentar, esse teto aumenta para todos os poderes.

Só para obras e projetos, o Supremo pede R$ 18,9 milhões. Além dos vidros e prédio para a televisão, o orçamento também prevê outro projeto de R$ 2,8 milhões para a ampliação da garagem do tribunal, modernização da iluminação (R$ 787 mil) e a construção de uma torre para abrigar três novos elevadores (R$ 3 milhões) --cujo projeto será assinado pelo escritório de Oscar Niemeyer.

"São obras absolutamente indispensáveis para o Supremo", disse o diretor-geral da Corte, Alcides Diniz.

Em relação à nova sede da TV Justiça, a ideia é construir um prédio de 3.000 metros quadrados, cuja obra, se aprovada, só deverá ser concluída em 2015 e depende de aprovação do GDF (Governo do Distrito Federal). O orçamento do ano que vem prevê somente o projeto inicial.

Quanto à blindagem dos vidros, o tribunal ainda estudará a necessidade.

O valor enviado este ano é R$ 10 milhões maior do que o proposto no ano passado, quando o STF pediu R$ 604 milhões. Acontece que o Executivo cortou cerca de R$ 100 milhões relativos que se referiam aos possíveis reajustes salariais de ministros e servidores.

Por causa disso, os ministros decidiram enviar este ano uma mensagem à presidente Dilma Rousseff dizendo que o Poder Executivo não pode fazer ajustes à proposta enviada pelo Supremo, o que só pode ser feito pelo Legislativo.

FOLHA

Governo vai definir preço mínimo para a venda de cigarros

O governo publicou nesta quarta-feira no "Diário Oficial" uma medida que muda a forma de tributação do cigarro a partir de dezembro. Com a mudança, a carga tributária sobre o produto poderá subir dos atuais 60% para 81%.

Por meio de decreto, o governo vai definir um preço mínimo para o maço de cigarro. Segundo Marcelo Fisch, auditor fiscal da Receita Federal, a ideia é fixar um valor para evitar sonegação fiscal.

"Nós estamos inserindo a possibilidade do Executivo poder colocar preços mínimos na venda de cigarros. Hoje a gente verifica que algumas empresas tem praticado preços incompatíveis com a carga tributaria", afirmou Fisch.

A medida prevê ainda a alteração da alíquota do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) incidente sobre cigarros. O valor da alíquota cobrada por maço e o percentual do tributo, no entanto, será definido pelo ministro Guido Mantega (Fazenda).

A Receita Federal explicou que a medida cria duas novas formas de tributação para os fabricantes de cigarro. As indústrias terão até o ultimo dia útil de novembro para optar pelo regime geral ou pelo regime especial. No primeiro caso, cada maço de cigarro terá recolhimento de 45% de IPI sobre seu preço.

Já no regime especial, será cobrado uma alíquota de IPI de no máximo 15%, somado a um recolhimento de no mínimo R$ 0,80 por maço. Essas definições também serão tomadas pelo ministro Mantega.

Hoje, a carga tributária sobre o cigarro é composta por IPI, ICMS e PIS/COFINS e todas elas juntas variam em torno de 60%. A tributação só do IPI por maço de cigarro varia entre R$ 0,76 e R$ 1,30.

FOLHA

Droga artificial simula efeito de maconha e é vendida 'disfarçada'

A maconha artificial mais popular nos EUA, vendida como incenso, a K2 é alvo de resenhas em sites especializados, que também publicam vídeos ensinando a usá-la.

O fabricante, no entanto, já enfrenta problemas típicos do sucesso de qualquer produto: as falsificações.

Os inventores da K2 --uma alusão à montanha no Himalaia-- até criaram um "selo de originalidade" para os pontos de venda, conforme seu próprio site indica, mas ainda há muitas cópias "piratas" por aí.

"Os usuários muitas vezes não fazem ideia do que estão usando. Eles se baseiam nos efeitos que os traficantes dizem que aquela droga vai ter", diz Rafael Lanaro, do Centro de Controle de Intoxicações do Hospital de Clínicas da Unicamp.

"O assunto está ganhando cada vez mais espaço nos congressos de toxicologia, mas ainda há pouca literatura sobre os efeitos, sobretudo os de longo prazo, dessas drogas", conclui.

SEM CONTROLE

O uso das drogas artificiais vem crescendo. Um estudo britânico divulgado na semana passada diz que a mefedrona (usada para fazer similares de cocaína e ecstasy) já é tão popular quanto a cocaína no Reino Unido. Mesmo assim, a maioria dos países ainda engatinha em seu controle.

Boa parte da Europa e os Estados Unidos estão se esforçando na proibição dessas substâncias, mas basta uma pequena engenharia química para que as drogas retornem à "legalidade".

"É muito fácil fazer uma pequena alteração química que muda sua nomenclatura", diz Lanaro.

Nos Estados Unidos, a maior frente de batalha é contra os canabinoides sintéticos. Trinta e oito dos 50 estados americanos baniram ou aguardam legislação para banir a venda dessas substâncias em seu território.

Por meio de sua assessoria, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) disse que, no Brasil, a análise e o subsequente banimento de substâncias vem da demanda de policiais e da própria população. No caso da recém-proscrita mefedrona, o apelo veio da Polícia Federal.

Apesar da proibição, coibir a venda e o uso dessas substâncias deve ser complicado. "Elas são mais difíceis de apreender porque os policiais não estão familiarizados com elas, a apresentação pode ser aparentemente inofensiva", avalia Lanaro.

Testes comuns de detecção de drogas não costumam identificá-las. A maioria passa desapercebida pelos cães farejadores.

FOLHA

Foto da Nasa mostra como a Lua é vista do espaço

A Nasa (agência espacial norte-americana) divulgou nesta terça-feira a imagem da Lua vista do espaço.

Esta foi exatamente a visão que o astronauta Ron Garan teve ao olhar por um compartimento da ISS (Estação Espacial Internacional) em 31 de julho.

Como a ISS orbita a Terra a cada 90 minutos, a cena é praticamente uma rotina da tripulação, que pode ver 16 vezes cenas similares no período que consideram como de um dia.

FOLHA

Cientistas abrem caminho para vacina efetiva contra hepatite C

Uma equipe de cientistas europeus conseguiu produzir pela primeira vez em animais "anticorpos neutralizantes" do HCV (vírus da hepatite C), que abrem caminho para a elaboração de uma vacina contra a doença, comunicou o CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica) da França nesta quarta-feira.

No estudo publicado na revista americana "Science Translational Medicine", os pesquisadores explicam que utilizaram uma nova estratégia baseada no desenvolvimento de estruturas similares às partículas do vírus, mas que não são perigosas porque não contêm material genético e não permitem sua expansão.

A novidade deste processo, segundo o comunicado, residiu na criação de pseudo-partículas virais quiméricas construídas com fragmentos de dois vírus diferentes, neste caso, um "retrovírus" de rato coberto com proteínas do HCV.

Graças a este processo, os cientistas, liderados pelo pesquisador David Klatzmann, observaram pela primeira vez em ratos e macacos a produção de anticorpos neutralizantes desse vírus.

Também pela primeira vez os anticorpos desenvolvidos tiveram uma atividade de amplo espectro, ou seja, foram capazes de neutralizar diferentes subtipos do HCV.

O CNRS ressaltou que esta tecnologia pode ser aplicada no desenvolvimento de vacinas contra outras infecções, como o vírus da Aids, dengue e o VRS (vírus respiratório sincicial), principal agente infeccioso da população infantil, causador da bronquite e outras doenças.

A hepatite C é uma inflamação do fígado que, no pior dos casos, pode provocar insuficiência hepática ou câncer de fígado, e é transmitida quase sempre por exposição a sangue contaminado, que pode acontecer em casos de transfusões de sangue ou pelo uso de seringas infectadas.

Segundo o CNRS, a doença é um grande problema de saúde pública, uma vez que cerca de 200 milhões de pessoas estão infectadas no mundo e em algumas regiões a taxa de infecção atinge de 10% a 30% da população.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) calcula que se não houver uma intervenção rápida para conter sua propagação, a mortalidade causada pela hepatite C poderia superar à provocada pelo HIV, já que os tratamentos existentes são muito caros e pouco acessíveis para os países do sul.

EFE/FOLHA

Sueco é preso por tentar criar fissão nuclear no fogão de casa

A polícia prendeu um sueco pela tentativa de quebrar átomos na cozinha de sua casa --praticamente uma bomba atômica caseira. Os experimentos, disse ele nesta quarta-feira, eram apenas um hobby.

Richard Handl, 31, mantinha elementos radioativos --como rádio, amerício e urânio-- no edifício onde morava.

Handl explicou que, durante meses, tentou construir um reator nuclear. Em seu blog, ele descrevia como havia criado uma pequena fissão dentro de um fogão.

Só mais tarde o sueco se deu conta que suas tentativas poderiam ser ilegais. Ao questionar o órgão máximo de energia nuclear na Suécia, recebeu como resposta uma denúncia à polícia.

"Sempre fui interessado em física e química", comentou Handl. Ele acrescentou que queria ver ser era realmente possível dividir átomos em casa.

O sueco pode pegar até dois anos na prisão, embora afirme que a polícia não detectou níveis perigosos de radiação no apartamento.

Preso no fim do mês de julho, ele reconheceu que seu projeto não foi uma das melhores ideias. "De agora em diante, vou ficar com a teoria", disse.

ASSOCIATED PRESS/FOLHA

Em Londres, Pelé diz que é difícil manter Neymar no Santos

Em Londres, onde foi participar de uma promoção como embaixador do time americano New York Cosmos, Pelé mandou um alerta ao seu compatriota Neymar, muito cobiçado por outros clubes, afirmando que ele deve seguir seu exemplo e ficar no Santos ao invés de ir à Europa. Mas disse que é "muito difícil" para a equipe paulista manter o jogador no elenco.

O desempenho do atacante do Santos tem criado comparações com Pelé quando tinha a mesma idade, 19 anos, e o jogador foi vinculado ao Chelsea ou ao Manchester United na Liga Inglesa.

No entanto, Pelé, de 70 anos, que venceu três Copas do Mundo e passou praticamente toda a sua carreira no Santos, acredita que seria melhor para Neymar desenvolver sua carreira em casa.

"Ele pode ser um grande jogador, ele pode ser como (Lionel) Messi ou Ronaldo, sem dúvida", disse Pelé a jornalistas durante um evento em Londres.

"Mas eu acho que é um pouco complicado para ele ser transferido para um clube na Inglaterra ou na Itália no momento. A marcação é muito fechada lá".

"Ele acharia um pouco difícil porque ele é muito jovem. O jogo é muito físico na Inglaterra e na Itália. Talvez na Holanda ou na França, ou mesmo na Espanha seria melhor para ele".

Com o Brasil sediando a Copa do Mundo em 2014, Pelé acredita que seria bom para as chances do Brasil manter Neymar longe das garras dos grandes clubes europeus.

"Eu acho que é muito difícil mantê-lo no Brasil", disse Pelé. "O Santos é meu time e ele começou lá conosco. Eu espero que ele fique lá até mais ou menos a Copa do Mundo de 2014, mas ainda é um pouco difícil mantê-lo aqui".

"Ele não atingiu seu potencial ainda, mas ele já é um excelente jogador".

FOLHA

Governo estuda mudar regras de acesso à internet

O Ministério das Comunicações trabalha para mudar algumas regras sobre a atuação dos provedores de acesso à internet e já encaminhou uma proposta à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). A mudança, se acatada pela agência, pode implicar no fim dos provedores independentes de acesso.

A norma vigente proíbe as concessionárias de acumularem o papel de provedor de serviço de telecomunicações e de provedor de acesso, duas coisas diferentes.

As operadoras oferecem o meio físico para a conexão à internet --como cabo ou ondas de rádio, por exemplo. Os provedores fazem a conectividade --ou seja, levam o conteúdo ao cliente. Todo acesso à internet precisa do serviço de um provedor.

Com a alteração proposta, o serviço de provedor passaria a ser considerado como de telecomunicações, que está sujeito a regulação do governo. O serviço de provedor atualmente não é regulado. Portanto, se aprovada a mudança, as concessionárias poderão ofertar esse serviço.

O presidente da Abranet (Associação Brasileira de Internet), Eduardo Neger, afirma que a decisão, se for levada adiante, pode acarretar numa concentração de mercado.

O ministério defende que, como o mercado não é regulado, é difícil impor regras e ter acesso, por exemplo, a informações como o histórico de navegação de criminosos virtuais.

Hoje, há cerca de 5.000 provedores, entre os gigantes e os pequenos do ramo, que oferecem do serviço gratuito ao serviço pago e segmentado.

A Anatel poderá discutir o assunto amanhã, já que está na pauta da reunião do seu conselho a discussão sobre o Regulamento do SCM (Serviço de Comunicação Multimídia).

Se a mudança for realmente encampada pela Anatel, o setor teme por um cenário de concorrência desleal. Pela proposta, as concessionárias estariam verticalmente presentes em todo o processo de internet, do fornecimento de infraestrutura ao conteúdo, e dificultaria a atuação dos provedores independentes.

FOLHA

China lidera vendas de automóveis no semestre; Brasil é o 5º

O Brasil fechou o semestre na quinta posição no ranking mundial de venda de carros, de acordo com dados da consultoria JATO Dynamics do Brasil.

A China liderou o comércio automotivo no período. Com uma alta de 7,1% em relação ao primeiro semestre do ano passado, o país vendeu cerca de 6,9 milhões de unidades. O número é cerca de quatro vezes maior do registrado no mercado brasileiro.

Os dados para o mercado chinês se referem apenas a carros de passeio. 

Para os outros países, a consultoria inclui os veículos comerciais leves.

Os Estados Unidos foram o segundo no acumulado do semestre, com alta de 12,8% na comparação com igual período de 2010.

O mercado japonês conseguiu manter a terceira colocação apesar dos impactos do tsunami do começo do ano. Com o fornecimento de peças e a produção afetados, as vendas sofreram queda de 27,8%, para 1,9 milhão.

O crescimento de 11% garantiu a Alemanha a quarta colocação, posição que o país chegou a perder para o Brasil na comparação mundial para o período acumulado entre janeiro a outubro do ano passado.

Com uma alta de 16,3%, a Índia, na sexta colocação, diminuiu a distância do mercado brasileiro para menos de 200 mil unidades.

Os dados da Rússia comprovam o aquecimento do setor nos emergentes. O país, oitavo colocado, registrou uma alta de 55% na comparação entre os dois períodos.

FOLHA

Raia Drogasil vai avaliar desenvolvimento de marca própria

A Raia Drogasil, resultado da combinação das redes de farmácias Raia e Drogasil, vai avaliar o desenvolvimento de uma marca própria de produtos.

Executivos da companhia disseram ainda, em teleconferência com analistas nesta quarta-feira, que a Raia Drogasil irá avaliar oportunidades seletivas de aquisição.

Ontem, as redes de farmácias confirmaram a fusão de suas operações. Segundo comunicado ao mercado, o acordo prevê a integração das operações em uma única companhia, que terá 50% de seu capital na BM&F Bovespa.

Com a fusão, a companhia resultante passa a ser a maior rede de drogarias do Brasil e o 7º maior grupo varejista do país.

Juntas, as empresas somam R$ 4,1 bilhões em faturamento e somam 700 lojas.

Para Sérgio Mena Barreto, presidente da Abrafarma (Associação Brasileira das Redes de Farmácia e Drogarias), a transação não deve enfrentar resistência das autoridades regulatórias, em razão de o setor ser pulverizado. Juntas, as empresas terão menos de 10% do mercado.

Segundo analistas ouvidos pela Folha, a Drogasil perdeu a oportunidade de ser a consolidadora do mercado, superada, por exemplo, pela movimentação da Drogaria São Paulo com a aquisição da rede Drogão em 2010.

Hoje, cerca de 50% do faturamento de ambas as redes está no Estado de São Paulo.

CONCORRÊNCIA

A fusão com a Droga Raia é tida como a melhor solução para a Drogasil para expansão imediata e para proteger o mercado paulista das investidas da Pague Menos, forte principalmente no Nordeste.

Já a Droga Raia tende a melhorar as margens com a união com a Drogasil. Enquanto esta lucrou R$ 89 milhões no ano passado, a Raia ganhou só R$ 1,7 milhão.

Para Sandra Peres, analista da Coinvalores, no entanto, ainda há questões pendentes sobre a união.

"Existem sobreposições expressivas de lojas. Possivelmente existirão duas unidades numa mesma esquina nos grandes centros, o que poderá provocar o fechamento de certas unidades", diz.

FOLHA

Montadoras terão redução de IPI até julho de 2016

O governo irá reduzir a alíquota de IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) para as empresas fabricantes de veículos automotivos instaladas no Brasil até 31 de julho de 2016.

O valor da alíquota, no entanto, ainda será anunciado pelo governo por meio de decreto. A medida foi publicada nesta quarta-feira no "Diário Oficial da União".

Em nota, o Ministério da Fazenda esclarece que a redução não é imediata e que, diferentemente da medida tomada em 2008, o incentivo vale para a montadora, não para o consumidor.

"Não há redução imediata de IPI para a indústria automobilística. A Medida Provisória 540 autoriza o incentivo tributário para produção e não para o consumidor e será com base em critérios ainda não definidos que estão sendo discutidos entre o governo e o setor. O percentual das alíquotas e as contrapartidas ainda serão definidos".

Segundo a Receita Federal, o objetivo é estimular a competitividade no Brasil e fazer com que os veículos fabricados no país tenham mais conteúdo nacional.

Para poder receber o benefício, as empresas terão que atender a alguns requisitos, como investimento, inovação tecnológica e produção local.

Segundo o coordenador geral de Tributação da Receita Federal, Fernando Mombelli, poderão receber a redução de IPI os seguintes veículos: tratores, ônibus e micro-ônibus, automóveis de passeio, caminhões e veículos comerciais leves.

POLÍTICA INDUSTRIAL

A medida foi publicada no embalo da nova política industrial anunciada ontem pela presidente Dilma Rousseff. O plano, chamado de Brasil Maior, busca aumentar a competitividade da indústria nacional e prevê uma renúncia fiscal de R$ 24,5 bilhões.

Entre as medidas, a nova política inclui um crédito tributário para exportadores de manufaturados, a criação de um fundo de financiamento a exportação, um projeto-piloto para desonerar a folha de pagamento em setores com mão de obra intensiva.

O governo vai reduzir a folha de pagamento para os setores calçadista, têxtil, de móveis e de software. A perda da arrecadação será compensada com uma taxa de 1,5% sobre o faturamento das empresas. Para as companhias de software, o tributo será de 2,5%. O governo não anunciou se esse imposto será sobre o faturamento bruto ou líquido.

REDUÇÃO

O governo já reduziu o IPI dos automóveis anteriormente, como uma das formas de estimular o consumo em 2008 e atenuar os efeitos da crise econômica daquele ano no setor automotivo. Desta vez, porém, a medida está voltada para as montadoras.

Na ocasião, a medida vigorou de dezembro de 2008 até março de 2010, mês em que houve uma corrida de consumidores às concessionárias para aproveitar o benefício fiscal.

A medida surtiu efeito, e os emplacamentos de veículos (automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões) apresentaram um acréscimo de 11,4% em 2009 ante 2008, registrando, naquele ano, o terceiro recorde anual consecutivo, com 3,14 milhões de unidades.

RECORDE

De janeiro a julho deste ano, as vendas de veículos novos bateram mais um recorde no acumulado do ano, com o emplacamento de 2,043 milhões.

Essa quantidade representa uma expansão de 8,6% sobre igual período em 2010 (1,882 milhão), que detinha a melhor marca até então.

Considerando apenas julho, foram licenciados 306,2 mil automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões, com o resultado também atingindo uma nova marca para o mês.

O número aponta um leve crescimento de 0,6% ante junho e de 1,3% sobre o montante contabilizado no mesmo intervalo no ano passado.

FOLHA

Morre o ator Ítalo Rossi

RIO - Consagrado como um dos maiores nomes da história do teatro brasileiro, Ítalo Rossi não morreu trabalhando no palco, seu lugar preferido, mas quase. Ele começaria nesta quarta-feira a dirigir uma nova peça, com Ester Jablonski e jovens atores. Ontem à noite, sua morte foi anunciada pela atriz Débora Duboc ao público que assistia, no Teatro dos Quatro, à estreia de "O homem, a besta e a virtude", cuja única versão anterior no Brasil fora feita em 1962 com Ítalo, Fernanda Montenegro e Sérgio Britto no elenco.

A peça do italiano Luigi Pirandello foi uma das representadas pelo ator numa das grandes fases de sua carreira: os anos em que integrou a companhia Teatro dos Sete, entre 1959 e 1965. A histórica montagem de "O mambembe", de Artur de Azevedo, no Teatro Municipal, foi o marco inicial de um período glorioso em que Ítalo atuou em outros espetáculos importantes, como "Com a pulga atrás da orelha", de Georges Feydeau, e "O beijo no asfalto", de Nelson Rodrigues.

O paulista de Botucatu só fez seu grande lançamento profissional aos 25 anos, com "A casa de chá do luar de agosto", no Teatro Brasileiro de Comédia. Recebeu um prêmio de revelação da Associação Brasileira de Críticos Teatrais.

Nos anos seguintes, voltaria a ganhar papéis (que lhe renderiam prêmios) em "Vestir os nus", de Pirandello, "Um panorama visto da ponte", de Arthur Miller, e outras peças. A consagração em forma de troféus veio nas décadas de 70 e 80, com quatro Molières, então a principal premiação do teatro brasileiro, com as peças "A noite dos campeões" (1975), "Quatro vezes Beckett" (1985), "Encontro com Fernando Pessoa" (1986) e "Encontro de Descartes e Pascal" (1987).

Após trabalhar com Gerald Thomas, voltaria nos anos 90 a se unir a um diretor bem mais jovem, Moacyr Góes, com quem atuou em "Antígona", "Comunicação a uma academia" e "O doente imaginário". Em filmes e novelas, nunca teve o reconhecimento conquistado no teatro, mas fez personagens que caíram no gosto popular, como Ladir Miranda, de "Toma lá, dá cá", da TV Globo. Em janeiro passado, lançou a biografia "Ítalo Rossi: Isso é tudo".

Ítalo Balbo Di Fratti Coppola Rossi foi internado segunda-feira no Copa D'Or, com pneumonia, e morreu ontem, aos 80 anos, de falência múltipla dos órgãos. O velório será as 10h desta quarta, no Cemitério do Caju, e o enterro, às 16h.

O GLOBO

luishipolito@outlook.com

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