sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A CNI condena o modelo de estímulos ao consumo


Ao divulgar anteontem as suas projeções para a economia, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou o modelo econômico que privilegia o consumo. Há muito tempo vimos alertando para o risco dessa política de estimular o consumo doméstico a ponto de a indústria interna não poder acompanhá-lo, o que leva ao aumento das importações.
Esse modelo parecia agradar até agora ao setor manufatureiro, mas levou paulatinamente a um processo de desindustrialização que se amplifica a cada ano.
Se o governo estimula a demanda, cabe à indústria oferecer produtos a preços cada vez mais atraentes e com um conteúdo tecnológico mais avançado. Para responder a esses dois requisitos, a indústria doméstica chegou à conclusão de que devia importar, tanto os componentes produzidos no exterior a um preço muito baixo quanto produtos acabados que respondam à ultima modernização. Isso, no entanto, leva a indústria nacional a se transformar apenas em montadora, deixando de lado a busca da inovação e aceitando o princípio de que grandes empresas no exterior estão mais aptas para oferecer o mais recente avanço tecnológico.
Com o tempo desaparecem as empresas que produzem componentes, enquanto a indústria final não se anima a realizar investimentos para criar inovações importantes, seja em processos, seja em produtos. Pouco a pouco, a indústria brasileira está se marginalizando e se vendo expulsa do mercado internacional, que, embora marginal, é importante para ela.
A CNI continua pessimista para 2012, prevendo que o PIB da indústria terá crescimento de 2,3%, com o PIB nacional crescendo 3% e o consumo das famílias aumentando 4% - que, numa economia equilibrada, não deveria ser superior ao aumento do PIB nacional. Continuará a haver, assim, um descasamento entre oferta e demanda, que, na visão do Banco Central, representa um dos fatores mais relevantes na criação de pressões inflacionárias.
Essas projeções econômicas foram apresentadas anteontem, mas no dia seguinte a CNI divulgou seu Índice Nacional de Expectativa do Consumidor, que em dezembro permanece estável, com uma preocupação em relação ao desemprego aumentando nos dois últimos meses. A CNI considerava que o desemprego continuaria muito baixo e que a demanda doméstica permanecerá alta em vista do novo salário mínimo e da redução da taxa de juros. Isso, no entanto, não será sentido na produção industrial, mas, sim, na importação.
ESTADÃO

Fox Sports chega ao Brasil e tira Libertadores da Globosat


Estreia em fevereiro o Fox Sports, sexto canal esportivo da TV paga no país.

Propriedade da NewsCorp, do megamilionário Rupert Murdoch, a marca desembarca com um investimento estimado em US$ 200 milhões para os próximos dois anos e tem a exclusividade de transmissão das copas Libertadores e Sul-Americana 2012, na TV por assinatura.

O canal estreia na primeira semana de fevereiro, já avisou aos concorrentes que exercerá direitos de exclusividade dessas competições e diz que exibirá 126 jogos da Libertadores (nove por semana), a partir de 8 de fevereiro, quando começa a chamada "fase dos grupos''.

Foi por isso que a Globosat informou melancolicamente ao mercado, na última terça-feira, que seus canais estavam fora da Libertadores a partir do ano que vem. No entanto a Fox vai continuar cedendo à TV Globo (aberta) o direito a um jogo da competição por semana.

Trata-se de um dos maiores investimentos já feitos por um único canal na TV paga brasileira. Com sede no Rio, terá uma equipe de 150 pessoas, entre repórteres, apresentadores, comercial, site e área técnica.

Um dos primeiros contratados é Eduardo Elias, que hoje apresenta o "MTV Rock Gol". A Fox está assediando e fazendo várias propostas a jornalistas esportivos e pode anunciar em breve a contratação de Nivaldo Prieto, hoje na Band.

Para Hernan Lopez, CEO da Fox International Channels, o momento é "mágico" para a estreia de um canal esportivo que detém os direitos da Libertadores. "Temos muita sorte de estrear com Corinthians, Flamengo, Santos, Fluminense, Vasco e Internacional. Muita sorte ter tantos times populares", diz.

UNIVERSO EM EXPANSÃO

O vice-presidente da Fox Sports, Eduardo Zerbini, se diz consciente de que o universo de assinantes e de público esportivo da TV paga no Brasil ainda é pequeno.

"Pequeno, mas exigente e apaixonado. O alvo do canal será menos o torcedor e mais o fã do esporte", afirma.

O grupo midiático estima que a TV paga no Brasil passará das 12 milhões de assinaturas atuais para 40 milhões nos próximos três anos.

O canal, no entanto, não vai tirar proveito da Olimpíada de 2012 ou da Copa do Mundo de 2014, pois a negociação para essas competições já terminou.

TV ABERTA NA TV PAGA

Segundo ranking feito nas oito principais praças do país, os quatro canais mais vistos na TV por assinatura são canais abertos: Globo, Record, SBT e Band.

Isso significa que o telespectador está pagando para ter cabo ou satélite, tem chance de variar o cardápio, mas prefere manter seus velhos hábitos de entretenimento.

O quinto colocado (primeiro canal pago da lista) é o Discovery Kids. O Sportv ocupa a sexta posição, e o Sportv 2 ocupa a 13ª posição (veja quadro acima). Entre os canais esportivos, o que tem a menor audiência é a Bandsports, cuja participação no universo de TVs pagas ligadas é de apenas 0,04%.

O Fox Sports tem o maior acervo de competições esportivas no mundo: inclui Libertadores, a Nascar, torneios de tênis da ATP e UFC, entre outros. Vários desses esportes são exibidos atualmente pelos concorrentes Sportv, ESPN e Bandsports.

Esses canais pagam para ter esse conteúdo exclusivo da Fox. Isso não deve mudar, segundo o grupo norte-americano.

"Não viemos aqui para prejudicar concorrentes", diz o CEO Lopez, questionado sobre se os rivais seriam excluídos desse conteúdo. "Não temos o menor interesse em chegar ao Brasil para destruir ou criar uma disputa encarniçada de mercado", diz.

"A Globo é nossa amiga e vai exibir um jogo da Libertadores por semana". 

A partida continuará sendo exibida às quartas, depois da novela.

Apesar da mensagem de "paz e amizade", o CEO não revela se vai competir e exibir a mais nova joia adquirida pela "amiga" brasileira, o badalado UFC. Porque, se quiser, o Fox Sports também detém esse direito.

FOLHA

Beach Boys anunciam turnê em comemoração aos 50 anos da banda


A banda Beach Boys anunciou nesta sexta-feira que fará uma turnê em 2012 com seus membros fundadores - Brian Wilson, Mike Love, Al Jardine, Bruce Johnston e David Marks.

O grupo será um dos headliners do New Orleans Jazz & Heritage Festival, que acontece entre 27 de abril e 6 de maio, nos Estados Unidos.

Além disso, a banda anunciou que pretende lançar um disco novo.

"O aniversário é muito especial para mim, porque sinto saudade dos garotos e será emocionante fazer um novo disco com eles e estar novamente no palco com eles", disse Wilson.

FOLHA

George Michael deve receber alta na próxima semana


O cantor George Michael, internado para tratar uma pneumonia grave desde o fim de novembro, deve receber alta semana que vem. A informação foi revelada pelo seu namorado, Fadi Fawaz.

Fawaz contou à imprensa inglesa que Michael, 48, está melhorando consideravelmente e, ao contrário das previsões iniciais, deve passar o Natal em casa.

"Natal em casa. Não consigo parar de sorrir. Não há com que se preocupar", disse.

George Michael estava em turnê pela Europa e teve que adiar uma série de shows após a internação. As apresentações devem ser realizadas em 2012.

FOLHA

Doença da cantora Etta James está em estágio terminal, diz empresária


A empresária de Etta James, Lupe de Leon, confirmou nesta sexta-feira que a cantora, que sofre de leucemia, está no estágio final da doença. As informações foram publicadas no início da tarde pelo site TMZ.

"Etta está no estágio final da leucemia, e também foi diagnosticada com demência e Hepatite C. Ela está em casa e dorme a maior parte do tempo, sob os cuidados de um médico que mora em sua casa. Seu marido está com ela 24 horas por dia e seus filhos a visitam regularmente. É tudo muito triste. Estamos apenas esperando", disse De Leon, que é empresária da cantora há mais de 30 anos, ao site "Entertainment Weekly".

De acordo com o TMZ, o médico da cantora declarou a doença incurável há cerca de duas semanas e pede que os fãs rezem por ela.

Etta foi hospitalizada em maio passado com septicemia, uma grave infecção no sangue causada por bactéria que pode levar à morte. Alguns meses antes, a cantora fora diagnosticada com demência e leucemia.

VIDA

Etta, 73, nasceu em no dia 25 de janeiro de 1938 e começou a cantar aos cinco anos, em uma igreja próxima à sua casa.

Ela ficou famosa durante os anos 1950 e 1960, quando começou a cantar blues e R&B. Uma de suas músicas mais conhecidas é a versão de "At Last", de Mack Gordon e Harry Warren.

Aos 14 anos, Etta formou um grupo de doo-wop chamado The Peaches, que alcançou os primeiros lugares das paradas de sucesso com os hits "The Wallflower (Dance with Me, Henry)" e "Good Rockin' Daddy".

Na década de 1960, ela lançou dois de seus melhores discos, "At Last!" e "The Second Time Around", pela gravadora Argo Records.

Nos anos 1970, a cantora lutou contra o vício em heroína, que conseguiu largar em 1974, reconstruindo aos poucos sua carreira.

Em 1989, ela lançou o disco "Seven Year Itch", após passar alguns anos esquecida, e conseguiu chamar a atenção da indústria novamente, tendo recebido vários prêmios Grammy.

Etta continuou gravando e se apresentando até os anos 2000, tendo lançado mais de 30 álbuns ao longo de sua carreira.

A revista "Rolling Stone" elegeu Etta uma das 100 melhores cantoras da história (ela ocupa a posição 22) e um dos 100 melhores artistas (na posição 62).

Até hoje, a cantora já ganhou seis Grammy e 17 prêmios Blues Music. Ela entrou para o Hall da Fama do rock n' roll em 1993 e para o do blues em 2001.

FOLHA

Astrônomos localizam 'jantar' de buraco negro


Astrônomos do ESO (Observatório Europeu do Sul), instalado no Chile, localizaram uma nuvem de gás com várias vezes a massa da Terra que se aproxima rapidamente de um buraco negro no centro da Via Láctea.

Esta é a primeira vez que se acompanha a aproximação de uma nuvem a um buraco negro supermassivo. Um artigo sobre as observações será publicado na edição de 5 de janeiro de 2012 da revista "Nature".

A nuvem foi detectada com o auxílio do Very Large Telescope por uma equipe de astrônomos liderada por Reinhard Genzel (Instituto Max Planck para a Física Extraterrestre, na Alemanha).

A nuvem de poeira é formada por gás ionizado com uma massa de cerca de três vezes a da Terra. A sua atual densidade é muito maior do que o gás quente que rodeia o buraco negro.


No entanto, à medida que a nuvem se aproxima do buraco esfomeado, a pressão externa aumentará até comprimi-la. Ao mesmo tempo, a grande força do buraco negro continuará a acelerar o movimento em direção a seu interior.


Espera-se que a nuvem se desfaça completamente. Atualmente existe pouco material próximo do buraco negro, por isso a refeição recém-chegada será o combustível dominante do buraco negro durante os próximos anos.


Uma explicação para a formação da nuvem é que o material que a compõe possa ter vindo de estrelas jovens de grande massa que se encontram nas proximidades e que perdem massa muito rapidamente devido a ventos estelares.

FOLHA

Governo localiza 407 mil famílias em extrema pobreza


O governo federal divulgou na manhã desta sexta-feira (16) o primeiro balanço do programa Brasil Sem Miséria, no qual afirma ter localizado 407 mil famílias em estado de extrema pobreza.

O programa lançado em junho prevê como sua ação central a localização de famílias extremamente pobres, que não conseguem ser atingidas atualmente pelos programas sociais.

Segundo dados do Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), são 16 milhões de pessoas nessa situação.

A ministra Tereza Campello (Desenvolvimento Social e Combate à Fome) afirmou que o programa ultrapassou a meta para 2011, que era localizar 320 mil.

"Essas 407 mil famílias não são mais estatísticas. Nós sabemos onde moram, as condições familiares, se tem esgoto, condições que habitam, quantos filhos", disse a ministra durante o ato de assinatura do Pacto Centro-Oeste do Brasil sem Miséria, realizado no Palácio do Planalto.

A meta do governo também prevê localizar 800 mil famílias nessa situação até 2013.

Desse total de famílias, o balanço do programa aponta que 325 mil já estão recebendo os benefícios do Bolsa Família.

A meta do governo também prevê localizar 800 mil famílias nessa situação até 2013. Desse total de famílias, o balanço do programa aponta que 325 mil já estão recebendo os benefícios do Bolsa Família.

Têm direito ao Brasil Sem Miséria famílias com renda inferior a R$ 70. O valor médio pago pelo Bolsa Família está atualmente em R$ 119,83.

A presidente Dilma Rousseff também ressaltou que alguns Estados estão integrando seus programas de transferência ao Bolsa Família. Nove Estados já fecharam essa parceria e por isso 3,5 milhões de beneficiários vão receber uma complementação aos valores pagos pelo Bolsa Família.

"Uma das principais realizações do Brasil Sem Miséria é a unificação dos programas de renda estaduais com o de nível federal, dando maior fôlego para a transferência de rendas. Nove Estados atenderam, mas outros virão na sequência", disse a presidente.

O balanço também apontou a inclusão de 1,3 milhão de crianças e adolescentes entre os beneficiários, como a presidente já havia anunciado no mês passado. Isso porque aumentou de três para cinco beneficiários por família para filhos de até 15 anos.

Em uma outra meta do programa, o governo anunciou que 37 mil famílias do campo passaram a receber assistência técnica sobre como produzir melhor. Além disso, 375 toneladas de sementes foram disponibilizadas.

Às críticas que essa era uma das metas que pouco avançou, o ministro Afonso Florence Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário) explicou que as sementes são distribuídas de acordo com a época do ano.

"De acordo com o calendário agrícola, as famílias gradativamente vão receber [as mudas]".

FOLHA

Mantega prevê crescimento entre 4% e 5% em 2012


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira que a economia brasileira vai crescer entre 4% e 5% em 2012, a depender da evolução do cenário externo.

Segundo ele, as medidas de estímulo adotadas pelo governo desde agosto - como redução de juros e desoneração de algumas operações de crédito, investimento e consumo - vão viabilizar esse desempenho. Para 2011, Mantega espera algo mais perto de 3%.

"Nós devemos ter um crescimento [em 2012] em torno de 4%, mesmo com a crise internacional, e, se a crise diminuir, nós poderemos chegar a 5%", afirmou. "O governo tem instrumentos para fomentar a economia mesmo num cenário adverso internacional", acrescentou.

Segundo Mantega, após quatro meses de atividade fraca entre julho e outubro, a economia voltou a crescer em novembro e dezembro.

"O Natal vai ser bom porque, com quase pleno emprego, os trabalhadores têm salário, têm 13º [salário], e poderão utilizá-lo da melhor forma para terem um bom Natal em 2011", afirmou.

O ministro voltou a dizer que o governo trabalha em mais medidas para estimular a economia, mas não detalhou datas ou setores. No inÍcio do mês, Mantega havia sinalizado com medidas para o setor têxtil. Já o setor automotivo terá um programa de estímulos, com redução de IPI para automóveis com inovações tecnológicas, apenas em 2013 ou 2014, disse ele.

FOLHA

'Não faltam dólares no mercado', diz Mantega


O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse nesta sexta-feira que não faltam dólares nem crédito no mercado brasileiro.

Segundo ele, houve uma redução da liquidez no setor financeiro europeu que causou um encarecimento das linhas de crédito externa, mas que não afetou a oferta de financiamento no Brasil.

Mantega disse que a prova de que não faltam dólares no Brasil é que ninguém aceitou as condições oferecidas ontem pelo Banco Central numa tentativa de venda da moeda americana ao mercado.

"O mercado de dólares está funcionando bem. Não faltam dólares no país e a prova disso foi que ninguém quis entrar no leilão que o Banco Central quis fazer", afirmou.

Mantega disse ainda que as instituições financeiras ficam mais seletivas na liberação de crédito quando há uma crise externa, mas que não estão faltando recursos para financiar o consumo das famílias e os investimento das empresas.

O ministro lembrou também que, caso falte crédito no mercado, o Banco Central pode reduzir os recursos que os bancos têm que deixar retidos junto à autoridade monetária, os chamados compulsórios.

No caso de haver escassez de dólares, ele disse que o Banco Central pode vender dólares da reservas internacionais, que hoje superam US$ 350 bilhões.

As declarações foram feitas durante palesta promovida pelo jornal "O Estado de S. Paulo".

FOLHA

BNDES coordena negociação com Foxconn para projeto de US$ 4 bilhões


O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, afirmou nesta sexta-feira que o BNDES irá coordenar as negociações com a Foxconn (empresa taiwanesa que monta os produtos da Apple) e empresas brasileiras para a construção de uma fábrica de displays (telas sensíveis ao toque usadas em tablets e smartphones) no Brasil. Haverá investimentos superiores a US$ 4 bilhões, afirmou o ministro.

Mercadante frisou que só há fábrica de displays em quatro países da Ásia. Em todos os casos, o Estado participa, por se tratar de altos investimentos, afirmou.

"Nenhuma fábrica do mundo de display existe sem participação do Estado. É um investimento de mais de US$ 4 bilhões, que precisa de muita energia, muita fibra óptica, aeroporto internacional", disse.

Segundo o ministro, seis Estados estão participando das negociações: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Paraná. Alguns fizeram, inclusive, propostas de participação dos recursos nos consórcios, disse.

Os governadores desses Estados já apresentaram suas propostas, seguindo critérios como a garantia de fornecimento de água, uma rede muito estável de energia, condições de saneamento, infraestrutura e logística, por exemplo.

Mercadante afirmou que não há prazos, e que tudo dependerá do acerto dos consórcios entre as empresas privadas.

FOLHA

A holding inglesa Diageo, detentora da marca do uísque Johnnie Walker, abriu processo administrativo no Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) contra a cachaça João Andante. A Diageo acusa a empresa mineira de ser "imitação" de sua marca - segundo ela, avaliada em US$ 3,5 bilhões.

Mas o processo gerou publicidade para a cachaça e fez suas vendas dispararem. Nas últimas duas semanas, os pedidos feitos via e-mail já chegam a mil garrafas. Até então, as vendas eram de apenas 200 garrafas por mês.

"Os pedidos estão aumentando muito e nós sempre trabalhamos com margem e volume pequenos", disse Gabriel Lana, 25, um dos donos.

A João Andante foi organizada em 2008 por quatro jovens que viam a atividade mais como um hobby do que propriamente um negócio empresarial. Cada um deles segue com sua profissão.

O desenho das duas marcas é representado pela figura de um andarilho, embora de classes sociais distintas: enquanto um é lorde, o outro é um jeca, ou capiau, conforme o regionalismo mineiro.

"Apesar de ambos os personagens mostrarem algumas distinções, o uso da expressão 'João Andante', que é a tradução literal de 'Johnnie Walker', evidencia a intenção de criar uma 'versão local' da marca", argumenta a holding inglesa por meio do escritório de advocacia Dannemann Siemsen.

Os mineiros negam que o uísque tenha sido a inspiração e sustentam que o Walker da marca inglesa nada tem a ver com andar ou caminhar - é um sobrenome.

Afirmam que a ideia é a de um caixeiro-viajante, que é um andarilho, segundo o escritório de advocacia Hidelbrando Pontes e Associados.

FOLHA

Justiça volta atrás e autoriza obra de Belo Monte no Rio Xingu


A Justiça Federal no Pará revogou nesta sexta-feira decisão liminar que impedia o andamento de obras da usina de Belo Monte no leito do rio Xingu.

Em setembro, a mesma Vara da Justiça havia proibido qualquer ação que interferisse no curso natural do rio, como construção de barragens, implantação de porto e escavação de canais.

Agora, porém, as atividades passaram a ser permitidas.

A primeira determinação foi uma resposta à ação ajuizada pela Associação dos Criadores e Exportadores de Peixes Ornamentais de Altamira (PA). Segundo a associação, mil famílias que dependem da pesca serão prejudicadas pela hidrelétrica.

Na prática, a decisão não afetou o andamento das obras, segundo a Norte Energia, empresa responsável pela usina. Naquela ocasião, a empresa disse à Folha que as obras ainda não haviam atingido a altura do Rio Xingu nem havia previsão para que esse trabalho tivesse início.

Na decisão de hoje, o juiz federal Carlos Eduardo Castro Martins disse que a navegação não será afetada no andamento das obras e que a atividade pesqueira "não será impedida durante a construção do empreendimento, pois o curso d'água não será alterado".

A Norte Energia, segundo o juiz, comprovou que está desenvolvendo projetos para a manutenção da fauna no rio.

FOLHA

Jornalista é morto a tiros na região russa do norte do Cáucaso


Um jornalista destacado da região russa do norte do Cáucaso, marcada pela violência, foi morto a tiros na noite de quinta-feira quando deixava a sede de seu jornal, somando seu nome a uma lista sempre crescente de jornalistas e ativistas de direitos humanos mortos na região nos últimos anos.

Khadzhimurad Kamalov, 46, era o fundador do popular jornal "Chernovik", que investigava e cobria temas explosivos como abusos policiais, corrupção e extremismo islâmico no Daguestão, uma região de maioria muçulmana que é vizinha da Tchetchênia.

Kamalov tinha acabado de sair da redação do "Chernovik", um pouco antes da meia-noite da quinta-feira, quando um pistoleiro solitário abriu fogo com um revólver, segundo o boletim da polícia.

O editor-chefe do jornal, Biyakai Magomedov, testemunhou o crime e contou à emissora russa NTV: "Quando o atirador disparou, Khadzimurad caiu e o atirador começou a disparar mais vezes. Khadzhimurad cobriu a cabeça com as mãos, aparentemente tentando protegê-la. Ele era um homem tão destemido que, mesmo ferido, conseguiu agarrar o homem pelo pé".

A polícia disse que está à procura do atirador, que fugiu. Kamalov sofreu ferimentos múltiplos de bala e morreu a caminho do hospital.

Pessoas que conheciam Kamalov e seu trabalho disseram que sua morte não as pegou de surpresa. Os esforços do jornal para trazer à tona corrupção oficial, especialmente na polícia, lhe valeram muitos inimigos influentes, segundo pessoas familiarizadas com o jornal. Kamalov também foi acusado de simpatizar com radicais islâmicos, depois de entrevistas com líderes militantes terem sido publicadas no "Chernovik".

De acordo com a Caucasian Knot, uma agência de notícias online que cobre o norte do Cáucaso, em 2009 o nome de Kamalov apareceu numa lista de alegados militantes e cúmplices deles acusados de envolvimento nas mortes de policiais e civis pacíficos na violência insurgente no Daguestão. Os autores anônimos da lista juraram "destruir esses chacais".

Kamalov sempre negou qualquer envolvimento com extremistas.

"O 'Chernovik' escrevia sobre tudo e todos", disse na rádio "Ekho Moskvy" uma jornalista investigativa destacada, Yulia Latynina. "Numa região em que matam você por qualquer palavra, o que aconteceu, lamentavelmente, não foi inesperado".

O Comitê para a Proteção de Jornalistas, sediado em Nova York, condenou o crime, descrevendo-o como "golpe letal contra a liberdade de imprensa".

"O assassinato de Khadzhimurad Kamalov é uma enorme tragédia para o jornalismo independente no norte do Cáucaso, o lugar mais perigoso da Rússia para repórteres", disse em comunicado à imprensa a coordenadora para a Europa e Ásia central da organização, Nina Ognianova.

O norte do Cáucaso é palco de uma insurgência islâmica que fervilha há anos e que as autoridades ainda não conseguiram extinguir. Jornalistas e ativistas dos direitos humanos frequentemente se envolvem no conflito, fato que os torna alvos frequentes de violência. Tanya Lokshina, especialista no norte do Cáucaso junto à organização Human Rights Watch, disse que os riscos são agravados pelo fato de as autoridades não investigarem esses crimes a fundo.

"É desnecessário dizer que o ambiente de impunidade total nas matanças de jornalistas e ativistas públicos no norte do Cáucaso exerceu um papel enorme aqui", disse Lokshina, falando da morte de Kamalov. "Quem cometeu esse crime tinha a certeza de não ser punido".

Magomedov, o editor-chefe do "Chernovik", disse que o assassinato de Kamalov transmite uma mensagem inequívoca. "Acho que esse assassinato foi cometido diante de nossa redação com a intenção expressa de nos meter medo".

THE NEW YORK TIMES/FOLHA

Sentenças de pena de morte atingem menor nível em 35 anos nos EUA


As novas sentenças de pena de morte nos Estados Unidos caíram para o menor nível em 35 anos, segundo estudo do Centro de Informações sobre Pena de Morte, localizado na capital federal.

O levantamento aponta que neste ano 78 pessoas receberam a pena capital, o que representa queda de 30% em relação ao ano passado, quando 112 pessoas foram assim sentenciadas. Em 2000, haviam sido 224. O resultado de 2011 representa o menor patamar desde que a pena de morte foi reinstalada em 1976 nos EUA.

O centro aponta mudanças na legislação e em procedimentos nos Estados, a maior resistência dos jurados à pena e o alto custo para executar os condenados como fatores que contribuíram para a redução.

"O número de Estados que adotam pena de morte vagorosamente vem caindo", afirmou Richard Dieter, diretor-executivo do centro. Dos 50 Estados americanos, 34 adotam a pena. Em Illinois, a pena de morte foi abolida neste ano e em Oregon houve declaração de moratória.

O relatório também destaca que houve declínio no número de execuções. Foram 43 até o dia 15 de dezembro, e não há mais nenhuma marcada para este ano. Em 2010, 46 pessoas foram mortas - no Texas foram 13.

Dieter diz que a população do país está mais sensível ao tema. "Nos juris populares, as pessoas têm muitas dúvidas em relação à pena de morte e preferem outras sentenças. O estudo conclui que o que tem ocorrido nos Estados é reflexo de crescente desconforto dos americanos com a condenação fatal.

Pesquisa Gallup divulgada neste ano revela que a maioria dos americanos é favorável à pena de morte - 61% do total. Entretanto, o número de apoiadores diminuiu. Em 1994, eram 80%.

FOLHA

Fitch ameaça rebaixar nota de França, Espanha, Itália e mais quatro países


Em meio à crise da zona do euro, a agência de classificação Fitch anunciou que pode rebaixar as notas de risco de crédito da França, Espanha, Itália, Bélgica, Irlanda, Eslovênia e Chipre, por considerar que os sete países ainda não apresentaram uma solução abrangente para conter os problemas causados pela turbulência na região.

Embora tenha colocado a perspectiva de nota de avaliação da França de "estável" para "negativa", a Fitch foi mais cautelosa no caso do país, reafirmando por ora a nota máxima "AAA", e destacando que o ranking de crédito se mantém devido ao poder e diversificação da economia francesa, além das diversas medidas adotadas pelo governo para reforçar suas finanças.

No entanto, a perspectiva é que o país alcance um nível recorde de endividamento público de 92% do PIB em 2014.

A perspectiva negativa preocupa os mercados, mas autoridades e investidores franceses que temiam o rebaixamento do país ficaram tranquilizados. A medida teria grandes repercussões nos planos de recuperação econômica da Europa, já que a França e a Alemanha, ambas com nota máxima "AAA", são a principal força para impulsionar o continente.

Já em relação aos outros seis países, a agência foi mais categórica ao determinar que as medidas anunciadas até o momento não são consideradas satisfatórias nem abrangentes o suficiente para o contexto de crise e que as notas de crédito dessas economias podem ser rebaixadas em até três meses.

Para a agência, a reunião de cúpula da União Europeia (UE) realizada em Bruxelas nos dias 9 e 10 de dezembro não resultou em uma "solução global" para a crise da dívida da zona do euro, algo que está "tecnicamente e politicamente fora de alcance", acrescentando que em sua avaliação é necessária uma atuação mais importante do Banco Central Europeu (BCE).

ENTENDA

O "rating" é uma opinião sobre a capacidade de um país ou uma empresa saldar seus compromissos financeiros. A avaliação é feita por empresas especializadas, as agências de classificação de risco, que emitem notas, expressas na forma de letras e sinais aritméticos, que apontam para o maior ou menor risco de ocorrência de um "default", isto é, de suspensão de pagamentos.

Para publicar uma nota de risco de crédito, os especialistas dessas agências avaliam além da situação financeira de um país, as condições do mercado mundial e a opinião de especialistas da iniciativa privada, fontes oficiais e acadêmicas.

O "rating" é sempre aplicado a títulos de dívida de algum emissor. Se uma empresa quer captar recursos no mercado e oferece papéis que rendem juros a investidores, a agência prepara o "rating" desses títulos para que os potenciais compradores avaliem os riscos.

As agências, portanto, classificam debêntures, "medium-term notes", títulos de dívida conversível, mas não ações.

GRAU DE INVESTIMENTO

A nota de países é preparada a partir da iniciativa do emissor ou da empresa de "rating". As empresas de classificação de risco alegam que, mesmo sob encomenda, o "rating" é uma avaliação independente, porque também há preocupação com a credibilidade da própria agência.

O chamado "rating" global de um país, por exemplo, é sempre a avaliação que uma determinada agência tem sobre o risco dessa nação não pagar os títulos, de longo prazo, que lançou no mercado internacional.

Esses países também são encaixados em categorias. Se a agência considera um país como "bom pagador", ele é classificado na categoria "grau de investimento". Se é visto apenas como um pagador de risco razoável, fica na categoria "grau especulativo", que também inclui nações que declararam moratória de suas dívidas.

As agências monitoram constantemente os países ou empresas. Dessa forma, quando lançam um "rating", também avisam quais as chances dessa nota ser revisada no curto prazo.

Se o panorama é positivo significa que a nota tem maiores chances de ser melhorada. Se é negativo, as maiores chances são de que haja um "downgrade" (seja revisada para baixo, uma nota pior). Se é estável, há poucas chances de que seja mudada nos dois anos seguintes.

LETRAS E SINAIS

As três agências de classificação de risco de maior visibilidade são a Standard & Poor's, a Moody's e a Fitch Ratings.
Arte Folha Online
As agências usam praticamente o mesmo sistema de letras e sinais. Assim, a melhor classificação que um país pode obter é Aaa (Moody's) ou AAA (Standard & Poor's) que, conceitualmente, significam "capacidade extremamente forte de atender compromissos financeiros".

Na ponta oposta, um título classificado como "C", para a S&P ou a Moody's, tem altíssimo risco de não ser pago.

"A taxa média de 'default' [moratória] entre 1970-2000 para títulos [classificados como] Aaa sobre um período de 10 anos foi de apenas 0,67", afirma a Moody's.

FOLHA

luishipolito@outlook.com

Carregando...