segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Joe Jonas é levado às pressas a hospital com dores no abdômen


O músico Joe Jonas, da banda Jonas Brothers, teve de ser levado às pressas a um hospital em Los Angeles no domingo com dores no abdômen, de acordo com o site TMZ. Segundo o site, ele havia ido a uma festa 48 horas antes, em Chicago.

Um representante do músico confirmou que ele foi levado para a emergência, onde permaneceu por pouco tempo, sem dar detalhes.

De acordo com o site, Jonas esteve em duas festas na sexta e no sábado, mas parecia bem no domingo à noite, quando foi visto jantando em um restaurante japonês com seu irmão, Nick.

FOLHA

Em decisão liminar, ministro do STF esvazia poderes do CNJ


Em decisão liminar nesta segunda-feira (19), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello suspendeu o poder "originário" de investigação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) contra magistrados, determinando que o órgão só pode atuar após as corregedorias locais.

A liminar concedida pelo ministro deve ser levada a plenário na primeira sessão do ano que vem, no início de fevereiro, para que seus colegas avaliem o tema. Até lá, no entanto, as funções da corregedoria do CNJ estarão esvaziadas.

Ficarão prejudicadas aquelas investigações que tiveram início diretamente no conselho, antes que tenham sido analisadas nas corregedorias dos tribunais onde os juízes investigados atuam.

Como está previsto na Constituição, o CNJ pode ainda avocar [determinar a subida de] processos em curso nas corregedorias, desde que comprovadamente parados. O ministro afirmou que o conselho deve se limitar à chamada "atuação subsidiária".

Em outras palavras, o que não pode é iniciar uma investigação do zero, fato permitido em resolução do CNJ, editada em julho deste ano, padronizando a forma como o conselho investiga, mas que foi questionada pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros).

"A solução de eventual controvérsia entre as atribuições do Conselho e as dos tribunais não ocorre com a simples prevalência do primeiro, na medida em que a competência do segundo também é prevista na Constituição da República", diz o ministro em sua decisão. "A atuação legítima, contudo, exige a observância da autonomia político-administrativa dos tribunais, enquanto instituições dotadas de capacidade autoadministrativa e disciplinar".

Foi exatamente este assunto que colocou em lados opostos o presidente do CNJ, ministro Cezar Peluso, e sua corregedora, Eliana Calmon. O primeiro defendia exatamente a função subsidiária do conselho, enquanto a última afirmava ser fundamental a atuação "concorrente" e "originária".
Calmon chegou a dizer que o esvaziamento dos poderes do CNJ abriria espaço para os chamados "bandidos de toga".

A ação da AMB está na pauta do STF desde o início de setembro, mas os ministros preferiram não analisar o tema, exatamente por conta desta polêmica.

Como a última sessão do ano aconteceu durante a manhã e os ministros só voltam a se reunir em fevereiro, Marco Aurélio decidiu analisar sozinho uma série de pedidos feitos pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros).

Além desta questão, o ministro também suspendeu mais de dez outras normas presentes na resolução do CNJ em questão. Entre elas, uma que permite a utilização de outra lei, mais dura que a Loman (Lei Orgânica da Magistratura Nacional), para punir magistrados acusados de abuso de autoridade.

Outra regra, que também foi suspensa, dava direito a voto ao presidente e ao corregedor do CNJ.

FOLHA

Ideologia e desarmamento


Denis Lerrer Rosenfield, professor de Fiolosofia na UFRGS - O Estado de S.Paulo
A recente publicação do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2011 suscita uma série de questões quanto ao modo como a criminalidade tem sido enfrentada e abordada no Brasil. A campanha dita do desarmamento tem sido conduzida como se fosse ela a causa principal da redução da violência no País. Basta qualquer índice mostrar uma diminuição de homicídios, por exemplo, para que alguém já saia dizendo que isso se deve a uma campanha bem-sucedida e em curso de desarmamento.
Os fatos frequentemente nem contam, pois parece que tudo já está provado antes mesmo que os dados sejam apresentados. Não se trata de hipóteses de trabalho que deveriam ser verificadas, mas de reafirmações de uma crença de antemão válida. É como se dissessem: se a realidade não corresponde aos fatos, pior para a realidade. A fé segue verdadeira!
O que tem sido alardeado é que a campanha do desarmamento, levada a cabo nos últimos anos, está tendo êxito e isso se estaria traduzindo em diminuição da violência. Deixando, pelo momento, de lado a relação direta pretendida, vejamos os dados estatísticos apresentados pelo próprio Ministério da Justiça.
Tomemos uma série ampla, de dez anos, entre 2000 e 2010, para verificar se houve ou não, de fato, uma diminuição dos homicídios. Seria de esperar uma redução da criminalidade, considerando um desarmamento alardeado como bem-sucedido, realizado com amplas campanhas. Ora, nesses dez anos o número de homicídios cresceu de 45.360 para 49.932, ou seja, um aumento de 10,1%. Os dados estatísticos não comprovariam, portanto, que o recolhimento das armas de cidadãos - não criminosos e não bandidos, enfatizemos - se tenha traduzido na diminuição de homicídios. Um espírito aberto se perguntaria se não há outras causas em jogo, dentre as quais o desarmamento do cidadão de bem não seria a principal.
Se tomarmos as 27 unidades da Federação, 20 apresentaram aumento de crimes na década e apenas 7, redução. Ou seja, também no cômputo por Estados houve aumento da criminalidade, em que pese, reiteremos, o desarmamento dos cidadãos de bem, que procuram apenas a autodefesa, num espírito de livre escolha. Mais precisamente, poderíamos acrescentar que os bandidos não foram desarmados. Eles não se apresentam voluntariamente para entregar suas armas!
Ademais, acrescentemos que o comércio civil de armas, hoje, no Brasil é praticamente inexistente. As exigências para a compra são tão grandes e dispendiosas, além de extremamente demoradas, que esse mercado desapareceu. Bandidos não compram armas em lojas especializadas. Pior ainda, os números mostram que eles continuam armados e, muitas vezes, com armamentos pesados de restrito uso militar.
Entre os números apresentados de redução da violência, destacam-se os Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Podemos, sensatamente, nos perguntar se foi o "desarmamento" que produziu essa diminuição. Outras hipóteses poderiam ser aventadas, dentro de um espírito científico, não fechado por uma crença preestabelecida.
No Fórum de Segurança Pública consta uma carta assinada pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo contestando os dados do Anuário indicando uma diminuição, nesse Estado, dos recursos destinados ao setor. Diz textualmente a carta: "O aumento dos investimentos do Governo do Estado na área de segurança é uma das principais causas da redução dos níveis de criminalidade e violência em São Paulo. Desde 1999, o Estado reduziu em 73% o número de homicídios dolosos". Acrescenta ainda a carta que em 2005 o montante destinado à segurança foi de R$ 7,01 bilhões, tendo subido em 2010 para R$ 10,78 bilhões.
Observe-se, também, que a política de segurança pública no Estado de São Paulo tem sido de combate direto à criminalidade, enfrentamento com bandidos se necessário, num espírito de tolerância zero. Os serviços de inteligência tiveram uma melhora significativa. Em 2009, 60 mil pistolas foram adquiridas, assim como 6 helicópteros. Um espírito isento poderia apresentar esses dados como razões da diminuição da violência.
No caso do Rio de Janeiro, a queda apresentada pode ser atribuída, em boa medida, a uma nova política de segurança pública, com combate direto à criminalidade via ocupação de favelas e estabelecimento de UPPs, beneficiando um enorme grupo de comunidades. A tolerância com criminalidade manifestamente diminuiu, o que se teria traduzido em redução dos homicídios.
Poderíamos listar outras causas para o aumento da criminalidade, como a epidemia do crack e o narcotráfico em geral, que têm tido um crescimento substantivo no País. E o narcotráfico, manifestamente, não pode ser combatido com o desarmamento da população civil. A confusão seria total!
O nó da questão reside na formação da opinião pública. Os formadores de opinião pró-desarmamento dos cidadãos de bem e os agentes públicos que lhes dão respaldo tornaram a sua campanha uma questão de ativismo político, recusando quaisquer opiniões ponderadas que contrariem suas crenças. Pesquisas são dirigidas por orientações ideológicas e vendidas à opinião pública como o resultado de todo um esforço científico. Mas antes de qualquer conclusão científica se estabelece um consenso do ponto de vista da opinião pública, toda posição contrária vindo a ser considerada uma espécie de anátema, coisa de "homens da bala".
O problema que se coloca consiste em levantar esse véu público, o da ideologia, de tal maneira que causas e efeitos possam ser estabelecidos, e não quaisquer nexos associativos sem fundamento. Com orientações ideológicas não teremos certamente uma redução da criminalidade. Hipóteses devem ser seriamente testadas. Se a crença toma o seu lugar, os prejuízos são evidentes. A verdade fica ao longe.
ESTADÃO

Saudade das carroças


Com dificuldade para se adaptar ao século 21, o governo insiste em reeditar o protecionismo dos anos 50 e 60 do século passado, quando a maior parte da indústria era nascente e esse tipo de política ainda tinha algum sentido. Esse velho padrão foi reeditado na elaboração do Plano Brasil Maior, já em vigor, e poderá servir de inspiração para um "novo" regime automotivo com elevada exigência de conteúdo nacional (mais precisamente, produzido no Mercosul). O Plano Brasil Maior já estabeleceu a exigência de pelo menos 65% de conteúdo local para os veículos comercializados no Brasil, impondo uma taxação adicional de 30 pontos porcentuais aos produtos sem essa especificação. Esse critério deverá valer nos próximos 12 meses. Nesse período serão definidas as condições para vigorar em 2013, segundo informou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel.
O Brasil foi um dos últimos países a abandonar o velho modelo de substituição de importações. A economia nacional foi muito prejudicada por isso. Outros países, principalmente da Ásia, deram o passo adiante nos anos 70 e 80. Passaram a absorver tecnologia, investiram em pesquisa e adotaram planos de educação ambiciosos e bem elaborados, preparando-se para conquistar espaços no mercado internacional. A Coreia do Sul foi um desses países. Absorveu e desenvolveu conhecimentos e tornou-se uma potência industrial e comercial adaptada a seu tempo. Enquanto isso, o Brasil pagava pelo fracasso da reserva de mercado para informática e entrava nos anos 90 com uma indústria de carroças motorizadas.
Nos anos 80 e em boa parte dos 90, o setor mais dinâmico da economia brasileira foi o agronegócio. Não por acaso, a modernização ocorreu mais prontamente naqueles segmentos mais voltados para o mercado internacional, como a produção de soja e derivados e a criação de animais para a exportação de carnes. Empenhados em disputar com os melhores produtores do mundo, os empresários envolvidos nesse trabalho tiveram de ajustar sua atividade aos níveis mais altos de eficiência, em vez de se refugiar no conforto de um mercado protegido. As instituições de pesquisa, com a Embrapa em posição central, tiveram um papel decisivo nesse esforço.
A abertura da economia brasileira, na virada dos anos 80 para os 90, foi um primeiro esforço de adaptação às mudanças globais. Os empresários com visão de maior alcance haviam começado a investir em modernização antes da abertura. Esses foram capazes de resistir ao impacto da mudança. A própria indústria automobilística adotou novas políticas, embora parte de sua produção tenha continuado defasada em relação aos padrões mundiais. Mas o Brasil jamais completou a sua inserção na economia globalizada. Os avanços na educação e na criação de tecnologia foram insuficientes, principalmente porque faltou uma clara e realista definição de prioridades. A infraestrutura continuou deficiente e inadequada e os custos de logística permanecem absurdamente altos. O sistema tributário é um desastre, porque onera o investimento, a produção e a exportação.
O Brasil não precisa de um novo regime automotivo nem de regras de conteúdo mínimo. Precisa de melhores condições para produzir e competir. Empresas poderão cumprir exigências de conteúdo nacional, num mercado protegido, sem tornar o País mais competitivo. Fala-se, em Brasília, de possível diminuição de impostos, como parte do regime automotivo, para quem investir em tecnologia. Nisso, pelo menos, há uma semente de bom senso. Mas seria muito mais sensato adotar uma política ampla de estímulo ao desenvolvimento tecnológico, em todos os setores, como parte de uma estratégia de modernização.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade, apoiou a exigência de maior conteúdo nacional para os automóveis e ainda propôs uma alteração dos cálculos, para atribuição de maior peso aos componentes estritamente industriais. Daria uma contribuição muito melhor se cobrasse uma política de modernização produtiva e rejeitasse o ranço das políticas do passado. A CNI já produziu ideias mais luminosas.
ESTADÃO

O pessimismo da indústria


O otimismo com que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fala da atual situação da economia brasileira e de suas perspectivas para os próximos meses contrasta com as projeções cada vez mais pessimistas do empresariado, sobretudo do setor industrial.
Por razões políticas ou por desprezo a dados, o governo insiste em qualificar como meramente incidental a estagnação registrada no terceiro trimestre, razão pela qual continua a prever uma expansão de 4% a 5% do PIB em 2012. Economistas e dirigentes do setor financeiro consultados pelo Banco Central, ao contrário, vêm reduzindo suas previsões e, na pesquisa divulgada na última segunda-feira, a projeção para a expansão do PIB em 2012 caiu para 3,40% (na pesquisa anterior, estava em 3,48%). É mais do que a projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI), de aumento de 3,0% em 2012. A estimativa da Fiesp é mais pessimista, de 2,6%.
O fraco desempenho do setor em 2011 e a perda de competitividade no mercado interno e no exterior, que deteriorou a balança comercial, entre outros fatores negativos, abateram o ânimo dos industriais. A CNI reduziu de 3,2% (dado de julho) para 1,8% sua previsão de crescimento do PIB industrial neste ano. Com relação especificamente à indústria de transformação, a Fiesp calcula que o crescimento deve ficar em 0,9% neste ano; com uma pequena melhora, a expansão em 2012 poderá chegar a 1,5%. Seria um crescimento insuficiente para mudar a tendência da balança comercial da área de manufaturados, que, neste ano, deve registrar déficit de US$ 100 bilhões, de acordo com a Fiesp.
Embora não tão pessimistas quanto os da indústria, outros cálculos para o PIB de 2011 e outras projeções para 2012 também contrastam com os do governo.
Na semana passada, diante da evidência dos dados mais recentes, o ministro Guido Mantega admitiu que, em 2011, o PIB não crescerá 3,8% como vinha sendo previsto pelo governo (a previsão foi mantida no boletim do Ministério da Fazenda - Economia Brasileira em Perspectiva, que manteve também a estimativa de aumento de 5% em 2012). Mesmo a nova previsão do ministro, de que o PIB crescerá 3,2% em 2011, porém, é mais otimista do que a mais otimista estimativa do empresariado.
Na terça-feira (13/12), o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Vasconcelos, fez uma previsão um pouco mais modesta do que a do ministro, de crescimento "em torno de 3%" neste ano. Mas nem esse número deverá ser alcançado.
Instituições financeiras do exterior têm observado que, embora disponham de forte poder de reação, os países emergentes não estavam nem estão imunes aos problemas da Europa. A desaceleração foi observada nos principais países emergentes. Os efeitos da crise externa ainda não foram superados nesses países, entre os quais o Brasil. Isso torna mais remota a possibilidade de o PIB crescer 3% em 2011, pois, para isso, no último trimestre, o crescimento deve ser de pelo menos 0,8% em relação ao trimestre anterior, expansão que dificilmente será alcançada. A agência Fitch reduziu sua previsão do crescimento neste ano para 2,8%, a mesma projeção feita pela indústria e por economistas de diversos bancos.
A desaceleração dos últimos meses deverá afetar o desempenho da economia brasileira no início de 2012. Quanto a novos estímulos à atividade econômica, a alta do salário mínimo, a maior dos últimos seis anos, começará a produzir efeito no início do próximo ano. Mas medidas recentes adotadas pelo governo para estimular o consumo produzirão efeitos mais notáveis só no fim do primeiro semestre.
Na segunda metade do ano, se a crise mundial não se agravar, o ritmo de crescimento poderá se acelerar. Por isso, as previsões mais frequentes para o PIB brasileiro em 2012 convergem para 3,5%, mais do que a previsão da CNI e da Fiesp, mas bem menos do que os 4% ou 5% que permanecem nas projeções otimistas do governo.
FOLHA

A 'marola' da crise já chegou às nossas praias


MARCO ANTONIO, ROCHA, JORNALISTA - O Estado de S.Paulo
A marcha da economia brasileira neste momento indica duas coisas: 1) ela está na banguela e vai despencando; 2) ela já esteve na banguela e anda devagar porque chegou numa rampa, lotada de encargos.
As duas coisas podem ser verdadeiras.
Os números são adversos. O chamado "PIB do BC" - na prática uma avaliação mensal do andamento do Produto Interno Bruto feita pelo Banco Central e que, projetada, ajuda a estimar o PIB do ano - registrou retração de 0,32% no mês de outubro, em comparação com setembro, pior do que muitos economistas previam.
O fato foi logo atribuído à "crise internacional" por vários comentaristas, mas, na verdade, o gráfico do PIB do BC mostra que ele já vinha caindo, depois de ter alcançado um pico antes do início do segundo semestre. A queda de outubro apenas foi mais dramática. E, em virtude dela, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que apostava num crescimento de 3% do PIB em 2011, já cortou sua previsão para 2,8%. Do alto das minhas humildes sandálias, ouso ir além, ou seja, abaixo: o PIB de 2011, acredito, não deve superar os 2%. Palpite que só poderá ser confirmado, na melhor das hipóteses, no final do primeiro trimestre de 2012, dado o proverbial atraso das aferições estatísticas confiáveis no Brasil (estão melhorando, estão melhorando!).
Bem, o que está acontecendo na prática é que a economia brasileira parece que hoje em dia está mais "em fase" - como se diz - com a economia internacional, o que não ocorreu na crise de 2008-2009. Naquela época, houve uma defasagem que permitiu ao nosso guia genial dizer, como todos se lembram, que o que se passava na economia internacional era apenas uma "marolinha" que o Brasil não precisava temer. Ao perceber que o País teria muito a temer, e que não se tratava de "marolinha", o grande gênio pediu que se improvisassem medidas anticíclicas, que de fato levaram a economia brasileira para fora do desastre. Mas a diferença principal daquela crise, em relação à atual, é que ela era eminentemente bancária, provocada por excesso de facilitário creditício e inchaço da inadimplência - ou seja, afetava principalmente o setor bancário privado norte-americano. Nada que o Tesouro ianque não pudesse resolver com gordas injeções de liquidez, como, aliás, acabou fazendo.
A crise de hoje é diferente. Em primeiro lugar, é "soberana" - para usar esse modismo que esconde que se trata de crise das finanças de vários governos europeus e é resultado, fundamentalmente, da ação de governantes ineptos, demagógicos e covardes, assediados sempre por um sindicalismo altamente predador, tanto do lado patronal quanto do lado do trabalhador. Aliás, chamar, hoje em dia, de "trabalhador" um europeu com carteira assinada e sindicalizado é quase cuspir na cara dos trabalhadores do resto do mundo. A grande maioria desfruta de momentos de conversação amena nos locais de trabalho, vigiando a massa de imigrantes não sindicalizados que de fato trabalham.
Os déficits e dívidas monstruosos de vários governos europeus são o que se poderia esperar da falta de competência e coragem - na Grécia, na Espanha, em Portugal, na Itália e onde mais - de resistir aos vorazes comensais das pizzas orçamentárias: aposentados; funcionários públicos; assalariados de empresas públicas; mutuários e beneficiários de benesses governamentais especiais criadas pelos mais diversos títulos; máfias de empreiteiros e de empresas de equipamentos militares; bancos de investimento - enfim, a imensa clientela dos orçamentos públicos (sem esquecer, é claro, dos corruptos de diversos calibres).
Os governos da Europa que 50 anos atrás eram padrão mundial de higidez financeira e fiscal se transformaram na cornucópia de uma derrama praticamente sem limites a desafiar qualquer cálculo atuarial. A ponto de não poder saber por onde começar para consertar alguma coisa. E a moeda única, o euro, ainda por cima opera como uma espécie de vírus disseminador do quebra-cabeças.
Se juntarmos à desordem financeira a crise maior, que é a da liderança política europeia atual, em que nenhum dos fantoches em movimento exibe o menor perfil do que antigamente se chamava de estadista - e mais se parecem, todos, com anões de jardim -, é fácil prever que essa crise terá longuíssima duração, e nada garante que não se aprofunde ainda mais.
Voltemos ao Brasil.
A população está satisfeita porque está podendo consumir mais e viver melhor. O governo está satisfeito porque está arrecadando mais e dispõe de um colchão de reservas cambiais e bancárias para usar em caso de baque na economia. O empresariado está menos otimista do que quando o ano começou, mas ainda aposta em melhorias. Os políticos cuidam da sua especialidade, que consiste em encher os bolsos e a paciência do público.
Mas a queda do PIB de outubro foi um sinal de que a "marola" está chegando às nossas praias e em 2012 a economia brasileira enfrentará muito mais rampa.
ESTADÃO

Indústria para baixo e demanda para cima é como vício: prazeroso no ato, com sequelas duradouras


Desde 2008, enquanto o PIB avançou 7,8%, puxado pelo crescimento de 14,2% do consumo, a produção de manufaturados acumulou queda de 3% nestes três anos.

Antonio Machado
 
 A ênfase do governo em sustentar por todos os meios uma taxa de crescimento da economia de 4,5% a 5% em 2012, meta do ministro Guido Mantega que a presidente Dilma Rousseff avalizou na sexta-feira, ao receber os jornalistas lotados no Palácio do Planalto, sinaliza a continuidade da política econômica que vem do governo Lula, focada mais na expansão do consumo que do investimento.


 Sem derrocada do euro ou um pouso abrupto da economia da China, tais prognósticos devem se cumprir, embora, por ora, o consenso entre economistas e empresários leve a um cenário mais discreto para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), com o ritmo de crescimento vindo de algo como 3% este ano para 3,5% a 4%.


 Nestas simulações, a inflação não volta à meta central de 4,5%, mas ficaria abaixo do teto do intervalo de variação, 6,5%, que é o resultado mais provável para este ano. A depreciação cambial, portanto, estaria descartada, com o real forte voltando a apoiar o Banco Central contra a inflação. A taxa mais ouvida é R$ 1,75.


 Em contrapartida, a Selic pode continuar desinflando, estando ambos os movimentos, juros e câmbio, sintonizados com a retomada do crescimento pelo consumo - função de crédito fácil e de renda disponível e emprego, no mínimo, mantidos nos patamares atuais.


 O real depreciado, nestes termos, afronta a elevada avaliação que a presidente continua a receber, conforme a última pesquisa do Ibope, e nada indica que queira contradita-la. Ao contrário.


 O resultado final em 2012, baseado em tais pressupostos, deverá ser a volta do que os economistas do Morgan Stanley batizaram de “descompasso do crescimento” – a demanda doméstica relativamente aquecida em contraponto às dificuldades da indústria. A taxa de câmbio apreciada em relação aos custos de produção (de impostos a salários, dos serviços de infraestrutura ineficientes e caros à burocracia regulatória) rasga uma avenida para as importações.


 A economia com tal direcionamento leva a três resultados.


 Para Dilma, o PT e os partidos da base aliada, permite contar com os votos da percepção de bem-estar pelo eleitor, questão-chave nas eleições municipais marcadas para outubro.


 Para os analistas do mercado financeiro, projeta a expectativa de repique da Selic no fim de 2012.


 Para economistas atentos aos ciclos do crescimento, amplia-se o risco de que aumente a dependência das commodities e do viés de enfraquecimento da indústria de manufaturados.


Qualidade do crescimento


 O cenário de indústria para baixo e demanda para cima é como o vício: prazeroso em tempo real, mas deixa sequelas para o resto da vida. É por isso que o economista Arthur Carvalho, do Morgan Stanley, diz que “a qualidade do crescimento é mais importante que a manchete sobre o número de 3,5% de crescimento do PIB”, a sua primeira projeção para 2012.


 De linha desenvolvimentista, o economista do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Industrial), Júlio Gomes de Almeida, reflete no mesmo tom. “Mais importante do que o quantitativo do desempenho econômico é a estrutura desse crescimento”, diz Julinho, como é conhecido.


Colhe-se o que se planta


 Almeida fez um exercício interessante: comparou o crescimento do PIB no terceiro trimestre com seu equivalente em 2008. De lá para cá o PIB cresceu 7,8%. Superou o período mais crítico, ele avalia, mas cresceu menos que os emergentes, como China e Índia.


 E isso por quê? Porque, ao contrário do padrão asiático, aqui o consumo de famílias, que cresceu 14,2% nestes três anos, puxou a expansão do PIB, cabendo ao investimento, com aumento de 11,8%, papel subsidiário.


 Exportações, diz ele, apesar de “toda pujança do agronegócio e da mineração”, cresceram 5,1%, “sucumbindo ao fraco aumento das exportações de manufaturados”. Já as importações, “também manifestando a frágil competitividade da indústria”, tiveram acréscimo “elevadíssimo”, de 31,7%.


Pobre, com pinta de rico


 O padrão da economia movida a consumo não deve mudar, já que o governo está ansioso com o crescimento e fazendo assim pode ter resultado mais rápido. “Só que uma economia que consome muito e tira daí o seu potencial de crescimento, além de investir apenas para o gasto”, como afirma Almeida, não está se desenvolvendo.


 O que está em curso, também devido à “dinâmica exportadora modesta e restrita ao setor primário, além de altamente importadora”, é a “desindustrialização precoce, com especialização em economia de serviços”. Países ricos passam bem assim. Não é o nosso caso.


Manufatura em retração


 Um padrão de crescimento como esse impacta a estrutura setorial da economia. A liderança do consumo, avalia Almeida, fez a festa do setor de serviços, que cresceu 8,8% nos últimos três anos. O comércio avançou 9%, e o setor financeiro, 21,8%.


 Para servir à demanda, a oferta foi um fiasco. A produção agropecuária, também em três anos, cresceu 5,4%, e a da indústria, pífios 2,8% - e isso graças ao setor mineral e ao boom da construção civil.


 Sem tais atividades, tem-se a tal indústria manufatureira ou de transformação (carros, têxteis, eletrônicos), onde estão os bons empregos e a inovação tecnológica. Ela acumula queda de 3% desde 2008. Se o desenvolvimento vem daí, o modelo deve ser revisto.


CIDADE BIZ

Investimentos em mineração têm alta de US$ 40 bilhões em 2011


O forte aumento da demanda de metais e minérios marcou o ano de 2011 e proporcionou um incremento anual de US$ 40 bilhões nos investimentos das mineradoras ao redor do globo.

O preço recorde do ferro, ouro e outras matérias-primas permitiram aos grupos de mineração a obtenção de recursos que foram rapidamente investidos em novos projetos em distintas partes do mundo, dizem analistas do setor.

"A maioria das empresas mineiras saíram da crise financeira mundial com balanços muito sólidos", disse Warren Edney, analista do sector no RBS (Royal Bank of Scotland). "Com todo esse dinheiro, podem investir muito", completou.

Os gastos para investimento dos grupos de mineração alcançaram a soma recorde de US$ 140 bilhões no mundo este ano, contra US$ 100 bilhões um ano atrás e menos de US$ 40 bilhões em 2003, segundo o banco RBS.

A alta dos preços das matérias-primas, no entanto, não foi tão sensível no segundo semestre, mas ainda assim a expectativa do mercado é de que os grupos mineiros continuarão prosperando.

"A tendência da demanda de longo prazo continua sendo positiva", disse em novembro Tom Albanese, diretor do gigante anglo-australiano Rio Tinto.

"O crescimento na China está longe de acabar e, graças a nossa tesouraria, continuamos investindo (...) para poder responder à demanda no futuro", afirmou.

A Rio Tinto prevê investir US$ 12 bilhões em 2012 e a empresa brasileira Vale planeja realizar investimentos por um total de US$ 19 bilhões.

Na segunda-feira, a Vale anunciou investimento US$ 5,930 bilhões na província argentina de Mendoza (oeste).

O investimento será feito ao longo de 30 meses e estará destinado a construir o "Complexo Mineiro Industrial de Potássio Rio Colorado", em Malargüe, que permitirá a criação de 12 mil empregos e o recondicionamento de 900 km de ferrovias, segundo a presidência argentina.

Em alguns países, no entanto, os investimentos no setor provocaram tensões sociais e muita preocupação por seu impacto sobre o meio ambiente.

No Peru, um projeto de mineração tem sido fortemente questionado. A polícia peruana liberou nesta quarta-feira o dirigente Wilfredo Saavedra, presidente da Frente de Defesa Ambiental de Cajamarca, que havia sido detido na terça-feira junto a outras cinco pessoas e levado à sede da Departamento Contra o Terrorismo (Dircote) de Lima.

Saavedra e os cinco dirigentes foram presos na tarde de terça-feira quando saiam do Congresso, após a rejeição da população de Cajamarca ao projeto aurífero Conga da americana Newmont, por considerar que ele atenta contra as fontes de água da região, vitais para a agricultura e a pecuária.

Na Índia - grande potência emergente da Ásia, junto com a China - a Corte Suprema proibiu em julho passado toda extração no Estado de Karnataka (sul), após descobrir um desmatamento massivo e outras destruições ambientais nesta região, que conta com importantes reservas de ferro.

FRANCE PRESS/FOLHA

Inadimplência na Espanha bate maior nível desde 1994


Os créditos em atraso dos bancos espanhóis, um indicador importante de sua vulnerabilidade, alcançaram em outubro seu nível mais alto desde novembro de 1994, conforme estatísticas publicadas pelo Banco da Espanha (o banco central do país) nesta segunda-feira.

Os créditos de pagamento duvidoso, constituídos principalmente pelas operações de financiamento imobiliário com maiores chances de atraso, atingiram € 131,9 bilhões em outubro, o que representa 7,42% do total da carteira de crédito do setor bancário, frente a 7,16% em setembro e 7,14% em agosto.

O setor bancário espanhol, debilitado após a explosão da bolha imobiliária em 2008, é um dos focos de preocupação dos mercados a respeito da saúde financeira do país.

FRANCE PRESS/FOLHA

Montadora sueca Saab declara falência


A montadora sueca Saab declarou falência formalmente nesta segunda-feira, anunciou um tribunal, ao fim de um longo processo de dois anos para tentar salvar a marca.

"Executivos da Saab compareceram à sede do tribunal nesta manhã e apresentaram os documentos para pedir que sejam considerados em falência", afirmou à AFP uma fonte da corte do distrito de Vaenersborg. O tribunal examina o pedido.

O site do tribunal informou em uma nota que três empresas ligadas a Saab apresentaram os documentos: SAAB Automobile Aktiebolag, Saab Automobile Tools AB e Saab Automobile Powertrain.

"A corte pretende analisar os pedidos e indicar um representante do processo rapidamente", afirma uma nota do tribunal.

O diretor gerente da Saab, Victor Muller, deve comparecer à corte, ao mesmo tempo que os juízes decidirão se mantêm ou cancelam a proteção contra a falência de três meses a favor da Saab que foi implementada durante as negociações para salvar a empresa.

Muller enfrentava problemas para conseguir um acordo que permitisse salvar a Saab da quebra e centrava as negociações com dois grupos chineses, a montadora Youngman e a distribuidora de veículos Pang Da.

FRANCE PRESS/FOLHA

Anistia Internacional teme que Kim Jong-un intensifique repressão na Coreia do Norte


A organização AI (Anistia Internacional) afirmou nesta segunda-feira que a morte do ditador Kim Jong-il abrirá uma oportunidade para melhorar "o histórico catastrófico dos direitos humanos" na Coreia do Norte, apesar de acreditar que seu sucessor, Kim Jong-un, possivelmente intensifique a repressão.

A AI apontou que no último ano as autoridades do regime comunista executaram ou enviaram para campos de concentração "centenas de pessoas vistas como uma ameaça para a sucessão de Kim Jong-un, filho mais novo de Kim Jong-il".

"As informações do último ano indicam que Kim Jong-un e seus partidários vão tratar de consolidar o novo mandato intensificando a repressão e diminuindo qualquer possibilidade de oposição", indicou Sam Zarifi, responsável na região da Ásia-Pacífico.

Segundo Zarifi, "Kim Jong-il, assim como seu pai, deixou milhões de norte-coreanos na pobreza, sem acesso aos alimentos e a saúde, e com milhares de pessoas aprisionadas em brutais campos de concentração".

A organização lembrou que em 1994, quando Kim Jong-il assumiu o poder após morte do pai - Kim II-sung, o fundador do regime norte-coreano -, milhares de pessoas foram presas, sendo que os opositores políticos foram executados "em segredo ou publicamente, isso após julgamentos injustos e, inclusive, sem julgamentos".

A AI reivindicou a melhora da situação dos direitos humanos na Coreia do Norte, com a imediata libertação dos presos políticos, o fim da tortura e das execuções sumárias e garantias para a liberdade de expressão e religião no país.

Ao mesmo tempo, a organização defensora dos direitos civis, com sede em Londres, pediu ao regime norte-coreano e aos doadores internacionais que garantam alimentos aos mais necessitados no país comunista, onde quase um milhão de pessoas morreram desde os anos 90 por falta de comida.

"A população da Coreia do Norte não deveria sofrer mais privações por causa da incerteza política", assinalou AI, que insistiu em que um terço da população da Coreia do Norte sofre com a falta de alimentos e possuem problemas para receber saneamento básico.

"A Anistia Internacional recebeu relatórios de gente que sobrevive comendo erva e cortiças de árvore, sobre o uso de seringas não esterilizadas e sobre muitas cirurgias realizadas sem anestesia", completou a associação.

EFE/FOLHA

Unctad critica 'ideologia da austeridade' na Europa


As ideologias que propugnam a austeridade fiscal e que dominam o discurso político europeu são o principal obstáculo para sair da crise atual, afirmou nesta segunda-feira o economista da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento), Heiner Flassbeck.

"Todos [os países] têm recursos suficientes [para sair da crise] mas estão bloqueados por certas ideologias e uma fobia à dívida pública, que é a razão pelo qual a União Europeia não tem sido capaz de ajudar de maneira estruturada os países com problemas", disse o chefe da Divisão de Globalização e Estratégias de Desenvolvimentos do organismo.

Em uma conferência de imprensa para apresentar as estatísticas atualizadas da Unctad, o economista afirmou que os países europeus, Estados Unidos e Japão, principalmente, estão sob risco de cair numa "recessão profunda ou na estagnação [econômica] permanente".

Seu pessimismo, acrescentou, está baseado no fato de que o componente mais importante da economia, o consumo privado, está deprimido e vai seguir dessa forma como consequência das altas taxas de desemprego e da pressão sobre os salários reais, que foram deprimidos, e no melhor dos casos, estão estagnados.

EFE/FOLHA

Jornais da Geórgia pedem a presidente que 'não mate a imprensa'


Praticamente todos os jornais da Geórgia pediram nesta segunda-feira, na primeira página de suas publicações, que o presidente do país, Mikheil Saakashvili, "não mate a imprensa", que agoniza financeiramente pelo desaparecimento da quase totalidade das bancas de jornais da capital georgiana.

"Presidente Saakashvili, não mate a imprensa", titularam quase todas as manchetes do país para explicar que, no último mês, sobraram poucos dos 150 quiosques de jornal que havia em Tbilisi.

O redator-chefe do jornal "Resonansi", Lasha Tugushi, escreveu na edição desta segunda-feira que "este ataque reacionário das autoridades contra a imprensa livre se explica pela proximidade das eleições parlamentares".

Segundo publicaram os principais jornais do país, tanto as publicações como as distribuidoras de encontram à beira da bancarrota pela polêmica campanha de reordenação do mercado iniciado pela prefeitura da capital.

As autoridades municipais iniciaram em novembro uma campanha pública chamada "Mil quiosques novos", pela qual ordenaram o desmantelamento de todos os pontos de venda de jornais para substituí-los por outros novos, cuja exploração foi definida por meio de disputas públicas.

As primeiras disputas pela exploração dos novos pontos de venda já foram realizadas e foram vencidas, segundo o "Resonansi", por grandes companhias próximas das autoridades do país.

Apesar de a prefeitura afirmar que a medida visa incentivar a atividade de pequenas e médias empresas e que os vencedores poderão vender jornais e revistas, a imprensa lembra que a venda de publicações escritas não será obrigatória nos novos quiosques.

REUTERS/FOLHA

Príncipe saudita Alwaleed investe US$ 300 mi no Twitter


O bilionário príncipe saudita Alwaleed bin Talal, que investe em algumas das maiores companhias do mundo, revelou nesta segunda-feira ter adquirido participação acionária de US$ 300 milhões no site de microblogs Twitter, o que aumenta sua influência sobre o setor mundial de mídia.

Alwaleed, sobrinho do rei saudita e detentor de uma fortuna pessoal avaliada em pouco menos de US$ 20 bilhões pela revista "Forbes", em março, já detém participação de 7% na News Corp e quer criar um canal a cabo de notícias.

A participação no Twitter, adquirida em sociedade por Alwaleed e sua companhia de investimento Kingdom Holding Co, resultou de "meses de negociações", segundo a Kingdom. 

As ações da companhia subiram em 5,7% na abertura do pregão saudita, o que expressa a aprovação dos investidores a uma transação em um setor visto como de alto crescimento.

Se for aplicada avaliação de mercado que alguns analistas utilizam para o Twitter, de US$ 8 bilhões, o investimento de Alwaleed e da Kingdom equivaleria a uma participação de 3,75% no site.

"Nos últimos anos, o príncipe Alwaleed está se esforçando para ampliar sua presença nos setores de telecomunicações e tecnologia", disse Hesham Tuffaha, vice-presidente de gestão de ativos no Bakheet Investment Group, em Riad.

"Um dos poucos setores a registrar crescimento significativo de receita nos últimos três anos foi o de tecnologia, o que explica que a Kingdom tenha escolhido o Twitter para ampliar seu diversificado portfolio", acrescentou.

O uso do Twitter ajudou na disseminação de informações na "Primavera Árabe", a série de revoltas que abalou o Oriente Médio e o norte da África este ano.

A Arábia Saudita conseguiu controlar os primeiros indícios de insatisfação entre seus habitantes ao anunciar um pacote de US$ 130 bilhões em gastos sociais.

REUTERS/FOLHA

Norte-coreanos vão às ruas em homenagem a Kim Jong-il; filho será sucessor


Milhares de norte-coreanos foram às ruas de Pyongyang nesta segunda-feira para prestar homenagem ao ditador Kim Jong-il, morto no último sábado (17) após sofrer um ataque cardíaco. Em meio ao clima de luto, muitos cidadãos choram intensamente, se ajoelham no chão, e alguns chegam até mesmo a desmaiar por sentir a morte do seu "querido líder".

Crianças e adultos deixaram flores em homenagem ao ditador em memoriais montados pela cidade. "Como algo tão cruel pode ter acontecido? Por favor, volte, general. Não acreditamos que você se foi", disse a norte-coreana Hong Son Ok durante entrevista à TV estatal.

"Ele morreu muito repentinamente, para nossa profunda tristeza", disse a agência estatal norte-coreana em um comunicado. "O coração de Kim Jong-Il parou de bater, mas seu nome notável e sua imagem benevolente será lembrada sempre pelo Exército e pelo povo".

Algumas horas após a comunicação da morte, Kim Jong-un, filho mais novo de Kim Jong-il, foi anunciado como o "grande sucessor do sistema revolucionário" da Coreia do Norte pela agência estatal KCNA.


Há cerca de um ano, Kim Jong Il havia indicado que Kim Jong Un deveria sucedê-lo. "Não haverá emergência [na Coreia do Norte], pelo menos nos próximos meses", disse Baek Seung-joo, do Instituto de Análises da Defesa da Coreia do Sul.

A morte do ditador deve prejudicar os esforços dos Estados Unidos para que Pyongyang abandone seu programa de armas nucleares, já que o successor pode tentar passar uma imagem de força para se consolidar no poder.

O Exército sul-coreano entrou em alerta após a notícia da morte de Jong-il, que ficou 17 anos no poder. O presidente americano, Barack Obama, conversou por telefone com o colega sul-coreano, Lee Myung-bak, e prometeu monitorar de perto a situação.

EUROPA

Líderes europeus pedem que os norte-coreanos retomem as negociações para parar com seu programa de desenvolvimento de tecnologia nuclear, e dize estar "acompanhando" a situação do país. As autoridades alemãs pediram aos sucessores de Kim Jong-il no comando da Coreia do Norte que iniciem um processo de democracia e melhorem as condições de vida da população.

Algumas horas após a comunicação da morte, Kim Jong-un, filho mais novo de Kim Jong-il, foi anunciado como o "grande sucessor do sistema revolucionário" da Coreia do Norte pela agência estatal KCNA.

Um porta-voz do Executivo afirmou em um encontro com a imprensa em Berlim que é importante melhorar o nível de vida da população e que o país abandone a atual situação de pobreza. O governo alemão também pediu que o programa nuclear seja interrompido. Kim Jong-il fez dois testes nucleares subterrâneos em 2006 e 2009.

Na França, o ministro das Relações Exteriores, Alain Juppé, afirmou que não compartilha a tristeza expressada por Pequim pela morte de Kim Jong-il, ao mesmo tempo em que manifestou seu desejo de que a Coreia do Norte recupere a liberdade.

JAPÃO E CHINA

O Japão ofereceu suas condolências à Coreia do Norte pela "repentina morte". O porta-voz japonês, Osamu Fujimura, disse esperar que isso "não afete a paz e a segurança na península coreana".

As autoridades chinesas, por sua vez, ofereceram suas "profundas condolências" pela morte do norte-coreano, destacando que foi um "bom amigo" da China. O regime comunista assegurou que Pequim continuará apoiando Pyongyang para "salvaguardar a paz e a estabilidade" na região.

"A notícia do falecimento do camarada Kim nos impactou. Oferecemos ao povo da República Popular Democrática da Coreia nossas condolências. Foi um grande líder e um bom amigo", assinalou na entrevista coletiva diária o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Liu Weimin.

Em Taiwan, o Ministério das Relações Exteriores formou um grupo especial de acompanhamento da situação da Coreia do Norte e da segurança na Ásia Oriental. "Também estamos em contato com os taiwaneses que moram na Coreia do Norte e Coreia do Sul para ver como protegê-los", disse o porta-voz, James Chang.

Na ilha, existe preocupação sobre os possíveis efeitos desestabilizadores na Ásia Oriental da morte de Kim e sobre o impacto na China, que é ao mesmo tempo o principal parceiro comercial e o máximo "inimigo político" de Taiwan.

FOLHA

luishipolito@outlook.com

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