terça-feira, 3 de maio de 2011

Giovanna Antonelli aparece mais magra durante corrida

A atriz Giovanna Antonelli apareceu para a correr na praia da Barra da Tijuca, no Rio, e aparentou estar mais magra.

Antonelli, 35, foi vista se exercitando em novembro com um visual mais robusto.

A atriz teve duas filhas gêmeas em outubro, com o diretor Leonardo Nogueira. A atriz também é mãe de Pietro, 5.

A assessoria da atriz não quis informar quantos quilos ela emagreceu. FOLHA

Will Ferrell beija ator na boca em jogo de basquete

O comediante Will Ferrell beijou na boca o ator John C. Reilly durante o jogo do Los Angeles Lakers, na última segunda-feira.

O beijo aconteceu durante um momento do jogo em que casais são encorajados a se beijarem.

Ferrell e Reilly contracenam no filme "Quase Irmãos", dirigido por Adam McKay ("Os Outros Caras"), de 2008.

Vários famosos compareceram ao jogo, entre eles, Ben McKenzie, Eddie Murphy, Jennifer Carpenter e January Jones. FOLHA

Rachel Weisz vai interpretar bruxa em novo "O Mágico de Oz"

A atriz Rachel Weisz deve interpretar a bruxa do novo "O Mágico de Oz", que será produzido pela Disney.

O filme vai se chamar "Oz: The Great and Powerful", e ainda não tem data de estreia.

O longa deve contar a história anterior ao filme mais conhecido, de 1939, mostrando como o mágico chegou à Oz.

Além de Weisz, estão no elenco do filme, dirigido por Sam Raimi, os atores James Franco ("127 Horas") e Mila Kunis ("Cisne Negro").

Após a desistência de Robert Downey Jr. e Johnny Depp, Franco será Oz. Já Weisz vai interpretar Evanora, uma poderosa bruxa que quer dominar o mundo. Ela tenta seduzir a irmã, Theadora (Kunis), para o lado negro. FOLHA

Gisele Bündchen diz que não liga para corte de cabelo do marido

A modelo brasileira Gisele Bündchen disse na última segunda-feira, durante o baile do Costume Institute, no Metropolitan Museum of Art, que não liga para o corte de cabelo do marido, o jogador Tom Brady.

As informações são do site da revista de celebridades "People".

Nos últimos meses, o jogador tem causado controvérsia ao aparecer com os cabelos mais compridos e, às vezes, usando rabo de cavalo.

"É escolha dele. Ele faz o que quer, e eu o amo de qualquer jeito. Baixo, careca, gordo. Está tudo bem", disse Gisele. FOLHA

Pierre Cardin quer vender seu grupo por 1 bilhão de euros

O estilista francês Pierre Cardin, cujo nome se transformou em uma famosa marca e uma grande empresa, disse que estaria disposto a vender seu grupo por 1 bilhão de euros, soma superior à avaliação feita por bancos.

"Quero vender agora", disse o estilista em uma entrevista publicada no site do jornal americano Wall Street Journal.

"Sei que não estarei mais aqui dentro de alguns anos, mas os negócios devem continuar", disse o estilista, 88, que não tem herdeiros.

Cardin coloca apenas uma condição para a venda do grupo: que seja mantido à frente da criação artística.

"Quero continuar sendo diretor de criação. Em nome do interesse e da reputação da marca", disse Cardin, primeiro estilista a ter lojas no Japão, em 1957, e a desfilar em Pequim, em 1979.

O preço exigido por Pierre Cardin é muito superior à avaliação dos bancos, que estimam o preço do grupo em 'apenas' 200 milhões de euros. As vendas da marca Cardin não são conhecidas, já que a sociedade não é obrigada a publicá-las, já que tem cotação em bolsa de valores.

"Uma marca como Cardin não pode ser avaliada como uma marca comum, porque depende de licenças, no que foi pioneira", disse Pierre Mallevays, do gabinete especializado Savigny Partners. "O preço é determinado multiplicando o montante dos direitos cobrados pelo grupo", explicou Mallevays.

Na França, onde Cardin emprega 450 pessoas, a marca é dona de uma só loja, mas administra entre 500 e 600 licenças em todo o mundo. A licença é um contra pelo qual Cardin confia a fabricação de seus produtos a uma empresa em troca dos direitos de uso de seu nome. Dessa forma, o nome de Cardin ou de seu restaurante Maxim's de Paris estão associados a uma surpreendente variedade de produtos, de água mineral a perfumes.

Para Mallevays, "financeiramente, Pierre Cardin é um bom negócio pois todas as licenças geram muito lucro".

Até agora não há um comprador em potencial, mas não há dúvidas de que o grupo vai despertar ambição. O grupo americano Iconix Brand poderia se apresentar como comprador, segundo fontes próximas da marca.

Também são cotados os grandes grupos franceses de luxo, LVMH e PPR, em concorrência permanente, "pois querem controlar as marcas que exploram", dizem os especialistas.

Em 2009, Cardin, que faz parte dos cinco franceses mais famosos do mundo, vendeu 32 licenças têxteis e de acessórios na China -mas não sua marca- às sociedades Jiangsheng Trading Company e Cardanro, por 200 milhões de euros. FRANCE PRESS/FOLHA

Lucro da CSN sobe 38% no trimestre

A Companhia Siderúrgica Nacional encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 616 milhões, alta de 38% sobre igual período de 2010.

Segundo a companhia, o crescimento nos ganhos ocorreu "basicamente em função do melhor resultado operacional dos segmentos de siderurgia e mineração, aliado a reduções nas despesas gerais, administrativas e em Outras Receitas e Despesas", disse a empresa em comunicado.

A empresa registrou uma geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 1,529 bilhão, avançando 19% na comparação anual. No período, a margem ficou estável em 40%.

A média de cinco previsões de analistas obtidas pela Reuters indicava um lucro líquido de R$ 697,14 milhões e Ebitda de R$ 1,566 bilhão.

A companhia, que recebe um forte impulso de sua área de mineração, produziu 1,132 milhão de toneladas de aço bruto de janeiro a março, queda de 4% sobre um ano antes.

As vendas totais de aço, tanto no mercado interno quanto no externo, totalizaram 1,22 milhão de toneladas, numa baixa de 3% na comparação anual.

A receita líquida somou R$ 3,789 bilhões ante R$ 3,185 bilhões no mesmo período de 2010 e R$ 3,444 bilhões nos três últimos meses do ano passado.

Enquanto isso, o custo de produção siderúrgica no trimestre passado subiu 8%, para R$ 1,635 bilhão.

A CSN vendeu 6,601 milhões de toneladas de minério de ferro no primeiro trimestre e as exportações da commodity pela CSN e pela unidade Namisa foram de 6,2 milhões de toneladas.

A empresa terminou o trimestre passado com R$ 11,1 bilhões em caixa e uma dívida líquida de R$ 10,6 bilhões, aumento de 61% ante os três primeiros meses de 2010. REUTERS/FOLHA

População mundial será de 7 bilhões em 31 de outubro, diz ONU

A população mundial deve chegar a 7 bilhões em 31 de outubro deste ano e atingir 9,3 bilhões em 2050. No ano 2.100, o número de habitantes no mundo deve ser de 10,1 bilhões, segundo relatório divulgado nesta terça-feira pela  Organização das Nações Unidas (ONU).

As projeções são usadas pela ONU e por suas agências para planejar e provisionar recursos para seus programas que atendem questões que vão das mudanças climáticas até mortalidade maternal.

A ONU disse no relatório que a população deve atingir oficialmente a marca de 6,9 bilhões em 1º de julho. A maior parte do aumento deve vir de países com "alta fertilidade", especialmente na àfrica subsaariana.

A diretora da divisão populacional de ONU, Hania Zlotnik, disse que as projeções dependem da expectativa de taxas de fertilidade e que a população em muitos países está envelhecendo na medida em que os avanços médicos permitem que as pessoas vivam mais e  as famílias optam por ter menos filhos. O TEMPO ONLINE

PF investiga crime de pedofilia pelo Orkut no bairro do Cordeiro, no Recife

A Polícia Federal apreendeu, na manhã desta terça-feira (3), um computador de onde eram postadas fotografias com conteúdo pornográfico infantil na internet, em uma residência no Edifício Alameda Nova Torre, 70, no bairro do Cordeiro, no Recife. A operação decorreu de investigações que apontavam o domínio de IP da máquina como sendo a responsável por postagens de fotografias que violam o Estatuto da Criança e do Adolescente na rede social Orkut.
Além do notebook, foram apreendidos um disco rígido de computador, dois pen drives e várias mídias de cd´s. Ao todo, três equipes em quatro viaturas estiveram envolvidas na ação, que, no entanto, não resultou em prisão. Isso porque o computador, uma vez desligado, foi apreendido para verificação oficial de conteúdo por agentes da polícia civil. "Se estivesse ligado ou com alguém usando, poderíamos alegar flagrante, mas, nesse caso, a questão tem de ser mais minuciosa, até porque o responsável pela postagem tanto pode ser alguém da residência, como algum familiar que pudesse ter acesso ao mesmo", explica o chefe de comunicação da Polícia Federal, Giovanni Santoro. Na casa acessavam o computador principalmente filhos menores, parentes, amigos ou vizinhos que possam ter ligação com a família.
O mandado de busca e apreensão foi expedido pela 4ª vara Criminal da Seção Judiciária de Pernambuco, como resultado de uma ação baseada em informações repassadas pelo Google após um termo de ajustamento de conduta. A pesquisa divulgada pela empresa que administra a página de relacionamento Orkut, detectou a postagem do material contendo conteúdo pedófilo.
Um inquérito policial foi instaurado e todos os materiais serão analisados, inclusive as mídias, para verificação do conteúdo. Eles passarão por perícia técnica especializada e caso seja detectado algum vídeo, foto ou material pornográfico envolvendo criança e adolescente, os responsáveis poderão ser autuados pelo crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O crime de possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente prevê pena de um a quatro anos de prisão.
A ação dá continuidade aos trabalhos realizados pelo Grupo Especial de Combate aos Crimes de Ódio e de Pornografia Infantil na Internet (GECOP), em Brasília, com a parceria de todas as Delegacias e Superintendências Regionais da Polícia Federal por todo o país. Em Pernambuco, já foram alvos de busca por parte da Polícia Federal os bairros de Pontezinha, no Cabo e Ibura, San Martin e Cordeiro, no Recife.
Pedofilia na web - Sete minutos. Este é o tempo médio necessário para adquirir a confiança de uma criança, por meio da internet, e induzi-la a revelar dados pessoais ou suas próprias imagens, da segurança provida de uma tela de computador, muitas vezes não rastreável. A informação, da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, ganha ainda mais força no país que ocupa o quarto lugar do mundo em crimes contra a criança por meio da rede mundial de computadores e que é maioria absoluta em sites de relacionamento como o Orkut, onde 80% dos abusos são realizados. Somente em Pernambuco, são dez inquéritos instaurados pela Polícia Federal desde o início do ano passado e que ainda estão em andamento.


No Brasil, são registradas mais de 2,5 mil denúncias de crimes cibernéticos do gênero todos os dias, em geral, envolvendo crianças entre 4 e 12 anos, em que as meninas são imensa maioria: a proporção é de 10 do sexo feminino para cada 1 do mesculino. Abordagens com cunho supostamente inocentes são mais comuns do que a maioria dos pais possam pensar. Segundo pesquisa da Trend Micro, empresa de segurança em informática dos Estadus Unidos, em todo o mundo o comportamento dos pedófilos se repete quanto à abordagem. 

Para se ter uma ideia, entre as frases mais utilizadas durante a conversa inicial com a criança estão ‘Onde fica o computador em casa?’, ‘Qual sua banda/filme favorita(o)?’, ‘Eu conheço alguém que pode transformar você em modelo’ e ‘Você parece triste, o que aconteceu?’. “Todas essas frases são formas de se tornar mais próximo, amigo da criança e envolvê-la emocionalmente. Por isso, é preciso haver bastante conversa entre pais e filhos para que ao menor sinal de conversa com um estranho, haja uma supervisão de perto”, conclui Santoro. DIÁRIO DE PERNAMBUCO

Morre terceira vítima de acidente entre carreta e carro em Ijuí, no Noroeste

A terceira vítima do acidente registrado no final da tarde desta terça-feira em Ijuí, na Região Noroeste, morreu por volta das 22h. Internada na UTI do Hospital de Caridade da cidade, Martha Thereza Stumpf, 81 anos, não resistiu aos ferimentos.

Terezinha Pertile Leal, 59 anos, morreu no local, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Armelinda Schumann, 79 anos, morreu enquanto recebia atendimento médico no Hospital de Caridade de Ijuí. 

A colisão entre uma carreta e um carro ocorreu por volta das 17h, no km 461 da BR-285, em Ijuí, no noroeste do Estado. De acordo com a PRF, Terezinha e as duas idosas seguiam ára uma consulta médica, em Ijuí. 

Elas estavam em um Fiat/Siena com placa de Santo Ângelo. Por volta das 17h10min, o carro colidiu de lado contra uma Carreta Scania de Curitiba (PR). O motorista do caminhão não se feriu. 

Acostumada a utilizar o carro para levar amigos a consultas médicas e ajudar em serviços bancários, a aposentada Terezinha saiu de casa em Santo Ângelo, nas Missões às 13h. Passou na casa da amiga e ministra da eucaristia, Martha Thereza Stumpf, e após se encontrou Armelinda Schumann, 79 anos, que realizaria mais uma consulta no Hospital de Caridade de Ijuí. 

*Com informações do jornalista Wagner Machado, correspondente da Zero Hora nas Missões. ZERO HORA

Estudante atraiu pai para emboscada e morte na BR-356, diz Ministério Público de Minas Gerais

SÃO PAULO - O Ministério Público de Minas Gerais denunciou Érika Passarelli Vicentini Teixeira, 29 anos, acusada de planejar a morte do pai para receber seguros no valor de R$ 1,2 milhão. Segundo a denúncia, a estudante de direito atraiu o pai para uma emboscada na BR-356, na altura do município de Itabirito, onde ele foi espancado e morto com três tiros por Santos das Graças Alves Ferraz, pai do namorado dela. O namorado de Érika, Paulo Ricardo de Oliveira Ferraz, manteve guarda na rodovia para garantir que o pai não fosse flagrado, garantindo a execução.

O pai de Érika, Mário José Teixeira Filho, foi morto em 5 de agosto do ano passado. Segundo a denúncia do MP, ele era estelionatário e foragido de uma penitenciária, onde cumpria pena em regime semiaberto.

Teixeira Filho havia contratado os seguros no nome da filha. O plano dele era forjar a própria morte para que sua filha recebesse o dinheiro do seguro. Porém, ele desistiu do plano. A desistência teria causado revolta na filha. Érika teria até mesmo ameaçado entregá-lo às autoridades públicas, já que ele era foragido.

A estudante então teria decidido planejar a morte do pai, com a ajuda do sogro e do namorado. A estudante atraiu o pai para o local onde ele foi rendido e morto com três tiros.

Segundo as investigações, telefonemas entre o sogro e o namorado de Érika indicam que eles estiveram no local do crime na hora do assassinato.

Segundo o Ministério Público Estadual, o crime foi por motivo torpe, porque a mandante, filha da vítima, era interessada direta e porque houve dissimulação por parte dela ao atrair o pai ao local do crime.

Érika morava em um condomínio de luxo em Belo Horiconte. Depois da morte do pai, ela foi até o escritório para dar entrada nos papéis do seguro. O funcionário da seguradora desconfiou e avisou a polícia.

O namorado de Érika foi preso e o pai dele se entregou na última sexta-feira. Ambos estão presos, mas a estudante segue foragida.

No último feriado, Érika foi flagrada em uma praia no Espírito Santo. Em reportagem apresentada domingo no Fantástico, ela aparece de cabelos compridos na Praia Grande, no município de Fundão, em imagem gravada por um celular.

Segundo a polícia, Érika é suspeita ainda de participar de uma quadrilha de tráfico de crianças. Durante a investigação, a polícia descobriu uma série de outros crimes envolvendo toda a família.

O pai e a mãe de Érika, Mara Lúcia Passarelli, aplicaram golpes por pelo menos 15 anos: estelionato, formação de quadrilha e falsidade ideológica.

- A forma que a filha agia tem extrema semelhança com o que os pais praticavam os crimes - acredita o delegado. O GLOBO

Rapper do Morro Dona Marta é detido por levar ao ar 'rádio pirata'

RIO - Policiais federais da Delegacia Fazendária detiveram na manhã de desta terça-feira para esclarecimentos o rapper e cineasta Emerson Cláudio Nascimento dos Santos, de 30 anos, conhecido como Mc Fiell, no Morro Dona Marta, em Botafogo. Ele é acusado de levar ao ar a rádio comunitária do morro sem autorização. Todo o equipamento radiofônico que Mc Fiell usava foi apreendido e levado para sede da Superintendência da Polícia Federal no Rio. Segundo a PF, os agentes registraram um termo circunstaciado (infração de baixo potencial ofensivo) porque o Mc não tem a documentação regularizada. Fiell foi liberado no início da tarde.

Não foi a primeira vez em que Mc Fiell se vê às voltas com policiais. Em maio do ano passado, o autor de uma cartilha sobre como deve ser a abordagem policial nas favelas acusou policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro Dona Marta de o terem agredido durante um evento que realizava num bar da comunidade. Segundo ele, 12 policiais invadiram o espaço, desligaram o equipamento de som e, em seguida, o agrediram e o detiveram. Ele fez exame de corpo de delito. O GLOBO

Derrubar a indexação só será possível com sacrifício

O governo, no seu combate à inflação, parece ter dado início a um combate à indexação, que hoje, ao se basear na inflação passada para correção de alguns preços, acaba favorecendo a alta de todos os preços.
A manutenção da indexação é uma herança do tempo da hiperinflação que o Plano Real procurou reduzir com o remédio da generalização da correção monetária, por um certo tempo, e que deu certo. No entanto, embora tivesse sido proibida a correção monetária, no início do Plano Real essa sistemática retornou, aos poucos, à vida econômica do País.
O caso mais ilustrativo dessa volta da indexação foi a decisão sobre a fixação do salário mínimo, que estará vinculado à inflação do ano anterior e ao crescimento do PIB de dois anos antes, o que representa seguramente o maior inconveniente que se podia esperar na vida do trabalhador.
Mas não é o único que sobrevive na economia. Temos também as tarifas de energia elétrica, que estão vinculadas a um duplo indexador: são corrigidas pelo IGP-M, no que se refere aos custos de depreciação e manutenção; e ainda são reajustadas pelo IPCA, que assegura empreendimento sem nenhum risco.
Nossa legislação protege os proprietários de imóveis que podem alugá-los com a correção anual do IGP-M. Naturalmente, nesse clima de correção generalizada, os assalariados reivindicam reajustes pelo menos em razão da inflação medida pelo IPCA. Já os serviços costumam ser reajustados em consequência da inflação presente e futura.
Uma primeira medida seria unificar o indexador, que só poderia ser o IPCA, que mede a inflação oficial e seria útil prever uma deflação progressiva desse indexador, enquanto a inflação ficar acima da meta central fixada pelo Conselho Monetário Nacional.
Naturalmente, o ideal seria conseguir reduzir, a cada ano, a meta fixada para a inflação, para que o sistema de indexação desapareça da memória brasileira. Essas medidas ajudariam seguramente a conter as reivindicações para manter a indexação. No caso dos serviços, reajustes acima da inflação deveriam ser naturalmente capturados pelo aumento do Imposto de Renda devido, mas isso exigiria uma fiscalização muito mais severa da que existe hoje, que funciona somente no caso de empresas industriais, cuja produção é facilmente acompanhada.
É necessário obter resultados na contenção da inflação para eliminar a indexação, mas dificilmente isso será conseguido sem que todos renunciem a reajustes automáticos de preços ou de salários.  ESTADÃO

O fim de Bin Laden

Osama bin Laden, o homem mais procurado do mundo, não estava entocado numa remota região afegã, sob a proteção do Taleban, como durante anos os serviços de inteligência dos Estados Unidos pareciam acreditar e os seus colegas paquistaneses asseguravam. O líder da organização terrorista Al-Qaeda, responsável, entre outros atentados, pelos ataques suicidas de 11 de setembro de 2001 em território americano que deixaram perto de 3 mil mortos, vivia com familiares e asseclas em fortificado casarão de 3 andares em Abbottabad, cidade paquistanesa de 500 mil habitantes, cerca de 120 quilômetros ao norte da capital Islamabad e sede da principal academia militar do país, abrigando diversas unidades do Exército paquistanês.
Eis por que nem mesmo o justificado júbilo pelo êxito da invasão do bunker de Bin Laden por forças especiais americanas levadas de helicóptero, que culminou com a eliminação de Bin Laden no começo da madrugada de domingo (hora local), pode disfarçar o mal-estar de Washington com a exposição pública do duplo papel do Paquistão na chamada guerra ao terror declarada pelo então presidente George W. Bush nos escombros do 11 de Setembro. Nestes quase 10 anos que se seguiram, os Estados Unidos elevaram a níveis sem precedentes os gastos militares com o seu aliado histórico no subcontinente asiático, além de despejar ali bilhões em programas de ajuda econômica e social.
Ainda assim, o pais islâmico, peça-chave no tabuleiro diplomático americano, nunca chegou a ser o parceiro confiável que os EUA desejavam ter na tentativa de golpear a Al-Qaeda, cujos militantes se acostumaram a cruzar, sem ser molestados, áreas da fronteira afegã-paquistanesa, enquanto agentes do temível serviço secreto de Islamabad, o ISI, olhavam para o outro lado. Em agosto passado, quando a CIA finalmente conseguiu mapear a localização de Bin Laden - dois anos depois de descobrir que o seu principal mensageiro vivia no Paquistão -, as relações entre os dois países já iam de mal a pior. Ao relutante engajamento paquistanês no combate à Al-Qaeda somavam-se graves divergências sobre o futuro do Afeganistão quando - ou se - o Taleban for neutralizado.
No pronunciamento em que anunciou a morte de Bin Laden, tarde da noite de domingo, o presidente Barack Obama se referiu à participação paquistanesa na busca do paradeiro do terrorista. Na realidade, os serviços americanos de espionagem fizeram eles próprios todo o trabalho - e Washington não compartilhou os resultados com ninguém. Mas os EUA continuam a depender do Paquistão (assim como da Rússia, por exemplo) para a logística da guerra afegã. Esse dado da realidade será inevitavelmente invocado nas novas pressões sobre a Casa Branca pela retirada americana, sob o argumento de que o fim de Bin Laden representa um divisor de águas na agenda contraterrorista do país.
Na verdade, a única certeza a emergir da formidável proeza de anteontem é que o combalido Obama saiu das cordas onde a oposição republicana parecia tê-lo confinado direto para a consagração - e a perspectiva da reeleição. Na campanha de 2008, ele prometeu repetidas vezes que Osama seria morto no seu governo. Agora, poderia metaforicamente socar o ar e proclamar "Yes, we can!" (No que diz respeito à desacreditada CIA, é a pura verdade). Mas não precisará fazer isso, como não fez na sóbria fala de domingo, quando preferiu conclamar os americanos a reencontrar o "senso de unidade" forjado pelo 11 de Setembro. A menos que o mundo vire de ponta-cabeça, nunca mais os detratores do presidente poderão acusá-lo de ser um "líder fraco" aos olhos do mundo.
A ainda incerta recuperação da economia americana, com o nível de emprego se mantendo teimosamente num patamar inaceitável, constitui um obstáculo de monta para quem quer que fosse o titular de turno da Casa Branca. Em 1992, a economia fez Bush-pai perder a reeleição para Bill Clinton, um ano depois de vencer a Guerra do Golfo. Mas isso não se compara, no plano simbólico, ao impacto da liquidação da figura provavelmente mais odiada pelo povo americano em todos os tempos. "Fez-se justiça", disse Obama. No imaginário do país, foi ele quem a fez.  ESTADÃO

Modelo morta em Portugal tinha marcas de agressão, diz jornal

Os resultados dos exames realizados pelo INML (Instituto Nacional de Medicina Legal) em Lisboa no corpo da modelo capixaba Jeniffer Corneau Viturino, 17, foram entregues à Polícia Judiciária e ao Ministério Público na última semana, disse nesta terça-feira o diretor do instituto, Jorge Costa Santos.

Jeniffer morreu em 8 de abril ao cair do 15º andar de um prédio de luxo na capital portuguesa, onde morava o namorado dela, o empresário Miguel Alves da Silva, 31.

O jornal português "Correio da Manhã" divulgou neste domingo (1º) que esses exames comprovaram que o corpo da modelo tinha marcas de agressão, mas que nenhuma havia sido causada na noite da morte, pois já estavam cicatrizadas.

Ainda de acordo com o jornal, o exame toxicológico mostrou também que Jeniffer não havia consumido drogas nem álcool antes de cair.

Dias após o episódio, a polícia lisboeta já havia dito que a causa da morte havia sido a força da queda, e não agressões anteriores.

O diretor do INML e a polícia de Lisboa disseram hoje que não vão comentar as informações divulgadas pelo "Correio da Manhã", pois o caso continua em segredo de Justiça. FOLHA

"Thor" chega com estrondo no verão cinematográfico dos EUA

"Thor", o primeiro de vários filmes de super-heróis a estrear nos cinemas neste verão na América do Norte, chega às telas dos Estados Unidos na sexta-feira com grandes esperanças depositadas no sucesso do deus nórdico.

Hollywood está rezando que o personagem da Marvel Comics sacuda as bilheterias de 2011, até agora fracas, e infunda nova vida a um gênero de filmes de super-herói que já está começando a parecer cansado, depois que alguns dos nomes mais famosos já ganharam suas franquias.

"Thor" talvez pareça um candidato improvável para ressuscitar as bilheterias norte-americanas. O membro fundador dos Vingadores originais derrota seus inimigos com um martelo de guerra mágico e a capacidade de convocar raios e trovões.

Mas, uma vez que a maioria dos personagens mais importantes da Marvel e da DC Comics já passaram pelo cinema, Hollywood vem procurando cada vez mais fundo no baú para encontrar personagens que possam dar origem a novas franquias de heróis de ação.

Para o diretor de cinema britânico Kenneth Branagh, cujo nome é mais usualmente associado a Shakespeare, o desafio foi garantir que sua primeira investida no gênero de ação em 3D se destacasse.

"O filme vai em sentido contrário às histórias normais de super-heróis. Não se trata de um homem comum que é picado por uma aranha e ganha poderes sobrenaturais", disse Branagh à Reuters em entrevista.

"O que temos aqui é um super-herói --ou, melhor, um deus-- que perde todos seus poderes e é obrigado a tentar comunicar-se com o público".

"Thor" tem no elenco o ator premiado com o Oscar Anthony Hopkins e a igualmente premiada Natalie Portman, muito popular entre os fãs de super-heróis.

Além disso, é um dos primeiros filmes do gênero a ser lançado este ano, chegando aos cinemas antes de "Lanterna Verde", mais um "X-Men" e "Capitão América", além de ser um dos poucos filmes originais em uma temporada repleta de sequências como "Velozes e Furiosos 5" e "Se Beber, Não Case! Parte II".

Na versão criada por Branagh do clássico de quadrinhos, o filho de Odin, representado pelo musculoso novato australiano Chris Hemsworth, provoca a ira de seu pai ao reacender um conflito antigo. Ele é destituído de seus poderes e mandado para a terra. Com a ajuda da cientista Jane Foster (Natalie Portman), ele enfrenta a mortalidade e acaba por se redimir.

Rodado em 3D, o filme é repleto de pirotecnia e violência. Mas alguns especialistas talvez questionem se "Thor" --diferentemente de "Homem Aranha" e "Homem de Ferro"-- possui a grande base de fãs necessária para arrecadar o suficiente para ser rentável, superando seu custo estimado de 150 milhões de dólares.

Comparado a atores como Christian Bale ("Batman Cavaleiro das Trevas") ou Robert Downey Jr. ("Homem de Ferro"), Hemsworth é relativamente desconhecido, além de falar em tom arcaico e duro.

"Thor" já foi lançado na Austrália, Grã-Bretanha, França, Coreia do Sul e dezenas de outros países e já faturou US$ 93 milhões. REUTERS/FOLHA

Grupo espanhol Puig toma controle da maison Jean-Paul Gaultier

A célebre Maison francesa Jean-Paul Gaultier (JPG), que apresentou sua primeira coleção há 35 anos, passará a ser controlada pelo grupo espanhol Puig, mas sua direção artística seguirá nas mãos do estilista.

Após o acordo anunciado nesta terça-feira, a grife francesa de moda e de artigos de luxo Hermès cede 45% de sua participação na Gaultier ao grupo catalão de prêt-à-porter, perfumaria e cosmética. Acrescenta-se a isto uma parte da participação de 55% que o estilista possuía até agora, cujo montante não foi especificado.

Jean-Paul Gaultier, que se converte em "acionista de referência", seguirá à frente "da criação e da imagem da companhia que leva seu nome", esclarecem as duas empresas em um comunicado conjunto.

Jean-Paul Gaultier, 59, "se congratula com esta aliança com um grupo familiar em forte crescimento", que lhe dará apoio no futuro.

O cargo de diretor ficará nas mãos de Manuel Puig, vice-presidente do grupo e presidente da Maison de prêt-à-porter Nina Ricci, que faz parte do império familiar Puig, assim como Paco Rabanne e Carolina Herrera.

A Hermès informa, por sua vez, ter cedido sua participação de 45% por um montante de 16 milhões de euros, somando, ainda, o reembolso de empréstimos concedidos à Casa Gaultier de 14 milhões de euros.

Puig conquistou um volume de negócios de 1,2 bilhão de euros em 2010 e espera superar 1,3 bilhão de euros neste ano. Três quartos das vendas são gerados em mercados internacionais. O grupo reivindica a sétima posição mundial do setor da perfumaria, que representa a maior parte de seu volume de negócios.

Além de suas próprias fragrâncias, o grupo catalão tem licenças de perfumes Prada, Valentino e Comme des Garçons.

As vendas da JPG, que emprega 150 pessoas, caíram 19% em 2009, a 23 milhões de euros.

A Hermès entrou no capital da JPG em 1999, ao comprar 35% da empresa, após o que sua participação subiu para 45%.

A aliança entre ambos cessou definitivamente no início de abril, quando a Hermès anunciou contatos com possíveis compradores de sua participação na JPG.

O estilista francês havia abadonado em maio de 2010 a direção artística do prêt-à-porter feminino da Hermès, após sete anos de colaboração.

A última coleção de Gaultier para a Maison de luxo francesa ocorreu em outubro, durante a apresentação das coleções primavera-verão 2011 em Paris.

A primeira coleção para a Hermès do então conhecido 'enfant terrible' da moda francesa causou uma revolução na Casa. FRANCE PRESS/FOLHA

Atriz cult dos anos 50 é encontrada mumificada em sua casa

A atriz Yvette Vickers, 82, foi encontrada morta em sua casa em Bervely Hills na última quarta-feira, segundo o site Los Angeles Times.

Achado por uma vizinha, o corpo de Vickers já estava em estado de mumificação. Segundo a polícia, a atriz pode estar morta há quase um ano. Uma autópsia será realizada para determinar a causa da morte.

Vickers vivia reclusa e os moradores da sua rua não a viam desde meados de 2010. A vizinha que encontrou o corpo foi atraída pela grande quantidade de correspondência que se acumulava em frente à sua propriedade.

Vickers ficou conhecida por filmes de terror como "A Mulher de Quinze Metros", "Atalho para o Inferno", "O Ataque das Sanguessugas Gigantes" e "O Indomado Hud".

Ela também chegou a ser Playmate da revista "Playboy" e teve um caso com o ator Cary Grant. FOLHA

Preso usa celular de dentro do complexo prisional de Florianópolis para denunciar agressões

Uma greve de fome está sendo feita por presos desde segunda-feira nas prisões catarinenses. Na noite desta terça-feira houve uma rebelião no complexo prisional da Agronômica, em Florianópolis, segundo o Centro de Operações da Polícia Militar.

A secretária da Justiça e Cidadania, Ada De Luca, negou e disse que foi uma agitação de presos.

Às 20h30, enquanto acontecia o incidente, um detento ligou de dentro do complexo para a redação do DC e conversou com o repórter Diogo Vargas. 

Diário Catarinense: Como está a situação aí?

Detento: A situação tá bem complicada senhor. Eles tão espancando vários presos senhor.

DC: Quem está espancando?

Detento: A polícia e os agentes.

DC: Agora?

Detento: Agora, agora. Escuta aí os tiros aqui ó. Escuta, vai ouvir

DC: Tô escutando (dois estrondos e gritos). Alô, tem preso baleado?

Detento: Tem, tem, machucado, que tão apanhando ali na frente. Quem tá apanhando é os presos. Tão dando tiro e espancando todo mundo. Não sei se vocês tão sabendo, em São Pedro de Alcântara a polícia invadiu lá final de semana e matou preso, a Bope. Então eles entraram em greve de fome e nós como um gesto de solidariedade a eles paremo também na greve de fome. Mas pacífica, entendeu? Só paremo de comer, agora eles vieram de noite, invadiram e tão espancando todo mundo.

DC: Que horas foi esse incidente?

Detento: Agora, agora (20h30). Faz 15 minutos.

DC: Tás falando de qual penitenciária?

Detento: Aqui de Florianópolis. Não tô na penitenciária. Eu tô na cadeia pública (Presídio Masculino).

DC: Da Trindade?

Detento: Isso. Eles tão invadindo e quebrando tudo lá em cima.

DC: Qual é a reivindicação de vocês?

Detento: Nós não tamo reivindicando nada. Só paramo de comer na greve de fome porque a Bope invadiu São Pedro no sábado e matou preso, entendeu? É os presos de lá que tão fazendo a reivindicação para derrubar o Adércio (diretor do Deap).

DC: Teve morte de preso lá no sábado?

Detento: Matou os presos sábado.

DC: Quem matou?

Detento: A Bope e os agentes de São Pedro de Alcântara, mas ele tão abafando tudo. E por isso que o Estado todo de Santa Catarina tá se mobilizando, as cadeias, e fazendo a greve de fome entendeu? Tá escutando? (barulho de tiro).

DC: É algo isolado ou alguma facção?

Detento: Não, é algo isolado. É porque é o seguinte: nós quer tirar esses cara que tão espancando os presos. Tamo em prol de melhoria e contra covardia. Nós somo preso mas tamo pagando a nossa pena, entendeu? Não é algo de facção, mas sim a população carcerária em geral que não tá mais aguentando isso, as tortura que estão havendo na administração do Adércio e do Carlos (diretor de São Pedro). A sociedade não vê isso porque tão abafando. Um monte de família vão falar isso também.

DC: Qual é a situação nesse momento?

Detento: Se vocês vierem aqui vocês vão ver. É que a gente não tem acesso aqui. Só passa na frente da cadeia que vocês vão ver.

DC: Mas tem preso ferido?

Detento: Tem preso ferido, machucado.

DC: Quantos?

Detento: Quantos não temos noção, mas tem.

DC: Teve confronto ou não.

Detento: Não tem confronto. Nós tamos dentro dos barracos.

DC: Tás preso há quanto tempo aí?

Detento: Oito meses.

DC: Como é essa comunicação que vocês tem?

Detento: Tenho só esse aqui mesmo (celular). Ó, tem até helicóptero aqui agora (barulho da aeronave).

DC: Tá sozinho na cela?

Detento: Tá eu e mais sete.

DC: Na tua cela não teve nada?

Detento: Aqui não.

DC: Tu és algum líder?

Detento: Não, não sou ninguém. Sou apenas mais um reeducando senhor. Eles falam tantas coisas da facção, mas não existe isso aí, entendeu?

DC: Por que tá havendo essa 'covardia' então?

Detento: Porque eles são covardes, é isso. Eles não sabem administrar. E agora parece que o Adércio perdeu o cargo e tá acontecendo tudo isso. DIÁRIO CATARINENSE

Nasser: Grupos se sentem obrigados a revidar morte de Osama


Ana Cláudia Barros
A captura e a morte do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, podem significar a redenção do presidente Barack Obama junto à opinião pública norte-americana, analisa o doutor em direito internacional e professor da Fundação Getúlio Vargas, Salem Nasser. Para ele, Obama, que viu a grande popularidade conquistada durante às eleições de 2008 se esgarçar nos primeiros anos de mandato, contabilizou um ganho político capaz de influenciar no resultado da disputa de 2012.
- O timing desse assassinato, ou eliminação, deve ser considerado com atenção. Tudo parece indicar que não havia como os serviços de informação paquistaneses não saberem onde estava Bin Laden e, portanto, não se pode afastar a hipótese de que os americanos também já soubessem, e que estes tenham feito algum cálculo sobre o melhor momento de eliminá-lo. A primeira relação, mais evidente, diz respeito à popularidade de Obama, para fins eleitorais, sim, mas não apenas. A eliminação de Bin Laden tenderá a redimir Obama, justamente no âmbito em que ele vinha descumprindo promessas: sobre o desmantelamento de Guantánamo, mantendo o envolvimento no Iraque, aumentando os contingentes no Afeganistão e, se não ampliou, mantendo inteira a ideia de uma guerra contra o terror.
Ao contrário do que tem sido especulado, o especialista não aposta no aumento significativo do risco de atentados terroristas nos Estados Unidos, cujas forças de segurança e os serviços de inteligência teriam redobrado a vigilância após a morte do homem apontado como mentor dos ataques de 11 de setembro de 2001. O comentário se estende aos países aliados.
- Quanto às consequências práticas, não creio que os riscos de ataques aumentem substancialmente. Consideremos primeiro a versão dos aparatos de segurança e governos dos principais países europeus e dos Estados Unidos. De acordo com estes, há grupos espalhados pelo mundo planejando em permanência ataques e dispostos a levá-los a cabo. Como indícios disso, somos informados de tempos em tempos que algum plano foi descoberto e a tragédia impedida, normalmente in extremis. Diante disso, os aparatos de inteligência estão, naturalmente, em permanente estado de alerta. A morte de Bin Laden não tem muito como transformar isso radicalmente ou criar novos e mais intensos perigos. É claro que se pensa dever evitar alguma tentativa de resposta rápida e surpreendente, mas quão mais em alerta podem estar os serviços secretos? - indaga.
O professor minimiza as promessas de retaliação, como a anunciada na última segunda-feira (2) por Talebans paquistaneses - aliados da Al-Qaeda -, e diz que esses grupos "se sentem obrigados a dizer que não deixarão passar sem resposta a eliminação de um símbolo de tal magnitude".
- Não se deve esquecer que, enquanto no Ocidente Bin Laden era visto como um terrorista que liderava e inspirava outros terroristas, entre alguns grupos era visto como um líder de valor numa luta contra inimigos, contra quem o uso de certos meios de violência era legítimo. Com relação à sua condição de símbolo, diga-se de passagem que, em grande parte, o Ocidente, especialmente os Estados Unidos, foi responsável pela construção do mito.
Nasser reconhece que "há muita gente no mundo, inspirada ou não por Bin Laden, disposta a levar a cabo ataques violentos contra os países ocidentais", mas considera improvável que "suas capacidades de ação sejam tais que lhes permitam aumentar substancialmente os riscos".
- Seja como for, não parece haver dúvida de que o estado de medo permanente é alimentado por alguns governos, se não por outras razões, ao menos para justificar melhor as operações militares levadas a cabo em certas partes do mundo. Finalmente, não se pode eliminar a possibilidade de que haja operações contra as forças americanas ou da Otan no Afeganistão, no Paquistão e no Iraque.
Sobre as consequências da morte de Bin Laden para a Al-Qaeda, o doutor em direito internacional, especialista em Oriente Médio, não prevê o enfraquecimento do grupo.
- Segundo todas as notícias que se tem da Al-Qaeda, ela foi pensada e sempre funcionou como uma rede de pequenos grupos operacionais muito autônomos e com pouca articulação entre si. Essa seria, por assim dizer, a sua maior força, ainda que essa força não tenha feito do grupo uma organização altamente eficaz ou impossível de deter. Isso não deve mudar muito, portanto, especialmente se considerarmos as notícias de que, em meio à sua contínua fuga, Bin Laden talvez não estivesse no comando direto dos aspectos operacionais. Além disso, ele sempre teve um segundo em comando que é tido por muito ativo e inteligente e, segundo muitos, talvez mais importante para o grupo do que Bin Laden.
Hipocrisia e catarse
Para Nasser, as imagens de cidadãos norte-americanos celebrando nas ruas o assassinato do líder da Al-Qaeda não devem catalisar o ódio dos seguidores do terrorista.
- Não imagino que as comemorações façam algum efeito especial já que esses sentem ter coisas muito mais graves pelas quais condenar os Estados Unidos. Já sobre a opinião pública nos mundos árabe e muçulmano, talvez alguém se lembre de notar a hipocrisia no condenar meios de violência considerados ilegítimos e utilizar outros, igualmente ou similarmente condenáveis. Mas não mais do que isso, porque Bin Laden estava longe de comandar a admiração das massas nesses dois mundos.
Ele acrescenta que as cenas, amplamente veiculadas pelos meios de comunicação, evidenciam a capacidade do Ocidente de "também celebrar a morte" e mostram o quanto foram "eficientes o esforço de convencer a opinião pública americana de que seu país estava em guerra com um certo terrorismo e o esforço de fazer de Bin Laden a personificação do inimigo e, no limite, do mal".
- É claro que a ligação de Bin Laden com o evento de 11 de setembro, que marcou tão fortemente a psique americana, dá um aspecto catártico à morte dele: junta-se a sensação de expiar o medo com o sentimento de ter vingado a violência sofrida. TERRA MAGAZINE

luishipolito@outlook.com

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