domingo, 8 de maio de 2011

EUA buscam desferir 'golpe fatal' na Al Qaeda, diz Obama

O presidente Barack Obama afirmou que os Estados Unidos têm a oportunidade de desferir um "golpe fatal" na Al Qaeda após a morte de seu líder, Osama Bin Laden, e a apreensão de informações na casa onde o terrorista se escondia, no Paquistão.

Obama afirmou em uma entrevista transmitida neste domingo ao programa "60 Minutes", da rede CBS, que as informações estão sendo extraídas de computadores, discos rígidos e dispositivos de armazenamento coletados na casa do líder da Al Qaeda.

"Isto não significa que vamos derrotar o terrorismo", afirmou. "Isto não significa que a Al Qaeda não tenha se espalhado para outras partes do mundo onde temos que, vocês sabem, realizar operações".

"Mas isto significa que temos uma chance, eu acho, de realmente desferir um golpe fatal nesta organização, se seguirmos agressivamente nos próximos meses".

O presidente americano, que assistiu da "Situation Room" da Casa Branca ao ataque contra o esconderijo de Bin Laden, afirmou que vai "demorar algum tempo" para explorar os dados encontrados.

"Estamos, obviamente, colocando tudo o que temos em análises e avaliando todas as informações", disse Obama. "Mas prevemos que podem nos levar a outros terroristas que estamos procurando há um longo tempo, outros alvos de grande valor".

As autoridades americanas podem aprender potencialmente sobre conspirações já existentes, como a Al Qaeda operava e seus métodos de comunicação, explicou o presidente.

"E agora temos a oportunidade, ainda não terminamos, mas temos a oportunidade, eu acho, de realmente e finalmente derrotar - pelo menos a Al-Qaeda na região fronteiriça entre o Paquistão e o Afeganistão".

Obama ainda elogiou os integrantes do SEAL, da Marinha, comando que realizou a operação.

"É um breu completo, eles estão tirando paredes, portas falsas, recebendo tiros, eles mataram Bin Laden, e ainda tiveram a presença de espírito de reunir um monte de material de Bin Laden, que será um tesouro de informações", afirmou. FRANCE PRESS/FOLHA

Ex-vice dos EUA defende métodos violentos de interrogatório

O ex-vice-presidente americano Dick Cheney defendeu neste domingo os métodos violentos de interrogatório colocados em prática durante o governo de George W. Bush com os suspeitos de terrorismo, uma semana após a morte de Osama Bin Laden em uma operação dos EUA.

Em uma entrevista à rede de televisão Fox News, Cheney lembrou que vários funcionários do governo Bush garantiram que "alguns dos primeiros indícios" - que depois permitiram encontrar o paradeiros do líder da Al-Qaeda- derivaram das informações dadas por suspeitos de terrorismo submetidos à "simulação de afogamento" ou "submarino", hoje considerada tortura pela CIA.

"Todos disseram de uma maneira ou de outra que o programa de interrogatórios violentos desempenhou um papel", acrescentou. "Meu sentimento é que provavelmente isto contribuiu, assim como outros fatores".

Quando perguntado sobre a possibilidade de voltar a pôr em prática estes métodos --proibidos pelo presidente Barack Obama um dia após chegar à Casa Branca-- caso os EUA capturem um suspeito chave de terrorismo, respondeu: "Sim, defenderia que voltassem a colocá-los em prática". FOLHA

Meia tonelada de maconha é achada em caminhão em Alambari (SP)

A Polícia Rodoviária Estadual apreendeu, por volta das 16h deste domingo, cerca de 500 kg de maconha em um caminhão no km 140 da rodovia Raposo Tavares, no município de Alambari (154 km de São Paulo).

Segundo a PM, os policias tinham informações de que um homem transportaria a droga até São Paulo.

Um caminhão que transportava madeiras, com placas de Governador Valadares (MG), foi revistado na estrada, e os policiais encontraram a droga escondida na carga.

O motorista do caminhão e o material foram levados à Delegacia da Polícia Federal de Sorocaba. FOLHA

Piloto admite que Marrone comandou helicóptero antes do acidente

O cantor Marrone pilotou o helicóptero que caiu na tarde de segunda-feira (2) em São José do Rio Preto (SP) em alguns trechos do trajeto, segundo o piloto Almir Carlos Bezerra, 49, que recebeu alta do hospital Santa Casa ontem (7).

O depoimento de Bezerra foi revelado em reportagem do Fantástico veiculada neste domingo na Rede Globo. Recuperado de um quadro anêmico em razão da perda excessiva de sangue após o acidente, o piloto passou por uma cirurgia corretiva no braço esquerdo. Ele perdeu o pé esquerdo e a perna foi amputada dez centímetros abaixo do joelho.

O piloto se justifica afirmando que Marrone está aprendendo a pilotar. Ainda de acordo com a reportagem, o cantor fez exames de saúde e provas teóricas, mas ainda não concluiu o curso, logo só poderia pilotar em um voo de instrução. Nesse caso, o professor fica do lado esquerdo e o aluno no direito, como estavam posicionados Bezerra e Marrone, mas não poderia haver passageiros.

O terceiro ocupante da aeronave, Jardel Alves Borges, 33, secretário particular e primo de Marrone, continua internado em estado grave na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital de Base. Ele sofreu traumatismo crânio-encefálico, fratura nos dois braços e no quadril e perfuração do abdômen. FOLHA

Governador da Bahia raspa barba por patrocínio de R$ 500 mil

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), abandonou, na manhã deste domingo (8), uma das suas marcas registradas, a barba que cultivava havia 34 anos.

Ele aceitou mudar o visual para participar de uma ação publicitária da Gillette, que ofereceu R$ 500 mil em doações para o Instituto Ayrton Sena caso o governador raspasse a barba durante um evento.

Wagner raspou a barba numa escola de Salvador e disse que só aceitou o convite porque recebeu a garantia de que o dinheiro seria aplicado no Estado.

Os R$ 500 mil serão destinados a quatro escolas municipais da capital baiana.

"A única coisa que eu pedi foi para que esse dinheiro fosse investido na Bahia. Nós sabemos que isso não vai acabar com os problemas que temos, mas toda ação que envolva a educação é sempre bem-vinda", disse o governador.

A proposta da Gillette para que Wagner raspasse a barba foi feita há 15 dias, durante um fórum empresarial. Questionado sobre o fato de associar sua imagem a uma multinacional, o governador disse que se trata de uma iniciativa que busca o ajudar a educação. "Então, tiro minha barba pela educação", afirmou.

O prefeito de Salvador, João Henrique (PP), agradeceu ao governador por ter direcionado os recursos para as escolas da capital e diz acreditar que "outras barbas possam ser raspadas em prol da educação".

O bairro da escola em que ocorreu o evento é um dos mais violentos de Salvador. Lá, será implantada, nos próximos dias, uma unidade policial semelhante às UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) do Rio de Janeiro.

O governador não é o primeiro a participar desse tipo de promoção. Em março, às vésperas do carnaval, Bell Marques, vocalista da banda Chiclete com Banana, foi pago pela Gillette para tirar a barba, que cultivava havia 30 anos e era uma de suas marcas registradas. FOLHA

Chico César enfrenta problemas como secretário de Cultura da Paraíba

Quem conta é o próprio Chico César: ao chegar em cima da hora para assistir à Paixão de Cristo de João Pessoa, na Semana Santa, ele foi impedido de sentar. "Essas cadeiras são para autoridades", afirmou um sujeito. "Pode não parecer, mas eu sou uma autoridade", devolveu o músico, antes de se acomodar e ouvir desculpas.

Francisco César Gonçalves, ou Chico César, 47 anos, é desde janeiro secretário de Cultura da Paraíba, seu Estado natal. Aprofunda a experiência como gestor iniciada em 2009 na Prefeitura de João Pessoa, à frente da Fundação Cultural da cidade.

O compositor avalia que a sua escolha pelo governador Ricardo Coutinho (PSB), amigo desde o movimento estudantil, denota uma política de inclusão e diversidade que ainda causa estranheza, como na cena descrita acima.

Em quatro meses no cargo, Chico César adotou como bandeira a valorização da cultura tradicional paraibana e o reconhecimento de ícones artísticos do Estado.

"A Paraíba acostumou-se a ser plateia, a não ter protagonismo. Muitas vezes o paraibano busca sua identificação no que vem de fora. Temos que criar autoestima e passar a reconhecer e consumir nossas coisas", diz, listando nomes --Sivuca, Jackson do Pandeiro, Augusto dos Anjos, Antonio Dias, etc.

"O que fez o frevo e o maracatu sobreviverem e serem identificados como manifestações pernambucanas foi uma política pública", afirma, referindo-se a uma de suas inspirações, o escritor Ariano Suassuna.

FOGUEIRAS

Mal assumiu o cargo, Chico César administra controvérsias, a mais notória a do "forró de plástico", em que rejeitou dar verba para contratar grupos que fogem à forma tradicional do gênero.

Outra fogueira da gestão, esta menos midiático, foi a nomeação do músico João Linhares, ex-integrante da banda de Chico César, como regente da Orquestra Sinfônica da Paraíba (OSPB).

É um cargo de confiança do governador, mas o secretário-cantor abonou o nome, o que fez integrantes da OSPB reagirem ao que seria coleguismo, por Linhares não ter formação de maestro --embora seja violoncelista clássico e tenha sido regente-assistente da Jazz Sinfônica Jovem, de São Paulo.

Chico César, de novo, evoca a raiz. Linhares é paraibano, e a OSPB, segundo o secretário, acostumou-se ultimamente a contratar maestros forasteiros.

Quando esteve na prefeitura, o atual secretário recebeu críticas no meio cultural paraibano por supostamente privilegiar a música (e amigos músicos) em detrimento de outras manifestações e priorizar sua agenda artística sobre a pública.

"Como compositor, Chico César é genial, mas ser um criador genial não faz dele um bom gestor público. E como gestor ele tem deixado muito a desejar", declara a pesquisadora e crítica literária Sônia van Dijck.


O músico diz ter combinado com o governador de dedicar a semana à secretaria, reservando os fins de semana à carreira artística.

É certamente um trato flexível, como se viu na semana passada: Chico César só despachou na terça e na quarta. Quinta e sexta, participaria em São Paulo de shows de Edvaldo Santana.


Quando completa, sua equipe terá 40 pessoas. Chama a atenção a quantidade de jovens. O orçamento da secretaria para 2011 é de R$ 8 milhões. O salário bruto de Chico César é de R$ 13 mil.

EXPEDIENTE

Na última quarta, a Folha acompanhou um dia de expediente do músico na Secretaria de Cultura.

Ele chegou às 10h45. Vestia calça, camiseta e blazer pretos e tinha a cabeleira presa num coque.

No gabinete apertado, teve quatro audiências até as 19h30. Recebeu o representante regional do MinC, o diretor do programa estadual de microcrédito, um consultor da Caixa Cultural e uma produtora insistente em busca de verba --que ele disse não ter. Acompanhou-o sempre a chefe de gabinete, Maristela Garcia, paulista com quem trabalha há 12 anos.

Ouviu, perguntou, tomou notas, bebeu muita água e fuçou seu notebook Apple.

Foi almoçar a pé, num restaurante por quilo.

DVD E NAMORO

Chico César, que lançou em 2009 "Francisco Forró y Frevo", não tem programado novo álbum de inéditas. Negocia com a Biscoito Fino para gravar no segundo semestre o DVD de "Aos Vivos", seu festejado trabalho de estreia.

Natural de Catolé do Rocha, no sertão paraibano, o músico mantém uma casa em São Paulo, onde viveu por 25 anos até voltar a João Pessoa, em 2009.

Alugou então uma outra casa na capital paraibana, na praia de Ponta do Seixas. No primeiro dia, foi caminhar e conheceu uma vizinha, Isabela Lucena, uma tradutora de alemão com quem namora até hoje. FOLHA

Paul McCartney não fará acordo pré-nupcial, diz jornal

Mesmo depois de enfrentar um amargo processo de divórcio em seu segundo casamento e sair com parte de sua fortuna abalada, Paul McCartney não fará um acordo pré-nupcial no novo enlace.

Segundo o jornal "Daily Mail", o ex-beatle propôs à noiva, Nancy Shevell, apenas um documento de uma página para proteger seus filhos e netos.

"O documento determina que, em caso de divórcio, ela não terá direito aos fundos dos filhos e netos dele", diz uma fonte não identificada.

Shevell, 51, é empresária e herdeira de uma fortuna avaliada em R$ 600 milhões.

McCartney, 68, tem uma fortuna estimada em mais de R$ 1 bilhão. Sua segunda mulher, Heather Mills, ficou com mais de R$ 60 milhões após o divórcio.

O casal anunciou o noivado na última sexta-feira e deve se casar nos próximos meses. FOLHA

Cobrador morre em assalto a ônibus em Maceió

O cobrador de ônibus, José Noberto dos Santos, 58, levou dois tiros e morreu na noite de sábado (7), em um assalto, na cidade de Maceió (AL).

O crime aconteceu às 19h44, próximo ao HU (Hospital de Urgência), no bairro Tabuleiro do Martins. Segundo o motorista, que não quis se identificar, dois rapazes armados entraram no ônibus e anunciaram o assalto ao cobrador, que entregou o dinheiro e foi atingido com dois tiros.

Um deles atingiu o tórax. A vítima foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.

De acordo com a Polícia Militar, um dos suspeitos, Edson Galdino de Oliveira, 19, foi detido próximo ao local e levado à delegacia para prestar esclarecimentos. Ele portava uma arma de fogo calibre 38. O outro suspeito continua foragido. FOLHA

Corpo é encontrado carbonizado em carroça no centro de São Paulo

A Polícia Militar informou na madrugada deste domingo ter encontrado por volta das 23h40 de sábado (7) um corpo carbonizado dentro de uma carroça no região do Brás, centro de São Paulo.

O caso é semelhante ao ocorrido na última quarta-feira no mesmo bairro.

Segundo informações, quando o carro da polícia chegou ao local, na Rua Pires Ramos, o fogo já havia se extinguido.

Ainda não se sabe ao certo o sexo da vítima nem se ela trabalhava como carroceira ou era moradora de rua.

O caso foi registrado no 12.º Distrito Policial, no Pari.

A polícia investiga se a morte foi acidental ou criminosa. FOLHA

Procurado da Interpol é preso em Sete Lagoas

Um procurado da Interpol, de 44 anos, foi preso nesse sábado (7) em Sete Lagoas, na região Central de Minas Gerais. A prisão desse homem é resultado de uma investigação de mais de um mês da Polícia Civil e o suspeito estava vivendo em uma casa de luxo em um bairro de alto poder aquisitivo da cidade.

Conforme a Polícia Civil, na tentativa de não ser identificado, o homem fez uma cirurgia de redução de estômago, com a qual conseguiu emagrecer cerca de 110 quilos. Além desse cuidado, o homem também fez plástica em todo o corpo.

De acordo com a PC, o homem estava usando um outro nome e também é procurado pela Polícia Federal e Polícia Civil de Tocantins por desvio de dinheiro público e tentativa de homicídio. No momento em que foi abordado pela equipe de policiais da Delegacia de Tóxicos de Sete Lagoas, o suspeito tentou subornar um investigador com a quantia de R$ 20 mil.

O homem foi preso em flagrante e levado para uma Delegacia de Polícia Civil de Sete Lagoas. Nesta segunda-feira (9), o suspeito deve ser transferido para um presídio e, posteriormente, levado para Tocantins. 

Com ele, a polícia apreendeu os R$ 20 mil usados na tentativa de suborno, um carro importado e uma moto também importada.

Ainda de acordo com a polícia, o homem vivia sozinho, mas tem uma filha e uma ex-mulher que também moram em Sete Lagoas. O TEMPO ONLINE

Hackers pró palestinos põem fotos de Bin Laden em páginas israelenses

"Hackers" pró palestinos postaram fotos de Osama bin Laden nas páginas do Facebook de várias empresas israelenses.

Os "hackers" deixaram nas páginas do banco israelense Leumi (Nacional), da empresa ferroviária de Israel e da agência de Loteria Nacional na rede social fotos do ex-líder da Al Qaeda e uma mensagem que lia "hackeada pela Palestina", informa neste domingo o jornal israelense "Haaretz" em sua versão digital.

Também manipularam a página do Facebook e da web empresarial de Adam Shuv, que administra as páginas web das três companhias, onde colocaram fotos anti-israelenses.

Grande parte do dano tinha sido reparado na noite de sábado, e o banco Leumi se apressou a informar a seus clientes que a manipulação não afetou os computadores e servidores da entidade, mas apenas a sua página do Facebook.

"A operação para acabar com a tomada da página por parte de elementos estrangeiros teve sucesso e a situação se normalizou", assinala o banco.

Durante este fim de semana (sexta-feira e sábado na região), as páginas das três empresas na rede social estiveram temporariamente inacessíveis enquanto eram reparadas.

Shuv denunciou que "elementos hostis que se identificam com Al Qaeda entraram em nossas páginas do Facebook", mas acrescentou: "Fiquem tranquilos que tudo está sob controle e será reparado". EFE/FOLHA

População de classe média representa um terço da África

O crescimento econômico robusto visto na África nos últimos dez anos levou a classe média do continente a crescer rapidamente, chegando a formar um terço de sua população de um bilhão de habitantes, revela um estudo divulgado na última sexta-feira.

O relatório, feito pelo AFDB (Banco de Desenvolvimento Africano), concluiu que hoje 313 milhões de africanos podem ser considerados de classe média, contra 151 milhões em 1990 e 196 milhões em 2000.

Os números constituem mais uma prova do crescente peso consumidor do continente que ainda é o mais pobre do planeta.

Mas o AFDB relativizou suas constatações, dizendo que 60% da classe média "mal saiu da categoria dos pobres".

"As vendas de geladeiras, televisores, telefones celulares, motores e carros aumentaram nos últimos anos em virtualmente todos os países", segundo o relatório do banco.

Como exemplo, o documento citou um aumento de 81%, desde 2006, nos carros e motocicletas em Gana, cuja economia pode crescer até 12% neste ano em função do início da produção comercial de petróleo, em dezembro.

O país, no oeste africano, é considerado um modelo de estabilidade e democracia num continente frequentemente marcado pela turbulência política.

CASA PRÓPRIA

A África do Sul, de longe a maior economia do continente, fica no topo da lista em termos de propriedade de automóveis, com 300 veículos para cada mil pessoas em 2007 -mais que o dobro do número registrado cinco anos antes.

Os africanos de classe média normalmente possuem casa própria, optam por convênios médicos particulares em lugar da assistência médica pública e gastam mais com alimentação e ensino para seus filhos, de acordo com o estudo.

Tunísia, Marrocos, Egito e Argélia, todos países do norte da África, se saíram melhor na avaliação geral: mais de 75% de suas populações são classificadas como sendo de classe média.

Entre os países subsaarianos, o Gabão e Botsuana, ambos ricos em recursos naturais (petróleo e diamantes, respectivamente), foram os primeiros colocados.

Na Nigéria e na Etiópia, os dois países mais populosos do continente -sua população conjunta é de 230 milhões de habitantes-, a classe média compõe cerca de 22% da população. REUTERS/FOLHA

Itália resgata 500 imigrantes após naufrágio de barco na costa

Cerca de 500 imigrantes que viajavam em um barco de refugiados proveniente da Líbia, que havia encalhado nesta madrugada nas proximidades do porto da ilha de Lampedusa, foram resgatados pela Guarda Costeira, informaram neste domingo fontes da Capitania dos Portos italiana.

Após a embarcação encalhar, segundo as mesmas fontes, muitos de seus ocupantes se jogaram ao mar para tentar chegar nadando ao litoral de Lampedusa.

A embarcação parecia se dirigir em um primeiro momento para Malta, mas uma lancha das autoridades do país a escoltaram rumo a Lampedusa.

No sábado, duas embarcações também provenientes da Líbia, com 842 imigrantes ilegais a bordo, chegaram durante a madrugada a Lampedusa, elevando para mais de 1.900 o número de imigrantes africanos que desembarcaram na ilha italiana desde a última quinta-feira.

O primeiro desembarque da noite ocorreu com a chegada de uma barca com 187 imigrantes a bordo, todos de origem subsaariana.

Em seguida, mais 655 imigrantes de origem subsaariana chegaram em outra embarcação, sendo 21 menores de idade entre eles. FRANCE PRESS/EFE/FOLHA

Papa reza missa para 300 mil perto de Veneza

Mais de 300 mil fiéis católicos assistiram, neste domingo, a uma missa conduzida pelo papa Bento 16 no parque San Giuliano di Mestre, em frente a Veneza.

Ele fez um chamado à unidade em prol da justiça e da paz durante a grande missa. Ele incentivou os presentes a não ceder às tentações da cultura hedonista e do consumismo materialista.

O papa pediu aos presentes que transmitam a "esperança cristã" ao homem moderno, "vencido não poucas vezes por problemas que põem em crise os próprios fundamentos".

"Inclusive um povo tradicionalmente católico pode advertir em sentido negativo ou assimilar quase inconscientemente os efeitos de uma cultura que termina insinuando um modo de pensar no qual é abertamente rejeitado ou ocultamente obstaculizado a mensagem evangélica", disse Bento 16.

"Sei quanto foi e quão grande continua sendo o compromisso na defesa dos valores perenes da fé cristã", admitiu.

Milhares de pessoas começaram a chegar ao local nas primeiras horas da manhã. Em poucas horas, o parque de mais de 700 hectares - recentemente reformado e transformado em área de proteção ambiental - estava repleto de famílias e jovens.

Após a realização da missa, Bento 16 vai visitar o maior parque público da Europa, a reza do Regina Coeli, que substitui o Ângelus dominical na Páscoa.

O pontífice subirá à "Dogaressa", uma gôndola de dimensões maiores do que habitual já utilizada em 1985 na visita do papa beato João Paulo 2º a Veneza.

Levado por quatro gondoleiros, Bento 16 fará o percurso do píer de São Marcos à Basílica de Santa Maria da Saúde, para encontrar-se com representantes da cultura e da economia.

O pontífice, de 84 anos, realiza uma visita pastoral de dois dias iniciada no sábado, quando foi a Aquileia, perto da fronteira com a Eslovênia, e à praça de São Marco, em Veneza.

O papa voltará ao Vaticano ainda na noite deste domingo. FOLHA

Tolerância Zero

Marcos Coimbra*
Para um país como o Brasil, um aspecto da caçada e morte de Osama Bin Laden é mais grave que para outros. Talvez não devesse ser assim, pois diz respeito a valores e princípios universais.
Não haveria motivo para que algumas sociedades fossem mais e outras menos tolerantes com a tortura. O repúdio deveria ser igual, independente das particularidades de cada uma.
Não é universal a reprovação de traços culturais bárbaros, mesmo quando fazem parte de tradições milenares? Alguém admite práticas como o apedrejamento ou a ablação de mulheres? Alguém as justifica com base em algum tipo de argumentação, incluindo a invocação da ideia de relativismo?
À medida que a globalização nos torna mais parecidos, muita coisa boa corre o risco de se perder, mas muita coisa ruim desaparece. Se não fosse assim, só haveria a lamentar que o mundo esteja ficando culturalmente menos heterogêneo.
Mas cada sociedade é única e tem uma experiência específica. E coisas que algumas toleram são radicalmente inaceitáveis para outras.
Em quase todos os países da América do Sul, a tortura foi uma presença constante ao longo dos últimos cem anos. Dezenas de milhares de pessoas foram submetidas às suas formas mais cruéis e muitos milhares morreram.
Quem as infligiu foram governos quase sempre de direita e que quase sempre chegaram ao poder através de golpes militares.
Faz pouco tempo, em termos históricos, o Brasil viveu uma experiência traumática com ela, da qual não se recuperou totalmente, pois muitas feridas continuam abertas. A anistia apagou diversas coisas, mas a tortura não (e nem deveria).
Parte fundamental de nossa elite política foi torturada durante o período militar. Hoje, temos uma presidenta da República, bem como governadores, prefeitos, senadores, deputados e ministros que sofreram brutalidades nas mãos de agentes públicos.
Em nome do risco que representavam para a “segurança nacional”, foram marcados para sempre. Aquilo em que se tornaram, passados trinta anos, é, em si, uma condenação de quem os torturou (ou mandou torturar, pois dá no mesmo).
A trajetória americana é diferente. Lá, por mais belicosa que seja a cultura, não havia uma experiência com ela. Até quando a “guerra ao terror” passou a justificá-la, os americanos podiam se orgulhar dela não fazer parte de sua vida como país civilizado.
Nunca houve nos EUA uma Operação Bandeirantes ou um delegado Sérgio Fleury (ainda que o governo os conhecesse e tolerasse seus congêneres mundo afora).
Logo após a execução de Bin Laden, a imprensa americana voltou à discussão dos “métodos extremos de interrogatório”, como eufemisticamente designam a tortura que praticaram contra militantes do radicalismo islâmico, para obter confissões ou colher informações.
Como bons burocratas, anotaram até o número de sessões de sevícias a que submeteram algumas lideranças: 183, no caso do segundo na hierarquia da Al Qaeda, para dar um exemplo.
Com o sucesso da operação, muitos críticos da tortura ficaram sem argumentos e se calaram. Inversamente, os criticados se sentiram vindicados.
A morte de Bin Laden desculpou, retrospectivamente, a tortura que o aparato militar e de contra-terrorismo ordenou. Os fins justificaram os meios. Seus porta-vozes se rejubilaram.
Tanto nossas lideranças, quanto nossos jornais preferiram evitar o assunto. Ninguém subscreveu a tese de que, no caso, a tortura era aceitável (salvo os Fleurys da imprensa). Houve declarações de repúdio, mas foram poucas.
A eficácia da tortura é o argumento dos ditadores e dos torturadores. Com relação a ela, não cabe qualquer tolerância. O mundo civilizado já disse que não a aceita, em qualquer intensidade ou proporção: ela é inadmissível. Admitida, quem estiver no comando pode querer usá-la, do fanático ao brutamontes.
Os americanos ficaram felizes quando o prefeito de Nova York disse que teria tolerância zero para com as pequenas infrações, pois, se as aceitasse, não teria como dizer um basta às grandes. Quem jogasse um papel de bala no chão era um infrator e como tal deveria ser penalizado.
É triste ver onde chegaram. Ou tomam cuidado, ou, daqui a pouco, estarão achando natural que qualquer um faça justiça com as próprias mãos. Para que leis, se nem o Estado, quando se sente moralmente justificado, as obedece? 
*Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi | BLOG DO NOBLAT

Partido de Kassab tem viés pró-Dilma em 12 Estados

O PSD do prefeito Gilberto Kassab nasce com claro viés pró-governo. Das 23 unidades da federação onde está formado, em 12 o comando é de aliados da presidente Dilma Rousseff, informa reportagem de Vera Magalhães e Natuza Nery na Folha deste domingo.

A Folha considerou "oposicionistas" as seções capitaneadas por notórios críticos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva --São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Tocantins e Goiás. FOLHA

Inflação e miséria no governo Dilma

Suely Caldas - O Estado de S.Paulo
Há dias, em Minas Gerais, a presidente Dilma Rousseff deixou no ar a dúvida, mas a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, e a Secretária de Erradicação da Pobreza, Ana Fonseca, não têm dúvida alguma: garantiram que a extrema pobreza será totalmente erradicada até o fim deste governo, em 2014.
O Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) contou 16,2 milhões de pessoas (e não mais 10 milhões, da primeira estimativa) que vivem à margem da vida, com R$ 2,30 por dia, em habitações miseráveis, sem renda, sem emprego, sem acesso à saúde e educação, sem cidadania. Para elas o governo prepara o programa Brasil Sem Miséria, prometendo levar-lhes serviços públicos e "inclusão produtiva".
Tudo o que for possível fazer para aliviar o sofrimento cotidiano dessas pessoas será bem-vindo, desde que funcione com eficácia e sem desperdícios de dinheiro. Mas o que for feito, com certeza, será desfeito, eliminado, zerado, se os preços do pão, do feijão, do remédio subirem, se a inflação engolir os míseros R$ 2,30 que lhes restam.
A inflação é um imposto cruel que piora o sofrimento dos pobres e multiplica a renda dos ricos aplicadores do mercado financeiro.
Pois bem. Se for mesmo obsessão de seu governo erradicar a pobreza, a presidente Dilma não pode vacilar em concentrar seu arsenal no alvo da inflação, não permitir em nenhuma hipótese a sua volta, eliminar o mal pela raiz. Se a inflação ganhar fôlego, Dilma pode dar adeus ao programa Brasil Sem Miséria. Sua equipe que comanda a economia já errou muito neste campo, mostrou insegurança, vacilação, leniência, permitiu abrir espaço para a inflação se instalar e, pior, alargando o campo para a indexação de preços, que dá fôlego, multiplica e espalha reajustes pela economia.
Na semana passada a presidente reuniu sua equipe, deu bronca por causa das divergências públicas e elegeu o ataque à inflação o alvo prioritário de seu governo. Tudo bem, agora vai, com firmeza, determinação, sem vacilações, obsessão de verdade. Nada disso. Há uma condicionante: desde que não prejudique o crescimento de 4% projetado para este ano. E quem não quer crescimento econômico? Só alucinados. "Profetas do caos" só existem no fantasioso imaginário de Lula, ao atacar a oposição, com rótulos e sem substância.
Mas, ao definir prioridades, o governante não pode ignorar e simplesmente desprezar dificuldades que se opõem em seu caminho. Ele precisa analisar fatores, avaliar e fazer escolhas. E este é o momento de fazê-lo - aliás, já está atrasado.
Há anos a China vive com inflação baixa e cresce continuamente a 9% ao ano. Mas investe pesadamente em infraestrutura, o custo de produção e de transporte é muito baixo, a taxa de poupança equivale a 45% do Produto Interno Bruto (PIB) e a taxa de investimento se aproxima de 50% do PIB. São condicionantes para um crescimento sem riscos.
No Brasil é o inverso. Nossa taxa de poupança é de 15% do PIB, há variados gargalos na infraestrutura, que encarecem o custo de produção e transporte, e a taxa de investimento patina em 19% do PIB.
Essas condições precárias para o País crescer sem riscos têm de ser levadas em conta pela presidente Dilma ao definir sua estratégia de ataque à inflação. Afinal, garantir crescimento contínuo, sem cair em reajustes de preços, implica expandir a produção e dispor de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos em abundância para garantir o transporte dessa expansão.
E o Brasil tem isso? É claro que não. Só a urgência da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016 fez o governo se mexer e decidir privatizar aeroportos (não estaria no sufoco, se decidisse há tempos).
Por aqui, quando a produção cresce, esbarra nos gargalos dos transportes, a oferta estanca, a procura segue crescendo, os preços sobem e a inflação volta. Essa trajetória vem ocorrendo desde o ano passado e foi agravada no governo Dilma, porque alguns preços - gasolina, por exemplo - foram represados por Lula.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, vive repetindo que crescimento ameaçar a inflação é coisa do passado. Não é. É justamente o que o Brasil vive atualmente.
É esse tipo de resposta vazia, esse desejo de derrotar a alta de preços no gogó, que leva a estratégia do governo ao descrédito. Dos últimos oito anos, só em três a inflação fechou dentro da meta; em cinco, foi ultrapassada; e no mês passado ela estourou o teto na medição dos últimos 12 meses.
Não se trata de fazer recuar a demanda até a recessão. O País pode e precisa continuar crescendo em 2011. Mas com calibragem, moderação e equilíbrio, até afastar o inimigo mais perigoso. E, para ser vitorioso nesta guerra, o governo precisa agir rápido para frear o impulso da indexação de preços, que se tem espalhado e alargado espaço. É verdade que o Banco Central detectou esse risco e seus diretores têm alertado para a necessidade de desindexar a economia. Mas não será com troca de índices de inflação, como sugeriu, na quinta-feira, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland.
Aliás, impressiona e não para de surpreender o potencial criativo da equipe da Fazenda em inventar e reinventar soluções amadoras, inócuas. Substituir o IGP pelo IPC não é desindexar a economia, é perpetuar a indexação com outro índice de preços.
Se o governo quer desindexar, dê o exemplo, elimine índices de reajustes ao negociar seus contratos. Assim, vai abrir caminho para o setor privado fazer o mesmo. Mas, se ficar na substituição de índices, quando chegar setembro os petroleiros, bancários e metalúrgicos também vão querer aumentar salários com base na inflação passada. Daí industriais e banqueiros irão repassar o custo para os preços de uma infinidade de produtos, que irão realimentar outros - a ciranda segue girando e a inflação vence a batalha. Vamos fazer figa para que não aconteça.
Ao contrário do que diz o eufórico ministro Guido Mantega, a inflação continua exibindo suas garras. Não chegaria ao ponto que chegou, se tantos erros não fossem cometidos. Corrigi-los agora exige um sacrifício maior na conta de juros, em frear a demanda e crescer com limites.
Há dúvidas sobre se este governo está disposto a seguir esse caminho. Mas resta confiar. Afinal, a presidente Dilma já disse que tem duas obsessões em seu governo: acabar com a miséria e controlar a inflação. E uma depende da outra.
JORNALISTA, É PROFESSORA DE COMUNICAÇÃO DA PUC-RIO | ESTADÃO

Social-democracia em declive

Gaudêncio Torquato - O Estado de S.Paulo
A pergunta é intrigante: como se explica o fato de um partido que administra oito Estados, detentores de 50% do PIB do País, com uma população de 64,5 milhões de habitantes e um eleitorado correspondente a 47,5% dos eleitores, padecer a maior crise de sua história? O partido é o que empunha a bandeira da social-democracia e adota um tucano como símbolo, o PSDB. A fogueira consome a lenha do partido acumulada ao longo de 23 anos de história. Bombeiros correm para apagar o fogo, alegando tratar-se de um foco de incêndio isolado e devidamente controlado. Essa é a resposta do presidente da sigla, deputado Sérgio Guerra (PE), para quem a tensão entre alas tucanas em São Paulo não indica crise, "nem qualquer quebra de ética", apenas divergências entre correligionários, ao se referir à saída de vereadores do PSDB que entraram no PSD, criado pelo prefeito Gilberto Kassab. A verdade, porém, é que os tucanos nunca se haviam bicado de forma tão violenta quanto nestes tempos de "guerra de guerrilha" entre alas divergentes. A querela assume importância extraordinária por se desenvolver no seio do PSDB paulista, o maior do País, tendo, portanto, reflexos sobre os pleitos de 2012 (municipal) e 2014 (estadual e federal).
Os grupos liderados por José Serra e Geraldo Alckmin há muito se bicam. Serra, ao chegar ao governo em 2006, depois de entregar a Prefeitura ao vice (Kassab), teria desmontado a estrutura do antecessor. E este, disputando a Prefeitura contra Kassab, em 2008, não teria recebido apoio serrista. As duas aves fazem voos paralelos. Ao retomar, agora, o comando da administração paulista, diz-se que Alckmin dá o troco com juros e correção monetária. Apesar de acenos públicos de integração de propósitos, a cisão é evidente. Nem intervenções pontuais do tucano-mor, o ex-presidente Fernando Henrique, conseguem repor a harmonia na sigla, que tem dificuldades para administrar os 44 milhões de votos obtidos no último pleito. O partido da social-democracia parece perdido. Mesmo dominando os dois maiores colégios eleitorais, São Paulo e Minas Gerais, e tendo ainda Paraná e Goiás, dois enclaves fortes, o PSDB atravessa um ciclo de intensa obscuridade, seja por falta de comando, seja por obsolescência de discurso, desmotivação das bases e desunião de grupos. A falta de comando tem que ver com a hegemonia paulista. Para compensar o peso de São Paulo o partido passou a escolher dirigentes do Nordeste, como Tasso Jereissati e Sérgio Guerra. Imaginava-se que a região, que detém perto de 30% do eleitorado nacional, poderia ser contrapeso ao Sudeste, onde os tucanos têm alcançado boas vitórias desde a criação do partido.
O PSDB, porém, não conseguiu equalizar as densidades eleitorais e a "paulistização" tucana virou marca. Ademais, pesa sobre a sigla a insinuação de ter muito cacique e pouco índio. E, ainda, que é distante das bases. Já as mais fortes classes médias, as mais poderosas entidades e os contingentes laborais que vivem em São Paulo se ressentem da falta de um discurso consentâneo com suas expectativas. Que fonte categorizada do partido pode exprimir algo e merecer respeito? Fernando Henrique, sem dúvida. Mas bate o bumbo sozinho. Tentou mostrar o fio da meada ao partido e recebeu escasso apoio. Afinal, qual é a mensagem do PSDB? Ou está ele engolfado pela onda que afoga os partidos social-democratas em todo o mundo?
Vale lembrar que, ao ser concebida, a social-democracia brandia como escopo o estabelecimento do Estado de bem-estar social (baseado na universalização dos direitos sociais e laborais e financiado com políticas fiscais progressistas) e o aumento da capacidade aquisitiva da população. Essa meta tinha como alavanca o aumento dos rendimentos do trabalho e a intervenção do Estado nas frentes de gastos e regulação de atividades-chave para a expansão econômica. Mas a partir dos anos 70-80 os partidos social-democratas passaram a incorporar princípios neoliberais e estes impregnaram a ideologia dominante da União Europeia. Portanto, a doutrina social-democrata ganhou novos contornos na esteira da globalização. As siglas mudaram, transformando suas bases eleitorais (categorias trabalhadoras) em classes médias, mais conservadoras e com maior acesso ao capital financeiro. Tony Blair, na Inglaterra, Schroeder e Merkel, na Alemanha, Zapatero, na Espanha, e outros deram efetiva contribuição para moldar a social-democracia com a solda neoliberal.
O Brasil ingressou nessa rota. O ideário dos partidos de esquerda, a partir do PT, arquivou os velhos jargões da sociedade de exploração capitalista, Estado burguês, classe dominante, submissão a interesses do capital financeiro. Hoje, as teias sociais estão sendo bem costuradas, programas de distribuição de renda passaram a frequentar a mesa de todos os núcleos, a ideia de extinguir a miséria continua acesa, mas a receita do "velho socialismo" aparece de forma esporádica e, mesmo assim, sujeita a apupos. Se o PSDB se ressente da ausência de discurso, é porque seu tradicional menu foi repartido por outros comensais. Tocar corneta sobre os buracos da obra governamental - como tem sido prática de partidos de oposição - não tem a mesma significação que a construção de um projeto estruturante para a realidade brasileira. A crise que consome o partido pega parceiros como o DEM. É sabido que os exércitos oposicionistas sofrem a síndrome da atração fatal provocada pelas "tetas do Estado". Moeda forte, economia em expansão, escudo de proteção às beiradas sociais, caixa do Tesouro locupletada funcionam como um buraco negro que atrai as massas que giram ao redor. Poucos resistem ao fabuloso balcão de recompensas do governo. Daí a devastação das frentes de oposição. Por fim, a fragmentação dos partidos e a desunião de atores e parceiros fazem parte de uma política cada vez mais sem graça e plena de desgraças.
JORNALISTA, PROFESSOR TITULAR DA USP, É CONSULTOR POLÍTICO E DE COMUNICAÇÃO | ESTADÃO

Confusão nos mercados

Foi como um estouro de boiada, com os animais correndo todos para um lado e pouco depois mudando subitamente de rumo. Como se o mundo estivesse à beira de um novo desastre econômico, as cotações do petróleo, do cobre, da soja e de outras matérias-primas despencaram na quinta-feira, juntamente com os preços das ações. Menos de 24 horas depois estavam em recuperação, no Ocidente, enquanto os mercados orientais seguiam ainda a histeria ocidental do dia anterior. Nenhum evento dramático havia alterado as condições da economia global. A única novidade relevante era uma notícia divulgada pelo governo americano: a economia dos Estados Unidos havia criado em abril 244 mil empregos, em vez dos 185 mil previstos pelo mercado. Mas a boa notícia era acompanhada de outra menos animadora: o desemprego havia subido de 8,8% para 9%, um evento nada incomum em fases de recuperação. Provavelmente alguns milhares de pessoas haviam tentado voltar ao mercado depois de algum tempo de afastamento.
Outras mudanças de rumo ocorreram na sexta-feira à tarde. Violentas oscilações de preços em pouco tempo - neste caso, de um dia para o outro - mostram um grau excepcional de insegurança nos mercados de ativos financeiros e de commodities. Quem opera nesses mercados tem de tomar decisões com rapidez, com base num jorro incessante e muito veloz de informações de todos os setores e de todo o mundo. Isso pode ser razoavelmente simples quando as informações são unívocas e as tendências são bem definidas. Mas o quadro atual é o oposto disso. Num momento os mercados são inundados por uma onda de notícias negativas - a desaceleração da economia americana, o agravamento da crise das dívidas soberanas na Europa, as decisões cautelosas do Banco Central Europeu, do Banco da Inglaterra e do Federal Reserve, por exemplo. No momento seguinte, a criação de empregos nos Estados Unidos surpreende até os otimistas e todo o quadro mundial parece menos sombrio.
Em outras condições, o movimento dos mercados de ativos financeiros e de commodities pode ser um bom indicador das tendências da economia. Afinal, juntar e processar um enorme número de informações, continuamente, é atividade rotineira de quem atua nesses mercados. Essa proeza está fora do alcance da maior parte das pessoas que não atuam nessa área. Mas elas podem ter uma avaliação indireta, observando a evolução das bolsas. Menos, é claro, em condições como as atuais, de grande instabilidade e muita incerteza em relação a quase tudo.
Há poucas apostas mais ou menos seguras neste momento. Pode-se prever sem grande risco, por exemplo, a continuidade do crescimento de várias economias emergentes. Algumas, como a chinesa e a indiana, terão de enfrentar ajustes para conter a alta de preços, mas provavelmente ainda terão boas condições para crescer. Também se pode apostar, sem grande risco de erro, numa recuperação mais firme nos Estados Unidos do que na maior parte da Europa, onde os custos do ajuste fiscal serão certamente mais pesados.
Mas um alto grau de insegurança continuará presente nos mercados. A queda de preços na quinta-feira pode ter sido o começo de um ajuste, apenas atenuado no dia seguinte. Deve haver exagero em algumas cotações, porque o excesso de dinheiro em circulação também afetou os preços. Mas ninguém pode prever os novos pontos de equilíbrio, porque outros fatores importantes, como a demanda voraz das economias emergentes, continuarão afetando as cotações.
O Brasil também é afetado por essas incertezas. O País continuará a importar inflação enquanto os mercados de commodities permanecerem aquecidos. No entanto, se os preços caírem, a receita de exportações será prejudicada. Mas os preços externos são só um dos fatores inflacionários. Outro fator, talvez mais importante, é a forte demanda interna. Haverá negociações salariais de categorias poderosas nos próximos meses, quando a inflação acumulada em 12 meses estará próxima de 7%. Se os sindicatos conseguirem reposição integral e mais um ganho extra, a indexação combinada com a demanda aquecida tornará muito difícil conter a alta de preços. Se o governo relaxar, cometerá um erro enorme.  ESTADÃO

Brasil importou 70 milhões de litros de etanol dos EUA em 2010

Pressionado pelo aumento da demanda interna, o Brasil aumentou em 2010 suas importações de etanol dos Estados Unidos e gerou alívio aos produtores americanos. De acordo com o Departamento de Comércio, foram embarcados ao mercado brasileiro 70 milhões de litros do combustível. No ano anterior, essas vendas haviam totalizado apenas 1 milhão de litros. Protegida no mercado doméstico do etanol brasileiro por tarifa adicional e beneficiada por subsídios, a produção dos EUA ultrapassou a do Brasil desde 2006.
Embora a Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês) insista na sua preferência pelo suprimento do mercado doméstico, os últimos anos foram marcados pela queda no consumo americano e pelo aumento da capacidade de produção do combustível. Em janeiro deste ano, os EUA mostravam-se aptos a produzir 10,6 bilhões de galões ao ano, destinados especialmente para a mistura com a gasolina.
A queda no consumo de combustíveis, por causa da lenta recuperação da economia e do aumento do preço internacional do petróleo, derrubou também as vendas internas de etanol. Boa parte da produção do combustível foi deslocada para a exportação, facilitada pelo dólar desvalorizado.
A crise de oferta de etanol no Brasil tornou-se uma espécie de "tábua de salvação" para os produtores americanos, segundo um especialista do setor. O aumento da frota de automóveis do País - em sua maioria, modelos flexfuel - em uma média de 10% ao ano desde 2009 e o crescimento da capacidade de produção de etanol em cerca de apenas 2% ao ano somaram-se aos problemas nas últimas duas safras de cana-de-açúcar. O mesmo especialista criticou a política do governo Dilma Rousseff de pressionar o setor produtor de etanol a reduzir os preços. A iniciativa, segundo ele, teria desmobilizado ainda mais os usineiros a tocar projetos de investimento na ampliação da produção. Apenas três novas usinas de álcool estão programadas para este ano.
Da mesma forma, a crise no mercado brasileiro de etanol debilita o lobby pela extinção da tarifa adicional de US$ 0,54 por galão importado e do subsídio de US$ 0,45 por galão misturado à gasolina.
O argumento de que o Brasil teria condições de suprir parte do mercado americano acabou, na prática, prejudicado. A produção americana deu uma arrancada em 2006 graças aos benefícios e à obrigatoriedade da mistura de 12,5 bilhões de galões à gasolina por ano. Os EUA têm hoje 200 usinas de etanol.  ESTADÃO

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