sexta-feira, 1 de julho de 2011

Fábrica da Azaleia pode deixar a Bahia e demitir 18 mil

A fábrica da Vulcabras/Azaleia, localizada em Itapetinga, ameaça deixar a Bahia e se instalar em Nova Délhi, capital da Índia. Com isso, cerca de 18 mil pessoas serão demitidas.
A empresa já dispensou três mil funcionários nos últimos sete meses, de acordo com cálculo da prefeitura de Itapetinga, onde fica a matriz. A fábrica tem filiais em outros 13 municípios baianos.

Em maio, a Vulcabras também fechou uma unidade em Parobé, no Rio  Grande do Sul, anunciando que levaria a produção para a Índia. O principal atrativo para a empresa é o salário de um operário na capital indiana, que é de cerca de US$ 85.

A TARDE ONLINE

Roger Waters tocará em Porto Alegre em 2012

Roger Waters voltará a Porto Alegre em 2012. O ex-baixista e vocalista do Pink Floyd trará sua obra-prima The Wall para o Brasil e os gaúchos serão os primeiros no país a ver tudo de perto. O tocará no dia 17 de março e as vendas para os shows terão início em setembro deste ano. 

Mais informações sobre valores serão divulgadas em breve. A realização deste show antológico é da Time for Fun e da Hits Entretenimento.The Wall foi o 11º disco do Pink Floyd, lançado em novembro de 1979. Em seguida, a banda saiu em uma turnê em que apresentava o álbum com efeitos teatrais e a construção de um muro que, ao longo do espetáculo, ficava entre a banda e o púbico. Roger Waters tocou em Porto Alegre em março de 2002, no estádio Olímpico. No show, tocou músicos do The Wall e outros clássicos da carreira da sua ex-banda, como "Shine On You Crazy Diamond", "Wish You Were Here", "Time", "Money", etc.


CORREIO DO POVO

Recife ganha rádio pública de cunho educativo e cultural

Recife vai ganhar uma rádio pública, após uma luta de nada menos que 50 anos. A emissora, batizada de Rádio Frei Caneca, recebeu concessão do Ministério das Comunicações e deve começar a funcionar a partir de dezembro deste ano, na frequência 101,5 (FM). Na programação, música pernambucana, resgate da história da cidade e as agendas cultural e política do município. Com uma antena transmissora de 30 metros, instalada no Centro Social Urbano Afrânio Godoy, no Alto Santa Terezinha, o sinal poderá ser captado, com boa qualidade, em todos os bairros do Recife.
Proposta desde 1960, pela Lei Municipal nº 6511, de autoria do, até hoje, vereador Liberato Costa Júnior, de 93 anos, a emissora se apresenta como um sonho realizado em vida pelo político. “Esse era meu sonho, sempre foi meu sonho. Estou entusiasmado com o que o Recife ganha. Só não chorei porque na minha idade, não tenho mais lágrimas”, brinca.
De acordo com o prefeito João da Costa, completar um processo iniciado há meio século é uma saudação à resistência dos que lutaram pelo projeto e vê-lo concretizado mostra a força do recifense. “Rádio é um instrumento fundamental na difusão da cultura e essa iniciativa nasce articulada com novas mídias, de forma a acompanhar os jovens e manter a história da cidade próxima a eles”, resume.
Com informações do repórter Ed Wanderley
DIÁRIO DE PERNAMBUCO

Cesar Cielo é flagrado no antidoping

SÃO PAULO - Os nadadores Cesar Cielo Filho, Nicholas Santos e Henrique Barbosa, do Flamengo, e Vinícius Waked, do Minas Tênis, foram flagrados em exame antidoping. O controle foi realizado por ocasião do Campeonato Brasileiro - Troféu Maria Lenk de natação e acusou resultado analítico adverso para a substância Furosemida, da classe S5 Diuréticos, que pode ser usada para mascarar a utilização de outros elementos dopantes. A informação foi divulgada nesta sexta-feira pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).


O Painel de Controle de Doping, instaurado nesta sexta-feira pela CBDA, optou por uma advertência aos quatro atletas - que também perdem resultados e prêmios conquistados na competição -, uma vez que não foi identificada culpa ou negligência por parte dos mesmos no episódio. Presidido pelo Prof. Dr. Eduardo de Rose e também composto pela Dra. Sandra Soldan, Dr. Marcus Bernhoeft e o Dr. Cláudio Cardone, o painel considerou o histórico dos atletas e o regulamento da Federação Internacional de Natação (Fina).
Segundo a CBDA, os nadadores recusaram a amostra B e deram explicações sobre a presença da substância no organismo. "Os atletas definiram com precisão como o diurético entrou no organismo, restando comprovado que não houve aumento dos seus desempenhos, fato que não ocorreu nesta competição", registrou a entidade, em nota oficial.
No Maria Lenk, Cielo havia conquistado cinco medalhas de ouro (50 m livre, 50 m borboleta e os revezamentos 4 x 50 m livre, 4 x 100 m livre e 4 x 100 m medley) e uma prata (100 m livre). Nicholas Santos tinha faturado três ouros (nas mesmas provas de revezamento que Cielo), uma prata (50 m borboleta) e um bronze (50 m livre). Henrique Barbosa havia obtido um ouro (4 x 100 m medley) e um bronze (200 m peito). Vinícius Waked tinha levado quatro bronzes (200 m livre e os revezamentos 4 x 50 m livre, 4 x 100 m livre e 4 x 100 m medley).
Ainda de acordo com a CBDA, a documentação sobre o caso dos quatro nadadores brasileiros será enviada à Fina ainda nesta sexta. Apesar da advertência, Cielo não deverá perder os índices que obteve para disputar o Mundial de Xangai, em julho.
ESTADÃO

Strauss-Kahn é liberado da prisão domiciliar em Nova York

O ex-diretor-gerente do FMI Dominique Strauss-Kahn, acusado de tentativa de estupro e assédio sexual, foi liberado nesta sexta-feira de sua prisão domiciliar em Nova York sem o pagamento de fiança.
Strauss-Kahn, que compareceu nesta sexta-feira a uma audiência do caso em um tribunal na cidade americana, foi solto "por sua própria intimação", o que significa que ele poderá simplesmente prometer que aparecerá diante da corte em seu processo. Ele também receberá de volta os US$ 6 milhões (cerca de R$ 9,3 milhões) pagos de fiança anteriormente, que garantiram que ele pudesse permanecer em prisão domiciliar e não na cadeia.
No entanto, o tribunal decidiu reter o passaporte de Strauss-Kahn, para impedir que ele deixe os Estados Unidos.
O ex-diretor do FMI é acusado de molestar sexualmente um camareira em um hotel de Nova York, no dia 14 de maio. Ele responde a sete acusações, entre elas quatro crimes graves que incluem agressão sexual, abuso sexual e tentativa de estupro.
Credibilidade
O futuro do caso parece ter se tornado incerto depois que autoridades americanas colocaram em dúvida a credibilidade da suposta vítima de Strauss-Kahn, uma mulher de origem guineana, de 32 anos.
Segundo o jornal TheNew York Times, investigadores do caso disseram que a camareira tem mentido repetidamente em seus depoimentos. Além disso, segundo as fontes, a mulher pode ter mentido em seu pedido de asilo.
Mesmo negando categoricamente as alegações, o ex-diretor-gerente do FMI se viu forçado a renunciar em 19 de maio ao cargo, para o qual foi eleito nesta semana a ministra francesa das Finanças, Christine Lagarde.
Em audiências anteriores, os promotores garantiram ter provas “substanciais” contra o francês.
Mas, segundo o The New York Times, embora os testes forenses tenham mostrado indícios de contato sexual entre ele e a camareira, os promotores questionam as circunstâncias do episódio.
BBC BRASIL

Kirchner usa Copa América como arma eleitoral

Desde 1978, quando a ditadura usou a Copa do Mundo como bandeira de promoção institucional, um torneio de futebol não chegava a níveis de exploração política na Argentina como a Copa América.

A aliança entre futebol e política se acentuou no país porque a competição será disputada durante uma campanha eleitoral.

A Copa América é levada tão a sério que Cristina Kirchner anunciou sua candidatura à reeleição, na semana passada, no mesmo ato em que apresentou em cadeia nacional o programa "LCD para Todos", que vai facilitar à população pobre a compra de TVs de alta definição.

O governo disse que o programa foi lançado agora para que os argentinos vejam os jogos da Copa América numa TV nova.

O populismo esportivo se reflete na tabela do torneio. Seis das oito cidades-sedes são controladas por políticos kirchneristas.

Desde 2009, o governo tem como aliado o presidente da AFA (federação argentina), Julio Grondona. Até seus inimigos, como Maradona, são partidários do kirchnerismo.

Grondona foi o fiador da estatização do futebol argentino, facilitando que o governo comprasse pelo equivalente a R$ 300 milhões os direitos de exibição do Nacional, medida de forte apelo eleitoral.

E até a oposição tenta pegar carona no efeito eleitoral da Copa América.

O prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, principal opositor do kirchnerismo, montou numa praça de Buenos Aires um "espaço de convivência" para a população ver os jogos.

FOLHA

Milhares fazem marcha anual pela democracia em Hong Kong

No mesmo dia que a China comemora os 90 anos do seu Partido Comunista, dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de Hong Kong nesta sexta-feira na marcha anual pela democracia quando a ex-colônia britânica celebra o 14º aniversário de sua devolução à China.

A manifestação ocorre em um momento em que aumenta o descontentamento contra as autoridades em Hong Kong.

Um dos principais motivos da insatisfação é a dificuldade para encontrar moradia por causa do aumento constante dos preços.

O secretário de Finanças, John Tsang, disse recentemente que há temores de uma bolha imobiliária em Hong Kong, onde os preços superaram o recorde alcançado antes da crise financeira asiática em 1997.

FRANCE PRESS/FOLHA

Príncipe Albert e Charlene Wittstock se casam hoje no civil

Mônaco se prepara para receber sua futura princesa, a ex-nadadora Charlene Wittstock, 33, que deve se tornar princesa de Mônaco ao se casar no civil às 17h (meio-dia no horário de Brasília) desta sexta-feira com o príncipe Albert, 53.

Wittstock vestirá um conjunto da Chanel na cerimônia civil que acontece na sala do trono no Palácio. Os monegascos poderão acompanhar a cerimônia por um telão instalado na praça do Palácio.

O casal deve fazer uma aparição pública na sacada do hall dos espelhos às 17h50 (12h50 em Brasília) e será oferecido um coquetel na praça do Palácio. Os convites para o evento foram enviados aos monegascos em meados de abril.

Os moradores do principado serão convidados à recepção na porto às 20h (15h em Brasília) e às 22h (17h em Brasília) acontece um show de Jean-Michel Jarre.

O casamento religioso acontecerá amanhã às 17h (meio-dia em Brasília) no jardim principal do Palácio. Wittstock entrará com seu pai.

Às 18h30 (13h30 em Brasília), o casal parte em carreata para a igreja de Sainte Dévote para que a princesa ofereça seu bouquet. A rota do casal, na ida e na volta, inclui a avenida Porte Neuve, avenida do Port e boulevard Albert I.

O jantar de gala, que será preparado pelo chef francês Alain Ducasse, começará às 21h30 (16h30 em Brasília) e será oferecido a mais de 450 pessoas, na Ópera Garnier e nos terraços do Cassino.

A cerimônia poderá ser presenciada por cerca de 6.000 pessoas graças a telões que serão instalados no local.

O jantar está previsto para acabar à meia-noite (19h no horário de Brasília) com fogos de artifício.

CONVIDADOS

Atletas, modelos e estilistas, assim como conhecidos empresários, ocupam, junto a chefes de Estado e representantes reais, um lugar destacado na lista de convidados da cerimônia religiosa do casamento do príncipe Albert 2º de Mônaco com a sul-africana Charlene Wittstock.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, assistirá à cerimônia, que espera contar também com a presença do rei Albert 2° da Bélgica e da família real sueca.

Para o casamento foi convidado também os chefes de Estado dos países que Albert 2º visitou oficialmente desde que assumiu o trono em 2005, assim como os dos países ligados à família soberana, como os Estados Unidos, Irlanda e África do Sul.

Assim, entre os que receberam convite para a cerimônia deste sábado, estão o presidente da Islândia, Olafur Ragnar; a da Irlanda, Mary McAleese; o do Líbano, Michel Suleiman, e o da Alemanha, Christian Wulff.

O príncipe Haakon da Noruega, a princesa Lala Meryem do Marrocos, os príncipes Federico e Joaquín da Dinamarca, a imperatriz Farah Pahlavi e Luis Alfonso de Borbón serão outros privilegiados para assistir à cerimônia.

E em uma cidade tão ligada ao mundo da moda, do esporte e dos negócios, não podia faltar uma ampla representação de todos esses setores, como o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, e o da FIA, Jean Todt.

Atores como o escocês Gérard Butler e estilistas como Giorgio Armani, Karl Lagerfeld e Roberto Cavalli, além da modelo Naomi Campbell e Karolina Kurkova e de cantores como Andrea Bocelli são outras personalidades citadas.

Junto a elas, empresários como o presidente diretor-geral do grupo de luxo LVMH, Bernard Arnault e atletas como o jogador do Manchester United, Patrice Evra, e a ex-ginasta romena Nadia Comaneci também foram convidados para o evento.

CONTO DE FADAS

A cerimônia de casamento promete ser uma das mais marcantes na história da realeza de Mônaco desde o casamento de Grace Kelly e o pai de Albert, o príncipe Rainier, em uma suntuosa cerimônia em 1956.

Albert, soberano do principado de Mônaco, é o segundo filho da princesa Grace e o príncipe Rainier, ambos já falecidos. A imprensa internacional costumava destacar com frequência os supostos romances que ele já manteve com mulheres famosas, como Brooke Shields, Naomi Campbell e Claudia Schiffer.

Ele tem uma irmã mais velha, Caroline, e outra mais nova, Stephanie.

Albert admitiu ter tido dois filhos fora do casamento. Uma menina, nascida em 1991 e fruto de um caso com uma turista americana em visita a Mônaco, e um menino, nascido em 2003, cuja mãe era uma comissária de bordo do Togo.

FOLHA

Papa pede a José Graziano soluções efetivas contra a fome

O papa Bento 16 pediu nesta sexta-feira soluções concretas à fome no mundo ao novo secretário-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), o brasileiro José Graziano da Silva, destacando que "a alimentação é uma condição que aborda o fundamento do direito à vida".

Bento 16 recebeu em audiência nesta sexta-feira os participantes da 37ª Conferência da FAO, com a presença de Graziano e o diretor-geral da entidade, o senegalês Jacques Diouf.

O papa ressaltou o compromisso da Igreja Católica em colaborar com os esforços da FAO para responder às necessidades reais de tantos irmãos e irmãs na humanidade, e lembrou o apoio da Santa Sé aos méritos da organização.

"A pobreza, o subdesenvolvimento e, portanto, a fome são frequentemente resultado de atitudes egoístas que partem do coração do homem, se manifestam em sua ação social (...) e se traduzem na negação do direito básico de cada pessoa a se alimentar", declarou o pontífice.

Bento 16 criticou as condições como os mecanismos de distribuição e o mercado internacional tratam a questão alimentar no mundo. Para ele, é urgente um modelo de desenvolvimento que considere não só a amplitude econômica das necessidades ou a confiabilidade técnica das estratégias a buscar, mas também a cooperação, solidariedade e altruísmo.

Em sua opinião, esse modelo proposto deve levar em conta "a dimensão humana de cada iniciativa e que seja capaz de realizar uma autêntica fraternidade, confiando na lembrança ética de 'dar de comer ao faminto'".

EFE/FOLHA

Cresce o endividamento familiar

O brasileiro está ganhando mais e o mercado de trabalho continua aquecido - o que indica situação tranquila quanto a emprego e renda nos próximos meses -, mas está devendo proporcionalmente mais e a qualidade de sua dívida está piorando. É cada vez maior a parcela da dívida contraída para pagar dívidas antigas, os juros representam mais da metade do saldo devedor e, assim, é cada vez menor a fatia do endividamento devida a novas compras.
Esse quadro, descrito em reportagem de Márcia De Chiara publicada segunda-feira no Estado, indica uma mudança na qualidade e na finalidade da dívida dos brasileiros.
Até há pouco, estimuladas pelo bom desempenho do mercado de trabalho, as pessoas físicas tomavam empréstimos para comprar bens e serviços, o que aquecia a economia. Mas o volume total de empréstimos contraídos por elas cresceu bem mais depressa do que sua renda. Assim, sua capacidade de endividamento diminuiu e aumentou sua dificuldade para o pagamento dos empréstimos já contraídos, razão pela qual as instituições financeiras estão examinando com mais rigor os cadastros das pessoas físicas.
A dívida total das famílias - que inclui saldo devedor do cartão de crédito e do cheque especial, financiamento bancário, crédito consignado, crédito para compra de veículos e imóveis - corresponde a 40% da massa anual de salários e dos benefícios pagos pela Previdência Social, de acordo com estudo da LCA Consultores. O volume total alcançou R$ 653 bilhões em abril deste ano (contra R$ 524 bilhões em abril do ano passado), e corresponde a 4,8 meses do rendimento do trabalho e dos benefícios previdenciários recebidos pela população.
Outro estudo confirma o aumento do endividamento das famílias. Uma pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) constatou que, de janeiro a maio deste ano, em média, 64% das famílias que vivem nas 27 capitais do País tinham dívidas, contra 61% em igual período do ano passado. Aumentou também o valor médio da dívida, que passou de R$ 1.298 para R$ 1.527 por família. Ou seja, há mais famílias endividadas e, em média, elas estão devendo mais do que no ano passado.
Em 2010, o aumento da dívida das famílias deveu-se ao bom desempenho da economia, que cresceu 7,5%, o melhor resultado desde 1986, ano do Plano Cruzado. Os bancos, de sua parte, facilitaram os empréstimos, com a oferta de juros menores e prazos maiores. Nos últimos meses, porém, a dívida passou a crescer por outros motivos.
As medidas de aperto do crédito tomadas pelo Banco Central (BC) no fim do ano passado, para conter o crescimento do consumo e aliviar as pressões sobre os preços, provocaram uma mudança notável na composição e no impacto da dívida das famílias. Antes, o crédito estimulava as compras. Agora, cresce a dívida, mas as vendas do comércio, sobretudo a partir de março, apontam para uma forte desaceleração do consumo.
O que tem aumentado a dívida é a fatia dos juros que a compõe. Em abril do ano passado, os juros representavam 54% da dívida total; em abril último, a fatia dos juros tinha aumentado para 60% do total. "Com as medidas macroprudenciais do BC do fim de 2010 e a alta dos juros básicos, a dívida total aumentou puxada neste ano pelos encargos financeiros", diz o economista Wermeson França, responsável pelo estudo da LCA.
As linhas de crédito que mais crescem são o cheque especial e o cartão de crédito, que, por serem as mais caras do mercado, geralmente só são utilizadas em situações de emergência. O economista Altamiro Carvalho, da Fecomércio-SP, diz que as famílias estão assumindo novos empréstimos para rolar dívidas anteriores, pois o volume total de crédito cresce, mas o comércio mais dependente de financiamento - como bens duráveis, entre os quais eletroeletrônicos, móveis e veículos - não cresce na mesma velocidade, e até diminui em alguns casos.
São indicações de que, nos próximos meses, o crédito estimulará menos o consumo, como quer o BC, mas a inadimplência tende a crescer, embora não se preveja um quadro explosivo. 
ESTADÃO

A austeridade nos gastos do governo é muito relativa

O governo anuncia, orgulhoso, que em maio conseguiu alcançar mais de 50% da meta fixada para o superávit primário neste ano inteiro, com R$ 64,8 bilhões (4,03% do PIB estimado). Pode-se ter, porém, outra leitura da análise das necessidades de financiamento do setor público.
De saída, é preciso tomar por base o resultado do governo central (governo federal, Banco Central e Previdência), que apresentou, acima da linha, um superávit primário de R$ 45,4 bilhões nos cinco primeiros meses do ano, 70,5% do superávit do setor público e um valor quase igual ao medido pela variação da dívida.
O resultado do governo central mostra que, enquanto a receita líquida cresceu 19,1%, as despesas acusavam aumento de apenas 9,1% (5,5% das despesas de custeio e de capital, essas últimas as mais sacrificadas). Porém, os gastos do governo central continuam elevados e estão gerando uma liquidez excessiva.
Se voltarmos aos Resultados Fiscais, objeto da divulgação ontem pelo Banco Central, verificamos que nos cinco primeiros meses do ano o fluxo total foi equivalente a 2,24% do PIB, valor muito próximo do fluxo do mesmo período de 2010 (2,55% do PIB). Quando se considera apenas o governo central, o valor nominal do déficit é superior ao do mesmo período do ano passado, o que mostra que o impacto dos gastos públicos na economia ainda é significativo.
O problema é saber se a "austeridade" do governo será mantida ao longo do ano - o que parece muito duvidoso, quando se constata que Dilma Rousseff cede cada vez mais aos parlamentares e que os investimentos devem entrar numa fase mais dinâmica no segundo semestre do ano, sem falar do impacto dos reajustes salariais que vão ocorrer no período.
Um outro ponto levanta preocupação: o recorde dos juros nominais, em relação aos cinco primeiros meses do ano (6,27% do PIB), muito acima ao dos dois últimos anos. Assistimos a uma situação paradoxal em que, com reservas internacionais confortáveis, a dívida mobiliária federal acusou aumento de R$ 2,1 bilhões em maio. Sem esse ônus, o Brasil poderia aplicar uma quantia não desprezível para aumentar seus investimentos na infraestrutura ou pelo menos reduzir a emissão de títulos da dívida para pagar os juros, que estão na origem de novas emissões de papéis.
Na realidade, observam-se um aumento do déficit nominal e uma redução do superávit primário no qual os governos regionais têm participação de 29,5%, aproveitando-se também do aumento das receitas. 
ESTADÃO

O governo na vitrine

Desprezando o bom senso e todos os sinais de alerta, o governo decidiu investir sua reputação - e não só dinheiro público - na fusão dos Grupos Pão de Açúcar e Carrefour, um negócio polêmico, legalmente arriscado, potencialmente nocivo a consumidores e fornecedores e inteiramente estranho à missão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Apesar de seu empenho, nenhuma autoridade conseguiu justificar a participação do Executivo nessa aventura nem dissipar os temores diante da ameaça de maior concentração de poder no mercado de alimentos e de outros bens essenciais. Ao contrário: ao tentar defender o indefensável, as autoridades se arriscam cada vez mais num terreno política e moralmente pantanoso.
Não se usará recurso público nessa operação, disse a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Segundo ela, o dinheiro será investido pelo BNDESPar, numa transação de mercado. Mas todo o recurso usado pelo sistema BNDES - para empréstimo ou para investimento - é público, venha do Tesouro, do Fundo de Amparo ao Trabalhador, de fontes internacionais ou do lucro de suas operações. O BNDES é um banco público, sem acionistas privados, e esse é o status também do BNDESPar. A advogada Gleisi Hoffmann, ex-diretora financeira de Itaipu e especialista em gestão pública, certamente conhece esses dados, mas parece havê-los esquecido.
O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, presidente do Conselho de Administração do BNDES, foi igualmente infeliz ao defender a fusão e a possível participação do banco. A associação entre o Pão de Açúcar e o Carrefour "abrirá uma porta importantíssima para a colocação de produtos brasileiros industrializados no mundo inteiro", afirmou. Segundo ele, seria esse o grande interesse estratégico da operação. A alegação é constrangedoramente ridícula.
O Pão de Açúcar já é associado a um grupo francês, o Casino. Produtos com a marca desse grupo são vendidos na rede brasileira. O comércio tem funcionado na mão inversa? O Carrefour poderá oferecer melhores perspectivas para esse intercâmbio? O ministro passou longe desses detalhes, e isso é compreensível, porque o comércio do Brasil com a França e com outros países da União Europeia envolve questões muito mais complexas. Não é esse o ponto.
O ministro escorregou, também, ao criticar os bancos privados por deixarem de ajudar a fusão. Segundo seu raciocínio, o BNDES apenas cumprirá, como sócio do empreendimento, um papel negligenciado pelas instituições privadas. Esse argumento pode valer para os financiamentos de longo prazo destinados a programas de investimento e até, em casos muito limitados, para aplicações de risco. Não serve, porém, para certas operações desenvolvidas pelo BNDES nos últimos anos. Essas operações incluem a ajuda a grandes empresas capazes de levantar dinheiro no mercado interno e externo, o apoio a grupos selecionados para papéis "estratégicos" (mas não estratégicos de fato) e o socorro generoso a grandes empresários em apuros.
Para completar, um lembrete inevitável: não é função do governo - e isto inclui o BNDES - cuidar dos interesses do empresário Abílio Diniz em suas disputas com os dirigentes do Grupo Casino. Esse é um assunto estritamente privado e é um abuso tentar travesti-lo como questão de interesse nacional. O interesse nacional está relacionado a outro ponto - a preservação de condições sadias de concorrência num segmento de grande relevância para o bem-estar da maior parte da população. Será preciso pensar especialmente naquelas áreas onde Pão de Açúcar e Carrefour já têm uma grande participação no varejo.
Toda ação do governo em relação a esse caso - por meio do BNDES, do sistema de defesa da concorrência e de outras instituições, como a Comissão de Valores Mobiliários - será acompanhada com muito interesse dentro e fora do País. O governo estará numa vitrine, até por causa da presença do empresário Abílio Diniz num órgão ligado à Presidência, a Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, e de seus vínculos com a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor. 
ESTADÃO

Médicos vão suspender atendimento a 10 planos

Médicos paulistas de 53 especialidades decidiram ontem, em assembleia, suspender temporariamente o atendimento a usuários de dez operadoras de planos de saúde que se recusaram a negociar o reajuste dos valores pagos por consulta. O cronograma da paralisação deve ser divulgado dentro de 20 ou 30 dias.
"Cada especialidade vai parar por 72 horas de forma alternada. A ideia é manter a pressão sobre as empresas sem prejudicar os usuários", diz Florisval Meinão, da Associação Médica Brasileira.
Serão atingidos usuários da Gama Saúde, Porto Seguro, Intermédica, Greenline, Notredame, Abet (funcionários das empresas de telecomunicações) e também os funcionários da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e Embratel.
Pesquisa divulgada ontem pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) revela a insatisfação dos médicos paulistas. Dos 58 mil que atendem planos, 74% consideram ruim ou péssima a relação com as operadoras. Em 2007, o índice era de 43%.
Ao avaliar sua relação com o Sistema Único de Saúde (SUS), 59% se disseram insatisfeitos. Foram ouvidos 649 médicos pelo Instituto Datafolha.
Segundo o presidente do Cremesp, Renato Azevedo Júnior, o relacionamento com as operadoras piorou muito nos últimos dez anos, principalmente pela falta de reajuste nos honorários.
A FenaSaúde, entidade que congrega as 15 maiores operadoras, diz que vem participando dos debates sobre honorários liderados pela ANS. 
ESTADÃO

Compra de ações pelo BNDESPar já atinge R$ 42 bilhões

O BNDESPar, braço de investimentos do BNDES, já investiu R$ 42,6 bilhões na compra de participações societárias em empresas das áreas de petróleo, telecomunicações, energia, mineração, celulose e até frigoríficos.

Esse foi o volume de recursos investidos em compra de ações durante o mandato do atual presidente do banco, Luciano Coutinho, que comanda a instituição desde abril de 2007.

Dentre as empresas onde a subsidiária de investimentos do BNDES aplicou o dinheiro estão gigantes como Petrobras e Vale, mas boa parte dos recursos foi destinada para processos de fusão como o do Pão de Açúcar e Carrefour.

Dentro dessa política foram criadas outras grandes "campeãs nacionais", como a Oi (telefonia), o JBS Friboi (carnes) e a Fibria (papel). Por meio do seu braço de participações, o banco se tornou sócio dessas empresas, aportando nelas dezenas de bilhões de reais.

Isso fez com que o BNDESPar aumentasse em cinco vezes o seu tamanho no período. Seu ativo total subiu de R$ 25 bilhões para R$ 125,8 bilhões, dos quais mais de 80% se referem a uma carteira de ações. A conta considera apenas os aportes diretos no capital das empresas. Não entram os empréstimos concedidos por linhas de financiamento do banco.

A participação direta do BNDES na criação de grandes grupos empresariais brasileiros é uma das principais estratégias traçadas por Coutinho, onde o BNDESPar tem sido cada vez mais agressivo dentro dessa política de criação de gigantes nacionais.

Empresas da área de carnes como a JBS/Bertin e a Marfrig obtiveram um total de R$ 6,85 bilhões do BNDESPar por meio de venda de fatia societária ou subscrição de debêntures conversíveis em ações. Esses valores não levam em conta os financiamentos concedidos a elas.

Na Vale, o BNDESPar aportou R$ 3,9 bilhões. Em seguida aparecem Votorantim Celulose e Papel (VCP), que mais tarde viria a se tornar a Fibria, e a Telemar (agora Oi), com R$ 1,8 bilhão e R$ 1,2 bilhão, respectivamente.

A capitalização da Petrobras, que consumiu R$ 22 bilhões, fez com que a participação da petrolífera na carteira de participação da empresa atingisse 46,9%. Mas, nesse caso, o BNDES e sua subsidiária foram envolvidos na operação para que o Tesouro Nacional pudesse ampliar o esforço fiscal em 2010, e não por uma razão estratégica de investimento.

Segundo fonte familiarizada com a política do banco, essa atitude agressiva do BNDESPar é lucrativa para o BNDES: a subsidiária responde por 22% dos ativos do banco, mas por 55% do seu lucro.

A carteira de investimentos da empresa, considerando as participações societárias, debêntures e fundos, apresenta concentração nos setores de petróleo e gás (36,5%), mineração (21,2%), energia elétrica (11,7%), alimentos (9,8%), telecomunicações (4,4%) e papel e celulose (4,3%).

FOLHA

Proibição a venda de aparelhos elétricos com plugue antigo começa hoje

A partir desta sexta-feira, aparelhos elétricos com tomadas fora do padrão estabelecido pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) não poderão ser comercializados. Lojistas flagrados oferecendo esses produtos poderão ser multados em até R$ 1,5 milhão.

A padronização das tomadas foi determinada pelo órgão em 2000, quando começou o prazo para que os fabricantes se adequassem.

"Até então não havia nenhuma regra, e cada fabricante usava o plugue que bem entendesse. O índice de acidentes, principalmente choques elétricos e incêndios, era muito alto", diz Alfredo Lobo, diretor da Qualidade do Inmetro.

Segundo o órgão, havia mais de 12 tipos de plugues e 8 tipos de tomadas diferentes. A partir de amanhã, só poderão ser vendidos plugues de dois tipos --com dois ou três pinos, conforme a necessidade de isolamento elétrico do aparelho-- e com pinos de duas espessuras distintas --4 ou 4,8 milímetros de diâmetro, conforme o aparelho opere com até 10 ampères ou entre 10 e 20 ampères, respectivamente.

"A fiscalização é feita pelo Ipem [Instituto de Pesos e Medidas] em cada Estado. Há cerca de 700 profissionais em ação", diz Lobo.

PREÇOS CAEM 6%

A regra entrou em vigor primeiro para os fabricantes, e hoje é raro encontrar produtos fora da especificação, afirma Lobo.

Segundo o Inmetro, 741.464 tomadas foram fiscalizadas neste ano e 27.840 (3,75%) estavam irregulares. Dos 404.325 plugues fiscalizados, 7.634 (1,89%) também estavam fora do padrão. "Até 6% [de irregulares] é aceitável internacionalmente", diz.

Segundo Lobo, ao restringir a variedade de tomadas, a indústria reduziu os preços em 6%, em média, em relação aos de 2008.

Desde 2006, as novas construções de moradia só recebem o "Habite-se" se tiverem o novo padrão. Moradias anteriores a 2006 não serão fiscalizadas, mas o Inmetro recomenda trocar as tomadas. "Isso aumenta a segurança do morador".

Também é possível usar adaptadores, que foram certificados e não representam perigo.

Segundo o diretor, só há incompatibilidade entre os plugues novos e as tomadas antigas em cerca de 20% dos casos.

FOLHA

Jobim elogia FHC e diz que hoje tem de tolerar 'idiotas'

O ministro Nelson Jobim (Defesa) fez um discurso ontem na homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que foi interpretado como sinal de insatisfação com sua situação no governo Dilma Rousseff.

Começou dizendo que faria um "monólogo" dedicado a FHC --de quem foi ministro da Justiça e que o indicou para o Supremo Tribunal Federal--, e que deixaria "vazios" que o tucano iria "compreender perfeitamente".

Jobim elogiou o estilo conciliador do ex-presidente. "Nunca o presidente levantou a voz para ninguém. Nunca criou tensionamento entre aqueles que te assessoravam", disse. A referência foi interpretada como uma alusão ao estilo duro de Dilma com seus auxiliares.

"Se estou aqui, foi por tua causa", afirmou, sem mencionar Lula nem Dilma.

Disse que, quando presidente, FHC construiu "um processo político de tolerância, compreensão e criação".

"E nós precisamos ter presente, Fernando, que os tempos mudaram." E citou Nelson Rodrigues: "Ele dizia que, no seu tempo, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos. O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia. E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento".

Esse encerramento da fala provocou perplexidade em governistas da plateia. "O que ele está querendo dizer?", indagou um petista.

Questionado sobre a fala, FHC disse que não viu nenhuma tentativa de fazer "comparações". Sobre os "idiotas", FHC sorriu e concordou: "É, aquilo foi forte".

Já o presidente do ITV (Instituto Teotonio Vilela), Tasso Jereissati, avaliou que o titular da Defesa "fez um discurso cheio de recados".

Aliados do ministro dizem que ele está, de fato, insatisfeito com Dilma. Recentemente se queixou a correligionários de que a presidente não o convoca para opinar sobre assuntos de política e direito, como Lula fazia.

Ele também ficou incomodado com o corte do orçamento de sua pasta. Assessores da Defesa negam que Jobim tenha manifestado a vontade de deixar o cargo.

ECUMÊNICO

Vários aliados de Dilma participaram da homenagem a FHC no Senado: o governador Eduardo Campos (PSB-PE), o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), que fez um discurso elogiando o ex-presidente, e o ministro Garibaldi Alves (Previdência).

A mestre de cerimônias do evento foi a atriz Fernanda Montenegro. O vice-presidente Michel Temer recepcionou o tucano no gabinete do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

No discurso, FHC se disse "muito feliz" com a carta elogiosa que recebeu de Dilma por conta do aniversário de 80 anos e que viu no gesto a prova de que "não é preciso destruirmos um ao outro".

O discurso mais crítico ao PT foi feito por José Serra, que disse que, quando presidente, FHC jamais "passou a mão na cabeça de aloprado".

FOLHA

Seguidores de Chávez se concentram em Caracas após presidente anunciar câncer

Dezenas de seguidores do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, se concentraram na noite de quinta-feira (30) na principal praça de Caracas imediatamente depois de o líder do país anunciar desde Cuba que luta contra um câncer que o obrigou a passar por duas operações nos últimos dias.

Entre os manifestantes, destaque para vários dirigentes do seu partido, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), que dizem acreditar que o governante irá superar a doença.

A deputada e ex-presidente da Assembleia Nacional Cilia Flores disse que as manifestações se repetem nas principais praças de outras cidades e exortou os "chavistas" a ficarem unidos.

"É um milagre que isto tenha acontecido em terra solidária", acrescentou a também vice-presidente do PSUV ao defender o "direito do presidente a manter o repouso e ficar em Cuba".

Após agradecer ao governo e ao povo cubano por "atendê-lo e cuidar dele em sua franca recuperação", Cilia Flores ressaltou: "Vamos esperar por ele o tempo que for necessário. 

Continuaremos defendendo o nosso comandante".

As manifestações começaram depois que Chávez concluiu uma alocução transmitida para o povo venezuelano desde Havana, imediatamente seguida por um comparecimento em Caracas do vice-presidente do país, Elías Jaua, e de todos os ministros.

"Não há tempo para a tristeza, mas para a coragem e para o trabalho", disse Jaua, que pediu que os adversários políticos do governo respeitem a saúde de Chávez.

"Aos nossos adversários, pedimos respeito pela saúde do presidente. Não pedimos mais", disse Jaua desde o Palácio Presidencial de Miraflores.

FOLHA

Hu Jintao adverte PC chinês, aos 90, sobre ameaça da corrupção

O presidente da China, Hu Jintao, advertiu nesta sexta-feira, durante as comemorações dos 90 anos do Partido Comunista Chinês, que a corrupção pode custar ao partido a perda de legitimidade e da confiança da população.

Hu fez as declarações em um discurso para membros do partido no Grande Palácio do Povo, em Pequim. O discurso de 90 minutos foi transmitido ao vivo pela TV chinesa.

O presidente elogiou as realizações do Partido Comunista desde que chegou ao poder, em 1949, mas advertiu que seus membros devem ser mais disciplinados do que nunca.

O PCC (Partido Comunista Chinês) é considerado o maior partido político do mundo, com 80 milhões de afiliados.

ERROS E REVESES

Durante o discurso desta sexta-feira, Hu Jintao falou sobre os obstáculos que a China superou no último século e as realizações do PCC "na revolução, no desenvolvimento e na reforma".

"Em alguns períodos históricos, nós cometemos erros e até sofremos reveses sérios, cuja raiz foi que nosso pensamento-guia estava divorciado da realidade da China", afirmou, sem especificar.

Para analistas, a referência pode ter sido aos períodos do Grande Salto Adiante e da Revolução Cultural, promovidos por Mao Tsé-tung, que levaram à morte de milhões de pessoas. Os livros oficiais de história chinesa, aprovados pelo PCC, dizem que Mao acertou em 70% do tempo e cometeu erros em 30%.

"Nosso partido conseguiu corrigir os erros pela sua própria força e pela força do povo, levantou-se em meio aos reveses e continuou a avançar vitoriosamente", afirmou Hu.

"Hoje, uma vibrante China socialista emergiu no Oriente e o 1,3 bilhão de chineses estão marchando adiante, cheios de confiança sob a grande bandeira do socialismo com características chinesas", disse.

Hu advertiu, porém, que o PCC se confrontava com "dores do crescimento" e que a "incompetência" de alguns de seus membros e seu "divórcio do povo" haviam criado problemas para o país.

Segundo ele, a corrupção, se não controlada efetivamente, poderia ameaçar a legitimidade do partido.

"A corrupção custará ao partido o apoio e a confiança do povo", disse. "Não podemos transformar nosso poder em um instrumento para ganhos pessoais de um punhado de indivíduos", advertiu.

"É mais urgente do que nunca que o partido imponha a disciplina de seus membros", afirmou.

CELEBRAÇÕES

O discurso do presidente foi apenas um de centenas de eventos organizados para celebrar os 90 anos da fundação do PCC.

Houve apresentações de gala, programas especiais na TV, concursos de canto e o lançamento de um filme patriótico, "O Começo do Grande Renascimento", com a participação das principais estrelas do cinema chinês.

O governo também inaugurou nesta semana, como parte das celebrações, uma nova linha de trem-bala, entre Pequim e Xangai, que custou US$ 33 bilhões (R$51,5 bilhões), e pretende iniciar ainda nesta sexta-feira testes com o primeiro porta-aviões chinês.

Apesar das comemorações realizadas neste 1º de julho, o partido foi fundado, na realidade, no dia 23 de julho de 1921 em Xangai por um pequeno grupo de intelectuais, incluindo Mao Tsé-tung.

O partido chegou ao poder em 1949 após derrotar o Partido Nacionalista em uma longa e sangrenta guerra civil.

Sob a liderança de Mao, o partido iniciou em 1958 o Grande Salto Adiante, uma campanha para aumentar a produção industrial durante a qual milhões de pessoas morreram de fome por conta da queda na produção agrícola.

Outros milhões morreram durante a Revolução Cultural, lançada por Mao em 1966 para romper com a cultura tradicional chinesa e "purificar" o partido.

Após a morte de Mao, em 1976, seu sucessor, Deng Xiaoping, introduziu reformas de abertura de mercado que ajudaram a impulsionar o crescimento chinês e levar o país ao posto atual de segunda maior economia do mundo.

Apesar da abertura e do desenvolvimento econômico, que tirou centenas de milhões de pessoas da pobreza, a China permanece sob um regime político fechado dominado pelo Partido Comunista.

Nos meses anteriores ao aniversário de 90 anos de fundação do PCC, as autoridades chinesas lançaram sua maior ofensiva de repressão a dissidentes em quase 20 anos.

BBC BRASIL/FOLHA

"Países pobres não conseguirão reduzir fome até 2015", diz Graziano

O novo diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), o brasileiro José Graziano da Silva, admitiu que muitos países pobres não conseguirão cumprir com as metas fixadas pela ONU para reduzir até 2015 pela metade o número de pessoas que passam fome, em uma entrevista concedida nesta sexta-feira à France Presse.

Em 2000, os 192 países membros das Nações Unidas fixaram os chamados Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, entre eles o de reduzir pela metade, entre 1990 e 2015, a proporção de pessoas que padecem com a fome, calculada em cerca de 400 milhões de pessoas.

"A Meta do Milênio estabelecia reduzir pela metade o número de pessoas com fome. Ainda assim, creio que muitos países pobres não poderão fazê-lo, principalmente os países pobres menores, onde muitas vezes as necessidades e urgências são maiores", afirmou, em uma das primeiras entrevistas concedidas à imprensa.

"O que faz falta são duas coisas: recursos e cooperação internacional para apoiar esses países mais frágeis, porque eles não podem alcançar os objetivos por conta própria", explicou.

"Para a erradicação da fome não é preciso inventar a roda. Não é algo como uma central atômica, que precisa de grandes inovações tecnológicas. São programas conhecidos, como aumentar a produtividade da agricultura familiar, desenvolver os mercados locais de alimentos, porque é aí que se produz a segurança alimentar", acrescentou.

O novo diretor-geral da FAO -- que assumirá o cargo em 1º de janeiro de 2012 e permanecerá na função até julho de 2015 -- é o primeiro latino-americano a ocupar essa posição desde que a organização foi fundada em 1945.

Na disputa pelo cargo, o brasileiro, que obteve 92 votos contra 88 do ex-chanceler espanhol Miguel Angel Moratinos, recebeu o apoio da América Latina e dos chamados "países não-alinhados" do G-77, entre eles, boa parte da África e Indonésia.

FRANCE PRESS/FOLHA

luishipolito@outlook.com

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