segunda-feira, 18 de julho de 2011

Secretário diz que moratória dos EUA "não é uma opção"

O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, ressaltou nesta segunda-feira que a moratória dos Estados Unidos está "fora da mesa de negociações e não é uma opção".

A declaração foi dada nesta segunda-feira, a duas semanas do prazo máximo dado pelo próprio Geithner para que um acordo seja alcançado antes de o governo perder a capacidade de pagamento de suas contas, inclusive dos compromissos com investidores.

"É muito importante que a liderança do partido republicano tenha tirado definitivamente a moratória da mesa de negociação", disse Geithner em entrevista à emissora "CNBC".

No entanto, o secretário do Tesouro destacou a "necessidade de se encontrar um caminho para avançar na redução do deficit a longo prazo".

Se a alta do teto de endividamento -  atualmente de US$ 14,3 trilhões - não for aprovada pelo Congresso, o Tesouro anunciou que o país seria obrigado a declarar-se em moratória a partir de 2 de agosto.

Republicanos e democratas continuam sem chegar a um acordo em relação ao aumento dos impostos pagos pelos americanos com rendas mais altas.

O presidente Barack Obama e os democratas o consideram um ponto fundamental, que compensaria o sacrifício que representarão os cortes nos programas sociais.

Já os republicanos dizem que a questão é inegociável, já que prejudicaria a criação de postos de trabalho, em um momento no qual a taxa de desemprego está acima dos 9%.

ALTERNATIVA

A proposta que ganhou mais apoio é a defendida por Harry Reid e Mitch McConnell, líderes democrata e republicano no Senado, que concederia a Obama poderes especiais para elevar o teto da dívida, mas obrigaria a várias votações no Congresso.

Geithner reconheceu a viabilidade do plano, mas ressaltou que o Governo continua "trabalhando com ambas as partes para tentar obter um pacto que não só evite a entrada em moratória, mas garanta que o país faça algo útil para resolver o problema do deficit fiscal a longo prazo".

FOLHA

Parentes do 11 de Setembro querem reunião com FBI sobre grampos

Familiares de vítimas dos ataques de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos pediram para se encontrar com o FBI (polícia federal americana) e o Departamento de Justiça americano para terem acesso ao inquérito preliminar da agência sobre os relatos de que repórteres da News Corp. teriam tentado grampear os telefones de vítimas dos ataques.

Autoridades norte-americanas reconheceram que averiguam informações publicadas pelo jornal britânico "Daily Mirror", segundo o qual repórteres do tabloide concorrente "News of the World" ofereceram suborno a policiais de Nova York para obter gravações telefônicas de algumas das vítimas do atentado terrorista que completa 10 anos neste ano.

A reportagem, que cita fontes não identificadas, ainda não foi confirmada independentemente, mas já despertou temores nos Estados Unidos sobre o tamanho no país do escândalo de grampos telefônicos envolvendo a News Corp que atingiu a Grã-Bretanha.

O procurador de Nova York Normal Siegel, que representa familiares de vítimas do 11 de Setembro em três ações judiciais, enviou cartas nesta segunda-feira solicitando encontros com o diretor do FBI, Robert Mueller, o secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, e o deputado John Conyers, do Comitê Judiciário da Câmara.

Um porta-voz do FBI disse que não pode passar informações sobre o inquérito, mas disse que o Programa de Assistência a Vítimas do órgão está em contato regularmente com as famílias sobre a investigação.

"Nós iremos, com certeza, fornecer a resposta apropriada a qualquer carta dos representantes das vítimas do 11 de Setembro", disse Bill Carter, do gabinete nacional de imprensa do FBI.

Segundo a reportagem do "Daily Mirror", os jornalistas do "News of the World" queriam detalhes das ligações feitas pelas vítimas dos ataques nos dias antes do 11 de Setembro de 2001. O FBI abriu na semana passada uma investigação para determinar se o News Corporation cometeu alguma atividade ilegal nos Estados Unidos.

ESCÂNDALO

Há anos há denúncias e relatos de que repórteres do tabloide acessaram ilegalmente mensagens de telefones de políticos, celebridades e membros da família real para obter informações exclusivas.

Nas últimas semanas, o escândalo ganhou novas proporções com denúncias de que vítimas de crimes e até familiares de soldados mortos nas guerras do Afeganistão e Iraque foram grampeados. Há ainda relatos de que o tabloide teria pago propina a policiais por informações.

Nesta semana, a comandante da Operação Weeting, que investiga os grampos, Sue Akers admitiu ao Parlamento que apenas 170 pessoas foram contatadas até agora de uma lista de 3.870 nomes, 5.000 telefones fixos e 4.000 celulares.

O "News of The World" pertencia ao grupo News Corporation (News Corp.), um dos maiores conglomerados mundiais de mídia, pertencente a Rupert Murdoch.

O tabloide era o jornal mais vendido aos domingos no Reino Unido, com uma circulação média de quase 2,8 milhões de exemplares. Sua última edição, com o título "Obrigado e Adeus", circulou no domingo passado (10), após decisão de Murdoch de fechar a publicação de 168 anos.

O escândalo também teve repercussão nos negócios de Murdoch. Ele se viu obrigado a retirar a oferta de adquirir a totalidade das ações do canal pago BSkyB, da qual já possui 39%.

FOLHA

Petroleira russa será sócia de brasileira na Amazônia

A TNK-BP, terceira maior petroleira da Rússia, assinou acordo para a compra da participação de 45% da brasileira Petra em blocos de petróleo e gás na bacia do Solimões, na Amazônia, informou nesta segunda-feira a HRT, companhia que tem participação majoritária e é a operadora nos blocos.

O acordo, que havia sido antecipado pela Reuters na sexta-feira, abrange os 21 blocos que a HRT e a Petra exploravam em conjunto na bacia do Solimões. O valor da operação não foi revelado. A HRT possui 55% dos blocos e a Petra controlava o restante.

"O valor da transação dependerá do futuro desempenho dos ativos", afirmou a HRT em nota.

Em maio, a HRT informou à Petra que pagaria um "preço fixo e não ajustável" de R$ 1,29 bilhão (US$ 796 milhões) por sua participação no Solimões, exercendo assim seu direito de compra, segundo um acordo de 2009 fechado entre as duas companhias.

Ao mesmo tempo, a HRT informou que iria negociar com a TNK-BP, que já havia feito uma oferta à Petra e foi recusada por ser considerada financeiramente insuficiente.

O Bradesco avaliou como positiva a nova parceria da HRT, ressaltando que a TNK-BP, além de uma grande participante do mercado - uma das dez maiores produtoras independentes do mundo - tem experiência em produção e comercialização de óleo leve e gás natural.

"Por isso, a capacidade de financiamento da parceira da HRT para cumprir os investimentos necessários na bacia do Solimões não será mais uma questão relevante", afirmou o Bradesco em nota.

Segundo estimativas iniciais, o óleo encontrado na bacia do Solimões teria entre 43 e 47 graus API, "um dos melhores do Brasil", segundo afirmou em janeiro o presidente da HRT, Márcio Mello.

ESTREIA RUSSA

Esta é a primeira vez que uma empresa russa entra na exploração e produção de petróleo no Brasil, que até 2008 realizava leilões anuais de blocos de petróleo e gás natural e que prevê uma 11ª rodada de licitações para este ano, ainda sem data marcada.

A TNK-BP é uma joint venture entre a britânica British Petroleum e o grupo AAR (Alfa, Access/Renova). Cada parte detém 50% da companhia.

Indiretamente, a operação amplia a presença da BP no país, empresa que aguardou mais de um ano para a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) autorizar a compra dos ativos da norte-americana Devon no Brasil, por conta do acidente ambiental da BP no golfo do México.

A HRT permanecerá como operadora do projeto do Solimões, tendo a TNK-BP com uma participação mais ativa durante os períodos de desenvolvimento e produção, informou a HRT em um comunicado.

A expectativa da TNK-BP é finalizar os acordos antes do fim de agosto e submeter a operação à aprovação do conselho de administração até setembro. A previsão da HRT é de que o primeiro óleo da bacia do Solimões será extraído em 2012.

Os blocos da HRT na Amazônia contêm até o momento 11 acumulações de hidrocarbonetos, que foram avaliadas pela certificadora DeGolyer and MacNaughton em 783 milhões de barris de óleo equivalente em recursos prospectivos e contingentes.

REUTERS/FOLHA

Bovespa fecha com menor nível de preços desde maio de 2010

A Bolsa de Valores fechou pela primeira vez desde maio de 2010 no patamar dos 58 mil pontos, e já acumula uma desvalorização de 15% desde o início do ano.

Apesar das perdas registradas neste ano, os pontos de interrogação no front externo e doméstico ainda não animam o investidor a ficar na ponta de compra do mercado.

"A discussão em torno do teto da dívida norte-americana seguirá como foco junto com o anúncio dos balanços, ainda mais numa semana com agenda não tão relevante", comenta Eduardo Dias, analista da Omar Camargo Investimentos. Na análise dessa corretora, a Bolsa pode ter recuperações pontuais nos próximos dias, sem escapar, no entanto, da tendência predominante de baixa.

O índice Ibovespa, que reflete os preços das ações mais negociadas, retrocedeu 1,08% no fechamento, aos 58.837 pontos. O giro financeiro foi de R$ 8,36 bilhões, mas inflado pelo vencimento de opções, que movimentou R$ 2,4 bilhões.

Opções são contratos em que as partes negociam direitos de compra ou de venda de um ativo financeiro, até um prazo determinado.

No vencimento das opções neste mês, o contrato mais negociado foi a opção para a compra de ação preferencial da Vale por R$ 45,48, com um volume de R$ 456 milhões. Com um movimento de R$ 325,86 milhões, a opção de compra para a ação da Vale PN a R$ 43,48 foi o segundo contrato mais negociado.

O dólar comercial foi cotado por R$ 1,579, em alta de 0,12%.

O boletim Focus, elaborado pelo Banco Central, revelou que boa parte dos economistas do setor financeiro manteve suas projeções para a variação do IPCA em 2010 (6,31%) e em 2011 (5,20%).

O BC volta a se reunir amanhã e quarta-feira para decidir a nova taxa básica de juros do país. Boa parte dos analistas acredita em um ajuste de 12,25% ao ano para 12,50%.

EMPRESAS

O fundo americano YA Global Investments BR LLC, da Yorkville Advisors, de Nova Jersey, deve investir até US$ 50 milhões na Mundial, empresa brasileira de produtos de cuidade pessoal. A ação preferencial da companhia disparou 13,22% no pregão de hoje da Bovespa, com negócios de R$ 277,36 milhões (o quarto papel mais negociado). Até ontem, esse ativo já acumulava valorização de 1.203,4%.

FOLHA

Rebecca Black solta nova música na internet

Rebecca Black, 14, está de volta. A garota, que ficou famosa com o hit "Friday" no YouTube, lançou nesta segunda-feira (18) sua nova música, "My Moment" (meu momento, em inglês).

"My Moment" conta a história de sua rápida ascensão ao sucesso, uma resposta a todos que criticaram a artificialidade e superficialidade de seu sucesso: no vídeo, Rebecca grava em estúdio, ensaia coreografias e chega de uma limusine ao grande momento.

"É uma história de conto de fadas, mas aconteceu de verdade", diz um comunicado divulgado na segunda passada.

Em junho, Rebecca participou do videoclipe de "Last Friday Night", da cantora Katy Perry.

"Friday" alcançou mais de 160 milhões de visualizações na rede, e chegou a ultrapassar os clipes de "Born This Way", de Lady Gaga, e "Pray", de Justin Bieber. No entanto, a música foi chamada pela crítica musical de "a pior música da história".

FOLHA

Mano valoriza renovação, mas indica mudanças na seleção brasileira

CAMPANA - Apesar da eliminação precoce na Copa América, com a derrota nos pênaltis para o Paraguai no domingo, o técnico Mano Menezes tratou de valorizar a renovação feita por ele neste primeiro ano no comando da seleção brasileira. Mas também indicou que fará algumas mudanças já na próxima convocação, marcada para acontecer no dia 25 de julho, quando divulgará a lista para o amistoso de agosto contra a Alemanha.


"Fizemos uma transformação bastante grande para esse primeiro ano de trabalho. E você precisa fazer isso com cuidado, porque, quando se sai de uma competição, a avaliação que se tem sobre os jogadores que chegaram não é a mesma se nós tivéssemos vencido", afirmou Mano. "Essa transformação é cuidadosa justamente para proteger aqueles que nós entendemos que têm um potencial grande e vão chegar com a gente em 2014. Vamos continuar com essa linha, tomando cuidado para não fazer nada apressadamente".
Mas Mano reconhece que a sua primeira competição oficial no comando da seleção terá um peso grande na sequência do trabalho. "A Copa América é uma referência, uma etapa importante de avaliação, porque nós não teremos muitas competições oficiais até 2014 e ela segue os moldes de uma Copa do Mundo no sistema de disputa", explicou o treinador. "As avaliações não vão levar em conta o jogador que perdeu um pênalti, que cometeu uma falha. Vai ser levado em conta o todo, para não sermos injustos".
Para o amistoso contra a Alemanha, no dia 10 de agosto, em Stuttgart, ele deverá chamar um grupo um pouco diferente do que esteve na Copa América. "Vamos respeitar algumas questões da Copa América, porque ficamos com os jogadores 35 dias e alguns estão voltando para a Europa. Também vamos levar em consideração a Alemanha, que é um time forte e fez uma boa Copa do Mundo", admitiu Mano.
Depois da Alemanha, o Brasil fará dois amistosos com a Argentina em setembro, quando terá apenas jogadores que atuam em clubes brasileiros, e ainda enfrentará Espanha e Itália até o final do ano. Um calendário que vai exigir bastante da seleção, exatamente como Mano quer. "Queremos que a exigência seja alta, queremos medir nossa capacidade contra adversários fortes, mesmo com o risco do resultado, que sempre cria uma pressãozinha externa maior", avisou.
Pensando sempre no processo de renovação da seleção, Mano revelou nesta segunda-feira que irá viajar para a Colômbia em agosto para ver o time do Brasil em ação no Mundial Sub-20. "Nós enxergamos na seleção Sub-20 alguns jogadores com capacidade para estar num curto espaço de tempo na seleção principal", reforçou o treinador - o meia Lucas já seguiu esse caminho neste ano, após o sucesso no Sul-Americano Sub-20 em janeiro.
Outra meta no futuro próximo da seleção é a Olimpíada de Londres, no ano que vem, quando o Brasil tentará a inédita medalha de ouro. "É a próxima etapa marcante do trabalho", disse Mano. "Temos muitos jogadores que fazem parte da seleção que têm condição de estar na seleção olímpica", completou o treinador, prometendo usar os amistosos da seleção principal no ano que vem para dar mais experiência e poder testar outros jogadores com idade olímpica.
ESTADÃO

Compositor Osvaldo Lacerda morre aos 84 anos

Um dos principais representantes da escola nacionalista no Brasil, o compositor paulistano Osvaldo Lacerda morreu de falência múltipla dos órgãos nesta segunda-feira (18), em Taquaritinga (SP), aos 84 anos de idade.

Ao lado de sua mulher, a pianista e ex-aluna Eudóxia de Barros, 74, Lacerda era ativo divulgador da música erudita brasileira. Laureada com diversos prêmios, sua produção destaca obras vocais, pianísticas e de câmara, seguindo a cartilha do nacionalismo de seu mestre e guru, Camargo Guarnieri (1907-1993).

Lacerda foi pupilo de Guarnieri entre 1952 e 1962, uma década decisiva: foi o professor quem o incentivou na direção da composição (Osvaldo, que começara a estudar piano aos nove anos de idade, era até então essencialmente um instrumentista) e definiu sua personalidade artística e orientação estética.

Dotado de sólida formação técnica, Lacerda foi ainda um pedagogo respeitado: livros de sua autoria, como "Compêndio de Teoria Elementar da Música", "Exercícios de Teoria Elementar da Música", "Curso Preparatório de Solfejo e Ditado Musical", e "Regras de Grafia Musical" permanecem até hoje no catálogo, sendo adotados em escolas de música do Brasil e de Portugal. Ocupava a cadeira n. 9 da Academia Brasileira de Música.

O velório começou às 14h desta segunda. O enterro deve acontecer na manhã desta terça, no Cemitério da Consolação.

FOLHA

Charlie Sheen é confirmado como protagonista em nova série

Charlie Sheen foi confirmado nesta segunda-feira como protagonista de uma nova série, informa o site Hollywood Reporter.

A série será baseada no filme "Tratamento de Choque", de 2003 estrelado por Adam Sandler e Jack Nicholson.

Sheen irá interpretar uma nova versão do personagem de Nicholson, um especialista no tratamento de pessoas com dificuldade de controlar seus ataques de raiva a partir de métodos pouco ortodoxos.

Ainda não foi definido em qual emissora a série será exibida. Segundo a produtora, duas grandes emissoras já mostraram interesse no retorno de Sheen à TV.

O ator afirmou ao site que terá parte do controle criativo sobre a série e comemorou a volta à TV. "É ótimo estar de volta aos negócios com um dos meus produtores favoritos", disse.

A série será produzida por Joe Roth, que já produziu mais de 50 filmes. Entre seus trabalhos recentes estão "Alice no País das Maravilhas" e "O Sorriso de Mona Lisa".

FOLHA

Os problemas mundiais de energia

José Goldemberg - O Estado de S.Paulo
Viena, a bela capital do Império Austro-Húngaro, foi um dos mais importantes centros culturais da Europa desde o século 18 até 1938, quando a Áustria foi incorporada pelos nazistas à Alemanha. Nesse longo período, em Viena brilharam Mozart, Beethoven, Strauss e inúmeros outros expoentes da música e da cultura. Sigmund Freud, que viveu desde os 4 anos de idade nessa cidade, ali criou a psicanálise.
Hoje em dia Viena é a sede de numerosas organizações internacionais, como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). E também de renomadas instituições dedicadas à pesquisa, como o Instituto Internacional para a Análise de Sistemas Aplicados (Iiasa), que durante a guerra fria foi o único local de encontro de cientistas americanos e soviéticos. O Brasil recentemente se tornou um dos países-membros do Iiasa.
Ao que parece, estamos presenciando um renascimento das contribuições de Viena à ciência e à governança mundial. Lá se realizou, há cerca de um mês, um Fórum de Energia promovido pela Unido, no qual foram apresentados os resultados de um grupo de mais de cem técnicos e cientistas reunidos no Iiasa, que, depois de quatro anos de trabalho, relataram as conclusões de um estudo intitulado Energia, uma Avaliação Global.
Como se sabe, a energia que a nossa civilização exige origina-se em grande parte de combustíveis fósseis (carvão mineral, petróleo e gás natural). Apesar de sua enorme contribuição para promover o conforto de parte importante da população mundial, esse sistema está criando problemas que ameaçam a estabilidade e a continuidade do tipo de civilização que temos hoje.
Isso porque os combustíveis fósseis são a principal fonte de poluição nas grandes cidades e em regiões inteiras do mundo, com sérias implicações para a saúde. Emitem gases que estão provocando o aquecimento do planeta. E são a origem de inúmeros problemas que comprometem a segurança de abastecimento energético, uma vez que muitos países não têm reservas de petróleo e gás e ficam dependentes de pressões políticas dos fornecedores, como os países do Oriente Médio e a Rússia.
Além disso, pouco se faz, por causa do seu custo, para resolver o problema de quase 3 bilhões de pessoas sem acesso a formas modernas de energia nas regiões mais pobres do mundo.
As propostas que existem para solucionar tais problemas se originam, de modo geral, nos países industrializados, que têm acesso a combustíveis fósseis, mas estão preocupados com o aquecimento da Terra - o que só vai ocorrer a médio prazo, havendo ainda tempo para corrigir os rumos atuais. Daí o entusiasmo de alguns deles pela energia nuclear, que contribui para resolver essa questão, mas cria várias outras, de gravidade maior e imediata, como se viu no recente desastre nuclear de Fukushima, no Japão.
Já nos países em desenvolvimento os problemas são mais amplos, incluindo a necessidade de incorporar ao sistema os bilhões de habitantes que não têm acesso a serviços de energia moderna, além da necessidade de pagarem pela importação de combustíveis fósseis, o que compromete suas economias.
O Fórum de Energia de Viena analisou os resultados daquele grupo de cientistas reunidos no Iiasa e as soluções propostas. Esses estudos mostram que existem várias combinações de recursos naturais e tecnologias que permitiriam resolver simultaneamente os problemas acima mencionados sem a necessidade de energia nuclear nem de outras tecnologias ainda não completamente testadas, como a captura de carbono ou tecnologias planetárias ainda mais problemáticas.
A declaração ministerial que emergiu de Viena adotou três decisões básicas, recomendando aos países que adotem medidas para:
Garantir acesso universal de serviços de energia aos 3 bilhões de pessoas que não os possuem e a toda população mundial até 2030;
melhorar a eficiência no uso de energia em 40% até 2030;
aumentar a contribuição das energias renováveis no sistema para 30% até 2030.
A base técnica que deu origem a essas metas não vai exigir muito mais recursos do que os que são usados atualmente, mas seu redirecionamento. Ficou evidente no estudo que energias renováveis, como a eólica, a solar e a biomassa, que em geral são consumidas no local onde são produzidas, reduzem a insegurança energética.
Há também uma sinergia, isto é, uma complementação favorável entre maior eficiência energética e energias renováveis, porque maior eficiência permite realizar as mesmas tarefas com menos energia, o que favorece o uso das renováveis.
As metas do Fórum de Energia de Viena têm caráter global e cada país deverá tentar cumpri-las de acordo com suas características próprias. Para o Brasil elas não apresentam nenhum problema, porque nossa matriz energética já é renovável em 45%. Onde novos esforços poderão ser feitos é no uso mais eficiente de energia, o que pode ser conseguido etiquetando todos os equipamentos usados - como, aliás, já é feito com muitos eletrodomésticos - e aos poucos eliminando do mercado os menos eficientes.
No plano geral, as metas de Viena deverão ter grande impacto na conferência das Nações Unidas, em junho de 2012, no Rio de Janeiro, para marcar o 20º aniversário da Convenção do Clima e da Convenção da Biodiversidade realizadas, também no Rio, em 1992. Com isso deverão tomar novo impulso os esforços para orientar o desenvolvimento energético numa direção sustentável.
PROFESSOR EMÉRITO DA USP, É COPRESIDENTE (BRASIL), JUNTAMENTE COM GED DAVIES (REINO UNIDO), DO ESTUDO ''ENERGIA, UMA AVALIAÇÃO GLOBAL'' (''GLOBAL ENERGY ASSESSMENT'')
ESTADÃO 

Venezuela supera Arábia Saudita em reservas de petróleo, diz Opep

LONDRES - O boletim estatístico anual da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) diz que as reservas comprovadas de petróleo da Venezuela ultrapassaram as da Arábia Saudita em 2010 e se tornaram as maiores do mundo. Segundo a Opep, as reservas comprovadas de petróleo da Venezuela alcançaram 296,5 bilhões de barris no ano passado, com crescimento de 40,4% no ano, enquanto as reservas sauditas ficaram em 264,5 bilhões de barris.
No longo prazo, essa mudança, ao lado do crescimento das reservas de Irã e Iraque, dá mais poder dentro da Opep para países membros que defendem preços altos. As reservas do Iraque tiveram um crescimento de 24,4% em 2010, para 143,1 bilhões de barris, e as do Irã cresceram 10,3%, para 151,2 bilhões de barris.
Segundo a Opep, as reservas de petróleo bruto de todos os países membros totalizavam 1,193 trilhão de barris no fim de 2010, com um crescimento de 12,1% em relação ao ano anterior; isso era o equivalente a 81,3% das reservas mundiais comprovadas, de 79,6% no fim de 2009.
Os dados da Opep em geral confirmam números fornecidos no começo do ano pelos países membros.
Analistas têm dúvidas sobre se as adições às reservas venezuelanas têm viabilidade econômica, já que a maior parte é de petróleo pesado e extrapesado da Bacia do Orinoco, cuja extração é considerada mais difícil e mais cara. As estatísticas venezuelanas, que anteriormente eram controvertidas, agora são consideradas mais confiáveis, depois de a Agência Internacional de Energias (AIE, da ONU) revisar seus critérios de cálculo, no mês passado.
Os dados da Opep também confirmam as declarações do governo do Irã, de que as sanções econômicas impostas pelos EUA e por seus aliados não estão prejudicando o desenvolvimento de sua indústria de petróleo e gás. Segundo a Opep, as exportações iranianas de petróleo para a Europa tiveram um crescimento de 34,5% em 2010, para a média de 764 mil barris por dia; as exportações iranianas tiveram um crescimento global de apenas 0,7%, já que as vendas para a região da Ásia e do Pacífico tiveram uma queda de 11%. Já as reservas iranianas de gás natural tiveram um crescimento de 11,8% no ano passado, enquanto suas exportações de gás cresceram 48,7%.
O valor total das exportações de petróleo dos países membros da Opep alcançou US$ 745,1 bilhões em 2010, com um crescimento de 27,2% em relação ao ano anterior. O PIB agregado dos países da Opep alcançou US$ 2,325 trilhões em 2010, com um crescimento de 11,2%. As informações são da Dow Jones.
ESTADÃO

Nazista Sandor Kepiro é absolvido por tribunal de Budapeste

Os magistrados da Corte Municipal de Budapeste, a capital da Hungria, absolveram nesta segunda-feira o nazista húngaro Sandor Kepiro, 97, que era acusado de cumplicidade na execução de mais de 30 sérvios e judeus em 1942.

A Promotoria pedia uma pena de prisão exemplar, enquanto a defesa de Kepiro queria a anulação do processo ou a absolvição, o que conseguiu. O húngaro é considerado um dos últimos criminosos nazistas ainda vivos.

A acusação girava em torno da participação em crimes de guerra na Sérvia em 1942, ocasião em que, segundo os promotores, foi cúmplice de atos de crimes de guerra como comandante de uma patrulha durante o massacre de ao menos 1.200 judeus e sérvios em Novi Sad, uma cidade localizada atualmente em território sérvio.

Kepiro, então capitão de polícia, é acusado diretamente pelo assassinato de 36 pessoas. 

Chegou-se a cogitar que o tribunal o condenaria à prisão perpétua. Ele abandonou a Hungria após a Segunda Guerra e viveu na Argentina até seu regresso ao país europeu em 1996.

Kepiro figura entre os primeiros da lista do centro Wiesenthal, que persegue os ex-criminosos de guerra nazistas. Antes de entrar no tribunal no dia do julgamento, ele alegou inocência. "Isto é um circo. As acusações contra mim são mentiras", disse aos jornalistas.

A Hungria se juntou às nações do Eixo após o início da guerra, mas foi ocupada pela Alemanha em 1944 depois de tentativas de negociações de paz com os poderes aliados.

FOLHA

Analgésico pode aliviar sintomas relacionados à demência, diz estudo

Muitos pacientes com demência atualmente tratados com medicamentos antipsicóticos poderiam se beneficiar mais de tratamentos à base de simples analgésicos, indica um estudo.

Especialistas britânicos e noruegueses concluíram que remédios para dor diminuíram significamente sintomas como agitação e comportamento agressivo, comuns em pessoas que sofrem da condição.

Tendo em vista os resultados do trabalho, a Alzheimer's Society - entidade britânica que promove pesquisas sobre várias formas de demência e oferece suporte a pacientes e profissionais - quer que os médicos passem a considerar outros tratamentos para aliviar esse tipo de sintoma em seus pacientes.

Os autores do trabalho dizem acreditar que a descoberta pode ajudar pacientes com demência a conviver melhor com a condição.
O estudo foi publicado no site da revista científica "British Medical Journal" ("BMJ").

COMUNICAÇÃO

Segundo especialistas, no Reino Unido anualmente cerca de 150 mil pacientes com demência que apresentam sintomas como agitação e agressividade são tratados com antipsicóticos.

Esses remédios têm um poderoso efeito sedativo e podem piorar os sintomas de demência, além de aumentar os riscos de derrames e morte.

Mas os pesquisadores do Kings College, em Londres, e da Noruega, suspeitavam de que os sintomas poderiam, em alguns casos, resultar de dor (que os pacientes, por causa de sua condição, teriam dificuldade em expressar).

Eles fizeram um experimento com 352 pacientes com demência grave ou moderada que vivem em lares para idosos na Noruega.

A metade passou a tomar analgésicos junto com as refeições e os outros continuaram a seguir o tratamento convencional.

SUPERVISÃO

Após oito semanas, o grupo que tomou analgésicos apresentou uma redução de 17% nos sintomas agitação e agressividade. Esse grau de melhora foi superior ao que se poderia esperar de tratamentos à base de antipsicóticos.

Os pesquisadores concluíram que, se a dor do paciente for tratada de forma adequada, os médicos poderão reduzir o uso de drogas antipsicóticas.

O especialista Clive Ballard, diretor de pesquisas da Alzheimer's Society e um dos autores do estudo, disse que as revelações são importantes.

"No momento, a dor é pouco tratada em pessoas com demência porque é muito difícil reconhecê-la", disse. "Acho que (a descoberta) pode fazer uma grande diferença na vida das pessoas, pode ajudá-las a conviver melhor com a demência".

Ballard ressalta, no entanto, que analgésicos devem ser receitados sob supervisão médica.

A Alzheimer's Society está publicando novas orientações sobre o assunto, sugerindo a médicos que pensem muito antes de receitar antipsicóticos e que procurem receitar analgésicos.

A National Care Association - organização britânica que representa entidades que oferecem serviços a idosos e os usuários desses serviços - disse que o estudo ressalta algumas das complexidades da demência.

"A dor em si já é debilitante, então identificá-la como a causa da agitação e do comportamento agressivo é um grande avanço, que permitirá que cuidemos das pessoas de forma apropriada", disse a presidente da organização, Nadra Ahmed.

BBC BRASIL/FOLHA

Ouro ultrapassa pela 1ª vez US$ 1.600 a onça em Nova York

O ouro superou nesta segunda-feira pela primeira vez na história os US$ 1.600 a onça na Bolsa Mercantil de Nova York, que nos últimos quatro dias fechou com recorde graças a sua posição de valor refúgio diante das dúvidas sobre a sustentabilidade das contas públicas na Europa e nos Estados Unidos.

Cerca de duas horas após do início das negociações no mercado, o futuro do ouro mais negociado, com vencimento para agosto, somava US$ 10,8 a onça (0,68%) e tocava US$ 1.600,9, superando pela primeira vez em Nova York a simbólica cota de US$ 1.600.

O ouro continuava assim esta segunda-feira com tendência de alta na semana passada, na qual o metal precioso acumulou avanço de 3,1% após amarrar quatro recordes históricos consecutivos: na terça-feira fechou US$ 1.562,3, na quarta-feira US$ 1.585,5, na quinta-feira US$ 1.589,3 e na sexta-feira terminou a US$ 1.590,1.

A escalada do ouro responde "a falta de disciplina fiscal em Washington e na Europa, principalmente quando os investidores esperam que o Federal Reserve [Fed, banco central americano] lance um novo plano de estímulo e vejamos mais resgates na zona do euro", segundo explicou nesta segunda-feira à Agência Efe o sócio de investimento Perpetual Portfolio, Tom Winmill.

O economista prevê que este ano o ouro alcance preço máximo de US$ 1.700 a onça, enquanto garante que em 2012 o metal alcance US$ 1.800.

A abertura em alta do preço futuro do ouro em Nova York respondia um dia mais à estagnação das negociações entre republicanos e democratas no Congresso dos Estados Unidos para elevar o teto de endividamento do país, até agora limitado a US$ 14,29 trilhões, já que, se não alcançar acordo, a nação teria de declarar moratória a partir de 2 de agosto.

As preocupações que levantam a situação, assim como as crescentes dúvidas sobre a dívida soberana de diferentes países da zona do euro, provocaram nesta segunda-feira o preço da onça de ouro à vista também alcançasse pela primeira vez US$ 1.600 no mercado de Londres.

EFE/FOLHA

Vivo vai oferecer comunicação via rádio até o final de agosto

A Vivo anunciou nesta segunda-feira que o serviço de comunicação direta por voz, conhecida popularmente como comunicação via rádio, estará disponível para clientes de todo o Brasil até o final de agosto.

Com isso, a operadora entra de forma "ambiciosa" no mercado que é atendido totalmente pela Nextel, conforme definiu o presidente da unidade de mercado individual da empresa, Paulo Cesar Teixeira.

"Nossa ambição é grande, estamos entrando nesse mercado para ter uma participação relevante", afirmou, no Rio.

Estarão compatíveis com o serviço, denominado de Vivo Direto, os clientes da operadora habilitados em planos pós-pagos, que tenham os aparelhos Blackberry Curve 9300, Nokia 2710, Alcatel OT900 e LG GU295. Até o fim do ano, a expectativa é que mais três modelos de telefone possam oferecer o serviço, denominado formalmente de PTT (Push To Talk).

A rede de comunicação instantânea da Vivo já funciona em todo o país. Em função da disponibilidade de aparelhos na lojas, o lançamento comercial vem sendo feito aos poucos. As lojas da operadora já oferecem aparelhos com a tecnologia PTT nos estados do Sul, e a partir de amanhã, no Rio de Janeiro. 

Ainda esta semana, lojas do Espírito Santo também terão os telefones que poderão se comunicar via rádio.

Teixeira não revelou quando os aparelhos estarão disponíveis em São Paulo, mas adiantou que eles estarão disponíveis nas lojas de todo o Brasil até o fim do mês que vem.

Quem quiser utilizar o serviço, terá que pagar mais R$ 29,90 por mês, e poderá se comunicar apenas com outros telefones Vivo, de forma ilimitada.

"Nossa principal vantagem é oferecer essa comunicação com tecnologia 3G, que já está presente em 1.466 municípios do país. O cliente Vivo Direto poderá se comunicar em todas as regiões do país, e em muitas cidades do interior", observou o diretor geral do segmento corporativo da Vivo, Silvio Antune.

FOLHA

Starwood Capital vai comprar 33% da MRV Log por R$ 250 milhões

O gestor norte-americano de private equity Starwood Capital acertou acordo para comprar 33,3% da MRV Log, braço de logística da MRV Engenharia, por R$ 250 milhões, informou a construtora e incorporadora na noite do domingo.

A operação de investimento envolve a emissão de 62.650.009 ações ordinárias pela MRV Log, totalizando R$ 350 milhões, sendo que R$ 100 milhões serão desembolsados pelos atuais acionistas da empresa de logística.

A estrutura de controle da MRV Log não será alterada após a operação, com a MRV Engenharia permanecendo com 42% da companhia.

"Os recursos obtidos através da operação e do aporte dos acionistas visam financiar a expansão do portfólio de ativos da MRV Log", afirma a MRV em comunicado.

Com atuação em 19 cidades, o projeto de logística da MRV foi criado em 2008 para construção de condomínios de galpões industriais, além de centros de conveniência (strip malls), projetos comerciais e loteamentos industriais.

REUTERS/FOLHA

A crise só acaba na Europa, EUA e Japão se a dívida mirrar ou com crescimento econômico robusto

A economia privada do Ocidente foi salva. Quem agora pede socorro sem que haja quem possa socorrê-la é a economia pública dos países da velha ordem

Antonio Machado
 
 Os governos da União Européia e dos EUA, endividados até o nariz a maior parte deles e todos com déficits fiscais, travam batalhas que parecem as derradeiras depois de quatro anos de crise, desde que a economia americana entrou em recessão no fim de 2007. O suor na fronte dos governantes, no entanto, camufla a verdade.


 A verdade inconveniente, servindo-se deste jargão ambientalista, é que as finanças soberanas da maioria dos países, da Grécia aos EUA, de Portugal ao Japão, há anos são equilibradas com dívidas financiadas no mercado por fundos alavancados - ou seja, oriundos de outra corrente de dívidas - levantados pelo sistema financeiro num circuito em forma de pirâmide. No vértice superior estão os bancos centrais bombando liquidez. Logo abaixo vem a banca comum e o mercado desregulado dos fundos de hedge e outras nomenclaturas.


 É esta corrente de fabricação de riqueza artificial que a quebra do Banco Lehman Brothers em setembro de 2008 desnudou. No primeiro momento, ficou exposta a ruína dos ativos bancários. Os Tesouros e os bancos centrais dos EUA e da zona do euro – as economias mais abaladas pelo terremoto financeiro - encamparam tais papéis a fim de impedir a quebra seriada da banca e, no momento seguinte, uma depressão planetária. A economia privada do Ocidente foi salva.


 O que está agora pedindo socorro sem que haja quem possa socorrê-la é a economia pública dos países da velha ordem: EUA, os da zona do euro, o Japão, cujo endividamento é anterior à loucura dos anos de maior prosperidade desde a 2ª guerra, e a constelação de astros nacionais que orbitam estas superestrelas. Não há solução fácil.


 A crise mais profunda é a dos passivos sem correspondência com o valor dos ativos que os amparavam nos balanços da banca e da rede de fundos que agem como bancos à sombra do mercado regulado. É o que explica o trauma do mercado imobiliário nos EUA, travado desde que o devedor hipotecário ficou sem conseguir renovar os papagaios e a banca perdeu as fontes de alavancagem.

E é também o que aflige países como Grécia e Portugal, que zeravam seus déficits externos e fiscais, mais o principal e juros da dívida pública, com dívida.


Republicanos insanos


 Está ai o esquema simplificado de uma crise que assume múltiplas formas, mas sempre com a mesma causa: o descasamento entre ativos e passivos. Da banca e dos Tesouros e bancos centrais. No caso de países, ela se revelou insustentável para aqueles que já operavam com déficits externos volumosos, caso dos EUA, que só não foram à breca graças ao dólar e aos papéis do Tesouro, vistos, apesar de tudo, como portos seguros nas ondas de aversão ao risco no mundo.


 É essa vantagem única dos EUA que a miopia do Partido Republicano ameaça com sua oposição ao governo Barack Obama, que cresceu desde que ela se tornou majoritária na Câmara, ele se declarou candidato à reeleição em 2012 e ambos tiveram de negociar o aumento do teto da dívida pública do país. Estima-se que os EUA tenham caixa para cobrir os compromissos internos e externos apenas até 2 de agosto.


De fluxos e estoques


 Ninguém de bom senso cogita os EUA em situação de insolvência. Só que o novo radicalismo dos republicanos não conhece limites, o que torna tudo possível. Mas vamos admitir o melhor – e que a lucidez também ilumine os governos europeus que dão as cartas na zona do euro, sobretudo a Alemanha, permitindo à Grécia (ou Portugal e a Irlanda) rolar toda a dívida a vencer nos próximos anos. E daí?


 Não, não respire aliviado. A crise continuará. E isso porque ela é tratada como se fosse problema de fluxo e não de estoque. Grécia vive do turismo, não tem produção, isto é, estoque, para solver a dívida que assumiu, mesmo cortando gasto, e que cresce quanto mais se endivida por causa dos planos de socorro.


 EUA e Japão estão em melhor situação. Ambos têm o que produzir e vender, esquecendo-se o valor percebido do crédito soberano. Mas não basta ter produção.


Armadilha do Ocidente


 Para que funcione a terapia aplicada, que empilha novas dívidas sobre as dívidas vencidas, o crescimento da economia tem de ser maior que os juros do passivo. No caso da Grécia, segundo estudo do Citibank, a economia tem de crescer 5%/ano para que a relação da dívida sobre o PIB (Produto Interno Bruto) fique estável.


 Irlanda e Itália teriam de crescer 5%. Portugal, 4%. É factível? Não, diz o Citi, já que não cresciam a esse ritmo nem antes da crise. Para complicar, os programas de austeridade vão reduzir o crescimento, que subtrai receita, e a inflação, o que vai onerar o valor devido. A economia do mundo rico está presa nesta armadilha.


O tumor não lancetado


 Como diz o analista inglês Niels Jensen, a austeridade aplicada a uma economia exportadora e competitiva como Alemanha pode mitigar com exportações, e até evitar, a contração do mercado interno.


 É o que os EUA estão tentando, ao forçar a desvalorização do dólar com os tais quantitative easing - o sofisma para emissão monetária que implica o aumento de preço das commodities, graças às quais não há déficit na balança comercial do Brasil. Está tudo conectado.


 Obama tenta tirar os EUA do buraco ativando o crescimento, que na conta dele deveria ser da ordem de 3%/ano. No melhor cenário, será de 2%, mesma projeção do FMI para a zona do euro, onde o quadro é pior. O tumor não lancetado da dívida pública debilita todos eles.


CIDADE BIZ

Kelly Cyclone é assassinada em Lauro de Freitas

A jovem Kelly Sales Silva, de 22 anos, conhecida como Kelly Cyclone, foi assassinada na madrugada desta segunda-feira (18) em Lauro de Freitas. Não há informações sobre a autoria do assassinato. O corpo de Kelly está no Instituto Médico Legal (IML), na Avenida Centenário, em Salvador, e o enterro está previsto para às 16h no Cemitério de Portão.
De acordo com familiares, a jovem estava em um show com uma das irmãs quando disse que iria sair, mas voltaria logo. A irmã ainda pediu que ela não fosse. Depois disso, ela não foi mais vista pela família, que soube do crime por volta de 1h desta madrugada.
Os parentes de Kelly acreditam em crime passional e dizem que ela estava no momento do crime com um ex-namorado conhecido apenas como Gustavinho, que seria, de acordo com eles, filho de um policial.
Kelly ficou conhecida após ser presa em fevereiro de 2010 em uma festa do pó na Boca do Rio. Na época, ela foi apontada pela polícia como um dos seis traficantes detidos no evento. A jovem trazia no corpo tatuagens que chamavam a atenção, como um dragão que cobria a perna, a inscrição "Vida Loka" e o nome de um ex-namorado.
A TARDE ONLINE

Dois policiais são mortos em atentado a Posto Fiscal na Bahia

Dois policiais militares foram mortos na madrugada desta segunda-feira (18) durante um atentado ao Posto Fiscal da Secretaria da Fazenda da cidade de Rosário, a 350 km de Barreiras, na divisa com o estado de Goiás. Um outro policial foi baleado na ação.

Segundo o delegado de Correntina, Marcelo Calçado, o ataque aconteceu por volta das 3h30 quando três policiais descansavam e três estavam de plantão. De acordo com testemunhas ouvidas, três carros pararam em frente ao Posto Fiscal, que fica ao lado de um posto de combustível, e os cerca de cinco ocupantes abriram fogo contra os policiais.Dois policiais morreram na hora. Evangenaldo Oliveira Santos foi baleado nas costas e Aires Soares Santos no pescoço. Eles eram lotados no município de Santa Maria da Vitória.

Um outro PM foi baleado na perna e levado para o Hospita de Posse, em Goiás. Ele deve ser transferido ainda hoje para o Hospital de Barrerias, na Bahia. O agente de prenome Abadia não corre risco de morte.
A polícia não tem pistas dos autores do atentado.
CORREIO DA BAHIA

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