quinta-feira, 21 de julho de 2011

Tecnologia torna genoma de US$ 1.000 possível, diz empresa

Uma empresa americana acaba de detalhar, nas páginas de uma das maiores revistas científicas do mundo, sua aposta tecnológica para reduzir a apenas US$ 1.000 o preço de ler os 3 bilhões de "letras" do genoma humano.

"O genoma de US$ 1.000 não apenas é inevitável como é só o começo", disse à Folha o criador da nova tecnologia, Jonathan Rothberg, da Ion Torrent, subsidiária da Life Technologies que fica no Estado de Connecticut (Costa Leste dos EUA).

"No ritmo de desenvolvimento atual da Ion, vamos atingir o genoma de US$ 1.000 em 2013 e continuaremos a fazer o custo cair nos anos seguintes", afirma.

Para mostrar que não estão brincando, os pesquisadores da empresa escolheram como "cobaia" ninguém menos que Gordon Moore, 82, fundador da fabricante de chips Intel.

Ele é autor do postulado segundo o qual a capacidade de processamento dos computadores dobra a cada dois anos, em média.

A decisão de ler o genoma completo de Moore é simbólica porque, para a equipe da Ion Torrent, a chamada lei de Moore também vai começar a valer para os leitores de DNA, cada vez mais potentes.

Além disso, a tecnologia usada nos novos aparelhos é quase idêntica à de qualquer computador ou smartphone da atualidade. Não depende da decifração das "letras" químicas do DNA usando luz, que torna o processo mais trabalhoso e caro com os aparelhos mais comuns hoje.

"O Dr. Moore concordou em nos ajudar porque quer que as pessoas se sintam confortáveis com a tecnologia", diz Rothberg. Versões menos potentes da máquina da Ion Torrent já estão à venda.

FOLHA

Pintor Lucian Freud morre aos 88 anos em Londres

O pintor Lucian Freud, nascido em Berlim, um dos artistas mais conhecidos do Reino Unido, morreu nesta quarta-feira, aos 88 anos, em Londres. Ele era neto de Sigmund Freud.

O marchand de Freud, William Acquavella, disse que o pintor estava doente havia pouco tempo. A causa da morte, no entanto, não foi revelada.

Freud se tornou uma figura importante na cena de arte londrina quando começou a pintar retratos nus de desconhecidos, em geral amigos seus.

As sessões nas quais ele pintava esses retratos costumavam durar dias, e isso podia ser visto nos rostos das pessoas, que mostravam fadiga e estresse.

"Eu pinto pessoas, não precisamente pelo que elas se parecem, não exatamente pelo que elas são, mas como eles deveriam ser", dizia Freud sobre seu trabalho.

Algumas de suas pinturas mais famosas são "Girl With Roses" (1947-48) e "Girl With a White Dog" (1951-52).

Ele também era conhecido por ter um estilo pouco comum de trabalhar, limpando o pincel a cada pincelada.

FOLHA

Indústria de frango vê mais rigor russo e maior abertura chinesa

Ao mesmo tempo em que observa a Rússia, maior importador de carnes do Brasil, ficando mais rigorosa na aprovação de unidades brasileiras habilitadas para exportar, a indústria de frango nacional avalia que terá em breve mais fábricas autorizadas a vender para a China, um mercado em expansão, disse nesta quinta-feira o presidente da Ubabef, Francisco Turra.

Após se reunir com o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura do Brasil, Francisco Jardim, Turra afirmou que as indústrias de carnes brasileiras poderão ter menos unidades habilitadas pelos russos, ainda que o potencial de exportação, em volumes, não venha a ser afetado.

Em meados de junho, a Rússia implementou um embargo à carne produzida de cerca de 90 unidades exportadoras do Brasil. O governo tem tentado derrubar a suspensão.

"Os russos concluíram que o Brasil pode reabrir os mercados, limitando porém o número de plantas. Existiam muitas habilitadas, algumas não estavam nem em condições adequadas nem estavam exportando", disse Turra à Reuters.

Segundo ele, o governo russo pediu ao brasileiro durante visita de uma missão técnica no final do mês passado que realize uma "varredura" para efetivamente verificar quem poderá exportar.

"Eles estão agindo com muito rigor com relação aos fornecedores de proteína animal. Não é o rigor conosco, eles vão adotar critérios cada vez mais rigorosos (para todos os países). O Jardim (secretário) disse que nós temos que nos preparar...", afirmou.

Participaram da reunião em São Paulo nesta quinta-feira com o secretário de Defesa Agropecuária, além de Turra, o presidente da Abiec, Antônio Camardelli, que representa os exportadores de carne bovina, e, por telefone, o presidente da Abipecs, Pedro de Camargo Neto, da indústria de carne suína.

"O Brasil pode ter menos plantas habilitadas e até um espaço maior para participação de mercado... O secretário disse que a grande maioria (das unidades embargadas) com certeza pode retornar", afirmou.

Não há um prazo definido para isso ocorrer.

Os russos são os maiores importadores de carne suína e bovina do Brasil, e compram aproximadamente 4 por cento do volume exportado de carne de frango pelo país.

Mas é a indústria de carne suína, mais dependente dos russos, que deve sofrer mais - o setor também conta com menos unidades que ainda podem exportar. A de bovinos, por outro lado, tem maior capacidade de remanejamento de vendas por meio de mais unidades ainda habilitadas.

CHINA

Turra disse que o setor de frango, o menos afetado pelo embargo russo, ainda trabalha com "a possibilidade concreta de ter habilitadas mais 41 plantas para a China".

"Isso já está praticamente ajustado lá, só depende da análise do ministério chinês", afirmou o presidente da Ubabef, acrescentando que atualmente o Brasil conta com 24 unidades habilitadas para vender à China.

A China atualmente representa 5% das exportações de carne de frango do Brasil, disse ele.

As exportações brasileiras de carne de frango cresceram 6,8% no primeiro semestre de 2011, para 1,93 milhão de toneladas.

REUTERS/FOLHA

Gibi teen da Turma da Mônica vende 500 mil cópias

O número 500 constou das planilhas de Mauricio de Sousa, 75, nos últimos meses. A edição 34 da Turma da Mônica Jovem foi impressa em 500 mil cópias, enquanto a revistinha Mônica comemorou sua 500ª edição.

Enquanto isso, nos EUA, os números para esse mercado são mais desanimadores. Em maio, nenhuma HQ vendeu mais de 100 mil cópias.

A diferença entre as situações está, para Sousa, em sua capacidade de se adaptar a novos contextos. Em 2008, por exemplo, ele envelheceu os personagens da turminha, apostando no mercado teen. O próximo passo será torná-los adultos.

Logo, não surpreende que o desenhista atenda o telefone e responda assim como tem passado: "trabalhando".

"Se um livro vende 5.000 cópias, já é considerado best-seller", diz Sousa à Folha. "Se vendemos 500 mil gibis, dizem tudo bem, acontece".

O empresário faz parte de um mercado que, na última década, viveu a entrada de gibis japoneses, o surgimento de novas editoras e selos especializados e a consagração de artistas nacionais.

A falta de loas ao mercado, para ele, é um sinal de preconceito em relação aos gibis, tidos como entretenimento menor não por ele, que publica a gorducha, baixinha e dentuça desde os anos 60.

Nesse tempo, Sousa reuniu o que chama de arsenal: uma série de estratégias eficientes para vender gibis.

Um exemplo é a edição 34 da Turma da Mônica Jovem e o caso das 500 mil cópias.

"A editora me avisou que a revista tinha tido queda nas vendas em três edições seguidas", afirma. "Falei ´Não por isso! Vamos fazer o Cebolinha e a Mônica namorarem'".

A tática fez as vendas saltarem em 100 mil exemplares, com a capa que já se tornou histórica, mostrando o beijo dos dois personagens.

O fato de Sousa ser uma figura central tanto nos negócios como na parte artística da empresa ajuda na tomada de decisões rápidas, como a do namoro entre Cebolinha e Mônica. 

Nos EUA, "às vezes, as escolhas têm de ser feitas por muitas cabeças", diz.

Afinal, no modelo norte-americano de gibis de super-heróis o direito sobre os personagens nem sempre é do criador, e sim da editora.

A Mauricio de Sousa Produções maior estúdio de quadrinhos da América Latina tem 200 artistas, faz parceria com 110 empresas e publica gibis em 12 editoras. Produz cerca de 1.200 páginas mensalmente.

Não é exagero chamar a empresa de império. Os negócios de Sousa se espalham por mais de 50 países e incluem desenhos animados a espetáculos circenses.

Uma seara na qual ele ainda receia entrar é a dos meios digitais. "Temos feito experiências com iPad. Mas, nessa área, quero entrar onde houver menos pedrinhas".

Por outro lado, Sousa tem mirado a área educacional e tenta entrar no mercado de livros didáticos. Mas ainda não conseguiu que o governo adote seu material. "Se demorar muito, vou lançar eu mesmo e colocar nas bancas".

FOLHA

PMs suspeitos de matar Juan são presos no Rio de Janeiro

Os quatro policiais militares suspeitos de envolvimento na morte e no sumiço do menino Juan Moraes, 11, durante uma operação na favela Danon, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, foram presos no fim da tarde desta quinta-feira no Bepe (Batalhão Especial Prisional), em Benfica (zona norte).

Os cabos Edilberto Barros do Nascimento e Rubens da Silva, e os sargentos Isaías Souza do Carmo e Ubirani Soares, indiciados sob suspeita de duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver, se apresentaram na manhã de hoje no quartel-general da PM, no centro do Rio, para onde foram transferidos desde que foram afastados do patrulhamento.

A Justiça do Rio decretou na noite de ontem (20) a prisão temporária dos quatro policiais, após pedido do Ministério Público do Rio. Eles deixaram o quartel acompanhados de policiais da Corregedoria da PM.

Em seguida, foram encaminhados ao Hospital Geral da PM, no Estácio (zona norte), onde fizeram exame de corpo de delito. Mais cedo, o advogado dos policiais, Edson Ferreira, disse que eles seguiriam o ritual da polícia e ficariam presos no Bepe, sem passar pela Delegacia de Homicídios da Baixada, responsável pela investigação.

Questionado se entraria com pedido de habeas corpus na Justiça, o defensor disse que ainda analisa o caso e estuda qual medida vai tomar.

Juan foi baleado no dia 20 de junho. O garoto, que estava com o irmão de 14 anos, se deparou com um suposto tiroteio na favela entre policiais e traficantes.Testemunhas disseram ter viso Juan sendo baleado.

Anteontem, o delegado da Delegacia de Homicídios da Baixada, Ricardo Barbosa, afirmou que a perícia e as investigações apontam que os disparos que atingiram Juan partiram de fuzis da PM. Além disso, Barbosa destacou não ter sido comprovado que houve confronto no dia do desaparecimento da criança.

Após ficar desaparecido por cerca de dez dias, o corpo de Juan foi encontrado às margens de um rio em Nova Iguaçu. O corpo foi identificado inicialmente, pela perícia, como sendo de uma menina, mas exames de DNA comprovaram que se tratava de Juan.

A perita responsável pela primeira análise foi afastada e é alvo de sindicância. Para a polícia, ela foi "precipitada".

FOLHA

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