quarta-feira, 29 de junho de 2011

Google lança novo projeto de rede social

O Google anunciou nesta terça-feira (28) um novo projeto de rede social, o Google+, que inicialmente oferece cinco recursos principais: Circles, Hangouts, Instant Upload, Sparks e Huddle.

Circles é uma função que permite dividir seus contatos em diferentes grupos --por exemplo, parentes, colegas de trabalho, companheiros de time-- e compartilhar conteúdo diferente com cada um deles.

A ferramenta Sparks recolhe conteúdo variado pela internet e faz uma seleção personalizada para você, baseada nos assuntos que o interessam.

Hangouts é, basicamente, um recurso de videoconferência. Com ele, você pode, por exemplo, organizar uma reunião virtual com vídeo e deixá-la aberta à entrada de outros conhecidos, ou ainda entrar em uma conferência já aberta por um amigo. Cada reunião pode ter até dez pessoas.

Com o Instant Upload, fotos tiradas com um celular podem ser automaticamente armazenadas em um álbum on-line e compartilhadas com as pessoas que você selecionar.

Por fim, o Huddle é uma ferramenta para troca de mensagens em grupo.

No artigo publicado no blog oficial do Google, o vice-presidente sênior de engenharia da empresa, Vic Gundotra, diz: "Percebemos, porém, que o Google+ é um tipo diferente de projeto, que requer um tipo diferente de foco --sobre você. É por isso que estamos dando-lhe mais meios de se manter privado ou ir a público; mais escolhas significativas sobre seus amigos e seus dados; e mais meios de nos dizer como estamos indo".

Inicialmente disponível apenas para um pequeno grupo de usuários (outras pessoas poderão usar o serviço após receberem um convite), o projeto é mais uma aposta do Google na área de redes sociais, dominada pelo Facebook e que já viu tentativas como o Orkut e o Buzz.

FOLHA

Humanos podem ter 'bússola interna', mostra estudo

O mecanismo biológico de insetos que funciona como uma bússola pode existir também em pessoas. Um estudo sobre essa capacidade mostrou que uma proteína das células humanas é similar à do sistema de navegação das moscas-das-frutas.

O trabalho, realizado por biólogos da Universidade de Massachusetts, produziu insetos transgênicos para avaliar a hipótese. O experimento envolveu a implantação de um gene humano nas moscas para averiguar o seu papel.

A ideia veio do laboratório de Steven Reppert, que há oito anos estuda a capacidade de orientação espacial de borboletas-monarcas, insetos capazes de migrar do leste dos EUA para o México todo ano sem errar o caminho.

O biólogo suspeitava que as proteínas responsáveis pela façanha eram os criptocromos. A função principal delas é no relógio biológico que marca a duração do dia. Quatro anos atrás, conseguiu provar que estava certo, fazendo um experimento com moscas, animais mais práticos de manusear em laboratório.

TROCA-TROCA

"O que fizemos agora foi substituir a proteína de moscas pela proteína humana e avaliar se ela teria a mesma capacidade de atuar como receptor magnético. E ela tem", disse Reppert à Folha.

"Isso não significa que ela esteja exercendo esse mesmo papel em humanos, mas achamos que seria empolgante levantar a possibilidade de pessoas serem capazes de sentir campos magnéticos".

Teorias sobre magnetopercepção humana tiveram algum prestígio no início da década de 1980, quando o biólogo britânico Robin Baker publicou o livro "Navegação Humana e o Sexto Sentido".

A obra de título com apelo místico caiu no gosto dos adeptos da Nova Era, mas outros cientistas acabaram desistindo da ideia após tentarem replicar os experimentos de Baker sem sucesso.

Reppert cita o trabalho de Baker em seu último estudo na revista "Nature Communications", mas lança uma hipótese um pouco diferente. Para ele, caso a magnetopercepção exista em humanos, sua função não seria a de mostrar os pontos cardeais.

"Chamar esse mecanismo de bússola talvez seja um pouco de exagero", diz Reppert. "Uma bússola ajuda um animal a manter uma direção constante, como no caso das aves migratórias. O que estamos propondo é que o criptocromo teria mais a ver com o modo como humanos percebem o espaço".

Segundo o cientista, relacionar a magnetopercepção com a visão humana foi uma ideia natural, pois os criptocromos atuam na regulação do relógio biológico humano com auxílio da luz.

"A capacidade de sentir campos magnéticos já foi comprovada em diversos animais. Não existe nenhuma razão para descartar de antemão que ela exista em humanos", afirma Reppert.

O biólogo afirma que pretende continuar seus experimentos com moscas e borboletas, mas não planeja estudar humanos pessoalmente. "Se nossa abordagem estiver certa, porém, espero que nosso estudo estimule uma revisão dessa área de pesquisa".

FOLHA

Polêmica com gays faz Walcyr Carrasco chamar Myrian Rios de burra

O autor Walcyr Carrasco, 59, soltou o verbo sobre o que acha de Myrian Rios, 52, em seu blog.

"Nunca foi uma boa atriz", escreveu. "Para dizer sinceramente, era medíocre, pelo menos na minha opinião".

A ex-atriz, que agora é deputada estadual, causou polêmica na internet com um discurso na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

No vídeo, que foi parar no YouTube, ela relaciona a homossexualidade à prática de pedofilia.

"Eu tenho certeza de que ao longo de sua vida Myrian Rios conviveu com inúmeros homossexuais", afirma o autor. "O que a fez assumir essa posição preconceituosa?"

Carrasco disse que sua impressão é que "Myrian Rios deve ser muito burra". "Só mesmo a falta de inteligência faz alguém confundir orientação sexual com pedofilia".

"Se ela afirma que não quis dizer isso, pior", diz Carrasco. "Então, não sabe nem criar um discurso coerente".

O autor ainda lembrou da única vez em que viu a então atriz pessoalmente, quando ela ainda era casada com o cantor Roberto Carlos.

"Me espantei com o tamanho do decote e a saia curta", alfinetou.

FOLHA

Escritor Céline é excluído de comemorações oficiais na França

Na próxima sexta, completam-se 50 anos da morte de Louis-Férdinand Céline (1894-1961). Mas o que poderia ser uma efeméride como outra qualquer tornou-se um inflamado debate na França.

Dono de uma obra monumental para a língua francesa, que tem em "Viagem ao Fim da Noite" (ed. Companhia das Letras) seu maior expoente, Céline ficou igualmente famoso pelos panfletos antissemitas e pela simpatia ostentada à ocupação alemã na Segunda Guerra.

Em janeiro, quando o cinquentenário foi anunciado, entidades judaicas exigiram que o governo francês retirasse a data da "lista de celebrações nacionais", pedido acatado pelo ministro da Cultura, Frédéric Mitterrand.

Mas a decisão de passar "em branco" surtiu efeito contrário. Agora que a data chegou, Céline está estampado na capa de revistas e jornais. Numa pesquisa promovida pelo "Le Figaro", 65% dos 11 mil entrevistados disseram que o autor merece, sim, uma celebração.

Sua figura inspira uma nova peça de teatro na França e um leilão que reuniu 250 peças, entre edições originais, objetos, ilustrações e cartas.

A correspondência de Céline com o jornalista Paul Bonny, entre 1944 e 1949, por exemplo, foi vendida por U$ 51 mil (R$ 83 mil).

E há, nas livrarias do país (e na Amazon), novidades em torno de seu nome.

O lançamento central é a biografia ensaística "Céline", de Henri Godard. Estudioso do escritor e organizador de suas obras completas, Godard procura explicar --sem que isso sirva de perdão-- o antissemitismo do autor a partir de seu meio familiar, do ambiente da época e de seu caráter "colérico".

"Procurei examinar o lugar de cada obra na vida do autor e entender a relação entre elas", disse à Folha.

"Céline consegue nos deixar até hoje divididos entre o entusiasmo e o desgosto".

"D'un Céline à l'Autre" (de um Céline a outro), volume com cerca de 200 testemunhos sobre o autor, "Une Enfance Chez Louis-Ferdinand Céline" (uma infância na casa de Céline) e uma edição revista da biografia de Phillipe Almerás, "Céline entre Haines et Passion" (Céline, entre ódios e paixão), compõem a lista de lançamentos.

O MÉDICO E O MONSTRO

Céline era o pseudônimo de Auguste Destouches, médico da periferia de Paris que só começou a escrever aos 38 anos, sem envolvimento nos círculos literários que inundavam a Rive Gauche.

A partir de 1937, porém, seus escritos ganharam tons de intransigência. Em "Les Beaux Draps", panfleto publicado meses depois da chegada dos alemães, Céline alertava: ainda se viam judeus por toda parte. Acusava seu país de complacência.

O crítico francês Maxime Rovere escreveu: "Houve um tempo para julga-lo moralmente, mas esse tempo passou. Céline é hoje um testemunho precioso do lado sombrio da França".

Mas o alarde revive questões ainda hoje incômodas.

FOLHA

Com câncer, ator e diretor Marcos Paulo está internado

O ator e diretor Marcos Paulo, 60, está internado no Rio de Janeiro. Ele revelou em maio deste ano que está com câncer de esôfago e vem sendo submetido a tratamento.

Marcos Paulo está internado na Clínica São Vicente, na bairro da Gávea. A assessoria de imprensa da clínica confirma a internação, mas, a pedido da família, não revela o motivo nem o estado de saúde do diretor.

FOLHA

Quem tentar anular vai passar vergonha, diz 1° gay a casar

Ana Cláudia Barros


Ainda celebrando a conquista da manhã da última terça-feira (28), o militante gay Luiz André Resende Sousa Moresi, 37 anos, um dos protagonistas do primeiro casamento civil entre homossexuais do Brasil, conversou com Terra Magazine. Ele e o companheiro, José Sérgio Sousa Moresi, 29, conseguiram a conversão da união estável graças a uma decisão da 2ª Vara da Família de Jacareí, interior de São Paulo.
Já com a certidão de casamento nas mãos, Luiz André, conta que a cerimônia foi conduzida por um promotor público e um oficial de registro civil.
- Trocamos aliança, estouramos champagne, recebemos abraços de amigos e amigas. Foi uma alegria muito grande. Tudo muito bonito, emocionante. Foi um momento histórico, de reconhecimento de direitos pela Justiça. O legislador ainda não conseguiu fazer a parte dele e colocar esses direitos em leis. Mas temos o reconhecimento da Justiça.
Para ele, a concretização do primeiro casamento civil entre homossexuais foi mais do que uma vitória pessoal, mas de todo o movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais).
- Além da realização pessoal, minha e a do Serginho, tem a realização coletiva. Existem no Brasil militantes que lutaram a vida inteira pelo reconhecimento do casamento civil.
Na opinião do militante, coordenador da ONG REVIDA, entidade de direitos humanos e cidadania LGBT e organizam a Parada Gay do Vale do Paraíba, a decisão vai abrir caminho para outros casais do mesmo sexo.
- O Juiz e o promotor fundamentaram muito bem. Eles se basearam na Constituição Federal. Isso vai encorajar outros casais homossexuais. Vai fazer com que eles dêm entrada no pedido de casamento civil. Os juízes também vão se sentir mais encorajados a acatar a decisão.
Segundo Luiz André, que vive há 8 anos com o companheiro, a nova condição de casado não irá provocar grandes mudanças na sua rotina com o companheiro. Entretanto, ressalta que o reconhecimento do Estado tem uma valor significativo para ele e José Sérgio.
- Continuamos com mesmo sentimento de amor e o sentimento de que realmente somos uma família. Mas o que muda é o Estado nos reconhecendo como família e como casados. A união estável não muda seu estado civil e nem te dá uma certidão de casamento e não permite que você adote o sobrenome. Ela dava muitos direitos, mas faltavam esses, que são muito simbólicos.
Indagado sobre a possibilidade de reações de setores mais conservadores, respondeu firme:
- O promotor público disse hoje, de forma muito clara, que o pedido de anulação de um casamento só pode ser feito pelo casal, pela família ou o próprio promotor. Nesse caso, o casal não quer. A família também não vai pedir (a anulação) e a promotoria já se mostrou favorável. Espero que ninguém se aventure para não passar vergonha. Se acontecer, vamos levar para todas as instâncias e chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF) de novo, se for necessário.
TERRA MAGAZINE

Cruzada religiosa combate direitos civis dos gays


Marcelo Semer
De São Paulo
O vereador Carlos Apolinário, ligado à Assembleia de Deus, apresentou proposta para criar em São Paulo, o dia do "orgulho hetero", levando o projeto para votação às vésperas da Parada Gay.
A Marcha para Jesus virou palco de repúdio à decisão judicial que garantiu a união estável homoafetiva, tendo como principal estandarte que "o verdadeiro Supremo é Deus".
A deputada Myriam Rios, hoje missionária católica, fez pronunciamento na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro propagando a expressão "orientação sexual pedófila". Dizia ter medo da proximidade de uma babá lésbica a filhas pequenas ou do assédio de um motorista travesti sobre seus meninos.
Porque a incorporação de direitos civis aos homossexuais está incomodando tanto assim aos ativistas da religião?
Não são eles os primeiros que deveriam se destacar pela defesa do amor, da solidariedade e do abrigo aos mais vulneráveis?
Onde estão as tradicionais preocupações com desigualdades sociais e manifestações de fraternidade?
Há quem diga que os grupos religiosos se sentiram intimidados com a proposta de criminalizar a homofobia.
Paradoxo dos paradoxos, pois a punição do preconceito é justamente o combustível para a liberdade de crença.
Em algum lugar do mundo, membros das mais diversas religiões já sentiram na pele o terror do preconceito e da intolerância. Como reproduzi-lo, então?
Depois da decisão do STF que autorizou a Marcha da Maconha, reconhecendo o legítimo direito à manifestação, muitos disseram em um misto de birra e revolta: se vale defender a maconha, vale falar qualquer coisa. Acabou-se a mística da homofobia.
É uma ideia equivocada.
Como bem explicou o ministro Celso de Mello, em voto primoroso, a liberdade deve ser garantida para expressar os mais diversos pensamentos. Mas nunca para ferir - o Pacto de San José da Costa Rica, que o país subscreveu, exclui do âmbito protetivo da liberdade de expressão todo estímulo ao ódio e ao preconceito.
Propor a legalização da maconha é legal. Dizer que os homossexuais são promíscuos, não.
Reverenciar o "orgulho hetero" também não é o mesmo que fazer uma parada gay - assim como prestigiar a consciência negra não se equipara em louvar o "orgulho branco", típico dos sites neonazistas.
A diferença que existe entre eles reside na situação de poder e de vulnerabilidade.
Os movimentos negros e gays se organizam pela igualdade e procuram combater a discriminação - o "poder branco", memória do arianismo, busca exatamente reavivá-la. Não quer igualdade, quer supremacia.
Basta ver que a proposta do "orgulho hetero" se impõe como um resgate da "moral e dos bons costumes", tal como uma verdadeira cruzada.
Por fim, mas não menos importante, a absurda vinculação entre homossexualidade e pedofilia.
Não é grave apenas pelo que mostra - um profundo desconhecimento da vida. Mas, sobretudo, pelo que esconde.
Jogar o defeito no outro, no diferente, naquilo que não nos pertence, é o primeiro passo para esconder o mal que nos cerca, e assim evitar sua punição.
Em vinte e um anos de judicatura criminal, vi inúmeros padrastos molestaram sexualmente suas enteadas, tios violentarem suas sobrinhas e até mesmo pais condenados por estupros seguidos em meninas de menos de dez anos. Na grande maioria dos casos, os crimes são praticados por heterossexuais.
Não se trata de tara, perversão ou qualquer outro atributo de fundo moralista. É simplesmente violência.
Misturar as estações não é ruim apenas por propagar um preconceito infundado. Mas por nos distanciar do problema e, em consequência, da solução.
Quando um dogma supera as lições que a vida nos traz, quando o apego à filosofia é maior que o amparo a dor, quando até o sempre solidário cerra os punhos, um sinal de alerta se acende.
É preciso relembrar que somos todos humanos.
Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de "Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho" (LTr) e autor de "Crime Impossível" (Malheiros) e do romance "Certas Canções" (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo
TERRA MAGAZINE

Apesar da crise mundial, comércio cresce no Brasil em 2009

Alana Gandra

Repórter da Agência Brasil


Rio de Janeiro - O número de empresas comerciais estabelecidas no Brasil, estimado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), subiu 4,6% de 2008 para 2009, passando de 1,402 milhão de empresas formais, para 1,466 milhão. Essas empresas tinham 1,57 milhão de unidades locais com receita de revenda, que podem ser chamadas de filiais, e geraram receita operacional líquida no valor de R$ 1,6 trilhão. Os dados são da Pesquisa Anual do Comércio (PAC) 2009, divulgada hoje (29) pelo instituto.
Embora o percentual de crescimento tenha sido menor que o registrado em 2008 em relação a 2007 (+7,83%), a expansão foi estimulada pela demanda interna, explicou à Agência Brasil o pesquisador do IBGE Luiz Andrés Paixão. Ele disse que a crise financeira internacional, que chegou ao auge em 2009, não afetou tanto o Brasil quanto as economias norte-americana e europeia.
“O Brasil teve várias medidas tomadas pelo governo para diminuir  o impacto da crise e manter a demanda interna aquecida. Com isso, o comércio continuou mantendo resultados positivos, apesar da conjuntura macroeconômica adversa”, lembrou.
Segundo o pesquisador, a sondagem mostra que não houve uma mudança estrutural muito grande do comércio de um ano para o outro. O comércio varejista, representado por 1,2 milhão de empresas formais, seguiu liderando em termos de emprego, com 6,459 milhões de pessoas ocupadas, de um universo de 8,8 milhões.
Luiz Andrés Paixão informou, porém, que embora o total de salários pagos pelo comércio de varejo tenha atingido R$ 58,9 bilhões em 2009, contra R$ 25,3 bilhões no comércio por atacado, a remuneração média foi apenas 1,5 salário mínimo, enquanto no comércio atacadista (158,7 mil empresas), a média salarial foi 2,8 mínimos.
O comércio atacadista liderou também em receita operacional líquida (R$ 677,8 bilhões), o que equivaleu a 43% da receita comercial total. “São empresas que atuam em grande escala e revendem mercadorias para outras empresas. Por isso, conseguem gerar uma receita maior”. No comércio varejista, a receita operacional líquida somou R$ 661,1 bilhões.
Entre os três segmentos do comércio pesquisados pelo IBGE, o varejo apresentou também  o maior retorno relativo por unidade monetária de produto vendida, o que significa a maior taxa de margem de comercialização (36%). Já as taxas do comércio, do atacado e do comércio de veículos  automotores, peças e motocicletas foram, respectivamente, 23% e 19%.
Vendas de combustíveis e produtos alimentícios, bebidas e fumo são os setores que se destacaram em 2009 no comércio atacadista. No comércio varejista, o setor de combustíveis e lubrificantes  também tem forte presença, acompanhado de hipermercados e supermercados. “Isso mostra a importância que os combustíveis  têm na economia. É uma atividade muito importante para o comércio".
A terceira divisão do comércio analisada pelo IBGE é o segmento de veículos automotores, peças e motocicletas, que englobou 143,5 mil empresas em 2009, totalizando receita operacional líquida de R$ 238,5 bilhões. O segmento respondeu por 855,5 mil pessoas ocupadas e pelo pagamento de R$ 10,9 bilhões em salários.
Por regiões, a pesquisa mostra que o comércio continua predominando no Sudeste. A região concentrou naquele ano 52,2% da receita gerada pela atividade comercial, enquanto a Região Norte aparece com apenas 3,6% da receita total. “Tem muito a ver com a distribuição da população dentro do país e com a atividade econômica como um todo”, observou Paixão.
Edição: Graça Adjuto
AGÊNCIA BRASIL

França dá mísseis e fuzis aos rebeldes líbios, diz jornal

A França enviou armas aos rebeldes líbios das áreas montanhosas ao sul de Trípoli para tentar acabar com o impasse na guerra com as forças do ditador Muammar Gaddafi e permitir que os oposicionistas possam avançar até a capital da Líbia. A informação é do jornal francês "Le Figaro".

Os rebeldes líbios pediram inúmeras vezes aos países ocidentais por armas melhores, para combater as forças de Gaddafi. A coalizão, contudo, rejeitou oficialmente os apelos, com medo das consequências de armar grupos desconhecidos.

No começo da ofensiva internacional, contudo, houve relatos de que o Conselho Nacional de Transição (CNT), o órgão político rebelde, recebeu armas do Qatar e de outros emirados do Golfo em Benghazi e Misrata. A ajuda nunca foi confirmada.

Segundo o jornal, as armas incluem mísseis antitanque do tipo Milan, foguetes, fuzis e metralhadoras. Elas foram entregues aos rebeldes líbios na região de Djebel Nafusa, nas últimas semanas, por meio de lançamentos com paraquedas --que permite uma aterrissagem de grande precisão.

A "ajuda" teria vindo depois da França constatar, no começo de maio, que a ofensiva dos rebeldes não conseguia ganhar terreno na Líbia e que as frentes de batalha corriam risco de se estabilizar.

De acordo com o "Le Figaro", as armas enviadas pela França ajudaram os rebeldes a controlar uma ampla zona que vai da fronteira com Túnez a Gharian, cerca de 60 km ao sul de Trípoli. Eles tomaram as cidades de Nalut, Tiji, Al Jawsh, Shakshuk e Yafran.

O avanço garantiu ainda controle de pistas de aterrissagem por onde chegam pequenos aviões do Golfo.

A ideia é que os rebeldes consigam chegar a Trípoli para organizar uma revolta no reduto das forças de Gaddafi, com a ajuda dos mercenários do regime que estariam insatisfeitos, sem receber salário, e da própria população, que sofre uma escassez de gasolina e "não aguenta mais".

Um alto funcionário citado pelo "Le Figaro" afirma que a França agiu por conta própria, sem o apoio dos países aliados na intervenção militar na Líbia, comandada pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

FOLHA

Parlamento grego aprova pacote de austeridade

O Parlamento grego aprovou nesta quarta-feira um amplo pacote de medidas de austeridade que prevê arrecadar 28 bilhões de euros com cortes de gastos e aumento de impostos até 2015, em contrapartida a nova ajuda financeira da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A aprovação era esperada pelo mercado financeiro, em especial o europeu, que acompanhou o voto com atenção e preocupação --caso as medidas não fossem aprovadas, a Grécia não receberia o dinheiro necessário para evitar um calote da dívida que afetaria toda a zona do euro e que poderia chegar tão cedo quanto mês que vem.

Segundo a rede de TV CNN, o pacote foi aprovado com 155 votos a favor, 138 contra e 7 abstenções ou faltas. O governo precisava de uma minoria simples, de 151 dos 300 votos da Casa.

O pacote era defendido há meses pelo governo, que enfrentou greve geral, manifestação e violência nas ruas de Atenas contra os novos cortes.

O premiê grego, Giorgios Papandreou, se comprometeu nesta quarta-feira a fazer todo o possível para evitar o impacto da dívida do país.

"Não há plano B para salvar a Grécia", insistiu Papandreou na tribuna do Parlamento. "Faremos tudo para evitar ao país o que supõe a bancarrota", declarou, ao recordar o risco de que, neste caso, não poderiam ser pagos salários ou aposentadorias.

A maioria governamental se viu escorada pela deserção de uma deputada da conservadora Nova Democracia, que abandona a disciplina de partido e votará a favor do plano de ajuste. A isso se une a mudança de opinião de um dos deputados dissidentes da formação governamental socialista.

"A votação é crucial para o futuro da Grécia e da Europa, e não posso assumir a responsabilidade que meu país empobreça nem a derrubada da UE", afirmou o deputado Thomas Rombopoulos durante o debate parlamentar prévio à votação.

O plano de austeridade proposto pelo governo socialista inclui privatizações, novos impostos sobre renda e propriedades e cortes de salários e aposentadorias - incluindo 6,5 bilhões de euros em aumentos de impostos e cortes de gastos estatais ainda neste ano.

Está prevista também a redução da força de trabalho do setor público em 25%, ao mesmo tempo que será elevada a 40 horas semanais a carga de trabalho e serão estipulados novos contrato com um salário mínimo de 500 euros mensais.

A Grécia, uma das mais afetadas pela crise da dívida europeia, já recebeu em 2010 um pacote de resgate de US$ 160 bilhões da União Europeia e do FMI. O país, contudo, não conseguiu cumprir as metas fiscais previstas.

O pacote de austeridade era exigido pelos europeus em troca da quinta parcela do primeiro pacote (de 12 bilhões de euros previsto para julho) e do novo pacote de resgate, que deve ultrapassar os US$ 100 bilhões.

FOLHA

Exorbitâncias do BNDES

Mais uma vez o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está pronto para se meter numa aventura perigosa, injustificável sob todos os pontos de vista e claramente estranha - para não dizer contrária - ao interesse público. A instituição poderá aplicar uma soma equivalente a até 2 bilhões no projeto de fusão dos Grupos Pão de Açúcar e Carrefour, anunciado ontem oficialmente em São Paulo e em Paris. Aquele valor apareceu num breve informe divulgado ontem pelo banco. A fusão, segundo a nota do BNDES, abrirá caminho para maior inserção de produtos brasileiros no mercado internacional.
A justificativa é tão frágil e tão ou mais absurda do que as alegações apresentadas para seu envolvimento nas incursões internacionais do Frigorífico JBS e no socorro a outros grandes grupos brasileiros. Mas há várias novidades na operação agora em estudo. Se for concretizada, o maior banco de desenvolvimento do mundo ajudará um grupo estrangeiro a unir-se a um nacional numa fusão potencialmente danosa ao consumidor, sujeita a restrições dos órgãos de defesa da concorrência e passível de contestação pelo grupo francês Casino, atual sócio do Pão de Açúcar.
Segundo a Estater, empresa financeira responsável pela estruturação do negócio, o BNDESPar, braço de investimento do BNDES, entrará com 1,7 bilhão. A direção do banco, aparentemente, está disposta a um envolvimento maior, porque a nota de ontem menciona a aplicação possível de até 2 bilhões. De acordo com a informação divulgada pela Companhia Brasileira de Distribuição, sócia brasileira do Pão de Açúcar, o BNDES entrará com R$ 3,91 bilhões e o outro novo sócio, o Banco BTG Pactual, com R$ 690 milhões.
O BNDES já se meteu em vários negócios em que nunca deveria ter entrado e, além disso, tem privilegiado, em seus financiamentos, alguns dos maiores grupos do País, apesar de serem capazes de obter créditos privados tanto no exterior quanto no mercado financeiro nacional. Algumas das aventuras mais notórias foram as operações com grandes frigoríficos. Um deles enfrentou, depois, dificuldades financeiras. O outro se meteu em conflito com sócios na Itália, teve problemas nos Estados Unidos e precisou converter em ações as debêntures entregues ao banco.
Até aqui, o BNDES fez um papel deplorável em sua tentativa - a expressão é do economista Rodrigo Constantino - de criar uma Boibrás. A tentativa foi duplamente grotesca. Primeiro, porque a pecuária brasileira ganhou importância mundial, já há vários anos, sem esse tipo de intervenção. Segundo, pela incompetência negocial na condução dessas operações.
Mas o banco se meteu em outras aventuras, como o apoio à fusão de grandes grupos industriais em apuros. Como emprestador, já deixou ao relento muitas empresas pequenas e médias, preferindo favorecer as grandes e menos necessitadas de empréstimos oficiais, incluída a Petrobrás. De janeiro a abril deste ano, grandes empresas ficaram com 55% do valor desembolsado em financiamentos, mas esse dinheiro correspondeu a apenas 6% das operações.
Desta vez a diretoria do banco se dispõe a assumir riscos especialmente grandes. Juntos, Pão de Açúcar e Carrefour passarão a ter 1.202 pontos de atendimento em 178 municípios espalhados pelo País e controlarão 27% do setor de supermercados. Em defesa da fusão, o empresário Cláudio Galeazzi, sócio do BTG, cita o Grupo Walmart, que detém 32% do mercado americano e por isso ofereceria preços mais baixos. Resta ver a avaliação das condições de mercado pelos especialistas americanos.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já examina vários casos de concentração no varejo, alguns com participação do Pão de Açúcar. Além disso, os efeitos da fusão serão analisados provavelmente sob a perspectiva regional e não só nacional. Mas o negócio envolve também outro tipo de riscos. Segundo dirigentes do Casino, a fusão viola um acordo assumido pelos acionistas brasileiros do Pão de Açúcar. Nada justifica o envolvimento do banco estatal e é até difícil entender o interesse de seus dirigentes. Agem por sua conta ou cumprem ordens? Seria oportuna uma resposta da presidente Dilma Rousseff. 
ESTADÃO

Polícia faz operação na Rocinha para procurar corpo de jovem desaparecida

SÃO PAULO - A Polícia Civil realiza na manhã desta quarta-feira, 29, uma operação na Favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul do Rio, para procurar o corpo de Luana Rodrigues de Souza, de 20 anos, que está desaparecida desde o dia 9 de maio.
Participam da ação 100 policiais da Delegacia de Homicídios (DH) e cerca de 30 agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Às 8 horas, as equipes já estavam na região fazendo uma varredura.
Uma amiga de Luana, identificada apenas como Andressa, também teria sumido. Segundo informações iniciais, ela acompanhou a jovem até a favela. Ainda não há registro de queixa sobre esse desaparecimento.
A polícia investiga se Luana foi morta por traficantes. A motivação do crime não está clara, mas a polícia investiga se Luana, que namorava um morador da Rocinha, também iniciou uma relação com um policial militar. Mesmo sem a confirmação oficial das mortes, os pais dela celebraram uma missa em memória da filha.
ESTADÃO

Deputados tiram poder da Fifa sobre obra pública

A Câmara dos Deputados diminuiu os poderes da Fifa e o Comitê Olímpico Internacional (COI) na definição de gastos das obras para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. A alteração foi feita ontem à noite na votação da medida provisória que cria as regras especiais de licitação para obras dos dois eventos, o chamado Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC). O texto, que será votado agora pelos senadores, também deixou mais claro que os órgãos de controle terão acesso aos orçamentos previstos nos editais das obras.
"Houve um consenso para que isso saísse do texto", disse o líder do PT, Paulo Teixeira (SP). "Isso era secundário para o governo e só saiu porque todos concordaram", emendou o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Antes da alteração, a Fifa e o COI ficavam acima da Lei de Licitações e podiam exigir a qualquer momento reajustes no valor dos contratos das obras - os chamados aditivos.
Com o acordo fechado entre os líderes, a Fifa e o COI ficam sujeitos à Lei de Licitações, quando forem propor os aditivos às obras para os eventos no Brasil. A Lei de Licitações (Lei 8.666/93) fixa o limite de 25% para obras e de 50% para as reformas nos contratos de aditamento.
Segundo Vaccarezza, a retirada dos superpoderes da Fifa e do COI foi um pedido do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Na Câmara, parte do PMDB resistia à proposta, mas acabou cedendo. "Vamos aprovar, mas sabemos que isso é uma exceção", observou o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). "Estamos abrindo uma exceção em nome da moralidade pública. Essa proposta não poderia ser votada agora", argumentou o líder do DEM, ACM Neto (BA), um dos primeiros a reclamar dos poderes ilimitados concedidos à Fifa e ao COI.
A alteração no texto da medida provisória suprimiu o parágrafo único do artigo 39. Ele previa que a Fifa e o COI poderiam determinar as mudanças que julgassem necessárias nos projetos e na execução das obras e serviços sem o limite de aditamento de contratos previsto na Lei de Licitações. Os governos também podem solicitar aditivos, mas sempre submetidos aos limites impostos pela norma.
Transparência. Ao concluir ontem a votação da medida provisória que cria regras especiais de licitação para as obras da Copa e da Olimpíada, o relator José Guimarães (PT-CE) incluiu emenda de redação ao texto que deixou mais claro que os órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União, não podem sofrer nenhum tipo de restrição no acesso aos editais, aos preços sigilosos e aos processos de licitação.
ESTADÃO

luishipolito@outlook.com

Carregando...